As Guerras Verm

Retrato de tunas

 Brasão do Conglomerado

Arquivos Centrais da Agência de Serviços de Inteligência do Conglomerado (ASIC)
Departamento de História
Processo 21348/506
Nível de Segurança 0 – Público
 
AS GUERRAS VERM (237 V.T.-249 V.T.)
 
O período da história do Conglomerado que ficou conhecido como as Guerras Verm teve início com a infestação de Dor Lom XII em 237 V.T., uma colónia an phar já perto do núcleo galáctico, na Nebulosa Vermelha, um cluster estelar a ser explorado na altura pelo Conselho Cho (e uma zona fronteiriça de então); Dor Lom XII era a 12ª lua do gigante gasoso Dor Lom, no sistema VT-221a, e um planeta promissor para exploração e colonização graças à presença de água, vida desenvolvida e ao seu raro ecossistema, 92% compatível com a biologia an phar e humana; especula-se que os Verm possam ser originários desse planeta, ou ter vindo de regiões adjacentes do núcleo galáctico. Qualquer que seja a verdade dificilmente se conseguirá aferir a mesma, dado que Dor Lom XII foi catastroficamente destruído no decorrer da guerra sem possibilidade de prosseguir com uma investigação mais minuciosa do assunto.

A infestação passou totalmente despercebida aos colonos até ser tarde demais: na altura em que os Verm emergiram dos seus refúgios subterrâneos e destruíram a colónia, nada havia a fazer para os parar. Alguns colonos conseguiram fugir do massacre e atingir uma base remota algumas semanas depois; os seus testemunhos eram confusos e díspares, falando ora de monstros aterradores que destruíam e matavam tudo à sua volta até histórias fantasiosas dos mesmos monstros arrebanhando os sobreviventes como gado, controlados mentalmente de alguma forma inexplicável; o que parece ser certo é que o ataque durou poucas horas. As autoridades an phar decidiram investigar o ocorrido.

Nas semanas que decorreram entre a fuga dos colonos sobreviventes e a chegada de uma equipa de investigação, crê-se agora que os Verm conseguiram, de alguma forma, enviar grupos de reconhecimento para fora de Dor Lom XII - o mais provável é ter sido feito uso de naves locais e de pelo menos dois cargueiros espaciais que visitavam a colónia nessa altura e cujo desaparecimento data desse momento. A equipa de investigação encontrou um cenário desolador, mas nenhuns sinais nem de alienígenas estranhos, nem de colonos, mortos ou vivos. O relatório foi submetido e accionados os respectivos alertas. No entanto, nas semanas que se seguiram não houve mais ataques ou desaparecimentos; todo o sector foi mantido em alerta laranja durante os seis meses seguintes, mas a notícia deixou de ser novidade e passou a ser mais uma misteriosa história de estranheza e morte passada nas colónias da Fronteira, como tantas outras que abundavam nesses tempos de ouro de exploração espacial por parte das forças do Conglomerado. Esforços foram feitos para recolonizar Dor Lom XII.

Em meados de 239 V.T. dá-se subitamente uma explosão de alertas de ataques por parte de alienígenas monstruosos, que correspondiam à descrição dos que haviam destruído a colónia de Dor Lom XII dois anos antes. Os ataques ocorrem como que de forma coordenada e totalmente de surpresa, um pouco por todos os sectores da Nebulosa Vermelha; a resposta inicial das autoridades é incapaz de controlar a situação, e o caos instala-se em menos de um mês na região; como na altura era necessária uma viagem de três semanas de Serris 4 (capital regional da Nebulosa Vermelha) até Gundabad, o sistema solar que unia a rota NV-1 ao resto do Conglomerado, passa-se muito tempo antes das administrações centrais perceberem que algo estranho se passava naquela região da Galáxia. Gundabad era então o último ponto da RCI antes da fronteira, e só depois dos relatos aterradores de diversos sobreviventes de múltiplos ataques na Nebulosa Vermelha chegarem ao cônsul de Gundabad foi possível enviar pedidos urgentes de ajuda a Pharia e Primus.

Dirur 12; ZsD 4; ZsD 9; Klimennu; Lem No Do; ASR-21 e ASR-23; as luas de Contrau II; a base da esquadra de Lomnios. Todos estes entrepostos e colónias, algumas já bem estabelecidas e com mais de 100.000 habitantes (na maioria an phar) foram atacadas e destruídas ou conquistadas pelos Verm, antes de qualquer notícia chegar a Serris 4.

