Knight Six (Primetime Adventures)

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Sessão de PTA (Primetime Adventures)

2005-06-17 14:30
2005-06-17 19:30
Local: 

Devir Arena de Lisboa


Devir Arena de Lisboa

Eu, o The_Watcher e a nossa Eowyn combinámos uma sessão de Primetime Adventures na Devir Arena de Lisboa (www.devir.pt). Apareceram para participar, ou só para ver, ou só para cumprimentar!

Knight Six: Criação da Série

Temos mais uma série de PTA no activo, e chama-se Knight Six. Eu, o Joaquim (The_Watcher) e a Raquel (Eowyn) tínhamos combinado jogar uma sessão (a primeira de muitas, esperamos) de PTA no fim-de-semana passado, mas primeiro precisávamos de uma série...

A criação de Knight Six foi rápida e simples. A meio da semana calhou encontrarmo-nos os três online no MSN Messenger, e foi aí que discutimos os gostos de cada um, chegando rapidamente a um consenso: íamos clonar a La Femme Nikita, criando uma série à volta de condenados recrutados na prisão por uma agência secreta para usarem os seus talentos a fazer os serviços sujos do governo.

Personagens sombrios com passados sombrios a desempenharem tarefas sombrias a mando de pessoas sombrias... o que é que alguém pode pedir mais? Salvo erro, esta é a primeira vez em 15 anos de RPG que jogo/mestro algo sem quaisquer elementos de Fantástico ou Ficção Científica. Até senti um vazio no estômago quando a Raquel e o Joaquim afastaram a hipótese de uma série de FC&F; estava a penetrar em território virgem! Já me tinha passeado pelas fronteiras, olhado lá para dentro, perguntado-me como seria, mas de facto deixar completamente de lado o sobrenatural, a fantasia e a Ficção Científica acho que nunca tinha feito à excepção de um LARP publicado que mestrei há uns dois anos.

Knight Six, o nome da série, vem de uma associação de ideias. Comecei por Rainbow Six, o nome da fictícia equipa anti-terrorista criada por Tom Clancy. Rainbow é um nome excelente para um grupo de militares que só existe para passar a vida a matar pessoas, não é? Infelizmente, já não o podia roubar ao Clancy. À procura de ideias, andei a brincar com palavras. Personagens sombrios com trabalhos sombrios... talvez um nome com algo a ver com noite, sombras ou escuridão? Night Six é uma treta, mas conduziu-me de instantâneo a Knight Six. Cavaleiros honrados é tudo o que estes personagens não iam ser, por isso o nome pareceu-me um bom começo, mas, muito mais importante que isso, Knight Six soa a uma jogada de xadrez.

Isto trouxe-me uma tonelada de novas ideias. Tinha tropeçado na ideia de injectar na série uma temática de xadrez. Pareceu-me incrivelmente apropriado, e o Joaquim e a Raquel acharam o mesmo. Afinal, a série trata de personagens que são verdadeiros peões num tabuleiro, sujeitos a manipulações de toda a espécie.

Em conjunto, nós os três vasculhamos o vocabulário e a terminologia do xadrez à procura de títulos para a série; não encontrámos o título certo, mas ficámos com montes de ideias para baptizar os vários episódios. Knight Six acabou por ficar como título provisório, e está em perigo de se tornar permanente.

De resto, o tema do xadrez reflecte-se um pouco por toda a série, desde o próprio visual do genérico, aos nomes de código das operações e dos operativos e, como já referi, aos nomes dos episódios. Além de que, como nos apontou a Raquel, xadrez tem na linguagem portuguesa mais um paralelo com o assunto da série: xadrez é calão para prisão, que é exactamente de onde foram desenterrados os protagonistas. Querem casamento mais made in Heaven que este?

Quanto aos protagonistas, não houve tempo para os discutirmos antes do dia da primeira sessão de jogo. A única coisa de que se falou foi do nome que a Raquel encontrou para a sua personagem ainda inexistente (ela começa sempre pelo nome do personagem, e não avança sem ter um; engraçado!): Theresa Frostrup, também conhecida por Teri. O Joaquim e a Raquel ficaram de pensar em ideias e conceitos, e trazê-los para a primeira sessão de jogo, onde criaríamos os protagonistas antes de começar a jogar.

