Prólogo - Player Handout #2

 

Atenção: Kult é um jogo que aborda temas adultos de formas potencialmente chocantes. O texto que se segue faz uso de linguagem extremamente forte e descreve graficamente situações impróprias para menores.

 

Na ala psiquiátrica do Elliot Spencer Memorial existe uma velha cabina de som, onde um rudimentar leitor de CD é usado com frequência para passar ‘easy listening’ e ‘lounge music’ para acalmar os ânimos dos pacientes. Certo dia, um mês depois do seu internamento no Memorial, Peter Greenberg tomou de assalto a cabina de som e transformou-a na sua rádio privada. Graças à solidez da construção antiga e uma boa dose de sorte, Greenberg conseguiu manter-se fortificado durante quase uma hora, apesar dos esforços dos seguranças. Eventualmente, Biggs e Shuster acabaram por conseguir arrombar a porta, mas não antes de Greenberg ter conseguido humilhar uma parte considerável dos funcionários, administração e direcção do hospital e ter deixado os pacientes da ala psiquiátrica em polvorosa. Segue-se um excerto da primeira – e até agora única – emissão da Rádio Free Asylum...


“Passam quinze minutos das 14 horas e esta é uma hora particularmente estúpida para inaugurar um posto de rádio. No entanto, as contingências impedem-nos de ceder às normas sociais e é neste preciso momento que colocamos no ar a infame Rádio Free Asylum, com o nobre propósito de conceder voz aos lunáticos e dar asas à loucura. Eu sou Peter Greenberg, a.k.a. DJ Nutjob, a.k.a. MC Schizoid. Fiquem comigo nos minutos que se seguem, até que as forças da opressão invadam esta ilha de insanidade, rodeada de loucura por todos os lados. Antes de mais, uma palavra do nosso patrocinador Clozapine, dos laboratórios Sandoz, controlados por lictores sanguinários que nos querem manter cegos, surdos e mudos para a Realidade. Clozapine, a melhor arma a favor do Demiurgo, garante total subserviência aos Senhores do Mundo. A todos vocês que me ouvem, a liberdade está a apenas a uma cuspidela de distância. Poder para o Povo! Lutem contra a opressão! Jacoby é o Anti-Cristo e Laurie, o incompetente, é um transmissor de Peste Negra.

Antes de passarmos aos momentos musicais, gostaria ainda de mandar uma mensagem ao Judeu Errante Abraham the Hutt e agradecer-lhe por ter ao seu serviço carcereiros mentecaptos como Biggs The Squig e Malkie Malc. Monte de banhas sovina, transformaste o teu hospital numa verdadeira câmara de torturas que faria as delícias do Dr. Josef Mengele. Aposto que os teus papás estão imensamente orgulhosos da cria demoníaca que geraram, agora que se encontram num Purgatório Nazi onde são sodomizados por alegres homossexuais, altos e louros, antigos elementos da Gestapo. Chupa-me o meu caralho seboso e enrugado, semita traidor, enquanto carregas ao colo o canalha Berit, irmão mais novo de um esbirro de Hitler. Pena é que Simon Wiesenthal já tenha sido levado pelos lictores, senão o velho sacana teria todo o prazer em cortar-vos as cabeças e mijar-vos nas entranhas.

Uma palavra de apreço também para Olga, a rameira das rameiras, que entretém o povo deste Reino do Terror. Aproveitando que falava há pouco de alemães, é para ti a canção que se segue, dedicada à puta francesa Lili, que metia na boca tudo o que era caralhos, germânicos, aliados, proletários, burgueses e camponeses. Não tenho a voz de Marlene Dietrich, mas nos meus tempos emborquei tanto vodka e ‘schnaps’ como a velha diva, portanto a coisa não deve sair tão mal quanto isso...

(Peter Greenberg canta)
When we are marching in the mud and cold,
And when my pack seems more than I can hold
My love for you renews my might
I'm come again
My dick is light
It's you Lili Marlene
It's you Lili Marlene

E por falar em bêbedos, não posso deixar de falar sobre o beberrão subvalorizado, melodramático, telenovelesco, chorão, defensor de causas perdidas e depravado sátiro Dr. Troy. Todos sabemos o que ele faz nos seus serviços nocturnos, quando não consegue roubar uma embalagem de Viagra da farmácia do hospital e convencer a virginal McBride a partilhar o seu leito. Bebe. Bebe. Bebe. E depois bebe ainda mais um pouco, na companhia do seu escravo negro – salve velho Bill, porteiro do Inferno, que as tuas mesinhas africanas e o teu bafo a álcool mantenham afastadas as criaturas do Outro Lado. Troy bebe para esquecer que é um picha mole, um coração mole, um pretenso ‘playboy’ bonzinho, condoído pelas merdas que fez, mas que continuará a fazer porque gosta de ser um cabrão de um mártir. Troy o teu cavalo chegou. Mas não me leves a mal, eu também gosto de beber os meus copos, estes carcereiros é que não me deixam. Nada me deixaria mais feliz do que partilhar uma bela garrafa de Bordéus contigo e depois psicanalizar-te, meu sacana cheio de cicatrizes emocionais. Digo-te isto porque tenho algum respeito por ti e se algum dia ganhares tomates serás um precioso aliado na luta contra a opressão. E é por isso mesmo que te dedico esta musiquinha do bebedolas judeu Cohen:

