Uma reflexão na nossa comunidade

Praticamente uma semana depois do fim da LeiriaCon 2018, queria colocar a minha reflexão de uma pessoa que começou a envolver neste hobbie nos últimos 5 anos.

Primeiro é notório o crescimento que a LeiriaCon tem tido com níveis de participação aumentar de ano para ano, um crescimento de artigos e utilizadores na Math Trade, mais jogos em segunda mão à venda, editoras e criadores de jogos a mostrarem as novidades, os youtubers e bloggers a mostrarem vídeos e escrevem artigos sobre o evento ou sobre os jogos, os posts . Normalmente é um local para ver e rever pessoas que não vemos habitualmente e passar um bom tempo.

O crescimento da LeiriaCon tem presenciado faz-me pensar que breve tenham de procurar uma nova casa para o evento (talvez nos próximos 2 a 3 anos), para ter a capacidade de haver mesas para tantas pessoas querem jogar, mas também dar espaço às editoras poderem expor e explicar os seus jogos. Não será um mau sinal, é somente um facto do crescimento da nossa comunidade.

 

Praticamente a minha experiência deste ano na LeiriaCon, foi ir para o primeiro andar e sentar numa cadeira e passar o tempo a jogar jogos nunca tinha jogado e o jogo que mais cativou durante este tempo todo foi o Samurai (1998)! O que me deixou a pensar nos dias seguintes e o que levou a escrever este artigo.O Samurai é um jogo antigo, a arte da caixa não era propriamente atraente e os componentes não eram nada de especial, mas quando passamos ao jogo em si bem só posso dizer que vale mesmo a pena, bastante tactico mas com muita simplicidade.

 

E porventura o que tem acontecido aos “jogos ditos antigos” que são realmente bons é não fazer caso deles em detrimento ao boom das novidades de jogos que tem existido de ano para ano, que depois acompanha inúmeros videos youtube, campanhas de kickstater e artigos de blog. Embora os jogos novos sofram cada vez mais de se tornarem obsoletos ao fim de alguns meses, é como se um jogo fosse um balão que vai perdendo rapidamente o ar (mesmo que não seja um mau jogo) porque simplesmente existe uma novidade e os teus amigos querem jogar a novidade.

 

E por vezes vejo na situação de jogar uma ou duas vezes um jogo e depois vem uma novidade, e aquele jogo fica arrumado uma estante até que um dia volte a ser jogado e porventura essa é parte triste porque experimentamos os jogos mas nunca podemos chegar a intitular como mestres e aprender todos os detalhes e técnicas do jogo. Aquilo que quis escrever é que tenham calma com as novidades, mas ao mesmo tempo não descurrem os “jogos antigos” porque tem um ranking mais baixo ou uma arte menos atraente até é bem possível que sejam bem melhores que jogos mais recentes.

 

 

Para acabar, vou tentar fazer do exemplo das pessoas que organizam a LeiriaCon, e tentar dinamizar mais este hobbie na minha região e talvez daqui algum tempo haja uma OesteCon (WestCon).

Bons Jogos e até uma próxima vez.

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Bem, tive a sorte de poder

Bem, tive a sorte de poder jogar um El Grande e um Age of Empires III. São dois meus jogos do meu top 10 - e um jogo tem 22 anos e o outro 11. 

O 'cult of the new' não me parece preocupante. É que à medida que o número de jogadores de jogos de tabuleiro modernos vai crescendo, também se vão diversificando os seus tipos. Continuará a ser possível encontrar jogadoeres que se dedicam de alma e coração a um só jogo - a la Magic: The Gathering - ou a um número restrito de jogos. E o seu número até aumentará.

Por outro lado, o aparecimento das apps de jogos tem permitido que se volte a explorar os bons jogos (e mais antigos) a fundo. Dou-te o exemplo do Twilight Struggle e do Through the Ages. São outros dois jogos do meu top 10 com mais de 10 anos e que eram difícies de trazer à mesa. Desde que tenho as apps respetivas, já joguei mais de 200 jogos online do TS e uns 50 do TTA - o que me permitiu explorar os dois jogos a fundo, melhorar o meu jogo e aumentar o gozo que retiro deles nas raríssimas oportunidades em que consigo jogá-los face-a-face.

Quanto à LeiriaCon, espero que continue a crescer - é um ótimo sinal! Mas, por favor, mantenham o modelo atual de organizar num hotel! Para mim, que levo a família, é o melhor que há. Posso estar despreocupado o tempo todo. Os miúdos aparecem para jogar quando lhes apetece, umas vezes comigo, a maior parte das vezes no sozinhos ou com outras crianças no espaço kids. Quando se cansam vão lá para fora jogar à bola ou vão para a piscina. E não tenho que me chatear com nada durante o fim-de-semana - nem fazer comida ou perder tempo ir à procura de restaurante, nem ter de pegar no carro, nada. É perfeito!

Cult of the new

Também antevejo a necessidade de a LeiriaCon mudar para um espaço maior daqui por uns anos e até o mencionei a alguns dos organizadores... Será, certamente, uma LeiriaCon diferente.

Aquilo de que falas já há muito que é observado por quem anda no hobby há mais tempo. No BGG chamam-lhe Cult of the New.

