Paleio de Guico - Mecânicas 2

Retrato de Mallgur

Mecânicas 2
a 2010-02-25 por Mallgur
 

Continuando a falar de mecânicas...

Betting/Wagering (Apostas)

Naturalmente que todos sabemos o que são apostas.
Este tipo de mecânica está profundamente enraizado na nossa cultura como a base dos jogos que desgraçam aqueles que padecem do vício do jogo. Reparem que até a expressão mais comum associa jogo a um problema. Este é um dos motivos porque não digo tão frequentemente como isso que sou viciado em jogos de tabuleiro. Se entre nós isso é uma piada recorrente, uma espécie de metáfora para o gosto que temos pelo hobby, quem não nos conhecer um pouco melhor pode ficar amedrontado...
Adiante.
Há muitos jogos que, ainda que envolvendo apostas não trazem mal nenhum ao mundo, muito antes pelo contrário. O problema do vício de apostar (expressão que me parece mais correcta) não é a aposta em si, ou o acto de jogar um jogo com apostas, mas o fazer-se com dinheiro e valores reais.

Não tenho nem jogo habitualmente muitos jogos de apostas. Recentemente pude experimentar algo novo, o Long Shot, em que os jogadores, para além de poderem apostar nos cavalos que vão correndo na pista, podem também comprá-los, melhorar as probabilidades daqueles que lhes interessam e até prejudicar um pouco a concorrência. É um jogo divertido em que podemos ver os jogadores a torcerem por certos cavalos, a ficarem desanimados com certos lances menos bem conseguidos para os cavalos em quem apostaram, mas no fim cheguei à conclusão que, neste jogo, colocarmo-nos em dependência do resultados das apostas é uma má opção. Pelo que pude ver, ganha aquele jogador que melhor souber avaliar qual o cavalo a comprar.
Outros jogos que usam esta mecânica, além dos que todos conhecem dos casinos e afins, são Felix: The Cat in the Sack, Winner's Circle e Wits & Wagers que consegue uma soberba mistura entre um jogo de perguntas e respostas e um jogo de apostas.

Campaign/Card Driven (Campanha/Conduzido por cartas)

Existe neste site (o extinto tujogas) uma série de artigos que explica, muito melhor do que eu poderia fazer aqui sem tornar esta coluna excessivamente longa, o que são estes jogos.
Resumidamente, são jogos, normalmente de guerra e retratando situações históricas reais, em que os jogadores têm uma mão de cartas que limita ou determina as suas possibilidades. Muitas vezes estas cartas são abstracções de eventos ou pessoas que existiram mesmo e da sua influência no decorrer da história/jogo.
Manoeuvre é um exemplo. Neste jogo de guerra que pretende emular batalhas entre exércitos do início do século XIX, as cartas representam as possibilidades de ataque das unidades, líderes importantes de cada uma das nações e até manobras específicas.
Outros exemplos serão Memoir'44, Commands & Colors: Ancients e Twilight Struggle.
Mas leiam a coluna do Brainstorm (entretanto indisponível) que vão melhor servidos.

Card Drafting (Colecção/combinação de cartas)

Neste tipo de jogo, a principal preocupação dos jogadores é ir recolhendo cartas de um conjunto disponível a todos para tentarem fazer combinações e conjuntos que os ajudem a atingir o objectivo do jogo.
Em Coloretto, por exemplo, a decisão a cada turno de um jogador é se recolhe uma carta do baralho, sem saber qual é e junta a um dos conjuntos já disponíveis na mesa ou, em alternativa, se recolhe um dos conjuntos ainda disponíveis. Tirar uma carta permite tentar melhorar um dos conjuntos presentes, mas é um risco porque, mesmo que saia a carta desejada, esse conjunto pode interessar a outro jogador que o pode recolher antes. Também Hacienda, China, Alhambrs,  Tribune: Primus Inter Pares, Lost Cities, Glory to Rome, Citadels, Saint Petersburg, Notre Dame, Taj Mahal e Ticket to Ride:Europe são jogos em que esta mecânica está presente.

Co-operative Play (Jogos cooperativos)

Esta é uma mecânica com duas variantes possíveis. De um lado os jogos cooperativos puros, em que todos os jogadores tentam atingir o mesmo objectivo. De outro os jogos em que vários jogadores cooperam contra um outro ou em que, estando aparentemente todos a cooperar um ou mais têm objectivos contrários a esses.
No primeiro caso temos, por exemplo, Lord of the Rings, em que os jogadores representam hobbits que tentam, contra as adversidades impostas pelo próprio jogo, ir ultrapassando vários cenários e eventos desta obra literária evocados pelo jogo, para levar o Anel ao coração de Mordor e aí destruí-lo. Outro exemplo de cooperativo puro será Pandemic.
Nos cooperativos com traidores ou um-contra-muitos, temos Battlestar Galactica. Um jogo passado no ambiente da famosa série em que os jogadores tentam salvar a humanidade fugindo aos vários ataques dos Cylons. Mas nem todos estarão a ajudar... podem existir alguns maléficos robots infiltrados que tentarão, passando tão despercebidos quanto possível, destruir os humanos.

Por hoje chega... Até breve!

 

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Comentários à altura

BrainStorm disse:

A minha coluna apenas fala sobre uma "parte" dos jogos que compõem a mecanica Campaign/Card Driven, mas obrigado pela confiança depositada :D

25 Fevereiro 2010 - 10:25

 

 

Hélio disse:

Card Drafting é muitas vezes referido à situação específica em que temos de escolher 1 carta da mão a partir de um número superior e passar as restantes aos outros jogadores. O processo repete-se até todas as cartas terem sido distribuídas. Exemplos: Notre Dame, Fairy Tale.

Há quem use esta mecânica em jogos que não a incluem nas regras com o objectivo de minorar a sorte das cartas que calham em mão aos jogadores. Por exemplo no Agricola. E já me apeteceu fazer nos contratos do Shipyard.

25 Fevereiro 2010 - 13:31

 

 

Asur disse:

Drafting no Brass é que era uma moca.

25 Fevereiro 2010 - 15:14

 

 

Hélio disse:

@Asur: nunca me lembrei dessa mas era capaz de ter a sua piada...

25 Fevereiro 2010 - 15:22

 

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