A resposta central foi enviar um destacamento da esquadra do Conglomerado para a Nebulosa Vermelha, a Força de Intervenção 54. No que ficou conhecida como a 1ª Campanha de Pacificação da Nebulosa Vermelha das Guerras Verm (ou entre os veteranos da mesma, como A Trituradora), as forças do Conglomerado foram confrontadas com um inimigo como nunca antes visto; foi, aliás, a primeira guerra de grande escala em que o Conglomerado se viu envolvido depois da Revolta Kranorita. As forças terrestres eram milícias das FDP's da região mais próxima do conflito, essencialmente an phar e destacamentos dos recentemente "descobertos" cidi, sendo as forças navais maioritariamente humanas. A campanha durou menos de um ano, mas a ferocidade dos combates nas colónias sob controlo Verm foi terrível; as tropas do Conglomerado viram-se muitas vezes a lutar contra antigos colonos controlados pelos Verm e a resistência do alienígena era sempre fanática e total. Nessa altura foram descobertas as principais características dos Verm enquanto espécie, nomeadamente a existência de colónias autónomas, a liderança da chamada Rainha, a capacidade desta de controlar mentalmente tanto os seus guerreiros drones como as suas vítimas de formas nunca completamente estudadas e compreendidas, e a aparente capacidade de coordenação de colónias vizinhas em ataques planeados e coordenados.

Todos os esforços de contacto e comunicação, todas as tentativas diplomáticas esbarraram numa parede de silêncio. O Conglomerado estava a ser confrontado por uma espécie aparentemente animalesca e sem tecnologia, mas com evidente inteligência e capacidade de planeamento. Uma espécie cujo único objectivo parecia ser a conquista e literal consumo da civilização.

Os pormenores da campanha foram ocultados da opinião pública e só mais tarde os seus horrores vieram à tona: os campos de concentração Verm onde os colonos eram arrebanhados como gado e usados como um recurso tanto para trabalho forçado como para alimentação dos alienígenas; as esterilizações planetárias forçadas com bombardeamentos nucleares de saturação; as baixas assustadoras entre as FDP's; os horrores perpetrados pelos Verm nas colónias atacadas; a capacidade assustadora e incrível dos Verm em destruir e subverter a tecnologia superior usada contra eles; as tenebrosas capacidades mentais das rainhas.

Quando a campanha foi dada como terminada, a Nebulosa Vermelha era um palco de guerra sob lei marcial, onde mais de duas dezenas de colónias haviam sido destruídas, um sexto das quais irremediavelmente (i.e. uso de engenhos nucleares), onde as baixas civis ascendiam a mais de 400.000 e onde as FDP's haviam perdido, entre mortos, feridos, incapacitados e desaparecidos, mais de 350.000 tropas. A esquadra havia perdido, de forma surpreendente tendo em conta a inexistente capacidade tecnológica do inimigo, duas corvetas e 23 transportes de tropas.

Foi decidido declarar quarentena tanto em Serris 4 como em Gundabad, os portões da rota NV-1. A campanha foi oficialmente concluída em 241.01.21/20.38. Seguiram-se meses de vigia e rescaldo, e depois anos de estudos inconclusivos quanto à origem e motivos da ameaça.

Chegados a este momento, os historiadores dividem-se quanto ao que terá acontecido de seguida. Sabe-se que em 243.06.23/09.21 chegaram ao Senado do Conglomerado, através da RCI, centenas de relatos simultâneos de ataques Verm um pouco por todo o Conglomerado e Periferia (na altura constituída essencialmente pela Hegemonia Cidi). Teriam os alienígenas, de alguma forma, escapado à quarentena da Nebulosa Vermelha e chegado a outros pontos da Galáxia, ou seriam estes polos independentes actuando em coordenação com a ofensiva inicial? Sabe-se agora que as colónias Verm necessitam de cerca de dois anos-padrão para atingirem o seu tamanho máximo, e nunca se encontrou uma colónia com mais de 1000 guerreiros drones. Este período de tempo corresponde grosso modo ao intervalo temporal que medeia a conclusão d'A Trituradora e o rebentar da nova hecatombe. O que é certo é que se assistiu a uma repetição do cenário já vivido nas colónias da Nebulosa Vermelha e, apesar de outra prontidão por parte das forças do Conglomerado, o caos instalado e a destruição foram pelo menos uma ordem de magnitude acima dos ataques de 240 V.T.