É um fenómeno associado ao crescimento global do hobby mas que não me parece muito preocupante. Mesmo que o aspecto "bolha" se venha a manifestar - não me parece expectável que se mantenha um ritmo de mais de 3000 títulos novos por ano - os clássicos que já mostraram o seu valor continuarão a ser jogados e apreciados.

Quem gosta de jogos acaba por descobrir os "clássicos", como tu descobriste o Samurai - já agora, há uma reedição desde 2015 com um aspecto revisto embora eu prefira o minimalismo da edição de 1998 - e perceber que há ali muito a apreciar.

Os primeiros anos de hobby são normalmente marcados por uma voragem de aquisições e uma pressa enorme em experimentar o maior número possível de coisas diferentes mas depois vai abrandando e começa a haver espaço para estes clássicos modernos...

Ultimamente tenho tentado fazer chegar jogos da minha colecção ao nickel e dime (5 e 10 partidas) e como já há algum tempo que abrandei o meu ritmo de aquisições, estou a aprofundar, e a dar a descobrir, títulos já com algum tempo e tenho verificado que, na maioria dos casos, quem os joga pela primeira vez aprecia também um conjunto de regras simples que, contudo, permite decisões interessantes e desafios aliciantes.

Talvez saia deste "projecto" uma série de reviews... Se houver tempo.

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"[...] a period when games were complex in your brain, instead of on the board."
tommynomad

Força com isso, Malgur. De

Força com isso, Malgur. De certeza que há muita gente interessada nessas excursões arqueológicas. Fico à espera...

*novo* ou *diferente*

ainda não estou convencido que o factor mais importante é a novidade (ou seja, saido este ano, ou no ano passado), mas sim o ser diferente.

nos nosso ambiente em Lx o que sinto com frequência é a vontade de experimentar coisas diferentes, sendo que o mais fácil para isso é experimentar as coisas novas

mas tivemos um exemplo giro com um jogo que é o peloponnes

estes são os jogos mais jogados deste ano nos eventos do grupo Lx

Android: Netrunner 60
Magic: The Gathering 34
A Game of Thrones: The Card Game (Second Edition) 29
Kingdomino 15
Magic Maze 12
Peloponnes 10
Trader 7
Can't Stop 6
Terraforming Mars 6
Century: Spice Road 5
Ekö 5
Hive 5
Ticket to Ride: Europe 5

Android, magic e GoT são excepções, jogos 1vs1, rápidos, que são jogados exclusivamente por algumas pessoas



O kingdomino, magic maze, trader, cant stop, hive e ticket são fillers e/ou jogos que usamos com frequência para introduzir pessoas novatas no grupo. O spice tb é bastante rápido, e o eko não conheço



Sobram 2, o Terraforming Mars, e daqueles 6 devo ter jogado uns 3 ou 4 :D que é novo, tá no top etc,



E o peloponnes.. um jogo de 2009, 600+ no bgg

E no entanto está a ser a sensação do ano, com partidas multiplas em cada noite. Vamos ver como evolui, mas parece-me que não se vai manter este ritmo.

Se o "cult of the new" é visível, em alguns aspectos, o "try it once" ainda é mais, na minha percepção.

Infelizmente nas estatisticas não temos o nº dos jogadores (era preciso uma dedicação ainda mais epica do que a que o Tiago já demonstra), mas sinto sempre que a maioria dos jogos são pouco explorados. É aprender, jogar 2 ou 3 vezes (de preferencia com 2 meses de intervalo) e venha o próximo

às vezes gozam um bocado (muito) comigo por estar "sempre no mesmo livro", mas eu vejo as coisas de forma diferente, com uma partida não é = ler o livro

uma partida é pegar no livro e folhear o 1º capitulo, mas para acabar o livro é preciso explorar mais.

é poder sentar e jogar, sem ser preciso rever as regras, é saber que depois do 2º harvest é que aparecem os vegetais (agricola). não sabemos se é no 1º "dia" ou no 2º, isso é random, mas sabemos que uma das cartas diz "take 1 vegetable"

e que nenhuma diz "EVENT: you must pay 10 food now or lose 5 points" ou "meteor hit: one of your rooms is destroyed and 1 family member dies"

é saber que o bispo anda na diagonal, mesmo antes de ter essa indicação no display (depois de mexer os peões da frente, ou melhor, das diagonais :p

mas também isto é normal, alguns gostam da novidade, outros de explorar em "profundidade",

quer dizer, a malta que vai lá jogar netrunner exclusivamente todas as semanas, se fosse ver os meus plays também dizia "fogo, este gajo desde o inicio do ano já jogou terraforming mars, gaia project E peloponnes, tsk tsk tsk, querem é experimentar muitos e depois não aproveitam os jogos" eheh

e já me estou a dispersar :D the end


O mix entre "cult of the

O mix entre "cult of the new", "experimentar o mais diverso possível" e o "Jogar o que já se conhece bem", é um cocktail difícil de preparar para agradar a todos.

