Setembro 2010 – O mês da InvictaCon

Retrato de Mallgur

 

Setembro ficou naturalmente marcado pela realização da InvictaCon. Para além do trabalho que deu a todos os envolvidos na organização, acabou por dar aos mesmos oportunidades para registar algumas partidas mais do que o habitual. Afinal, em mais de 32 horas de evento haveria de sobrar algum tempo para jogar...

Isto foi um dos motivos porque registei mais partidas do que em meses anteriores.

Destacaram-se o No Thanks!, um filler a que volto de vez em quando e que tem sempre grande efeito como exemplo de um jogo simples que surpreende e envolve quem ainda não está habituado às coisas deste hobby. Gosto sempre de ver a surpresa de quem o joga pela primeira vez, em como um jogo tão simples, com uma aparente óbvia mudança de paradigma, pode resultar num exercício de entretenimento de bom efeito.

Pude também voltar a jogar Maria, que já sendo excelente, continua a melhorar com cada partida. É realmente um jogo brilhante.

Nas novidades, há que registar o Nuns on the Run, um volte-face engraçado no conceito de movimentação oculta, desta vez pondo vários jogadores a moverem-se às escondidas ao invés de um só. O tema das freiras que procuram cometer pequenos pecados às escondidas da Abadessa e da Prioresa resulta bem e proporciona algumas bocas engraçadas durante o jogo.

Estreei a minha cópia de Obscura Tempora que já estava aqui pelo armário há imenso tempo sem ser jogado. O jogo pareceu-me engraçado mas creio que a dois jogadores perde um pouco. Tenho que experimentar um dia com mais jogadores.

Nova experiência também foi o Finca. É um jogo interessante de colecção de conjuntos de fruta para entrega em certas encomendas. Tem uma mecânica curiosa para a recolha dos mesmos que é em grande parte o local onde os jogadores podem interferir uns com os outros. Nada de extraordinário mas nem por isso um mau jogo.

Joguei um jogo de dados, o Sharp Shooters. Pondo de lado a minha má relação com estes cubinhos do demo, até é uma ideia engraçada. Um jogo que provavelmente nunca ganharei, mas ainda assim uma boa forma de usar os dados... A ideia será mais tentar gerir a quantidade de dados que temos disponível para maximizar as hipóteses de sermos nós a fechar as combinações que dão mais pontos do que propriamente de obter lançamentos incríveis de uma só vez. Claro que há quem simplesmente faça lançamentos incríveis e mande tudo o que se possa parecer com estratégia às urtigas... e ganhe. Coisas de dados, coisas do demo!

Por falar em dados, também experimentei um outro jogo que os usa de forma algo inovadora e interessante. Trata-se de Claustrophobia, um jogo para dois em que um controla as forças demoníacas sob a cidade de Nova Jerusalém e outro um grupo de condenados à morte, liderados por um padre pouco convencional que tentam ou escapar ou eliminar os demónios que assombram as catacumbas, em troca do perdão para aqueles e da satisfação de uma missão para este. Os dados são a forma de determinar quais as acções possíveis tanto para os maléficos habitantes do submundo como para os incaracterísticos heróis... E também, claro, para o combate. A produção está excelente e o jogo também não é nada mau. Só joguei um cenário mas gostaria de descobrir mais.

Ainda há espaço para falar de outro jogo que usa dados, o Carson City. Não que neste seja uma mecânica central. O jogo é mais centrado na colocação de trabalhadores e mosaicos no tabuleiro mas fiquei com uma impressão algo negativa por me parecer que é quase obrigatório investir na parte dos duelos sob pena de se não conseguir ganhar com estratégias que não contemplem este aspecto. Algo a analisar em novas partidas porque não posso dizer que não tenha gostado de partes do jogo nem que me pareceu mal concebido.

O Space Hulk: Death Angel é um jogo de cartas. Usa um dado de uma forma um pouco mais convencional que os que falei antes, mas na essência é um jogo de cartas cooperativo em que os jogadores são massacrados... Supostamente seria temático e cheio de tensão, mas a verdade é que nunca senti que tivesse grande controlo sobre o que se passaria. Nos primeiros turnos ainda temos a ilusão de que poderemos vencer a imensa horda de extraterrestres que nos tenta despedaçar, mas lá para meio as ilusões dissipam-se e vamos esperando pelo inevitável momento em que somos eliminados... Talvez o volte a jogar, mas não fiquei muito entusiasmado.

Finalmente, uma novidade sem dados. Masters of Venice é um elaborado jogo económico com múltiplos aspectos a que os jogadores têm que estar atentos... É sem dúvida um jogo de grande qualidade, mas é um pouco penalizado pela enorme quantidade de coisinhas que é preciso alterar sempre que alguém faz uma compra ou venda... E tem acções num aspecto bolsista que, como quase sempre acontece, me escapa completamente. Voltarei a jogá-lo se a oportunidade surgir.

E assim foi Setembro. Tive imenso prazer em rever amigos de terras mais distantes na InvictaCon, ainda que não fossem tantos nem todos os que gostaria de aí ter encontrado, e de jogar com alguns deles coisas novas que tiveram a paciência de me mostrar... Que mais se pode querer?