A grande crise desencadeada por esta nova invasão leva a uma série de medidas como a imposição da lei marcial em sectores atacados, a cessação de toda a actividade de exploração espacial, um crescimento das forças militares e paramilitares e um abrandamento económico significativo em todo o Conglomerado, com fecho de rotas e diminuição das viagens espaciais, com consequente quebra de trocas comerciais e consumo.

Entre 241 V.T. e 244 V.T. vive-se um clima de guerra acesa e um repetir de muitas das acções da 1ª Campanha de Pacificação da Nebulosa Vermelha (a que se segue uma 2ª campanha em finais de 243 V.T.); as forças do Conglomerado aplicam quarentenas forçadas, há fomes e doenças nos planetas isolados, aumenta o contrabando e a pirataria, gera-se um clima de paranoia e há sérios riscos de revoltas e perturbações da ordem pública mesmo em regiões aparentemente não afectadas pelo pior das infestações. São criados grupos de controlo e combate à praga em praticamente todos os planetas habitados do Conglomerado, criam-se metodologias de prevenção e controlo em todas as viagens interestelares, impõe-se racionamentos.

244 V.T. é um ano terrível, e o culminar das infestações; o caos ameaça abater-se sobre a Galáxia; planeta atrás de planeta é destruído, refugiados invadem as zonas ainda em relativa paz, as infestações surgem do nada, o inimigo revela-se cada vez mais numeroso e implacável, sem tréguas. A 3ª Campanha de Serris 4 não consegue estancar a hemorragia através da NV-1; a 2ª Campanha de Ulmior-Xanos V extermina a ameaça Verm no Sector 4 da província de Primus, mas a um custo aterrador em vidas; a Incursão de Termii acaba em desastre quando toda a esquadra humana é contaminada a bordo, sem se saber bem como, e perdem-se três cruzadores, doze corvetas e um dos quatro couraçados existentes na esquadra, na altura.
Em finais de 244 V.T. o Fórum Valdoriano, após aceso debate, toma a decisão que influenciará o curso da guerra, e comissiona a criação de uma casta de guerreiros metahumanos, utilizando tecnologia proibida após a Revolta Kranorita de manipulação genética radical aliada a cibertecnologia de ponta. Assim nasce a Legião, beneficiando das lições aprendidas durante a guerra civil. Uma casta lutadora de poderes sobrehumanos, são necessários três anos para estar concluído o processo de clonagem, modificação e treino dos primeiros 350.000 guerreiros. São três anos de standoff com o inimigo, num clima de guerrilha constante, com os Verm lenta mas inexoravelmente a ganhar a guerra de atrito que prossegue sem fim.
Finalmente, a Legião é lançada contra a ameaça alienígena em Hunsrad II. Revela-se um sucesso retumbante. Com a morte da sua Rainha, uma colónia Verm definha e morre em poucos dias, e este revela-se o segredo para a vitória; mas atacar uma colónia a matar a sua Rainha revela-se um objectivo que apenas a Legião pode atingir. E assim, planeta atrás de planeta, infestação atrás de infestação, colónia atrás de colónia, a ameaça Verm é rechaçada, num processo que leva cerca de dois anos. Consideram-se as Guerras Verm concluídas em 249 V.T.

Com o final do conflito, o Conglomerado está esgotado, as cicatrizes deixadas entre a população grandes e duradouras; os an phar, em particular, saem do conflito horrorizados com a matança; de bom grado passam para as mãos da Legião a tarefa futura de lidar com ameaças alienígenas. O Fórum Valdoriano, em conformidade com os desejos expressos pelo Senado e pelo Conselho Cho, cria um pequeno feudo nos confins do Domínio Humano onde a Legião e seus veteranos serão albergados de futuro; o seu estatuto é consagrado com o reconhecimento do Senado do Conglomerado, e a casta torna-se parte integrante das estruturas federativas do Estado, com a ressalva que a tecnologia usada para a sua criação permanecerá um monopólio exclusivo usado unicamente para a sua manutenção.

A vitória é pesada; levará ao Conglomerado mais de 50 anos-padrão a recuperar os níveis de prosperidade de antes da invasão. O custo da vitória é tremendo: 27 planetas destruídos pelo cataclismo atómico. Calcula-se que mais de 260 milhões de pessoas perdem a vida, cerca de 2.5 milhões de militares, na sua maioria FDP's. A Legião contabiliza 38.000 baixas entre os seus. Quanto aos Verm, não se sabe quantos drones e rainhas terão sido destruídos, mas certamente muitas centenas de milhar.

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Ena pá, que lembranças isto

Ena pá, que lembranças isto me traz...laugh

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