"Sleep is Death": um RPG, um computador e dois humanos entram num bar....

Retrato de LadyEntropy

"Tive uma preview do "Sleep is Death" com o [autor] Jason Rohrer na segunda de manhã, com ele como Controlador e eu como Jogador. Não sabia o que esperar. Que tipo de história iamos criar?

Acabou por se uma comédia.

Sobre homicído infantil."

 

Assim introduz Anthony Burch a sua review sobre um curioso jogo de computador Indy que apareceu recentemente no mercado. "Sleep is Death" (aka Geisterfahrer - que na realidade significa algo como "Condutor de Mentes" em alemão). O que é que SiP tem de tão extraordinário?

Bem, pode dizer-se que é o derradeiro RPG para dois. O jogo (que está a venda neste site por um valor decidido pelo cliente - que recebe também uma cópia extra para oferecer a um amigo) dá uma um interface rudimentar mas eficaz aos participantes, que, à vez, fazem uma história avançar.

 

Como é que isto funciona?

Os dois participantes ligam-se via LAN ou net, e decidem quem é o Controlador, e o outro será o Jogador. O Controlador, tal qual um GM, inicia a história criando um quarto inicial que pode ser em qualquer lado e ter qualquer coisa presente. O Jogador, então tem 30 segundos para fazer alguma coisa - pode ser mexer-se, falar, interagir com o ambiente (escrevendo mensagens na "Action Box), etc. Nesse momento, o Controlador toma controlo e tem 30 segundos para reagir ao que Jogador fez, usando as mesmas ferramentas e mais algumas -- que tem disponíveis exclusivamente visto ser ele o GM -- que lhe permitem alterar o ambiente.

Complicado? Vejamos: Estamos numa sala, parece um quarto. O Jogador tem a bola nas mãos: ele reage indo até à porta, e escrevendo "Open Door". O Controlador toma controlo e transporta-o para um novo mapa onde se vêem árvores e plantas, e manda uma mensagem dizendo "A floresta de Sherwood está em sossego, visto que ainda são 5 da manhã."

Aonde vai esta história? Não sabemos. Nem mesmo o proprio Controlador, apesar que pode ter já uma ideia definida -- o Jogador pode reagir como se isto fosse a floresta de Sherwood do Robin dos Bosques. Ou decidir que estamos no presente e na verdade ele é um polícia de uma pequena aldeia que se chama .... Nottingam.

 

"Sleep is Death" foi criado pelo Indy Developer Jason Rohrer, e encomendado para a conferência "Art History of Games" -- e subitamente tornou-se um fenómeno, com reviewers que trabalham para revistas e sites de jogos de computador a tecerem-lhe imensos elogios, estarrecidos em como que um joguinho de menos de 3 megas pode ser tão único e incrível, e permitir uma diversão tão absolutamente diferente. A verdade é que SiP é uma mistura de jogo e ferramenta. É um meio de pegar em duas pessoas, e por-lhes nas mãos um instrumento de criação de histórias, onde uma imagem vale de facto mil palavras. É um jogo onde podemos fazer Storytelling ao despique e ter duas pessoas a atirar pormenores uma à outra, a ver quem consegue ter ideias mais loucas e interessantes, ou jogar numa linha mais tradicional e simplesmente reagir como um PC à descrição do GM.... poupando tempo na descrição, e simplesmente _fazendo_ coisas. Como diz o Anthony Burcher:

 

"It's not about planning ahead, or achieving a set goal; it's about being quick, both mentally and physically. I often found myself rushing to move my character and type something clever and use an object with less than ten seconds left on the timer. It's a game of improvisation: how interesting can you be in thirty seconds? Where can you take the story?"


SiP tem vários fansites, onde fãs criam os seus próprios items e objectos pré-feitos, usando pixel-art, que depois partilham com outros fãs que se quiserem podem usar nas suas próprias história. E podem manter recordações das vossas históras à base de 1 screenshot por acção -- que depois poder ver seguidos, tendo assim uma espécia de banda desenhada para ler de recordação da vossa história.

No entanto, nem tudo é rosas neste jogo, sobretudo para o Controlador. A criação dos settings é complexa (ainda que intuitiva) e a simplicidade da pixel art dificulta a percepção do que é o quê. Já para não falar quando se está a lutar contra o tempo (30 segundos) para reagir ao que o Jogador acabou de fazer.

 

Tenho que agradecer a minha cópia ao meu amigo inglês (e fellow nerd) Luke, que me introduziu a este jogo totalmente único. O que é que estão a fazer à espera!? Agarrem já um amigo e uma cópia e vejam que loucura conseguem produzir.

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conceito simples será inovador?

Acho que a parte mais fixe é, não só o facto das histórias poderem ser partilhadas em slides, mas também a ideia que os recursos para jogo são criados pelos utilizadores e enviados automaticamente para a pessoa com a qual estamos a jogar, ou seja, cria-se uma comunidade em que toda a gente conta histórias uns aos outros trocando assim cenários, objectos, etc. naturalmente.

Sou capaz de experimentar.

A WotC devia aprender com isto para a virtual table de DDI Laughing

 

Não percebi uma coisa,

Não percebi uma coisa, quando o Controlador descreve o ambiente (seja a sala, a floresta, o que for), cria uma imagem que o outro jogador vê ou é apenas descritivo (tipo aventura de texto)?

"the drunks of the Red-Piss Legion refuse to be vanquished"

Ele CRIA mesmo o que o

Ele CRIA mesmo o que o jogador vê. Imagina que eu sou o controlador e decidi que vamos começar a história num cemitério. Faço um rápido design de um terreno à noite, desenho umas cruzes, e pronto, siga para bingo.

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Ai que o bicho comeu-me a assinatura.....

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Se bem percebi, a inovação

Se bem percebi, a inovação deste jogo em relação aos antigos jogos da Infocom, é que é contra outro jogador (e não contra o computador), e é em tempo real. É isso?

Sim, e não é bem

Sim, e não é bem "contra", da mesma forma que RPG não n é GM contra jogadores.

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"Sete Dias de Criação" - Uma Seman

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