Livros do Brasil reedita Dune em Português

Retrato de jrmariano

Acabou de ser republicado em Língua Portuguesa pela editora Livros do Brasil, na sua Colecção Argonauta, uma das obras-primas da ficção ciêntífica: Dune, o primeiro livro da saga de Frank Herbert.

Este marco do género, que já figurou em filmes, séries de TV, BD, boardgames e um RPG, já há um quanto tempo que estava esgotado em língua portuguesa e era quase impossível de ser adquirido.

Contudo a sua história épica de casas imperiais 10000 anos no futuro que competem pela substância mais valiosa no Universo Conhecido, a Especiaria Miscelânea, cuja única fonte encontra-se numa planeta deserto chamado de Arrakis ou simplesmente Dune, populado esparsamente por nativos chamados Fremen que convivem com condições de vida impossíveis e vermes gigantes, não podia ficar muito tempo sem estar disponível.

Compram, leiam e "Abençoado seja o Fazedor!".

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A razão porque a Livros do Brasil devia sofrer uma Jihad:

Quem me conhece sabe que evito ao máximo fazer discursos destrutivos relativamente a tudo o que envolve obras de culto com adoração fanática ou entusiástica. Compreendo até que os livros quando são adaptados ao cinema tornem-se um item diferente do original e que desde que seja respeitada a essência do que fez o livro uma obra-prima literária ou um objecto estético digno de curiosidade. Lembro-me efectivamente de por graça ter acusado o Gandalf de ser uma imitação do Dumbledore em frente a um par dos puristas de Tolkien pois estavam a ser demasiado picuinhas e mesquinhos quanto à versão do Peter Jackson.

Reconheço também que o trabalho de um tradutor não é tão fácil como parece, ainda por cima quando se pretende traduzir autores cuja prosa é fascinante e intricada, como a de Frank Herbert. As escolhas arbitrárias feitas quando se traduze este ou aquele termo específico do glossário de um universo ficcional são por mim facilmente toleradas desde que sejam aproximadas em significado e não se tornem em si palavras que dificilmente são pronunciáveis ou compreendidas.

O que não compreendo é como é que um tradutor não usa repetidamente em parte diferentes da obra a mesma tradução para certas palavras-chave (Globoluz e depois luciglobo), como é que existem gralhas e erros ortográficos em quase todas as páginas (e não só nos termos criados pelo autor) e como é que se traduzem mal passagens-chave da obra que tiram completamente o sentido às cenas narradas e 
e destroem completamente o seu propósito. Por exemplo:

Depois do jovem Paul Atreides ser testado pela Madre Reverenda Gaius Helen Mohiam das Bene Gesserit quanto à sua razão humana através do teste da caixa impelido pelo seu Gom Jabbar (e não Gom Jaffar), uma agulha venenosa de ponta, a bruxa avisa Paul quanto ao perigo da ingestão da Água da Vida, o último teste para verificar se este é o há muito procurado Kwizath Haderach, figura mítica detentora de poderes de razão e percepção sobrehumanos que já há séculos é cultivado geneticamente por esta ordem.

Bem a passagem que acaba esta cena e este capítulo é originalmente a seguinte:

"Your Kwisatz Haderach?"
"Yes, the one who can be many places at once: the Kwisatz Haderach. Many men have tried the drug . . . so many, but none has succeeded."
"They tried and failed, all of them?"
"Oh, no." She shook her head. "They tried and
died."

E a tradução em português comete um erro tão infeliz como este:

"- O vosso Kwisatz Haderach?
- Sim, o que pode estar em muitos lugares ao mesmo tempo: o Kwizats Haderach. Muitos homens tentaram a droga... tantos, mas nenhum obteve sucesso.
- Tentaram e falharam , todos eles?
- Oh, não - ela abanou a cabeça. - Tentaram e falharam."

As palavras a negrito são da minha responsabilidade e é fácil constatar como o sentido do desfecho desta cena é completamente transformado chegando a roçar o ridículo.

Todos os que lerem esta edição de Dune facilmente constatarão que tradutor Eurico da Fonseca e e a Revisora Dália Moniz fizeram um trabalho que não faz justiça à obra de Frank Herbert nem a qualquer outra que sofresse tal tratamento.

