Anassana

Retrato de aileigc

Folium VIII

 

A desconhecida chamava-se Anassana, e disse-nos ser uma agente de Chislev, um Deus da Neutralidade. Não consegui precisar bem a raça dela, suponho que fosse uma elfa. Mas era estranha, e muito misteriosa. Não nos respondeu a nenhuma pergunta importante, nem nos explicou bem como é que ali tinha chegado sem problemas. No entanto, notava-se que tinha uma grande capacidade mágica. Segundo ela, o vale esteve de facto fechado por séculos a fio, mas curiosamente tinha sido aberto havia apenas 34 dias, devido a um terramoto.

Isto não pode ser coincidência, alguém nos trouxe aqui precisamente agora que o vale foi aberto. Há um desígnio em tudo isto, só me resta perceber qual é.

A sala onde encontrámos Anassana parecia uma biblioteca, cheia de livros e pergaminhos. Perguntámos-lhe o que ela sabia sobre o templo, e não nos disse muito. Disse-nos que havia várias capelas em baixo, vários pequenos templos, a todos os deuses, incluindo os da Escuridão e da Neutralidade, mas que a passagem para baixo estava vedada ainda. Havia guardiães e sigilos mágicos, que ela sabia, no entanto, que se desactivados permaneceriam nesse estado cerca de 10 minutos, até de novo se reactivarem. Mas ela não descobrira como baixar essas defesas.

Enquanto investigávamos o resto das salas deste nível, tivemos mais visões do Traidor, e uma delas em que o víamos guardar um punhal de aspecto realmente maligno num baú. Infelizmente, alguns dos outros descobriram precisamente esse baú. Convém dizer que raramente se dava o facto de todos termos a mesma visão. Cada uma era vista apenas por alguns, e depois contávamos aos outros o que tínhamos visto. Ao fim de algum tempo, já era um acontecimento normal. Mas desta vez, não houve tempo para convencer o Karol e o Fergor que abrir esse baú era perigoso. E era-o! O baú estava armadilhado,  e espalhou uma nuvem tóxica à nossa volta. Consegui escapar sem ser afectada, mas o Fergor, que foi quem estava a ver o que o baú continha, foi envolvido em cheio pela nuvem. Tossiu, tossiu e sufocou até morrer. Morte estúpida e evitável devida tão só à ganância. Espero que nenhum dos outros tenha ficado com o punhal negro que lá se escondia, mas não sou tão ingénua ao ponto de acreditar sem reservas nisso.

Com o Google e o Karol, saí do templo para enterrar o Fergor. Era o mínimo que podíamos fazer por ele. Aproveitei essa altura para sair do recinto e verificar como se encontravam os meus animais. Estavam bem, apesar do calor, e preparei-lhes mais uma vez comida para mais alguns dias. O bem estar deles pesava-me na consciência, mas não podia levá-los para dentro nem abandonar a minha missão. Acho que foi o Google, ou o outro Kender, quem me mostrou que havia um lago nas proximidades, mesmo por trás da face oposta da muralha. Isso foi o suficiente para encher os odres e dar um pouco mais de conforto ao meu cavalo. Com a consciência já mais tranquila, voltámos a entrar no templo.

Quando íamos a descer de novo ao piso da biblioteca, vimos Eruanne, Bahari e Zidnerpa a fugir escadas acima de estátuas com a forma de Mishakal e Paladino. Não percebi o que se tinha passado, mas explicaram-me que o Zidnerpa tinha descoberto a escada para baixo. Estava tapada de cima a baixo com enormes teias de aranha. Decidiram queimá-las e aproveitar assim para passar. Mas com certeza as defesas do templo não seriam tão facilmente ultrapassáveis, ou Anassana já o teria feito. E as estátuas imponentes eram provavelmente um sinal disso mesmo.

Falei novamente com ela, e ela disse que tinha acabado de descobrir um livro que dizia como suspender as defesas por algum tempo. Pelos vistos, bastava apresentar um símbolo de fé dum deus da Luz.

Os outros recuperavam do seu encontro com as colossais estátuas, que não tinham subido as estátuas. Pouco tinham visto do andar inferior, e entretanto as teias já se haviam reformado. Mas decidimos descer de novo, desta vez usando a ideia de Anassana. Ela, no entanto, recusou-se a descer. Só me interessa a sabedoria, disse ela, não o heroísmo. A Eruanne tinha encontrado um medalhão de Mishakal nas nossas explorações anteriores, e erguendo-o bem, de facto as teias deram-nos passagem. Descemos, e vimos uma enorme sala com várias portas e sustentadas por várias colunas. Mas vimos mais: vimos uma batalha desesperada nessa sala dos últimos sacerdotes tentando defender-se da magia do Traidor. Só que foram todos impotentes quando duas criaturas que pareciam demónios com correntes apareceram de duas portas ao norte e desfizeram qualquer resistênca.