Prólogo - Player Handout #1

 

 Atenção: Kult é um jogo que aborda temas adultos de formas potencialmente chocantes. O texto que se segue faz uso de linguagem extremamente forte e é impróprio para menores.

 

O que se segue é um estranho manuscrito, encontrado numa casa de banho do Elliot Spencer Memorial por uma das enfermeiras. Foi escrito num rolo de papel higiénico e, desde então, tem sido motivo de conversa e chacota por muitos dos funcionários.


A minha experiência no Memorial é curta. Não chega sequer a três meses de presença física entre as suas lúgubres paredes, embora o tenha observado do exterior há vários anos. É um local tenebroso, muito mais do que o seu passado negro e a sua aparência decrépita podem fazer parecer. O Mal encontra-se profundamente entrosado com toda a estrutura física do edifício e com a alma do próprio Memorial. Respira-se um ar doente no seu interior. Nos corredores, enfermarias e salas de operações paira o sufocante odor da morte. Mas também há algo de inebriante para aqueles que escolheram percorrer o trilho das Trevas. A cave, em particular, é um nexo de poderosas forças em choque. Com toda a minha experiência a observar manifestações do que está para além da Ilusão ao longo das últimas duas décadas, não me atrevo a prever que realidade alternativa acabará por engolir o Memorial, arrastando consigo todos os inocentes e culpados. Inferno, Metrópolis, um mero Purgatório, poderão reclamar para si a obscena criação humana de ódios, invejas, dor, tortura, excremento e vómito que constitui o Memorial. Cedo iremos descobrir. O judeu ignorante, um completo inocente nas políticas do Céu e da Terra, contribuiu para acelerar o processo, assim como o seu patético assistente, obcecado com pesadelos de infância de Fogos Fátuos e Combustão Humana Espontânea. Um raio que o parta, inconsequente pedaço de merda! Laurie o Pedante Playboy consome pelo interior a inocência, arrastando atrás de si um rasto de inúmeras mortes. Os espectros perseguem-no para onde ele for, ainda que a besta não seja capaz de os ver. Todos temem Moreau o Corrupto e Corruptor. É verdade que se transformou num verdadeiro desviante, numa puta desta Babilónia hospitalar, mas não passa de um espantalho. Deveriam preocupar-se antes com o avelhentado anti-semita, sequioso de nos ver arder e o patético Miller, o Apóstolo da Dor Eterna. Ai de quem terminar nas suas mãos, trazido pelo Camião da Carne, no final da sua rota. Tudo o resto são putas e paneleiros imprestáveis. Não me interessam minimamente. Enquanto caminho pelo Vale das Trevas não temerei nenhum mal, excepto os cabrões dos Nepharites - puta que os pariu - que estão à minha espera para me foderem o traseiro durante a eternidade. Dizem que eles só nos apanham se nos sentirmos culpados. Foda-se. Quem não se sentiria culpado depois de ter vivido a minha vida? E tu Demiurgo, parasita repugnante, cobarde imundo, que nos condenaste à escravidão eterna, à servidão aos obscenos e repugnantes balofos pálidos de língua azul. Cabrão de merda, que esperas para acabar com isto? Senhor, por que nos abandonaste? Porque és um cabrão, lambe pichas e um paneleiro da pior espécie. Que o interminável mangalho da Besta se crave no teu Santo Traseiro durante 666 eternidades. Não escrevo mais, esta merda não interessa a ninguém. Eles que se fodam. Escolhi bem o palimpsesto onde escrevi estas asneiras. Para quem está a segurar nas suas mãos a Mensagem, recordo que este papel higiénico aparenta já ter sido usado. Das Cinzas, para as Cinzas, da Merda para a Merda. Glória ao Demiurgo na Profundezas do Abismo.

Scheisse Macht Frei!