No nosso grupo (ainda pequeno) o que eu vejo acontecer mais frequentemente é tentar experimentar jogos novos (novos de desconhecido, não necessariamente novo de recente), e eventualmente ir repetindo alguns porque se gostou, ou porque é aquele jogo que já está na prateleira com algum pó. Raramente se joga o mesmo jogo em duas semanas seguidas, mas acontece!

O que mais se tinha jogado até há uns meses atrás foram Star Wars Imperial Assault (fizemos 2 campanhas), e Scythe (...).

Este último jogámos várias vezes em vários encontros, chegámos mesmo a jogá-lo em encontros seguidos (o que poderá parecer aborrecido), do meu ponto de vista é essencial pois aí o tempo foi passado realmente a jogar, com jogadas pensadas e planeadas, sem o esforço adicional de ter que esclarecer dúvidas de regras. Nesse dia jogámos um Scythe em 60min, não é nenhum recorde do mundo, mas para quem tem pouco tempo para jogar isto pode fazer a diferença entre jogar 2 ou 3 jogos numa noite ou jogar um e chegar ao sem perceber bem o que se passou.

É obvio que eu gosto de jogar jogos novos, ainda mais se esses jogos novos são os que eu comprei. (quem é que não pensa assim?)

Um outro aspecto que eu encontro é: há quem goste de "jogar por jogar", ainda que sejam jogos não cooperativos mas jogá-los sem esforçar o cariz competitivo. Eu quando jogo, jogo para ganhar, é verdade que "Perder... nem a feijões" mas o resultado não é o mais importante; p.ex: sou muito mau em jogos tipo Splendor/Century: Spice Road, e não é por isso que deixo de os jogar - tenho os dois.

Ao jogar o mesmo jogo muitas vezes, os jogadores ganham invariavelmente experiência o que inerentemente os classifica como 'Jogadores Pro', e isto cria-lhes uma pressão de jogarem mais a sério, de serem mais estratégicos e de não errarem.

Não estará também na natureza de alguns, o evitar o confronto, ou a derrota por errar? E por isso o resultado mais aleatório aliado a jogar um jogo novo ser um escape para alguns?

abraço

Márcio

eu por acaso..

vou escrever sobre "jogos novos" e a mentalidade do "ganhar", e aqui também não sei se há muita gente a pensar como eu, especialmente nas 2 coisas combinadas :D

jogos novos:

eu por acaso não sinto nenhum prazer especial em jogar jogos novos, pelo contrário, normalmente aborrece-me ter de aprender regras xD a 2ª partida gosto sempre muito mais

por isso eu experimento jogos novos, com a expectativa de encontrar jogos que possa gostar muito!

imaginem que em 2018 vão sair 1000 jogos, se alguém me conseguisse dizer, por magia, e com 100% de certezas "olha, tu vais gostar do jogo X, Y e Z, os outros vais achar fraquitos"

eu ia jogar o x, y e z e nos outros nem queria saber. nem queria perder o tempo de aprender a jogar ^^

infelizmente isso não é possível, embora exista sempre alguma ajuda, nem que seja de pessoas com gostos parecidos, em que podemos ter alguma certeza de que se eles jogaram e gostaram, também vamos gostar, ou ao contrário

o querer ganhar:

o knizia aparentemente tem uma quote que é: "'When playing a game, the goal is to win, but it is the goal that is important, not the winning'"

eu não só jogo sempre com essa mentalidade, como gosto que as pessoas com quem estou a jogar também a tenham

por acaso no último jogo que experimentei, que tinha algumas regras um pouco confusas e algo complexo (um daqueles que se eu tivesse uma maquina do tempo voltava atrás para não jogar eheh)

um dos jogadores disse a dada altura "epa.. vou jogar aleatório".. epa ya :D

comparei isto antes com competir nos 100m, mas os nossos oponentes vão todos ao pé coxinho, qual é a piada?

Mas a parte do final é importante, muito importante. Depois no fim, se perdermos, não importa :) o que interessa é ter aquele objectivo durante o jogo

Extra:

O jogar para ganhar.. uma coisa que me faz um bocado comichão é quando num jogo de pontos alguém tem a hipótese de fazer uma de 2 jogadas, sem influência em mais nada (imaginem que é a jogada final e há pontos secretos, portanto não é possível saber quem vai ganhar

Jogada A: Ganho 5 pontos, e todos os outros jogadores ganham 3

Jogada B: Ganho 3 pontos

e não escolhe a hipótese B :D

Curiosamente este tipo de pensamento, para quem quer ganhar, é muito importante em 2 dos jogos que mais tenho jogado em 2018 (só comecei a registar as plays agora)

O Terraforming Mars, porque o final é decidido por todos os jogadores.

