"Est Sularus Oth Mithas"

Retrato de aileigc

Folium XIII

 

No palácio fomos recebidos com deferência pela filha do Khan. Aparentemente, a filha mais velha, pois a menina que tínhamos encontrado era sua irmã. A que nos recebeu era uma adolescente de ar lânguido e indolente, que nos deu referências para um capitão da sua confiança que no dia seguinte nos atravessaria para o outro lado, com um desconto. Além disso, deu-nos uma bolsa com 1000 moedas de aço.

Mas o momento mais importante da minha vida recente estava para vir nessa noite.
Quando retirávamos para os nossos quartos, o Aldor sobressaltou-me no corredor. Na sua forma tipicamente seca de falar, virou-se para a Eruanne e disse-lhe que precisava dela, depois virou-se para mim e disse:
"Karenya, vem comigo e com a Eruanne para este quarto, e prepara-te para te ajoelhares."

Fiquei aterrada e chocada por uns momentos com tal proposta, mas logo vi que não podia ser isso que ele tinha em mente. No entanto, não me deixei levar assim, e exigi explicações. Disse-lhe que confiava nele, mas que precisava de uma boa justificação para fazer como ele me ordenava (sim, porque o tom era esse!).

Então, ele disse-me que me tinha vindo a observar nos últimos dias e que, pelo que já lhe tínhamos contado das nossas viagens, já tinha podido avaliar o meu carácter. Ele estava ciente de que eu procurava os Cavaleiros de Solamnia e que não os tinha podido encontrar, e que segundo o seu juízo, eu já tinha amadurecido o suficiente para não precisar de os procurar: eu própria tornar-me-ia um deles.

Com os olhos a brilhar de emoção, segui-o para o quarto, onde Eruanne pôde testemunhar a minha iniciação. Ajoelhei-me à sua frente, enquanto Aldor dizia:

"Lembra-te sempre que Lealdade e Obediência são as qualidades essenciais de um Cavaleiro. Essas qualidades tu tens demonstrado, e pela autoridade em mim investida por Kiri-Jolith, Karenya Astivar, filha de Jarn Húgr da Expansão do Gelo, reconheço-te valor para seres aceite como Cavaleira da Ordem de Solamnia. Repete após mim o teu juramento."

Ele enunciou as palavras que eu havia de dizer, e que com incontível satisfação eu repeti, terminando com o sagrado "Est Sularus Oth Mithas", ou "A Minha Honra é a Minha Vida".

Com isto, ele deu-me a espadeirada, recitando a fórmula ritual:

"Que esta seja a última ofensa que recebes sem resposta. Ergue-te, Cavaleira Karenya!"

Levantei-me com lágrimas nos olhos: tinha atingido o primeiro objectivo da minha vida adulta por que tinha lutado com tanto afinco. Lembrei-me do meu pai, e de Hereth, e de como ficariam orgulhosos quando voltasse a encontrá-los, mas não me contive e lancei-me aos braços de Aldor dando-lhe um sentido abraço. O pobre homem ficou sem saber como responder, e com um suave beijo na face, afastei-me e agradeci-lhe uma vez mais. Nessa noite, dormi com os anjos.