The Long Goodbye

“Midway... Aaaaah... Deixem-me falar-vos sobre Midway... Pensando melhor, volto já, primeiro vou aquecer a garganta com um golo de bourbon. Ajuda a reavivar a memória também... Onde é que eu estava mesmo? Ah sim, Midway... Cidadezinha filha da puta. Tudo é em tons de cinzento, desde a pintura das fachadas, passando pelas folhas das árvores no Verão, cobertas da poluição sufocante que o fumo arrasta da zona industrial a Leste, passando pela moral dos juízes, polícias e governantes da cidade. Uma grande área cinzenta. E chove. Chove demasiado. A humidade é penetrante e os ossos ressentem-se. Mas por mais que chova, as ruas nunca estão limpas. Fisica e moralmente falando, como é óbvio. Mas estes são meros detalhes no que concerne à podridão que está a minar, a corroer a cidade de Midway desde as suas entranhas. A corrupção cresce, os vícios tornam-se cada vez mais explícitos, cada vez mais insaciáveis, cada vez mais bizarros, a segurança do cidadão comum, sem dinheiro para contratar guarda-costas, alarmes sofisiticados e penthouses em edifícios de luxo, passa por confiar mais na sorte do que na protecção que a polícia lhe pode dar. E não é que todos os polícias sejam balofos preguiçosos que comem donuts em excesso ou poodles da máfia, das tríades, da yakuza, da Vor V Zakone ou seja lá qual for a entidade do crime organizado em que estão a pensar – está lá todas, sim, e todas têm o seu quinhão da polícia, é verdade.... Mas a incompetência e a ganância não chegam para explicar a insegurança daqueles que os rapazes de azul juraram proteger e servir. Há demasiadas camadas, demasiados feudos, demasiadas tramas. E demasiadas coisas estranhas a acontecer...”

Testemunho em formato áudio de “J”, ex-detective da polícia de Midway, publicado no blogue The Long Goodbye

File 1