Se todos quiserem, podem prevenir o final do jogo, e fazem todos 500 pontos

Eu jogo para ganhar com 80 vs 79 se for preciso, não para perder com 300 vs 320 :p

E no Scythe, em que é possível os jogadores cooperarem para fazerem todos muito pontos (fazerem todos muitas estrelas, terem tempo de levar a popularidade ao máximo, ter todos os territórios ocupados, etc

ps: quando jogo com crianças abro uma excepção para a coisa ter piada para eles eheheh, ou com amigos que jogam muito raramente.. com gamers é guerra sempre! (:

Jogar para ganhar

Sobre o jogar para ganhar... eu também jogo para ganhar e o cutthroat não me incomoda. Nem acho que deva incomodar alguém: o jogo deve ser um desafio, a condescendência tira parte do gozo. Quando jogava Xadrez ninguém me pedia desculpa por me comer a rainha. Jogo para ganhar e perco a maior parte dos jogos. Mas o desafio, o tentar, o processo para lá chegar é o que conta.

tercix escreveu: Sobre o

tercix escreveu:

Sobre o jogar para ganhar... eu também jogo para ganhar e o cutthroat não me incomoda. Nem acho que deva incomodar alguém: o jogo deve ser um desafio, a condescendência tira parte do gozo. Quando jogava Xadrez ninguém me pedia desculpa por me comer a rainha. Jogo para ganhar e perco a maior parte dos jogos. Mas o desafio, o tentar, o processo para lá chegar é o que conta.

Eu diria mesmo que a condescendência seria desrespeitar o adversário(s) e provavelmente num Battlestar Galáctica custa muito provavelmente uma vitória.

Quanto ao tema inicial alinho muito mais pelo que o Mallgur diz nesta altura em que vou reduzindo e refinando a colecção mas a título de exemplo consegui colocar as minhas mãos num The Expanse por troca e já tinha jogado 1 vez a cópia do Lautresault e esta é a vantagem de experimentar, simplesmente fabuloso tirando as críticas que faço abertamente, o jogo é demasiado caro para os componentes que possui mas antes assim que ao contrário. Fiz 4 jogos numa semana, penso que com um Grupo fiel podia jogar-se todas as semanas pelo menos uma vez por muitos anos.

Olhando para a coleção sei que já tenho certamente sem comprar mais nada (que não se resiste) com que me entreter para várias décadas dos wargames aos 18x passando pelos splotters e voltando aos comboios com o Age of Steam e com clássicos como o Samurai que referes ou El Grande ou Tigris & Euphrates passando pelo Ra, sem esquecer o Dominant Species, etc etc etc

PedroS escreveu: por acaso

PedroS escreveu:

por acaso no último jogo que experimentei, que tinha algumas regras um pouco confusas e algo complexo (um daqueles que se eu tivesse uma maquina do tempo voltava atrás para não jogar eheh)
um dos jogadores disse a dada altura "epa.. vou jogar aleatório".. epa ya :D

Esse é o momento em que digo "pára tudo!". Se alguém está a jogar contrariado, não vale a pena insistir. E se os jogadores não estão a gostar do jogo, então devem interromper e arrumá-lo.

Quanto ao resto, e concordando inteiramente com essa frase do Knizia, não acho que jogar para ganhar seja mau. Pelo contrário: é uma questão básica de respeito para com o adversário. Se, por exemplo, estou a jogar Twilight Struggle e vejo que o adversário não quer usar o Wargames (uma carta que é uma espécie de golpe de misericórdia, dando imediatamente a vitória se quem a jogar tiver já uma vantagem considerável na pontuação), a piada do jogo morreu ali. Ele está a fazer-me perder tempo e a perder o tempo dele.

No entanto, abro uma exceção com os miúdos ou quando estou a ensinar a alguém um jogo que conheço bem. Ser esmagado pode ser uma experiência desagradável para quem está do outro lado e fazer com que ele não queira voltar a jogar aquele jogo outra vez. Nestes casos, tento fazer um jogo mais variado, assinalando os erros mais flagrantes e mostrando ao máximo as possibilidades que o jogo oferece. E depois, quando já mostrei que o jogo é incrível, esmago-o/a na segunda partida. evilgrin

Já agora, há mesmo gente que prolonga o Terraforming Mars até aos 300 pontos? Mas isso não faz sentido! Há sempre alguém que está numa posição mais favorável e a quem não interessa que o jogo se arraste - sob pena de perder a vantagem e de lhe passarem à frente.

300 não :p

era um exagero, mas no fundo é a mesma mentalidade daquela jogada A ou B

Na próxima Gen os outros fazem mais pontos que eu.. mas eu também faço alguns, let's go

Ainda em relação à "mentalidade de ganhar"

Sobre a mentalidade de ganhar, e a propósito de uma ocorrência que se passou na passada 4ª feira cheeky (ainda que, de certo modo e neste caso, involuntária mas com semelhanças com a thread em baixo, lol), eis aqui outro aspecto:

"Some people deal with competative pressure by playing sub-optimally on purpose. Sabotaging yourself lets you just enjoy the ride. Maybe he's just the kind of person who knows he'll beat himself up if he loses after trying really hard to win. Sometimes super-competative people just purposefully lose or play badly so that they can keep their competative streak in check. Basically, if you are this kind of person you will understand what I am saying. If you aren't, you won't."

Link

https://boardgamegeek.com/thread/381853/whats-lowest-score-youve-seen

Quanto ao "cult of the new"

Quanto ao "cult of the new" eu sou um bocado contra. Só para acrescentar ao teu comentário.

Estive na LeiriaCon enquanto organizador e como devem ter percebido já somos poucos para explicar jogos, mas de vez em quando ainda o fazemos, especialmente em horas menos concorridas.

