Session Report: Goa

Retrato de hugocarvalho

Este ano as coisas em matéria de jogos andam a correr bem. Depois duma fabulosa (ainda não existe em português adjectivo para descrever tamanho pitéu) feijoada à brasileira no café/restaurante da Tia Renny, eu, o Pedro (vulgo Zorg) e o grande comandante Shahim, decidimos, de estômago farto, ir todos para minha casa jogar ao Goa, jogo de grande fama mas que ainda não tinha sido experimentado por ninguém, isto apesar de a encomenda já ter sido feita vai para uns 4 meses ou mais.

Como já sabia as regras (sim, eu leio as regras antes da primeira joga e não são raras as vezes que leio regras antes de comprar os jogos propriamente ditos) começamos a jogar num instante, sem recorrermos, felizmente, à velha fórmula de ler em conjunto o livro de instruções. Rápido apontamento ao aquecimento, onde o Zorg nos venceu no Pro Evolution Soccer, muito embora, a verdade tem de ser dita, houvesse más arbitragens na quase totalidade dos jogos em que o Zorg interveio.

Polémicas à parte, vestimos as roupas do princípio do século XVI e embarcámos para a mesa da cozinha para começamos a tentar controlar o comércio de especiarias das Índias. A tarefa não foi fácil. Muitas coisas em que pensar ao mesmo tempo e poucas acções por turno para fazer o que se pretende. De maneira que Goa constituiu um desafio interessante e o divertimento apareceu em grandes doses, isto apesar das namoradas tentarem a todo o custo sabotar o jogo desde o princípio.

- Tão sempre a jogar a isso. Já têm 30 anos. Que raio!

Mas fizemos as orelhas moucas e permanecemos intocáveis pela predominância nos negócios da Índia.

Goa apresentou-se como um jogo que doseia a interacção com o jogo solitário. Numa primeira fase assistimos a leilões por tiles, e numa segunda fase os jogadores entregam-se às suas fichas de desenvolvimento e tentam desenvolver as 5 áreas principais (impostos, construção de barcos, cartas de expedição, colonizadores e colheita de especiarias).

- Isso já acabou? Falta muito? Parecem uns putos sempre a jogar. Que raio!

Mas a fase dos leilões é bastante engraçada porque cada um de nós apenas dispõe duma oportunidade de licitar, pelo que é preciso ter consciência do que se pretende e a que preço é que se quer comprar.

Zorg mostrou-se um homem que domina os terrenos do oriente e o comércio das especiarias. Mas estudou as session reports do Boardgamegeek e soube antes de todos as vantagens de apostar nas cartas de expedição, vencendo com algum avanço sobre o segundo classificado, eu, que sempre tentei equilibrar os meus marcadores de desenvolvimento, ganhando mesmo nessa área na pontuação final.

O Shahim deu a entender que o seu negócio preferido é a guerra e não a plantação de especiarias e andou meio perdido. Se ainda houvesse umas batalhas de naus, podia ser que a coisa melhorasse para o seu lado, agora assim, sem sangue e sem honra, nada feito.

Apesar de ser, sem dúvida, um jogo divertido e fácil de jogar, pareceu-me que apostar nas cartas de expedição é a melhor táctica para vencer. Nesse aspecto parece-me um jogo mal doseado. Claro que só foi a primeira jogatana que fizemos, mas pelo que tenho lido de outras game sessions, parece-me que o jogo cria esse desequilibro, mas que, por outro lado, é um desequilíbrio que pode ser aproveitado por todos.

Mas também é cedo para aprofundar uma opinião consistente. Quando jogarmos uma segunda vez, agora com 4 (em jogos de leilões, quantos mais melhor) para ver como é que a mecânica evolui e como se portam os leilões talvez o juízo inicial mude. Seja como for fica prometida uma crítica com uma opinião mais fundamentada na experiência da próxima vez que voltarmos à Índia.

Nós os três gostámos imenso do jogo e nem sequer demos pelo tempo passar, mas devia ter sido muito o tempo que passámos naquilo, porque as vozes inquisidoras não se calaram:

- Por amor de Deus? Isso nunca mais acaba? Quando tiverem filhos quero ver como vai ser!

Ironicamente, depois do jogo acabar, sentei-me no sofá tranquilo enquanto a minha namorada fazia com carinho o jantar. É que ela faz a comida e eu lavo a loiça. Foi então que me pediu:

- Não te importas de ir ali à mercearia comprar pimenta para temperar os bifes?