Tzolk’in - The Mayan Calendar

Retrato de rapires

Tzolk’in - The Mayan Calendar

by: Simone Luciani & Daniele Tascini

Em Tzolk’in - The Mayan Calendar cada jogador representa uma tribo Maia e tem como objectivo desenvolver a sua tribo melhor que os outros, que é como quem diz … ganha quem tiver mais VP’s …

As opções que os jogadores têm em cada turno são muito simples, ou colocam ou retiram trabalhadores, executando as acções definidas no tabuleiro, o que faz com que as regras sejam relativamente fáceis de apreender. O difícil é dominar os tempos de jogo e executar bem as estratégias de forma a obter pontuações vencedoras.

Este jogo tem também uma particularidade interessante, pois seria só mais um, igual a tantos outros bons jogos que há por aí, não fosse o “pequeno” detalhe de ter no seu tabuleiro seis rodas dentadas ligadas entre si.

Número de jogadores: entre 2 e 4, mas é com 4 que eu gosto de jogar …

Este jogo é mesmo bom é na sua capacidade máxima e é assim que as diversas estratégias ficam balanceadas. Com quatro jogadores torna-se tudo muito competitivo, fazendo com que todas as jogadas sejam importantes para maximizar a estratégia escolhida.

O mecanismo utilizado para jogar com menos jogadores é colocar trabalhadores das cores não utilizadas nas rodas (via sorteio com os tiles de recursos iniciais) e deixa-los lá até ao final do jogo.

A minha percepção é que quando se joga com dois ou três jogadores, algumas estratégias ficam um pouco mais fortes que outras, nomeadamente a “estratégia das caveiras” e a “estratégia dos deuses”.

Interacção entre jogadores: pouca, afinal de contas é um euro …

Tzolk’in - The Mayan Calendar tem a pouca interacção que é normal neste tipo de jogos, como por exemplo, pode-se ocupar a acção que outro jogador queria ou então ganhar uma maioria (nos deuses) sobre um jogador em detrimento de outro, mas não há nada de confrontos directos.

Tempo de jogo: aproximadamente 25 a 30 minutos por jogador, mas cuidado com o AP …

Este jogo é na sua essência um worker placement, mas o que realmente o distingue dos outros da sua categoria até nem são as rodas que tem, mas sim o facto de que a realização da acção pretendida ocorre quando se retira o trabalhador e não quando se coloca.

Eu gosto muito deste mecanismo, mas também é justo afirmar que esse mesmo mecanismo é um chamariz para o AP, pois as jogadas têm que ser planeadas com alguns turnos de avanço.

Exemplo: “se eu quero comprar um edifício, tenho que colocar um trabalhador em determinada roda para quatro turnos depois fazer essa acção, consequentemente tenho que colocar um trabalhador no turno seguinte na roda dos recursos para garantir que três turnos depois tenho o ouro necessário para comprar o edifício, adicionalmente tenho também que colocar um trabalhador dois turnos depois para obter no final do quarto turno a madeira também necessária para pagar o mesmo edifício….”  Help, help … call the AP police !!!

Dependência de língua: não há nenhuma, dá para comprar em qualquer língua, é só escolher o mais barato …

O jogo não tem qualquer dependência de língua. Caso seja necessário, o livro de regras em inglês está disponível no BGG.

Componentes: são excelentes !

A arte do tabuleiro é muito boa, as rodas dentadas são muito apelativas e quem passa pela mesa de jogo pára sempre um pouco a observar. As madeiras são funcionais, os edifícios são de cartão de boa qualidade, o livro de regras está muito bem escrito e as caveiras dão um toque engraçado ao jogo.

Claro que com as rodas pintadas, este jogo fica bem mais bonito, mas para isso é preciso ter jeito e paciência.

A segunda edição do jogo já traz algumas alterações, a saber: o ouro é amarelo (na primeira edição é dourado) e o tabuleiro não é tão brilhante. Duas pequenas mas boas alterações.