Leiam o resto da história em http://www.abreojogo.com/knightsix ou no meu blogue cá no site.

Knight Six: Criação do Elenco

Sexta-feira, 15:00, eu, o Joaquim (The_Watcher) e a Raquel (Eowyn) estávamos sentados numa das mesas da Devir, mesmo por baixo de uma das ventoínhas do tecto, prontos para começar a jogar Knight Six. Prontos? Bom, não exactamente: antes de jogar tínhamos de criar os protagonistas, que não tínhamos tido oportunidade de fazer antes...

O Joaquim fez o trabalho de casa, e trouxe muitas ideias para a mesa. A Raquel não tinha pensado muito no assunto, mas também não demorou a chegar a um conceito base. E foi assim que nasceram Jason Bygguns e Theresa "Teri" Frostrup, os dois protagonistas principais da equipa Knight Six.

Jason é um ex-mafioso com uma lábia impressionante, mestre dos disfarces e das imitações. É o falinhas mansas Faces dos A-Team, o fala-barato Eddie Murphy na triologia Beverly Hills Cop e o homem-das-mil-caras (não me recordo o nome) de Missão Impossível, tudo reunido num só. Foi libertado da prisão pela agência, onde cumpria pena pelo assassinato de um polícia à paisana.

Teri é uma contrabandista e ladra de primeira classe, antiga ginasta de competição. Não há nada que esteja seguro quando ela está por perto. Não importa a fechadura, a espessura do cofre ou a complexidade do sistema de alarme; se ela quiser deitar a mão a algo, é apenas uma questão de tempo e oportunidade. Como é apropriado, foi recrutada após uma épica fuga da prisão, onde roubou o meio de fuga ao prisioneiro que de facto a agência queria recrutar. Eles não ficaram contentes, mas não tardaram a descobrir que até tinham ficado a ganhar com a troca.

O issue de Jason é a Solidão; é o típico caso do homem que pode capturar a atenção e ganhar a confiança de qualquer pessoa que encontre, que pode seduzir qualquer mulher que deseje, mas que, feitas as contas ao final do dia, não tem ninguém a quem possa chamar amigo ou amante. Depois de ficaram fascinados com as personagens que ele cria, ninguém presta grane atenção ao actor, o verdadeiro Jason que vive escondido por detrás daqueles rostos e personalidades falsos.

O issue de Teri, é ser Solitária. Não gosta de trabalhar em equipe, gosta de ser dona do seu nariz, pensa sobretudo em si, não confia em ninguém e não sente lealdade para com ninguém, excepto a uma ou duas amigas de longa data.

Como podem reparar, os dois issues são bastante semelhantes, e no entanto fundamentalmente diferentes. Jason é um homem solitário em luta para deixar de o ser. Teri é uma mulher solitária em luta para o continuar a ser, porque confiar ou relacionar-se com outros são vulnerabilidades e bagagens desnecessárias. Acho os personagens vão actuar como belos contraponto ao issues um do outro, que acham?

Junto com os personagens, vieram também vários personagens secundários (Contactos e Némesis, em linguagem técnica de PTA): o mafioso amigo de Jason, a bela agente da equipa K5 em quem Jason anda de olho ("Bom, agora que já fomos para a cama, acho que me podes convidar para jantar, sim."), o informático amigo de Teri e némesis de Jason, o contacto de Teri na CIA, a amiga de Teri que trabalha nas Nações Unidas e o U.S. Marshall, némesis de Teri, que jurou não descansar enquanto ela não estiver atrás das grades outra vez.

Elenco de Knight Six

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Knight Six: Jason Bygguns


Nome: Jason Bygguns (interpretado por James Marsden)