Espero que a toda a gente a quem eu empreste esta versão (e que cheguem até a comprar) pois preferem ler na nossa língua tenham atenção redobrada ao que estão a ler para não cometerem erros de compreensão. E talvez devessem usar a memória que têm do filme ou da série de Dune para preencher as passagens disformes que esta tradução apresenta.

Este livro não passou definitivamente o seu teste de  amtal!

Bi-la Kaifa!

"Se alguma vez sou coerente, é apenas como incoerência saída da incoerência." Fernando Pessoa

sopadorpg.wordpress.com - Um roleplayer entre Setúbal e Almeirim
Ludonautas Podcast - Viajando, sem nos movermos, pelos mundos do RPG

Fazer uma boa tradução

Fazer uma boa tradução hoje em dia parece que é realmente dificil. Já não é o 1º livro traduzido que encontro cheio de gralhas e traduções "a martelo" directamente da expressão equivalente da lingua original. O que é uma pena quando se sabe que cada tradução é revista várias vezes. Uma vez li um traduzido por 2 pessoas e que estava horrivel! De qualquer maneira há sempre algumas coisas que não se conseguem traduzir bem, e é preciso alguém mesmo dotado para traduzir a riqueza de Dune competentemente. Mas tais pessoas estão a traduzir poesia e obras ao nivel de Nobel, porque essas "merecem" realmente algo bom. E então as obras importantes mas menos conhecidas do publico português, não contam? Dune de certeza que se encaixa neste quadro!

Quanto aos erros, parece que as máquinas de vez em quando descontrolam-se e chegam a desformatar um livro inteiro. Como imprimem isto ás carradas de cada vez, algumas gralhas insignificantes (no entender dos editores) acabam por passar. Pena não poder haver um pouco mais de brio e profissionalismo que ensine a ultrapassar estes problemas. 

 


Light allows us to see, Darkness forces us to create...

 

Comprei o livro (DUNE) no

Comprei o livro (DUNE) no inicio desta semana, e tendo em conta o preço médio dos livros, até foi bem barato (cerca de 5,5 €) .

Actualmente estou a ler o Bons Augurios do Prachett e Gaiman (espero não me ter enganado na ortografia dos nomes Wink) em português.

e admito que cada vez mais estou desiludido com as traduções para português.

Quando era bastante jovem tentei ler a saga de dragonlance quando saiu em Português, mesmo com os meus 13 anos houve muitas coisas que não me bateram lá muito bem (o facto de toda a gente ser gnomo era uma delas) e não passei do 1º capitulo, à custa disto ganhei uma grande aversão a esta saga, que só a vim a ler muito mais tarde em inglês. E como é obvio adorei!

A partir dessa altura  a minha litratura baseou-se em livros em inglês, pois tinha desenvolvido uma grande aversão por traduções que, dentro do género fantástico/ficção cientifica, tinham muitas gralhas e inconsistencias devido aos tradutores não conhecerem bem o meio nem os termos expressões mais utilizadas.

Ganhei alguma sensibilidade em relação a traduções quando uma vez a minha mulher me pediu para traduzir uns textos sobre geografia para o mestrado dela (a minha área são as engenharias), a tradução ficou perceptivel mas era algo muito dificil de ler. Após uma pré-tradução confrontei-a com meia duzia de termos que eu achava que não encaixavam bem e ela facilmente me deu o termo tecnico que encaixava às mil maravilhas!  Com isto aprendi que mesmo percebendo a lingua que vamos traduzir é sempre muito bom pedir a opinião de alguém dentro da área para que o texto ganhe mais qualidade, lógica e fluidez!

durante muitos anos sempre com esta premissa em mente deixei de me importar tanto em ler coisas originais em inglês e escolhi ler obras mais genéricas em português, sem prestar muita atenção a alguns aspectos de tradução, verdade seja dita que devo ter lido livros que foram traduzidos já há um certo tempo e isso também deve ter ajudado a não ter encontrado nenhuma gralha de tradução.