Durante esta LeiriaCon expliquei apenas 3 jogos e foram eles:

Tigris & Euphrates

Saint Petersburg 

e Princes of Florence.

E pelo que consegui perceber no fim todos os que jogaram os jogos que epliquei adoraram. Os clássicos continuam a brilhar ;) 

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Discussão interessante. Como

Discussão interessante.

Como sou relativamente novo nos boardgames (pouco mais de um ano) a minha visão do assunto pode ser relativamente diferente. Apesar de no início achar estranho andar a experimentar jogos novos sem antes dominar os jogos já jogados (pelo menos o que se gostam), rapidamente, e muito devido à dinámica do grupo que me acolheu (Évora) passei achar interessante em descobrir jogos novos todas semanas. 

Basicamente sinto que é ter oportunidade de ter um problema novo e tentar resolvê-lo da forma mais eficiente possível. Se estiver num jogo competitivo, claro que isso envolve vencer.

Claro que com o tempo sinto que a vontade de conhecer jogos novos está a mudar. Basicamente agora tento apenas experimentar jogos em que tenha alguma curiosidade, seja pelo tema, por algo que tenha lido ou visto na net ou conselho de alguém. Isto devido a não ter tempo para tudo e, sinceramente, tenho sempre a vontade de poder jogar os jogos que comprei pelo menos um nº decente de vezes. A somar isso tudo (e provavelmente a maior condicionante) há que também ter em conta as vontades do resto das pessoas com quem vou jogar.

Quanto aos jogos antigos vs os mais recentes.. no início tudo era novo para mim, portanto nem conseguia perceber se o jogo era antigo ou novo. Claro que agora é diferente e confesso que os jogos mais recentes são mais "atraentes". Não só pelo grafismo e material, mas também pelas mecânicas. No entanto não deixo de ter curiosidade de experimentar alguns "clássicos". Como disse acima, isso não quer dizer que não vá experimentar jogos mais obscuros já que muitas vezes depende dos outros jogadores que estão na mesa.

Notei também que a discussão derivou para, não sei como chamar, "a forma como se joga"(?).

Jogo, como disse acima, para ganhar, mas o jogo continua a ser o objetivo em si. Não levo a questão de ganhar ao extremo. Por natureza não jogo de forma agressiva e por norma só ataco (em jogos em que isso é uma opção) se a estratégia que estiver a utilizar necessitar dessa ação. Abomino a batota e detesto utilizar mais tempo na minha jogada do que o razoável. Vencer não está acima do tornar o jogo algo agradável para todos.

Same here

lbaixinho escreveu:

Jogo, como disse acima, para ganhar, mas o jogo continua a ser o objetivo em si. Não levo a questão de ganhar ao extremo. Por natureza não jogo de forma agressiva e por norma só ataco (em jogos em que isso é uma opção) se a estratégia que estiver a utilizar necessitar dessa ação. Abomino a batota e detesto utilizar mais tempo na minha jogada do que o razoável. Vencer não está acima do tornar o jogo algo agradável para todos.

yes

gostei!

especialmente o último parágrafo!

se fosses de Lisboa convidava-te já para uma duzia de partidas de TFMars :D

///favs do perfil

Obrigado :) Gosto muito do

Obrigado :)

Gosto muito do jogo, pena que a maior parte das vezes que o joguei foi em modo solo (e que até o acho excelente nesse modo).

Quanto à questão do conflito, por exemplo até acho que o TM é simpático nisso.

eheh agressão no tfm

é simpático até outro jogador acabar de produzir, ter 8 plantinhas prontas para meter uma greenery junto a 3 cidades dele, para 5 pontos no global..

MAS..

somos os primeiros a jogar,

asteóide (ou a lua) e roubar até 8 plantas e/ou meter um tile castanho no spot no meio das cidades dele :D

Estava a referir-me que, pelo

Estava a referir-me que, pelo menos, alguns projetos que "influenciam negativamente" o jogo do adversário, são algo caras.

Por exemplo, o Hired Raiders tem um custo de 1 (+3 da compra) para te devolver 3 megacréditos ou 2 de aço. O projeto Hackers paga-se 3 (+3) para perder 1 de produção de energia e retirares 2 de produção de megacréditos (e ganhares tu).

Ambos os projetos parecem-me demasiado caros se pensarmos apenas no nosso benefício.

Sem dúvida

Que a reflexão sugerida é pertinente.

É meu entendimento, desde há muito a esta parte, que, de forma gradual e constante, nos vamos esquecendo o que nos levou a procurar este hobbie, e a cultivá-lo, e que é, julgo eu, a jogar jogos, e sobretudo, a divertimo-nos ao longo desse processo.

Seja pelos inúmeros jogos que hodiernamente se lançam - números verdadeiramente avassaladores, contabilizados nos últimos 5 anos -, seja pelo incontrolável desejo de adquirir coisas novas - vertente fortemente consumista -, certo é que muitos jogos verdadeiramente únicos e comprovadamente bons, ficam presos nas prateleiras de casa, como se uma força insondável, um feitiço talvez, os impedisse de mais se moverem dali.