Tema: está razoavelmente colado …

Para um euro puro o tema até está conseguido, pois o calendário Tzolk’in está lá, a adoração aos deuses também, a construção de templos e até o desenvolvimento das tecnologias Mayas estão presentes no jogo. Mas atenção, o jogo é um euro e o tema não é muito relevante na experiência de jogo.

Mecânicas: Worker Placement, Set Collection e Resource Management

Não vou descrever em detalhe as regras do jogo, vou apenas efectuar uma breve descrição das opções que os jogadores têm, para mais detalhes, faz favor de ler as regras.

Cada jogador começa o jogo com três trabalhadores (de um máximo possível de seis trabalhadores), além dos recursos iniciais, que advêm de dois tiles escolhidos entre um total de quatro tiles que são distribuídos aleatoriamente.

Por turno, os jogadores só podem (e devem) fazer uma de duas acções, colocar trabalhadores nas rodas ou retirar trabalhadores das mesmas, nunca podem fazer as duas acções nem nenhuma das duas no mesmo turno.

As rodas disponíveis para colocar/retirar trabalhadores são as seguintes:

Palenque – Serve para obter comida e madeira.

Yaxchilan - Serve para obter recursos diversos (madeira, pedra, ouro e caveiras).

Tikal – Serve para construir edifícios e monumentos, para melhorar tecnologias e para agradar aos deuses.

Uxmal – Serve para aumentar o número de trabalhadores disponíveis e para fazer mais algumas acções especiais diversificadas.

Chichen Itza – Serve para oferecer caveiras aos deuses (para ganhar VP’s) e para aumentar a consideração dos deuses.

O tabuleiro de jogo reserva ainda espaço para o seguinte: Edifícios (concedem habilidades e alguns VP’s) e Monumentos (concedem VP’s), quatro desenvolvimentos tecnológicos (que servem para melhorar a agricultura, a obtenção dos recursos, a construção de edifícios e monumentos e a oferta de caveiras aos deuses) e ainda há as pirâmides de adoração aos deuses (que premeiam os jogadores com recursos adicionais e VP’s).

Após todos os jogadores colocarem ou retirarem os seus trabalhadores, a roda principal é girada uma vez, fazendo com que todas as rodas secundárias girem também um espaço, fazendo com que os trabalhadores previamente colocadas avancem para outras acções mais vantajosas.

Em cada quarto de jogo os trabalhadores têm que ser alimentados (duas comidas cada) e os deuses oferecem recursos adicionais ou VP’s.

O jogo termina quando o calendário/roda principal dá uma volta completa.

A minha opinião

Actualmente, Tzolk’in - The Mayan Calendar já alcançou o top 20 do BGG e julgo que da colheita de Essen 2012 só foi suplantado pelo também excelente Terra Mystica.

Eu gosto do jogo e acho que é um bom worker placement. Tem uma curva de aprendizagem interessante, o que me faz querer voltar a jogar e experimentar novas estratégias.

Honestamente e apesar de adorar o jogo, tenho que admitir que não é tão inovador quanto poderia parecer à primeira vista, mas caramba, convidem-me para jogar que eu não hesito e jogo com um sorriso nos lábios.

O que eu gosto:

- Visualmente o jogo é mesmo giro, as rodas funcionam realmente bem e são um descanso na gestão administrativa dos recursos.

- As acções são efectuadas quando se retiram os trabalhadores e não quando se colocam, o que na minha opinião é a verdadeira inovação do jogo e o seu ponto mais forte.

- É apertadinho e não dá tempo para fazer tudo (um pouco como o Agrícola).

- É diversificado e tem profundidade estratégica, no sentido em que tem diversos caminhos diferentes para atingir a vitória.

O que eu não gosto:

- Jogadores com tendência para o AP podem tornar o jogo longo.

- Não sei se a jogabilidade será longa … situação a verificar após mais uns quantos jogos.

