10 coisas que aprendi com 10 episódios de Jogador-Sonhador

Retrato de Rick Danger

Chega o Jogador-Sonhador aos dois dígitos e fica assim ultrapassada a barreira psicológica dos dez episódios - aquela que se diz estatisticamente ser o ponto antes do qual a maior parte dos podcasts termina. Que tal tem sido esta experiência?

1. Tens de fazê-lo tu mesmo
É bom termos uma comunidade o mais interligada possível, mas a verdade é que continuamos a ser muitos poucos roleplayers para que possa haver qualquer efeito de bola de neve, ou seja, só por acaso é que mais que uma pessoa se envolve no mesmo projecto. Por isso, ainda dependemos muito da iniciativa individual de cada um. Se estiverem a pensar começar algum projecto, não abram um tópico á espera de ideias ou encorajamento. Façam logo algo de concreto e só depois o anunciem, não deixando que o projecto fique a aguardar feedback para avançar.

2. Salta para os ombros dos gigantes
Há muita coisa para fazer num podcast e gravar episódios é só uma parte de todo o trabalho que dá. Ver aquilo que os outros já fazem e que ferramentas utilizam é importante para não sermos apanhados de surpresa por todo o tipo de problemas. É quase obrigatório gostar de ouvir podcasts antes de pensar em gravar um.

3. É preciso Audácia
Para o programa gratuito open-source que é, o Audacity não deixa de ter tudo o que é preciso para montar um episódio, podendo trabalhar com todo o tipo de formatos audio. Não é por aqui que é preciso gastar sequer um tostão para gravar um programa...

4. É preciso tostões
...mas é muito provável que se acabe por investir qualquer coisa em algum equipamento ou em alojamento. Pode ser que chegue usar o microfone embutido do portátil mais uns auscultadores, mas isso também pode não ser suficiente para gravar um programa durante mais de meia-hora. Há uma certa dose de experimentação que é preciso fazer para encontrar a melhor combinação entre o sítio onde gravamos, a nossa voz e o equipamento utilizado. Quando os ficheiros gravados começam a ficar maiores, também o alojamento deixa de ser à borla e o espaço disponível começa a ser uma preocupação.

5. Como o tempo voa
Ser um podcast pioneiro virado para a promoção dos RPGs implica não falar como se todos os ouvintes fossem roleplayers experientes. Mesmo com o encadeamento dos vários programas, todos os tópicos precisam de ser minimamente enquadrados. Isto quer dizer que assuntos sobre os quais poderiamos falar em cinco minutos acabam por precisar de um quarto de hora para serem amplamente explicados.

6. Como o tempo não chega
Por outro lado, é necessário aproveitar o facto de, no futuro, poder sempre haver mais um episódio - já que muito dificilmente se consegue esgotar completamente um tópico num só programa. É preferível concentrar aquilo que temos para dizer num menor espaço de tempo de forma a que o nosso monólogo não se torne demasiado aborrecido.

7. Através do silêncio
Dentro do universo total de ouvintes que descarregam o podcast, apenas uma ínfima percentagem dá feedback e envia alguma mensagem ou comentário suscitado por um determinado episódio. Certas declarações mais polémicas ou discutíveis - que facilmente causariam debate se aparecessem escritas num fórum - parecem ganhar uma certa capa de credibilidade quando são ditas num podcast e parece que, por este meio, já não levantam contestação.

8. Portugal dos pequeninos
A única maneira de um podcast português sobre RPGs se tornar verdadeiramente público e não ser apenas uma coisa que se faz para os amigos é procurar ser conhecido no Brasil, onde existe já algum interesse generalizado por este tipo de conteúdos e uma grande comunidade que adora RPGs.

9. Sociável e publicitável
Estar presente nos Twitters, Facebooks, Orkuts e etcs. é uma maneira de integrar o podcast na vida online dos seus ouvintes e não tanto uma forma de o publicitar. Assim, as redes sociais são uma espécie de alternativa ás funções de subscrição que o site do podcast sempre tem, mas que poucas pessoas utilizam.

10. Questões de calendário
Naturalmente que o conteúdo de um podcast com mais de meia-hora de duração demora sempre algum tempo a ser assimilado pelos seus ouvientes. Mesmo que, ás vezes, até seja possível antecipar a publicação de um episódio, é melhor tentar manter uma frequência suficientemente espaçada para que os episódios possam ser ouvidos. Também é natural que essa frequência varie de vez em quando por motivos pessoais mas, nessas alturas, é importante avisar antecipadamente os ouvintes.

Enfim, não sei ao certo onde este projecto vai parar, mas, para já, tem o propósito de promover os jogos de simulação narrativa para que hajam mais roleplayers, mais RPGs e mais gente com vontade de entrar neste divertido espaço de imaginação partilhada.

Obrigado a todos os que têem apoiado o Jogador-Sonhador até aqui. Chegou a altura de trazerem outro amigo também Smile ou então, de serem também maiores que o pensamento e porem ao vento o vosso próprio podcast Wink