Conceito: "Caras"/Rufia da Mafia

História: Filho de mãe italiana e pai americano, teve a vida típica americana. Escola, football americano, amigos, festas. Como era um bom jogador, estava garantida a sua entrada numa universidade com uma bolsa de estudo de desporto, mas uma lesão grave num joelho a 2 jogos do fim da época cortou-lhe a saída. Deprimido e sem saber o que fazer, dedicou-se ao teatro para aliviar a angústia da derrota na vida. Gostava de actuar, mas sempre teve a ideia de que não seria uma profissão de futuro. Caindo em mais uma depressão, foi abordado por um ex-colega de equipa que secretamente vendia drogas. "Little Nicky" Vincenzo era o vendedor da escola e aproveitou do Jason para fazer um bom pé-de-meia.
Endividado até ao pescoço, Nicky obriga-o a fazer uns trabalhinhos para a família da mafia local, e lá descobrem o talento de Jason para o disfarce. Começam a utiliza-lo para mais serviços e um dia decidem dar-lhe a oportunidade de subir na cadeia alimentar da mafia. O teste é executar um informador, que ele cumpre com extrema dificuldade. Logo a seguir da execução, a polícia entra pela porta e em três tempos ele vê-se atrás das grades por muito tempo.
Passados alguns meses de prisão, farto do ambiente, da rotina e da violência, decide com mais alguns reclusos engendrar um plano de fuga. Ao fim de 2 anos de clausura eles arriscam e tentam evadir-se, mas ninguém sabia que seria apenas uma distração para Jason sair pela porta principal, disfarçado de polícia.
Uma vez cá fora recomeça com a velha vida, com nova identidade. Alguns dias volvidos é raptado por um grupo armado que lhe põe na mesa uma proposta que ele simplesmente não pode recusar.

Issue: Solidão. Demasiado embrenhado na próxima peta que vai pregar, na próxima identidade que vai roubar, nunca se dá realmente às pessoas. Continua a fugir ao contacto directo, demasiado envergonhado com o rumo que a sua vida tomou.

Edges: Actor Amador (formação básica e intermédia em actuação de palco); Especialista em Disfarces (desde que tenha material, consegue inventar algo para parecer diferente); Rufia da Mafia (com os trabalhos que fez aprendeu a mover-se no seio da mafia e ganhou experiência no manuseamento de armas pessoais e caçadeiras)

Connections:
"Little Nicky" Vincenzo (interpretado por Peter Deluise) - o homem que o deitou para a vida do crime ainda o contacta e lhe fornece material e informação; tem uma dívida que está disposto a pagar, mas a sua lealdade pode ser discutível.




















Shelly Hurst (interpretada por Michelle Rodriguez) - namorada de inúmeros one-night-stands; membro de outra equipa da agência 'Knight Six'; poderá estar interessada em algo mais profundo, mas para isso Jason vai ter de crescer bastante.












Personal Set: Cantinho na cantina da agência onde pode ser encontrado com uma cerveja na mão a descansar das missões.

Nemesis: Joe "Specks" Bancroft (tech-geek e agente de comunicações da equipa; como não gosta da atitude de Jason (ou então algo que se esforça bem por ocultar) inferniza-lhe a vida com pequenas partidas com potencial de se tornarem perigosas.)

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Knight Six: Theresa Frostrup

Theresa Frostrup, aliás Teri Frost (para os amigos, que são poucos).

Actriz: Gina Gershon

Os pormenores sobre a vida passada de Theresa Frostrup são por enquanto escassos. Sabe-se que nasceu na Inglaterra, que é daí que vem o seu ligeiro sotaque, e que tem dupla nacionalidade Americana-Britânica. Sabe-se que foi contrabandista e ladra indiscriminada a uma escala global, tão global e tão indiscriminada que chamou a atenção às agências norte-americanas, as quais prontamente lhe deram caça e, eventualmente, a conseguiram aprisionar em solo americano. O que não se sabe é como ela entrou nessa vida, nem como se tornou tão boa no que fazia. Teri foi capturada por um U.S. Marshall de seu nome Duane Barnes, que dedicara a maior parte da sua carreira à perseguição de Teri em solo americano. Foi condenada a uma pena pesadíssima e enfiada numa prisão de alta segurança com péssima reputação. Não demorou muito a que fosse Teri a controlar o tráfego de influências, tabaco e droga dentro da dita prisão. Uma confusão por causa de domínios e territórios que acabou em esfaqueamentos atrás de grades fez com que a colocassem na solitária meses a fio. Diz-se que não regula lá muito bem dos pirolitos desde essa altura. A Knight Six acabou por a ir buscar à prisão e deu-lhe treino na condição de Teri passar a trabalhar para eles até ver. Tem-se revelado um bom valor individual, mas Teri tem dificuldade em trabalhar em equipa e de facto odeia fazê-lo. Como, até ao momento, não existe outro agente tão proficiente em técnicas de infiltração, Teri continua a ser útil à equipa, e portanto é mantida no tabuleiro de xadrez.

