Mais Uma Transmissão da KSC (Handout #7)

Emissão nocturna da KSC

«Boa noite, ouvintes madrugadores da KSC… Duvido que a esta hora ainda haja muitos acordados, mas, segundo consta, os casais em Lover’s Bay não dispensam este meu programa nocturno. A próxima é para vocês, pombinhos… Mas antes, um aviso: Não se esqueçam de tomar precauções. Não digo mais, porque corro o risco de perder metade dos meus anunciantes, mas vocês sabem do que eu estou a falar. Bom, deixo-vos em boa companhia nos próximos minutos. Barry White, com ‘Just The Way You Are’…»

(Toca o tema)
«Estou de volta, fiéis ouvintes. Espero que o ‘Round Mound of Sound’ vos tenha entusiasmado… Agora vamos confirmar se há mesmo alguém acordado. A linha está aberta e fico à espera do vosso contacto. Peçam um disco, reclamem dos meus gostos musicais, insultem o Mayor – não, não insultem o Mayor, por favor –, mas digam qualquer coisa… Enquanto, lentamente, levantam a cabeça do travesseiro e se preparam para digitar o número da vossa rádio preferida – e a única que conseguem captar, graças ao bendito Frost Peak – fiquem com um incentivo. ‘I Just Called to Say I Love You’. É Stevie Wonder, eu sei que é horrível, mas eu gosto…»
(Toca o tema)
«Olááááá… Já estamos acordados? Hmmm. Tenho uma chamada em linha, fantástico. Alô, boa noite, está em directo com Jane Webber, na KSC.»
«…uuuuutaaaaaaaa…» (uma voz gutural responde do outro lado)
«Como? Acho que alguém em Lover’s Bay decidiu partilhar connosco o clímax. Mas eu pensava que não havia rede para esses lados…»
«...orreeeeeer, uuuutaaaaaa, aaaaaaaa…» (a mesma voz cava e gutural)
«Bolas, isto está a ficar tétrico. Au revoir, mon chére (som da chamada a terminar). Então, será que ninguém tem algo de interessante para partilhar comigo? Urrar, não vale… Bom, mais uma chamada. Alô, está em directo com Jane Webber na KSC, por favor não urre…»
«…aaaaleeeennnn…oooopelaaaaaand…» (a mesma voz gutural)
«(segundos de silêncio). Alen Opelan? É o seu nome? (segundos de silêncio). Meu Deus (a voz da radialista sobe de tom). Alden Copeland! Quem és tu, idiota? Não se brinca com coisas sérias… Idiota, estupor, besta (som da chamada a terminar, seguido de segundos de silêncio). Outra chamada? Se ainda for a mesma besta, eu prometo que chamo o xerife!»
«eh…eh….eh…eh…eh» (gargalhada seca e repetitiva)
«(som de chamada a terminar) Chega. Vou fechar isto, desculpem-me os meus ouvintes, mas não estou para ser ridicularizada por idiotas sem ocupação. Boa noite a todos…»