(Peter Greenberg canta)
Ah we're lonely, we're romantic
and the cider's laced with acid
and the Holy Spirit's crying, "Where's the beef?"
And the moon is swimming naked
and the summer night is fragrant
with a mighty expectation of relief
So we struggle and we stagger
down the snakes and up the ladder
to the tower where the blessed hours chime
and I swear it happened just like this:
a sigh, a cry, a hungry kiss
the Gates of Love they budged an inch
I can't say much has happened since
but CLOSING TIME

Fechou, está fechado. Deixem-se de merdas. Antes que me ponham a andar daqui para fora, não deixem de se interrogar: como é que este cabrão deste esquizofrénico sabe estes segredos todos sobre nós? A insanidade liberta-nos, seus servos dos lictores! É simples, mas é duro de aceitar. Continuem a encher-nos de calmantes, anti-depressivos, anti-psicóticos. O caralho! A única coisa que nos tiram é a liberdade. Dêem-me a liberdade, ou matem-me. Melhor, matem-se uns aos outros. E agora uma grande saudação para os bosques da Virgínia, onde os consanguíneos degenerados andam à solta e põem em prática todas os desejos perversos que os genes aberrantes transportam de geração em geração. Tucker, meu bom rapaz, estudante fabuloso, advogado de excepção, mente brilhante. Fascista, neonazi, extremista de direita, amante de Bush, apoiante da NRA, ‘white trash’ excomungado pelo seu próprio povo. Tenho uma mensagem para ti dos teus queridos pais, que ardem no fogo do Inferno:

(Peter Greenberg canta)
So, so you think you can tell Heaven from Hell,
blue skies from pain.
Can you tell a green field from a cold steel rail? A smile from a veil?
Do you think you can tell?
And did they get you trade your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees? Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change? And did you exchange
a walk on part in the war for a lead role in a cage?
How I wish, how I wish you were here.

E se tivesse tempo dedicava-te outra também, para te recordares da tua doce infância, com sabor a carne crua, nos bosques virgens da Virgínia, onde os Ned Beattys deste mundo são violados por ‘rednecks’ consanguíneos desdentados: ‘Squeal like a pig Boy!’. Pois é, dedicava-te ainda ‘Bad Moon Rising’, desses grandes trovadores da América profunda, Creedence Clearwater Revival.

Mas o tempo escasseia, Biggs está a suar a bater contra a porta como um desalmado, e ainda gostaria de dirigir umas palavras à doce McBride. McBride, a noiva do Memorial, distante de todos, reservada, dedicada ao trabalho. Tretas. Eu bem te vi, vermelha de cansaço, ensopada em suor, a gemer baixinho de prazer, enquanto mordias a almofada para não deixar escapar os urros que te nasciam na garganta funda. E tudo isto com uma merda de um ‘dildo’ espetado na cona. Imagino o que será quando o Dr. Feelbad voltar a pôr em acção o seu pequenote. Pequena freira da ciência, noiva dos tubos de ensaio. Liberta-te tu também. Sexo é libertação, tira essa cinto de castidade psicológico auto-imposto e dá-te ao mundo. Eu terei todo o prazer em desbravar território.

(Peter Greenberg canta)
Like a virgin, fucked by the very first time, like a virgin, when your cunt throbs next to my lips

Enfim, depois desta temos todos os malucos entesados nesta merda de ala psiquiátrica à espera de saltar à espinha da doutora olhos verdes. Deixem-na em paz, tarados imundos. A bela doutora é um diamante em bruto que deve ser lapidada com carinho, por alguém que sabe o que faz. Se querem dar azo aos vossos mais imundos pesadelos sexuais, façam-no com a Dama de Ferro, Laura Hansen, carcaça velha e pútrida, cuja orifício está atulhado de cadáveres em decomposição. Tratem dela rapazes, que vão ter uma bela surpresa quando a Mulher de Gelo se revelar uma pujante dominatrix, capaz de satisfazer os desejos que vocês não confessam aos psiquiatras e aos padres.

Não quero partir sem antes falar de Lucy, I Love Lucy, a bela Lucy in the Sky With Diamonds. Ela é o nosso LSD, a nossa libertação colectiva. Nos sonhos de Lucy, húmidos ou não, encontra-se uma porta aberta para escapar do Reino do Mal. Tenham os olhos postos nela, não só pela perfeição das suas jovens curvas, mas principalmente – pervertidos, tarados, corja imunda – porque ela é a única que nos pode tirar daqui. A salvação onírica, a libertação mais doce imaginável, a única saída de emergência da falsa Realidade que pode não conduzir a mais dor ainda. Doce esquecimento. To sleep, perchance to dream.

E agora que está na hora da despedida, breves palavras para o balofo Dick, cuja pila só hasteia a bandeira perante os pequenos piratas e ainda para Grant, bom e velho Grant, a Rainha de todas as Rainhas, belo e desejado por todos os ‘gays’ da Big Apple, mas que quer manter o esfíncter afastado dos homens de bata branca. E os outros todos que se fodam. Paz para todos. A salvação não é impossível, é apenas altamente ilógica. Eu vi o futuro, irmãos, é o homicídio. Façam sexo, não façam guerra. Cuspam esse Clozapine. Que se foda a opressão!

(Peter Greenberg canta)
Not the end, not the end
Just remember that death is not the end
Not the end, not the end
Just remember that death is not the end

Ryan has left the building…"