Conceito: Ladra e Contrabandista de renome.

Issue: Independência – trabalha mal em equipa e quer reconquistar a sua independência.

Edges: Ginasta, Especialista de Infiltração

Connections:
Joe “Specs” Bancroft – tech geek da Knight Six com uma paixoneta pela Teri e que detesta Jason Bygguns.
Haley Carstairs – amiga (uma de muito poucas) tradutora/intérprete nas Nações Unidas.
Harry Miller – tipo da CIA com quem Teri andou embrulhada há uns tempos, mas qe agora é só amigo.

Nemesis:
Duane Barnes – US Marshall reformado que originalmente foi responsável pela captura dela.

Personal Set: Ginásio.

PS: Eu depois arranjo uma foto mais piquena, ok? Peço ao MArc que me faça um daqueles polaroids ;)

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The Knight Six Team

The Knight Six Team

A equipa da campanha de PTA Knight Six no final da sessão onde criaram a série e jogaram o episódio piloto.

Da esquerda para a direita: Raquel (Eowyn), Ricardo (ricmadeira) e Joaquim (The_Watcher)

Devir Arena, 17 de Junho de 2005

Knight Six: Episódio-Piloto - Opening Moves

Foi com um grande sorriso nos lábios que abandonei as instalações da Devir Arena de Lisboa esta sexta-feira passada, após ter “produzido‿ o episódio-piloto de uma nova série de Primetime Adventures! No comando dos protagonistas da série tinha dois magníficos jogadores: o Joaquim (The_Watcher) e a Raquel (Eowyn).

O Joaquim não tinha experiência em PTA (“só‿ tinha devorado o livro e todo o material de PTA que encontrou aqui no site), mas a Raquel já era croma nisto após de uma temporada inteira a jogar a sua Rita Jamieson em Dirtside. No entanto, olhando para eles, era impossível notar qualquer diferença: ambos estavam com o à-vontade de tinha feito isto a vida toda. Eu só tive de tocar o acompanhamento, manter o ritmo, e foi vê-los e ouvi-los solar por aí fora. A Raquel será sempre a Raquel, se bem que desta vez não lhe forneci o material que realmente a faz explodir, e o Joaquim foi incrível, incrível mesmo, uma verdadeira surpresa!

Cada vez me sinto mais livre no formato de PTA. Não sei como é que os jogadores me acharam, mas do meu lado a coisa correu sobre uma engrenagem tão bem oleada que parecia magia. Os pedaços encaixavam todos, os improvisos não resultavam em becos sem saída, os pormenores e detalhes visuais porreiros apareciam sozinhos.

A cena de abertura foi muito porreira. Afastei-me do formato meu conhecido de “mostrar o problema e continuar a partir daí‿; desta vez comecei com os jogadores embrulhados no meio da acção, tal como achei que ficava bem a operacionais deste calibre. De um lado, Teri saltava os muros de uma mansão e infiltrava-se pelos jardins sem ser vista pelos guardas; do outro lado, Jason fazia passar-se por um dos mafiosos que regularmente visitavam a mansão do seu chefe e enganava os guardas para o deixarem entrar, tudo sem sair do conforto do seu BMW último modelo.

Estavam ali para localizar e recuperar os planos de uma arma de fogo ultra-secreta do exército dos EUA, que haviam sido roubados e que se desconfiava que estavam na posse do chefe mafioso que os ia vender a agentes externos. Enquanto Teri se imiscuía no escritório e entrava no computador, Jason ia ter uma conversinha com o chefe da máfia. Eis senão quando soa um alarme e a confusão se instala. Agora sim, é que o problema central que ia ser o motor do episódio inteiro começava.

O chefe mafioso estava morto, uma mulher coberta de sangue fugira da cena do crime (logo depois de manchar Jason com sangue, que assim teve de se esforçar para não ser abatido logo ali pelos guardas), e aparentemente uma terceira pessoa (que se veio a descobrir ser um antigo operativo da Knight) levara com ela os planos da arma.

