Os Valdorianos (GURPS Space)

Retrato de tunas

3204: Brasão do Conglomerado

Arquivos Centrais da Agência de Serviços de Inteligência do Conglomerado (ASIC)
Departamento de História Valdoriana
Processo 3365998/502
Nível de Segurança 4+ – Ultra Confidencial; trechos de um simpósio de iniciação ministrado à 23ª Classe do Círculo Interno Valdoriano, proferida pelo venerável Magus Yeronimus VI a 502.06.16/10.28

AS ORIGENS

Em 2056 A.D., a Terra é um planeta esgotado, sobrepovoado, à beira da catástrofe. Aos graves problemas ecológicos e socio-económicos que a Humanidade atravessava no princípio do século junta-se, em 2034, a Peste Púrpura, uma virulenta praga de origem desconhecida que dizima, em apenas 7 meses, cerca de 2000 milhões de pessoas um pouco por todo o mundo, antes de ser controlada graças aos esforços sobre-humanos da ONU. Os países mais afectados são os do Terceiro Mundo, como era de esperar. E mesmo após a hecatombe, continuam a percorrer a Terra mais de 8 biliões de pessoas. Apesar da esperança oferecida pela colonização do sistema solar interior, a realidade para biliões de pessoas está longe das maravilhas oferecidas pela exploração da Lua, de Marte ou da cintura de asteróides.

A proliferação de armas atómicas a países como o Sudão e a Pérsia ajuda ainda mais a desequilibrar o delicado balanço de forças existente no mundo desde a queda do Bloco de Leste, no final do século XX. Os conflitos mundiais parecem longe de uma solução, e as tensões aumentam com o passar das três primeiras décadas do século XXI, à medida que os recursos se tornam mais escassos, a população global não pára de aumentar e os desastres ecológicos se tornam mais frequentes e graves.

O desastre final para a Humanidade dá-se em 2042, com o estalar da III Guerra Mundial. O que começa por ser um conflito territorial convencional  entre uma China expansionista, desesperada por espaço vital para os seus quase 3 biliões e meio de habitantes, e a Rússia, pela posse dos territórios siberianos e trans-mongólicos, em breve se torna num conflito mais generalizado, à medida que os vizinhos são arrastados para o conflito, primeiro a Formosa e o Vietname, depois a Coreia unificada e o Japão. Com a entrada do mundo Árabe na guerra, os Aliados Ocidentais, encabeçados pelos EUA e pela UE, vêem-se forçados a agir. Assim, em poucos meses, a guerra é geral, e assiste-se ao pesadelo eminente do Holocausto nuclear. Mas decorrerão três longos e penosos anos de guerra convencional até que, em gesto de desespero, a China ataca nuclearmente os seus inimigos. Apesar do espantoso grau de eficácia da rede anti-míssil americana, algumas ogivas escapam à malha protectora e cidades como Nova Deli, Savannah, Kiev e Praga são erradicadas do mapa, juntamente com as regiões adjacentes. Os Aliados respondem com o bombardeamento nuclear de Beijing e Xangai.
Por fim um armistício é assinado em 2045 que põe termo à guerra, deixando para trás 467 milhões de vítimas, uma economia global em ruínas e uma sociedade à beira do caos. As megacorporações multinacionais tomam conta de economias nacionais inteiras e dominam economica e politicamente o mundo nos anos que se seguem à guerra. O continente Africano torna-se um feudo pessoal de meia dúzia de megacorporações. Curiosamente, a ascensão das Mega-Corporações traz um período de paz e relativa segurança a vastas regiões do mundo – ficará conhecida como a Pax Comlegium, uma nova era que assiste ao desaparecimento das grandes super-potências e à balcanização definitiva de um mundo separado por extremos.

A década seguinte vê nascer o ambicioso Projecto Arca, que visa a construção de dez Naves-Arca que se farão ao Cosmos, carregando cada uma no seu interior 100.000 voluntários de todas as nacionalidades, criteriosamente seleccionados. Em 2056, depois de muitas reviravoltas e revezes da fortuna, apenas três das dez originais são completadas, com o alto patrocínio da ONU. Foquemo-nos na nº 7, composta quase que exclusivamente por ocidentais (americanos e europeus) e japoneses, pois a sua construção só foi possível devido ao financiamento exclusivo dos EUA, União Europeia e Império Japonês. Em 27 de Janeiro de 2056, a Arca nº 7, com o seu complemento de tripulantes e passageiros em hibernação criogénica, é lançada de órbita em direcção a Gliese 581 c, a 20.5 anos-luz. Com ela, e as outras que lhe seguirão o rasto, vão as últimas esperanças da Humanidade.