No campo de fantasia/ficção cientifica mantive-me pelo inglês Wink

Mas agora com este livro (Bons augurios) estou-me a passar... já vou quase no fim do livro e cada vez mais estou a ter a noção que perdi muitas nuances da história à custa da má tradução...e com isto posso não estar a apreciar o livro e como tal a perder o meu tempo e dinheiro com uma obra de aparente má qualidade

comecei a torcer o nariz quando li "caça de asa X", mas pensei "nem toda a gente tem que saber as naves de star wars, vou dar um desconto", perdi toda a esperança quando vejo traduzidas "man-hours" para "homen-horas" ou qualquer coisa do género, quando a palavra "esforço" assentava que nem ginjas (e eu não percebo nada sobre tradução). houve mais coisas que topei ao longo do livro, mas este foi um exemplo gritante!

Isto não é informação especifica de uma determinada área, isto é um erro grave de cultura geral, ou então foi uma tradução feita com o babel-fish e muito mal revista pelo tradutor!

Isto mostra extrema má qualidade e preparação do tradutor, seja por desleixo ou por falta de cultura geral! quer-me parecer que o nivel dos tradutores tem estado a baixar consideravelmente!

Para acabar:

Uma palavra traduzida que eu sempre tive em grande estima é "nave espacial", provavelmente do inglês spaceship, (o tradutor na altura tinha um léxico suficientemente bom para não se resumir a traduzir à letra termos não convencionais) se este termo só aparecesse agora na nossa literatura teria sido traduzido para "barco espacial"...

este é a opinião que eu tenho dos nossos tradutores hoje em dia!

PS: não tenho grande conhecimento acerca das artes da escrita, e como podem ter visto pelo meu texto, nem é algo que eu tenha muito jeito, conheça técnicas ou que me lembre de todos os acentos necessários das palavras, mas bolas! sei apreciar um bom pedaço de texto Smile

Yaaaa Phtagnn!!

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Yaaaa Phtagnn!!

Lembro-me, ainda nos tempos

Lembro-me, ainda nos tempos idos dos anos 80, eu ter ficado entusiasmadíssimo quando saiu a primeiras edição dessa tradução de Eurico da Fonseca. Tinha visto o filme há relativamente pouco tempo e tinha comprado uma novelização atroz do filme, publicada pela Europa América, que por acaso era de uma escritora de um certo renome mas cujo nome não me recordo. Novelização atroz, um resumo muito resumido do filme, mas que me colocou a sementinha de saber mais sobre esse universo intrigante e personagens fascinantes.

Lembro-me também de ver, algures por essa altura, o próprio Eurico de Fonseca vir falar de ficção científica num dos talk shows intermináveis do Júlio Isidro que davam aos sábados à tarde, nessa época, em que ele tecia os maiores elogios a toda a série Dune. Quando soube que era ele o tradutor, pensei que o livro iria ser bem tratado, visto ele admirar tanto a obra.

O que me aparece é a "coisa" que o JR viu, com calinadas de inglês, gralhas e enganos a toda a hora, o que para mim dificultou imenso até a compreensão da história. Mais: o livro Dune veio dividido em três volumes, indo este apenas ao inicio do exílio de Paul e Jessica no deserto. Fiquei horrorizado, nunca entendendo porque o tradutor teria martirizado e desfeito a obra que tanto gostava. Foi uma das razões porque, desde aí e sempre que me é possível, leio ficção na língua original. Nunca perdoei isso ao Eurico da Fonseca, e evitei especialmente as traduções desse senhor.

Só agora, ao ler esta thread, é que se me fez luz: se calhar, o Eurico da Fonseca sempre se esteve a cagar para o Dune ou outra coisa que traduza. Mas deve ganhar bastabte massa com cada livro com sua tradução que faça que se venda, se tiver a tradução registada como direitos de autor. Assim, ele estava mas é a fazer publicidade aos livros que estava a traduzir no Júlio Isidro, dizendo o melhor que possa deles. E eu, adolescente ingénuo, caí.

Mas pouco depois recebi pelo natal a edição inglesa da Gollancz que ainda tenho hoje em dia - está aqui na minha secretária.

Verbus

Sans la liberté de blâmer, il n'est point d'éloge flatteur - Beaumarchais

I don't believe in the concept of "One True Game" - Steve Kenson, Icons