Qual é o RPG que compraste, adoras profundamente mas não consegues convencer ninguém a jogar?

Bem no meu caso, por enquanto, são só dois porque até tenho uma tendência em arranjar RPGs demasiado ideossincráticos. São estes o Engel e o Adventure!

O primeiro, o Engel porque a mistura de neo-medieval pós-apocalíptico dominado com uma igreja angélica tecnofóbica num design alemão com regras d20 pouco testasdas são factores pouco atractivos.

Engel Rpg

O segundo, o Adventure!, porque apesar de regras e design brilhante o género  em si (Pulp) e as referências são pouco conhecidas e apreciadas pelos jogadores que conheço.

Adventure! Rpg

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Capes & Heartquest

Bom, vou também contribuir com uma dupla de jogos. Não é que eu já tenha tentado de facto arranjar jogadores para eles... apenas desconfio que, do meu grupo habitual de roleplayers, não poderia contar com o entusiasmo de mais do que uma pessoa para nenhum dos jogos.

CapesCapes, o jogo de super-heróis sem GM. Neste caso o sistema e as mecânicas completamente fora do vulgar de narração (muito!) competitiva nem seriam grande problema; este é um jogo de personagem que realmente cheira, sabe e é mesmo um jogo. Parece extremamente divertido e incrível! O único problema é mesmo que, pelo que julgo saber (oxalá eu tenha uma surpresa), ninguém do meu círculo mais próximo de amigos roleplayers tem ou teve alguma vez na sua vida grande interesse por super-heróis. Eu gostava muito de ler as minhas revistinhas da Marvel quando era pequeno, mas já lá vão 15 anos e tenho medo que as minhas bases de conhecimento estejam longe de ser suficientes para poder levar isto a bom porto sem ter comigo pessoas com um mínimo de paixão pelo tema.

HeartquestHeartquest: Romantic Roleplaying in the Worlds of Shoujo Manga, o jogo de manga Shoujo, ou seja, manga "para meninas". Nas palavras dos criadores:

"HeartQuest contains the essential rules to role-play romance, intrigue and adventure in the worlds of shoujo manga. The game covers the vast variety of the shoujo field, from teen romance stories and magic girl adventures to fantastic quests in bizarre new worlds. HeartQuest uses the Fudge System to create rich, deep characters. Play a naive schoolgirl looking for her first love, a powerful magical girl saving the world from elemental evil, a suave and mysterious bishonen, or any other shoujo character you can imagine. Form lasting relationships with other characters, both player and non-player. Find the one love worth sacrificing everything for, or leave a trail of broken hearts in your wake. Face evils you cannot begin to imagine, or the horrors of the all-important high school entrance exams. Travel to fantastic worlds, or cram yourself into a crowded bullet train to shop in Shinjuku."

Hearquest... só o nome diz tudo. É um jogo cujos temas (romance, relacionamentos, o fim da infância/adolescência/inocência, personagens especiais que querem acima de tudo levar vidas normais, etc.) me atraem fortemente, e que se encontram aqui num estado quase puro, sem precisar de disfarces ou de pedir desculpas. Graças às excelentes e inúmeras recomendações do jogo, reuni uma mini-colecção de livrinhos manga e descobri uma minúscula parte do mundo da banda desenhada japonesa; está a ser, sem dúvida, uma experiência enriquecedora. Agora só me falta mesmo encontrar duas ou três pessoas que sintam alguma paixão pelo tema... ;)


"You can choose just who you are."

Re: Capes & Heartquest

ricmadeira escreveu:
O único problema é mesmo que, pelo que julgo saber (oxalá eu tenha uma surpresa), ninguém do meu círculo mais próximo de amigos roleplayers tem ou teve alguma vez na sua vida grande interesse por super-heróis. Eu gostava muito de ler as minhas revistinhas da Marvel quando era pequeno, mas já lá vão 15 anos e tenho medo que as minhas bases de conhecimento estejam longe de ser suficientes para poder levar isto a bom porto sem ter comigo pessoas com um mínimo de paixão pelo tema.

 

Se te interessar, vou começar em Outubro uma nova campanha de Mutants and Masterminds, o rpg de supers da Green Ronin, onde vão participar o Tony Padeira e o Valdo Korbax.

A escrever: down*town, tech-noir rpg
Proto Agonístes um rpg de auto-descoberta, de um personagem e vários jogador

Não são poucos!