- O jogo não é tão bom a dois e três jogadores como é a quatro.

Obrigado pela leitura !

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Considero o Tzolk'in um

Considero o Tzolk'in um grande jogo também. Um bom jogo deve ser como esse, aditivo e seduzir para a realização de novas partidas. Por outro lado, o facto de ter vários caminhos para pontuar incentiva à experimentação, traduzindo-se em novas partidas. Jogabilidade alta, portanto.

No entanto: fiz já umas 8 partidas e em apenas uma delas (foi na primeira partida apenas com jogadores inexperientes) venceu quem escolheu a estratégia dos monumentos (os edifícios de 2.º nível que dão pontos). Ainda não estou convencido de que os monumentos remuneram suficientemente (em VP's) quem seleciona esse caminho difícil e gerador de AP e stress. O que dizes Rafael em relação aos jogos a 4 jogadores faz todo o sentido, pois é muito mais difícil contrapor com sucesso aquilo que considero serem as estratégias "broken" do jogo, que sobretudo a 2 ou 3 jogadores foram, da minha experiência, quase imbatíveis para quem as seguiu. Estratégias vencedoras em Tzolk'in: apostar o máximo no agrado dos deuses, e depositar 1 ou 2 caveiras lá em cima. Ao comprar edifícios, selecionar também aqueles que permitem subir níveis nos templos sagrados. Porque é que me parece que este caminho é desequilibrado em relação aos outros? Porque, com um mínimo de esforço e jogando "straight", se conseguem imensos pontos sem esforço adicional. Basta esperar pelo fim das eras para ganhar recursos e imensos (demasiados?) pontos, sem grande ponderação na gestão da estratégia.

Outro aspeto menor mas que merece reparo: jogar com 3 trabalhadores apenas não me parece possibilitar qualquer chance de vitória - isto entre jogadores que conhecem o jogo claro, porque não fazem erros demasiado relevantes.

Boa rewiew!


«Não há homens mais felizes do que aqueles que inventam jogos» - adaptado de Leibniz

Arquitectura

Nos meus últimos jogos utilizei a estratégia da Arquitectura e gostei, acho que é uma estratégia tão boa como a que referiste, sendo que talvez necessite de um planeamento um pouco mais cuidado.

Temos que pôr isso à prova ... e para tal, nada como marcar uma partida :)

Aceito uma partida quando

Aceito uma partida quando quiseres ;)

Acho que tens razão e ao jogar a 4 essa estratégia pode ser interessante. A 3 e 2 jogadores mantenho as minhas reservas, mas como é óbvio posso ter tido experiências particulares e estar enganado.


«Não há homens mais felizes do que aqueles que inventam jogos» - adaptado de Leibniz

Não dá para tudo...

... pois é, joguei este jogo uma vez (em Essen), gostei bastante do jogo, mas nunca mais o joguei. blush

Penso várias vezes que tenho de o voltar a jogar mas acabam por aparecer sempre outros no caminho! confused

Com mais esta excelente review fizeste-me ficar ainda com mais vontade de o voltar a jogar. Espero que seja para breve! smiley

Vamos a isso ...

... é uma questão de combinar :)

Very Nice!

Boa review, parabéns!   yes

 

Jogatinas:

Boa Review!

Onde está o gajo amarelo a bater palmas?! bem, fica o efeito sonoro, clap clap

boa

Boa crítica!

Tenho mesmo que experimentar este nova abordagem a "worker placement"

Expansão

Depois do sucesso do jogo base, claro que vem aí uma expansão.

Espero que sirva para dar replayability ao jogo e que corrija o que não está balanceado a dois e a três jogadores.

Game description from the publisher:

In Tzolk'in: The Mayan Calendar - Tribes & Prophecies, each player now controls a particular tribe, each having a special ability which only that player can use. The whole game is also influenced by prophecies that are revealed ahead of time and fulfilled when the time is right. These prophecies give players other opportunities to score points, but also affect the game in other ways.