Por isso mesmo é que se dá, no teu caso (do texto), a redescoberta do Samurai. E, por isso mesmo, o espírito confronta o intelecto, e suscita a dúvida, ora partilhada; e que eu, de resto, assumidamente, acompanho.

Todavia, julgo, também, que pouco ou nada mudará. O número de jogos publicados continuará a subir, até ao limite que a economia deste negócio permite, e os jogadores continuarão a adiquir jogos que, bem sabem, só serão jogados - se tiverem essa sorte - uma vez, e no prazo de dois anos. Se eu tiver 700 jogos, e jogar um diariamente (com exceção do dia de nosso senhor), necessitarei de 700 dias para os jogar, ou sejam,  313 dias (1 ano) + 313 dias + 74 dias, isto é, mais de dois anos. Ora, se nesse período adquiro, por média anual, de 15/20 jogos (fora expansões) - sim, estou a ser modesto, até porque não conto aqui a Con Alemã, etc -, quando é que terei tempo para regressar àqueles bons jogos que ficaram sob o efeito do feitiço, presos nas prateleiras? Talvez, num dia bonito de março, e no decurso da LeiriaCon, como sucedeu.

Dessa feita, acho que seria mais proveitoso, em termos de jogo e relacionamento e integração social (este é a uma outra vertente, e talvez a que considero mais relevante), traçar metas para a maioria dos jogos que assumimos como bons: por exemplo, jogar um valor mínimo de 10 jogos, e preferencialmente com os mesmos grupos (ou aproximados) de jogadores. Só assim, julgo eu, se iria consumir o jogo e, com mais interesse, criar uma memória de grupo (coletiva, portanto) sobre essa mesma experiência. Isso sim, para mim, é que representa a finalidade de jogar jogos de tabuleiro.

Claro está, esta é uma mera opinião, muito modesta, de resto, e por conseguinte, bem sei, que não há qualquer forma certa de mudar o sentido da evolução das coisas, e neste caso, de impedir que muitos e muitos jogos bons permaneçam, talvez para sempre, sob feitiços inquebráveis, e que os jogadores deixem de comprar tantos e tantos jogos, pela mera novidade, para passar a jogar e a rejogar aqueles que já compraram.

Mas, nunca desistir. :)

Abraço

HEA

Hoje eu aprendi uma palavra nova... Hodiernamente.

Não conhecia e fico com a pulga trás da orelha sobre como pronunciar... O H será mudo ou aspirado, à espanhola? Hmm...

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tommynomad

Eu também!

Uau! Também não conhecia! As coisas que se aprendem neste hobby!! :)

Sempre

a proporcionar momentos inesquecíveis!

Quanto à pronúncia, e porque sou do Norte, lê-se "Ódiérnamente".

Mas, de futuro, posso passar a escrever "atualmente", que embora seja sinónimo, não é bem a mesma coisa.

Contudo, sempre respeitando o novo acordo ortográfico! :p

Desacordo ortográfico

Pois, acho que deves continuar a escrever hodiernamente e a contribuir para manter rica a língua portuguesa. Agora em relação ao acordo ortográfico é que já estou em profundo desacordo! É um atentado à língua e cultura portuguesas e merece ser alvo de desobediência civil por parte de quem as preza.

Yes Master escreveu:

Yes Master escreveu:

Contudo, sempre respeitando o novo acordo ortográfico! :p

Tsk... Isso é que está mal.
Um homem das leis deveria saber que uma simples resolução de concelho de ministros não tem força para colocar esse estúpido documento em vigor para mais ninguém além de quem depende das ordens do governo.
Para quê andar a cumprir um acordo que estava morto havia 25 anos antes de ser zombificado? Para tentar manter o Brasil a falar Português (à sua moda que, como sempre, se estão nas tintas para os acordos ortográficos e gramaticais) em vez de os deixar de vez fazer nascer a língua Brasileira, algo que é inevitável? Que coisa mais colonialista e ultrapassada...

Entretanto, e mais importante, esta conversa fez-me recordar os tempos do ZX Spectrum e Commodore Amiga (e até um pouco da Playstation nas duas primeiras gerações).
Na altura também se faziam colecções enormes de jogos (graças à facilidade de obter cópias dos jogos) e a maioria acabava por ser jogada uma ou duas vezes para depois se experimentarem as novidades do mês.
Será que podemos retirar algo dessa história?
As bases são diferentes porque não existe nos jogos de tabuleiro a questão da plataforma em que os jogos são jogados se tornar obsoleta (com excepção dos que dependem de aplicações mas isso é, para já, um pequeno nicho), porém talvez diga algo sobre a possibilidade de se vir a sentir um "efeito bolha" neste mercado.
Não sendo pela obsolescência das plataformas, poderá ser pela especulação dos preços a que (na minha opinião) se está a assistir? Poderá ser pela simples fadiga do mercado?
Não sei... De qualquer modo, são tempos interessantes!
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tommynomad

We are all cursed!

https://en.wikipedia.org/wiki/May_you_live_in_interesting_times

~Nuno Carreira / Strilar (* Boardgamer * Roleplaygamer * Cardgamer * Onlinegamer * Geek * L5R GM *)

Ahahahah

Não sabia que o acordo ortográfico causava assim tanta urticária :)

Eu utilizo as regras do acordo, não porque o mesmo resulta de uma resolução governamental (pois a sua fonte é um Tratado internacional), mas sim porque prefiro e acompanho, na quase totalidade, as suas regras. Todavia, não é, de todo em todo, um acordo de caráter obrigatório.