Foi um início promissor, sem dúvida, que envolveu directamente os protagonistas, deu origem a um conflito, que por sua vez me permitiu gastar um pouco do “orçamento‿, gasto esse que permitiu inaugurar a “pool‿ de Fan Mail que pode então começar desde logo a ser atribuído pelos jogadores um ao outro sempre que algum deles fazia algo de especialmente interessante ou porreiro.

Todo o episódio correu sobre rodas. Ninguém bloqueou, o ritmo foi sempre de partir o pescoço, os pormenores porreiros, ideias e sugestões nasciam constantemente entre todos os participantes. Foi a primeira vez que joguei na Devir, e devo dizer que foi muito agradável. Não sei como será ao fim-de-semana, mas naquela sexta à tarde havia gente o suficiente para que não nos sentíssemos sozinhos mas não tanta que nos deixasse incomodados por falta de espaço e ruído a mais. O fresquinho que nos chegava da ventoinha tornava o espaço num abrigo ideal do calor que se fazia sentir na rua. O jogo só parou uma vez, para irmos buscar uns refrescos ao café do lado já que a máquina das bebidas da Devir não tinha nada de nada.

Senti-me mesmo bem, a jogar ali, com estes dois grandes jogares! A sessão demorou cerca de duas horas e meia; deveria ter-se prolongado um mais, mas estava tudo a correr tão bem que, por mais paradoxal que isso possa parecer, quando vi surgir a oportunidade para terminar a série a aproveitei logo ali e terminei enquanto a coisa ainda estava fabulosa e enquanto ninguém começava a olhar para o relógio e a dizer que se estava a fazer tarde. Isto embora ainda pudesse explorar a trama bastante mais (não se chegou a explicar a subtrama da amante ensanguentada do chefe mafisoso, por exemplo) e o episódio ainda tivesse pano para mangas.

Ao longo destas duas horas e meia os personagens ganharam músculo, e o setting passou de algo muito vago (reduzia-se literalmente a duas ou três frases!) para as fundações de algo bem mais concreto e intrigante. Acho que, novamente, o setting vai ser instrumental em originar dilemas porreiros para atirar aos protagonistas. Vai ser um mundo completamente pintado em tons de cinzento escuro; o Jota com certeza haveria de apreciar. Gostei especialmente quando a chefe que manda na equipa, que é uma autêntica cabra, comentou assim de passagem, como se não fosse nada de importante, que tinham cortado os analgésicos da rapariga baleada e operada de urgência para a poderem interrogar. Wooha, eles são mesmos maus! :-)

Em tanta coisa boa, só faltou uma coisa: os issues dos personagens. Nenhum dos dois foi um daqueles directos, como o Self-Worth da Rita Jamieson da Raquel em Dirtside, que eu conseguisse arranjar maneira de introduzir instintivamente, quase sem ter de pensar, numa qualquer cena de acção pura. De modo que houve muita acção, muito mistério, muito suspense, muita cena fixe, mas não houve nenhum dilema daqueles que nos atinge como um murro no estômago.

No entanto, agora que já passou o stress criativo de ter nas mãos dois protagonista que nunca tinha visto mais gordos a mexerem-se num setting e numa trama colados com cuspo, inevitavelmente as boas ideias e os planos maléficos para torturar os meus dois jogadores começam a surgir. O próximo episódio de Knight Six vai com certeza melhorar neste aspecto! Agora que tenho uma melhor ideia do setting e das pessoas que se mexem nele, vai ser mais fácil conseguir focar-me em trazer dilemas e questões importantes para a mesa.

Outra coisa que podia ter sido melhorada foi a apresentação do elenco secundário. Metade dele não fez qualquer aparição nem teve qualquer menção ou referência: o pequeno mafioso amigo de Jason, a amiga de Teri, o contacto de Teri na CIA, nenhum deles existe ainda para os espectadores. Não me recordo bem dos “Cenários Pessoais‿ dos protagonistas (um era a cantina, o outro não sei), mas acho que também não foram devidamente apresentados.