Ao longo da minha carreira de mestre de jogo, se tivesse guardado todos os jogos que já tive e acabei por não jogar ou, pelo menos, acabei por não jogar uma campanha satisatória, teria uma pilha enorme! Para citar apenas os casos mais flagrantes, o Adventure! - já mencionado - é um deles (parece que a alergia pelo pulp é um mal geral), o Conspiracy X (o sobrenatural 'realista' também parece não convencer muita gente), o Trinity (que eu considero o melhor jogo de sci fi jamais concebido, mas no meu grupo o pobre não reúne consenso) e, provavelmente o a/state (mas este talvez ainda o experimente). Na minha experiência o problema não tem sido todos os jogadores rejeitarem os RPGs mencionados, tem sido mais um caso flagrante da dificuldade de conciliar gostos. É difícil encontrar um jogo que agrade a gregos e troianos. Os caso citados (excluindo, possivelmente, o Adventure!, o qual, julgo eu, todos odiaram...menos eu) tinham alguns admiradores, mas insuficientes para os levar avante. Até agora, o grande sobrevivente tem sido o Kult, de tal forma que já estou conotado com ele...

Re: Não são poucos!

Se bem me lembro o teu Conspiracy X e o Trinity tiveram alguns fãs!!! Éramos 3 a jogar e queríamos continuar...

JP

HeroQuest!!!

Bem... O HeroQuest, claro!!! Eu sei que há malta daqui que já experimentou, mas eu nunca tive o prazer...

A malta que conheço ou não quer mais um setting medieval-fantástico (se bem que Glorantha, o setting do HQ, não é mais um mas enfim) ou regras demasiado esquisitas. Eu adoro dois conceitos-chave do jogo. 1) não há atributos nem skills pre-definidos, pode-se inventar o que quiser. 2) o jogo tem um sistema de resolução de conflitos detalhado (round by round) que serve para todo o tipo de acções, desde debates até escalar montanhas, completo com um sistema de "ferimentos" (penalizações) caso se perca - coisa que os "jogos normais" só têm aplicado ao combate.

Mas pronto, por enquanto a malta prefere jogos mais tradicionais - acho que a época das experiências acabou oficialmente (bons tempos das overdoses de PTA, bem, na verdade até eu me fartei daquilo :P)

JP

Praise the Lord!!!

Será mesmo verdade??? Será que a Forjomania já passou e os RPGs tradicionais estão mesmo a retomar o seu antigo lugar no coração dos role players nacionais (ou pelo menos dos role players que vêm a este portal...)??? Que o Demiurgo te ouça!!!

look beyond the matrix

Muita coisa gostaria eu de experimentar que não tem interesse para o
pessoal que conheço. Neste momento, já comprei e encostei Sorcerer,
Primetime Adventures e My Life with Master. Decidi não gastar mais
dinheiro em material que, para já, não vou utilizar.

Por mim, o
regresso que por vezes faço aos chamados RPGs mais tradicionais não é
tanto um ciclo que se completa, mas uma espiral que vai subindo. Depois
de conhecer coisas como Unknown Armies ou Heroquest, nunca mais se olha
para roleplay da mesma maneira.

Re: look beyond the matrix

Rick Danger escreveu:
Por mim, o
regresso que por vezes faço aos chamados RPGs mais tradicionais não é
tanto um ciclo que se completa, mas uma espiral que vai subindo. Depois
de conhecer coisas como Unknown Armies ou Heroquest, nunca mais se olha
para roleplay da mesma maneira.

Concordo completamente. Por exemplo, jogar só algumas sessões de Prime-Time adventures pôs dois grupos que conheço a mexer com convenções bastante comuns dos RPGs tradicionais. Por exemplo, quebrando o monopólio do GM sobre o conteúdo dos plots (o "next week on" em que os jogadores mostram, no fim de uma aventura, um "snap-shot" da aventura seguinte que o GM terá que aplicar foi "ported" para Amber e 2300). Ou dando aos jogadores poderes na gestão de recompensas (o "fan mail", em que os jogadores dão bónus por "bom roleplay" ou whatever uns aos outros, foi ported para Capitan Alatriste). São ideias porreiras de quebrar o monopólio do GM "tradicional" sobre uma série de questões (setting, plots...) que acabam por envolver mais os jogadores no que se passa, ao invés de ser só os personagens.

Sobre boas ideias portáveis para RPGs tradicionais, quem diz PTA diz HeroQuest (com a ideia de despachar os conflitos chatos num único "roll", deixando a explicação lógica para depois de analisar o lançamento), o Sorcerer (com aquela táctica de escrever aventuras como séries de "bangs" e organizar o setting em R-maps, que são excelentes maneiras de organizar uma campanha onde os jogadores tomam a dianteira) e outros. São exemplos práticos de uma série de ideias discutidas na Forge e dificeis de perceber para quem (como eu) não tem tempo de ir lá ler os arquivos...