Mas, bem visto, são várias as regras adotadas que se mostram de uma útil simplicidade. Por exemplo, a eliminação da colocação de um p antes de uma consoante (peremptório), ou a flexibilização da regra da consoante muda (fação, ótimo / factual e facto), ou a eliminação de hífen em algumas locuções (boa-fé ou fim-de-semana), ou ainda, a alteração da obrigação de identificar os meses e as estações iniciando por letras maiúsculas. Ou seja, tudo boas soluções, que simplificam o que não justificava complicação. E, que de modo algum diminuem a nossa língua (portuguesa e não portugueza, como há muitos anos se escrevia)

Se o acordo deveria ter sido um pouco menos abrangente, talvez sim; no entanto, a abrangência das alterações efetuadas (por exemplo, nesta palavra, que raio fazia lá o c? Para abrir o "e"? E, para isso é mesmo necessário um "c" antes do "e", ou sequer um acento? Não, pois a fonética sedimentada ao longo dos tempos salvaguarda a sua finalidade) tendem a aproximar os povos (mesmo que essa vontade decorra do interesse dos "lobbies" das editoras, como é evidente), concretamente o Português, o Brasileiro, os dos Palop e, claro está, Timor.

Mas, mesmo que não fosse esse o intuito deste acordo, sempre seria relevante e útil pela maior simplicidade que introduziu na escrita e na leitura (mais intuitiva e mais próxima da fonética).

E, se não houvesse medidas de implementação de simplicidade, ainda hoje escreveíamos "pharmácia","geraes", "Magallanes", "thesouro","commisao", "comprehendido", "introducção", "Thereza", "admittir", "commerciaes", "approva", etc; que era como se escrevia no séc XIX e XX (início).

Com isto quero dizer: havendo acordo, que há, e tendo este fonte legal, que tem, e não tendo sido questionada e apreciada a sua eventual inconstitucionalidade, aplica-o quem quer; como eu faço. Se estou certo em pensar assim ou não, pouco me importa, até porque, de tudo o que escrevi, a única palavra que suscitou curiosidade foi "hodiernamente", e esta não resultou de uma qualquer regra do acordo em discussão; já existia :)

Bem, um abraço! ;)

Discordo

Discordo, obviamente.

Mas não vou esmiuçar por aqui os motivos pois tratam-se essencialmente de opiniões diferentes sobre quase tudo o que escreveste (incluíndo a suposta simplificação contradita pela introdução de dupla grafia, inexistente até aqui), além de que seria mais um desvio desnecessário deste tópico.

Deixo apenas uma citação:

"Mas a ordem certa é esta: a língua muda, e depois muda-nos. Não somos nós que mudamos a língua, na esperança de que ela nos mude da maneira que queremos. Se o objectivo é aproximarmo-nos dos brasileiros, aproximemo-nos dos brasileiros. Logo se verá se a língua resolve aproximar-se também."

Mudar a língua à força dá mau resultado, sempre, como deu com o "pharmácia" que citas, por exemplo. Basta ler um pouco por aí para ver que o mau resultado já está à vista.

A língua é uma coisa viva e natural e, como todas as coisas vivas e naturais, evolui. O Português nesceu do Latim e o Brasileiro nascerá (nasceu?) do Português.

Este acordo é uma tentativa de abortar o Brasileiro, matando a mãe... Má ideia.

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"[...] a period when games were complex in your brain, instead of on the board."
tommynomad

Mallgur escreveu: Discordo,

Mallgur escreveu:

Discordo, obviamente.
Mas não vou esmiuçar por aqui os motivos pois tratam-se essencialmente de opiniões diferentes sobre quase tudo o que escreveste (incluíndo a suposta simplificação contradita pela introdução de dupla grafia, inexistente até aqui), além de que seria mais um desvio desnecessário deste tópico.

Deixo apenas uma citação:
"Mas a ordem certa é esta: a língua muda, e depois muda-nos. Não somos nós que mudamos a língua, na esperança de que ela nos mude da maneira que queremos. Se o objectivo é aproximarmo-nos dos brasileiros, aproximemo-nos dos brasileiros. Logo se verá se a língua resolve aproximar-se também."

Mudar a língua à força dá mau resultado, sempre, como deu com o "pharmácia" que citas, por exemplo. Basta ler um pouco por aí para ver que o mau resultado já está à vista.
A língua é uma coisa viva e natural e, como todas as coisas vivas e naturais, evolui. O Português nesceu do Latim e o Brasileiro nascerá (nasceu?) do Português.
Este acordo é uma tentativa de abortar o Brasileiro, matando a mãe... Má ideia.
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Era tao velhinho, tao velhinho que a ultima que tinha dado ainda se escrevia com PH... evilgrin

Ó Ricardo, para a próxima

Ó Ricardo, para a próxima escreve como o típico nortenho pah (<-não cumpre o AO). Eu conheço gente que, fora do contexto profissional, escreve muitas palavras com ph só por carolice. Uma delas até o nome assina como Sophia.