Não me lembro o que é que o livro de PTA diz a propósito do episódio-piloto, mas provavelmente será esta lição que aprendi: que no episódio-piloto que inaugura a série se deve manter em mente a apresentação do elenco secundário (não acho que deva ser obrigatória, porque uma pessoa pode ficar com uma sensação de estar ali apenas a cumprir calendário) e a apresentação dos issues (que, esta sim, deverá talvez ser obrigatória; afinal, são a coisa mais importante da série!). Há sempre aqueles momentos num episódio em que um jogador não sabe que cena chamar (o facto de isso não ter acontecido neste episódio prova o que eu disse sobre tudo ter corrido excepcionalmente bem), por isso não há nada melhor que ter uma autêntica lista de alternativas na manga, ali mesmo, disfarçadas na folha de personagem.

Bom... em resumo, foi uma tarde espectacular. Temos de regressar a Knight Six mais vezes!

Knight Six: Episódio Piloto - Ficção

Perdoem a falta de jeito, mas este texto não está grande coisa. Trata-se de uma tentativa minha para perceber melhor a Theresa Frostrup e conseguir entrar-lhe na pele mais facilmente. Desculpem lá impingir-vos isto...

Raquel "Éowyn" Correia

Theresa Frostrup entrou de rompante no ginásio da organização. Era aqui que gostava de vir quando queria desanuviar ou ter um momento para si. Conhecia as horas às quais raramente aparecia gente por ali, e de facto mais uma vez tinha o ginásio só para si.

Enquanto fazia o aquecimento, foi pensando na última missão. Muita coisa tinha corrido mal, e a prová-lo estava o facto de ambos ela e Jason terem acabado no hospital. Ainda estava a recuperar de algumas mazelas, e o exercício deveria ajudar a desempenar alguns músculos. Se ainda trabalhasse sozinha as coisas teriam corrido melhor de certeza.

Exemplo: no armazém ela teria decerto dado conta do recado se Jason não tivesse esbarrado no Bishop e estragado o efeito de surpresa. Outro exemplo: no terminal rodoviário não tinha sido ela a acertar na testemunha-chave.

Theresa iniciou um exercício nas paralelas assimétricas. No colégio inglês onde passara a maior parte da infância tinha sido uma ginasta promissora. O único senão foi que Theresa se tinha recusado a seguir a exigente dieta – Teri gostava de uma boa refeição – e de qualquer modo não jogava bem em equipa. Tinham-na tirado da competição.

Tanto melhor. Agora tinha as capacidades mas ninguém associaria o seu nome à ginástica. E não ficara com o corpo deformado das profissionais.

A ginástica era agora uma ferramenta no seu trabalho e um escape nos tempos livres. Bem precisava de um escape hoje: tinha outra vez o US Marshall Duane Barnes à perna.

Que diabo tinha o homem contra ela em particular? Fora ele quem a apanhara, e Teri tinha cumprido parte de uma pena pesadíssima numa das prisões mais lixadas, passara grande parte do tempo na solitária... que mais queria ele? E agora a Katherine azucrinava-lhe o juízo por causa dele. Teri era mais rapariga de tráfegos do que homicídio, mas seria assim tão difícil calar o tipo?

Maldito o dia em que tinha ingressado nesta organização governamental secreta. Às vezes pensava que mais valia ainda estar a apodrecer na solitária do que fazer parte da Knight Six.

Um dia haveria de mostrar à Katherine que Teri Frostrup não era o pau-mandado que ela julgava. O que era preciso era encontrar o timing certo.

Knight Six: Episódio Piloto - Next Week On

Aqui estão os Next Week On criados pelo Produtor e pelos jogadores no final do episódio-piloto:

  • Ricardo (Produtor)
    Jason está algemado e sentado à mesa numa sala de interrogatórios. A questioná-lo está o ex-U.S. Marshall Duane Barnes (Nemesis de Theresa). Este diz: "Mal sabes tu o sarilho em que estás metido. Mas ainda te posso safar disto; só tens me dizer onde é que posso encontrar a minha velha amiga Theresa."

  • Joaquim
    Jason está no meio de um grande tiroteio; dispara alguns tiros e deita fora a sua arma. Grita com Joe 'Specks', o seu controlador e nemesis, através do rádio: "Balas de pólvora seca? Seu grandessísimo @#$%&!!"

  • Raquel
    Theresa está no exterior de um edifício, a muitos e muitos andares de altura, pendurada por uma corda. As coisas estão a correr mal. Susurra pelo rádio: "Vá lá, não posso ficar aqui a noite toda!"