JP

ars magica

Definitivamente foi ars magica. Aquilo parece-me tudo lindo mas ainda não consegui arranjar players dispostos a experimentar.

Sorcerer e uns outros

O primeiro de uma lista desse tipo para mim é Sorcerer, comprei o livro, gostei do esquema mas não consegui convencer ninguém.

O
segundo da lista é Blue Planet e atrelado a ele Traveller: New Era.
Ficção Científica não faz a cabeça do pessoal do meu grupo e no fim das
contas não consigo mestrar coisas nesse estilo.

 E por fim:
Wheel of Time. Só conheço uma pessoa que leu os livros do Jordan e não
conseguimos convencer as pessoas a tentarem jogar num cenário de
fantasia que eles não conhecem.

Sci-Fi renegada?

Itiro escreveu:
O segundo da lista é Blue Planet e atrelado a ele Traveller: New Era. Ficção Científica não faz a cabeça do pessoal do meu grupo e no fim das contas não consigo mestrar coisas nesse estilo.

Pois, parece-me que a Ficção Científica não faz o género de muitos jogadores... És tu com o Traveller, o Nietsche com o Trinity, eu com o 2300 AD, o Warman com o Alternity... Achas que é um problema generalizado?

(Mesmo prá nossa campanha de Prime-Time Adventures no espaço, o Dirtside, que foi fabulosa, deu algum trabalho convencer o GM e um dos jogadores...)

-JJJ

universo infinito

Sci-Fi é um género muito diverso.

Não tive problemas em mais
do que uma vez mestrar Star Wars e conheço quem gostasse de
experimentar Fading Suns, mas acho que não há muito interesse para
Trinity e ainda menos para Traveller. Conheço um grupo que ia começar a
jogar Alternity, mas, depois de se encontrarem três ou quatro vezes só
para atinarem com o sistema, acabaram por não jogar.

Re: universo infinito

Rick Danger escreveu:
Sci-Fi é um género muito diverso.

Não tive problemas em mais do que uma vez mestrar Star Wars e conheço quem gostasse de
experimentar Fading Suns...

Não
acho que Star Wars seja Ficção Científica, é um cenário de fantasia,
acho que falta a parte de ciência para ser enquadrado nesse gênero.

Aqui
no Brasil, acho que o problema é a falta de referências. Estou num país
onde as pessoas não costumam ler e para piorar há muito pouco material
de FC traduzido / produzido por aqui. Quando eu comecei a me interessar
pelo gênero tinha poucos livros de uma editora que logo depois faliu e
a partir daí tive que me virar com alguns exemplares que conseguia
arranjar em sebos e coisas assim de edições portuguesas da
Europa-América e depois aprender a ler em inglês.

Os poucos jogos
que acompanhei acabaram se tornando "Hack n' Slash" no espaço, jogos de
cyberpunk eram "Hack n' Slash" com implantes cibernéticos, muitos
mestres de cyberpunk que eu conheci não leram nem mesmo o Neuromancer,
coisas como Snowcrash então estão quase que completamente fora de
questão. 

Os estereótipos de jogos de fantasia parecem mais
confortáveis do que os de Space Operas e jogos de FC em geral quando se
tem pouca informação e tenho reparado que várias pessoas por aqui não
gostam de sair de suas zonas de conforto.  

 E para
citar mais dois livros que eu tenho e gostaria muito de mestrar / jogar
mas não consigo: GURPS Uplift e GURPS Lensmen.

Re: universo infinito

Itiro escreveu:
Aqui no Brasil, acho que o problema é a falta de referências. Estou num país onde as pessoas não costumam ler e para piorar há muito pouco material de FC traduzido / produzido por aqui. Quando eu comecei a me interessar pelo gênero tinha poucos livros de uma editora que logo depois faliu e a partir daí tive que me virar com alguns exemplares que conseguia arranjar em sebos e coisas assim de edições portuguesas da Europa-América e depois aprender a ler em inglês.

Não me parece que seja esse o nosso problema (pelo menos o meu). Estou a falar de dois grupos onde os jogadores lêem bastante, tanto FC como fantasia, tanto em Português como em Inglês, e livros nas duas línguas não faltam (e parece-me que há bem mais FC que Fantasia em Português).