Eu concordo com o Pedro quanto ao AO, que claramente foi publicado desta forma por outros motivos que não o de fazer evoluir a Lingua Portuguesa. Eles não querem saber dos brasileiros, tal como os brasileiros não querem saber de nós.

E os países africanos? De certeza que se houvesse dinheiro envolvido, eles até introduziam palavras de criolo na Lingua Portuguesa..

Quanto aos jogos, acho que também evolui a maneira como se lida com eles. Quando começas, e gostas, tens um início mais frenético. Queres experimentar coisas diferentes, construir uma colecção para teres em casa e jogar, o que faz com que, durante esse processo, conheças e compares e compres se calhar mais do que realmente precisas. Depois a coisa acalma, já tens uma ideia melhor do que gostas, já tens a tua coleção mais ou menos estável, já te controlas mais. Excluo aqui os coleccionadores mais acérrimos, obviamente. Com a acalmia vem algum bom senso e dás por ti a experimentar mais jogos menos conhecidos e antigos. 

Tal como a Lingua, deve ser um processo natural. As excepções (<-com p!!) são isso mesmo, excepções. :)

Claramente o problema disto é o trabalho! Não nos deixa tempo para jogar mais!! Devíamos trabalhar ao fim de semana e descansar (jogar) de segunda à sexta! :D

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Um dos paradoxos dolorosos do nosso tempo reside no facto de serem os estúpidos os que têm a certeza, enquanto os que possuem imaginação e inteligência se debatem em dúvidas e indecisões.

Atualmente estou mais numa de

Atualmente estou mais numa de ir jogando os jogos que tenho, daí até ter começado um 10x10 Challenge justamente para ajudar a puxar para os ir colocando na mesa.

E a comprar, tentar ir mais para expansões para os que já tenho ao invés de andar no culto do novo.

Desacordos

Não deve ser surpreendente que o acordo ortográfico suscite tantas paixões. A língua é um dos mais importantes elementos unificadores e constituintes da cultura de um povo. “Minha pátria é a língua portuguesa”, escreveu Fernando Pessoa. E aproveitando esta citação, veja-se um exemplo de texto escrito na ortografia do tempo de Fernando Pessoa, precisamente o texto que a enquadra:

«Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria é a lingua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente. Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio que sinto, não quem escreve mal portuguez, não quem não sabe syntaxe, não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escripta, como pessoa própria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a orthographia sem ípsilon, como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.

Sim, porque a orthographia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-m'a do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.»

Quem apoia o acordo costuma usar ufanamente o argumento de que se não existissem acordos ainda escreveríamos farmácia com ph. Mas sem os sucessivos acordos hoje escrevê-lo-íamos sem sequer o pôr em questão. Lendo o texto acima, libertando-me da forma como aprendi a escrever, encontro-lhe grande beleza, precisamente na ortografia usada então. E fico a pensar no que perdemos. E que continuaremos a perder se continuarmos a insistir na “simplificação” da língua. Qualquer dia integraremos a ortografia usada nas mensagens de sms.

Por outro lado, estas simplificações não contribuem para a clareza da língua, antes pelo contrário: tornam a língua mais hermética para quem não a fala nativamente. Sobre este assunto e outros argumentos veja-se o seguinte artigo: http://expresso.sapo.pt/opiniao/2016-05-11-Nove-argumentos-contra-o-Acordo-Ortografico-de-1990#gs.=8gpxEo

Na minha opinião, a língua é um património histórico que deve ser preservado. Admito que se façam alterações que sustentem a sua consistência lógica, mas considero de uma extrema arrogância que alguém se julgue no direito de a modificar por decreto, sem um amplo estudo prévio, e apenas por razões tão mesquinhas como os interesses comerciais de querer vender alguns livros no Brasil. Por outro lado, as tentativas de uniformizar a língua entre os vários países, além de terem um cariz colonialista, serão sempre um fracasso. Que o demonstrem as várias tentativas feitas desde o início do século XX (http://www.portaldalinguaportuguesa.org/?action=acordo-historia). Se a nossa pátria é a nossa língua, a língua falada nesses países também será a pátria desses povos. Que direito temos nós de impor a nossa língua a esses povos? E, do mesmo modo, porque haveríamos nós de querer importar palavras e ortografias que decorrem da cultura desses países e que nem integradas estão na nossa?

Mallgur escreveu: Hoje eu

Mallgur escreveu:

Hoje eu aprendi uma palavra nova... Hodiernamente.
Não conhecia e fico com a pulga trás da orelha sobre como pronunciar... O H será mudo ou aspirado, à espanhola? Hmm...

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Já agora deixo o esclarecimento:

https://www.dicio.com.br/hodiernamente/

https://www.priberam.pt/dlpo/hodiernamente

:P

5 Stages of a Boardgame

https://www.youtube.com/watch?v=DhoPXdKXSrY

~Nuno Carreira / Strilar (* Boardgamer * Roleplaygamer * Cardgamer * Onlinegamer * Geek * L5R GM *)