Itiro escreveu:
Os estereótipos de jogos de fantasia parecem mais confortáveis do que os de Space Operas e jogos de FC em geral quando se tem pouca informação e tenho reparado que várias pessoas por aqui não gostam de sair de suas zonas de conforto. 

Isto poderia ser verdade com fantasia estilo Tolkien, mas nos dois casos a malta prefere jogar Amber e Elric, mesmo sem ter lido os livros, que FC. Portanto continuo confuso :)

JP

Já pensaram se não será

Já pensaram se não será simplesmente uma questão de gostos? Eu também prefiro largamente jogar qualquer coisa de fantasy a qq coisa de sci-fi seja o que for, conheça ou não. E apesar disso gosto de ler ou ver filmes/series tanto de uma coisa como da outra.

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[B0rg]
We r all as one!!
We are The Borg. We are Eternal. We will return. Resistance is Futile...

If freedom is outlawed, only outlaws will have freedom.

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If freedom is outlawed, only outlaws will have freedom.

O caso Trinity

Antes de mais, e por falar em Star Wars, esse foi um dos jogos que encontrou aceitação em grupos constituídos por diversos jogadores, há cerca de sete ou oito anos. Mas enfim, Star Wars é space opera e, além disso, tem uma grande vantagem em relação à maioria dos outros RPGs - sejam eles hard sci-fi ou space opera -, que é o setting. Qualquer role player... Ia dizer entre os 25 e os 35 anos, mas esqueci-me das nova trilogia do Lucas (blharrrgh)... Sendo assim, qualquer role player, seja lá qual for a sua idade, conhece o setting de Star Wars e não precisa de perder tempo a ler backgrounds para estar a par da maioria das informações relevantes. O caso Trinity é totalmente diferente. Assim como 2300 AD e Traveller, para mencionar apenas os mais citados anteriormente. Cada um destes jogos tem settings, mais ou menos detalhados, que, mesmo que sejam inspirados nesta ou naquela obra de ficção ou neste ou naquele filme, têm um espírito próprio e um universo único que, se não for conhecido por todos os que estão em redor da mesa, complica a tarefa de levar a cabo uma campanha em condições. Mais do que a falta de jogadores que gostem de ficção científica, o problema com que me deparei em Trinity foi o número insuficiente de jogadores no meu grupo que conheciam o setting. De todos os que se dispuseram a experimentar Trinity apenas dois já tinham lido bastante sobre o jogo, sendo que um deles era o JPN e o outro já não joga, portanto não adianta mencioná-lo. Os restantes ficaram um pouco à parte nas primeira sessões de jogo porque, por falta de tempo ou por falta de interesse - ou ambos - não se informaram. Naturalmente, este problema coloca-se em muitos outros casos que não o de Trinity e ultrapassa os limites da ficção científica. Admito que a fantasia seja mais fácil de jogar sem que o pessoal envolvido se dedique a ler os settings (mas a fantasia não é o meu prato preferido) e depois restam os jogos na actualidade... Mas mesmo esses...

Mais um fracasso monumental!

Acaebo de me lembrar de mais um fracasso monumental na minha carreira de mestre de jogo: Underground RPG da Mayfair Games. O que era suposto ser um jogo irónico, de humor negro, caracterizado por uma amarga sátira à sociedade de consumo norte-americana (recordo ainda a cadeia de fast-food Tastee Ghoul que servia carne humana e que tinha como principal produto o Corpus Crispy), crítica política, uma analogia futurista ao regresso dos veteranos de guerra do vietname, e um fundo de forte intervenção social dos personagens no mundo de jogo, tranformou-se numa história ridícula de super-heróis manhosos. Que desperdício. Infelizmente o jogo já está datado e provavelmente já ninguém se lembra dele...

Eu joguei isso

Eu joguei Underground uma vez e mestrei duas vezes, one-shots nos
três casos. Nas 3 vezes a sensação que ficou: background interessante,
sistema horrível. Lembro-me de emprestar revistas da minha coleção de
Marshall Law para os jogadores terem uma noção de como as coisas
deveriam funcionar. Na época todo mundo estava mais interessado em
jogar Millenium's End e Cyberpunk 2020 e Underground RPG acabou ficando
de lado.

Na verdade, minhas únicas experiências positivas com jogos com super heróis foram: Godlike e Stuper Powers 

MnM

Meu amigo, se queres jogar super-herois, tens Mutants and Masterminds!

fica aqui o link da editora para te informares mais sobre o assunto:

(btw, vai sair agora uma 2nd edição... ainda n sei bem as difs, mas qd souber posto no grupo)

http://www.mutantsandmasterminds.com/