Acelerando constantemente, a Arca nº 7 demora dois anos a deixar o sistema solar. A sua tripulação trabalha por turnos de 3 meses, para impedir o tédio e o envelhecimento precoce de alguns dos seus membros. Mas a esmagadora maioria dos passageiros (gente de todos os estratos e profissões, pioneiros necessários à fundação de uma colónia de sucesso) dorme o seu sono gelado e sem sonhos, à espera do dia longínquo em que despertarão de novo para uma nova vida num planeta distante.

Do desconhecimento geral é a presença na Arca de uma seita secreta de místicos e estudiosos das ciências ocultas, que graças à sua vasta influência trataram de assegurar a sua presença na Arca, vendo esta como uma forma de escapar à Terra decadente e moribunda e criar uma nova sociedade numa terra virgem. Pertencentes a uma pequena e obscura Loja Maçónica denominada Sociedade de Ceres, os seus membros acreditam ser os descendentes ideológicos de Simão Magus, o infame e lendário feiticeiro hermético que terá vivido nos primeiros tempos da Igreja Cristã. Qualquer que seja a verdade, são um grupo de pessoas extremamente influente, culto e dotado de capacidades extraordinárias.

Onze anos após o início da viagem, ocorre o incidente que mudará o curso da História para metade da Galáxia, pois levará directamente à fundação do Conglomerado: o encontro da Arca nº 7 com a singularidade que ficará doravante conhecida como a Porta das Estrelas. A 6 de Junho de 2067, o volume maciço da Arca nº 7 é sugado para dentro de um gigantesco wormhole, a existência dos quais até então apenas teoricamente predita. Como consequência, a Arca é transportada instantaneamente mais de 40.000 anos-luz, até às imediações de um sistema solar desconhecido, no outro lado da Galáxia. As implicações deste acidente são ao mesmo tempo extraordinárias e quase catastróficas. Primeiro, é apenas graças às muitas redundâncias dos vários sistemas da nave que a mesma não se transforma num enorme caixão a flutuar na imensidão do espaço sideral. Mesmo assim, algumas secções das cubas criogénicas são danificadas para além do limiar de tolerância máxima e 321 pessoas em estado de animação suspensa morrem, os primeiros mártires da Grande Viagem, como mais tarde será conhecida esta expedição entre os historiadores do Conglomerado. Além disso, as vastas quantidades de PEM geradas pela singularidade provocam danos irreversíveis nas bases de dados guardadas no mainframe da Arca, e informação e equipamento insubstituíveis são irremediavelmente perdidos.

Mas, de longe, o mais importante evento consequente da passagem pelo sub-espaço é a subtil transformação que ocorre nas mentes de alguns dos tripulantes. Sem o saberem, algumas pessoas tornam-se mais sensíveis aos campos de energia cósmica que percorrem o espaço em todas as direcções e se concentram nos pontos de mais baixa entropia do Universo: a matéria viva. Esta recém-ganha sensibilidade será de enorme importância no desenrolar dos acontecimentos futuros no seio dos pioneiros da Arca nº 7. Entre os afectados contam-se o comandante da Arca, o piloto-coronel americano de ascendência holandesa William van der Lagerfeldt, a engenheira de sistemas canadiana Clara Robertson, o físico francês Claude Chabal (em animação suspensa) e o sociólogo, historiador (e secreto estudante do oculto) inglês Valerian Grey-Perry (também ele em animação suspensa). Será apenas mera coincidência o facto de todos eles serem membros da Sociedade de Ceres?

A tripulação, alarmada, faz activar os sistemas de apoio de emergência e todos os tripulantes de todos os turnos são reanimados. Depois de um conselho de emergência, a decisão é tomada: rumar ao sistema solar próximo. A viagem, que dura mais seis meses, permite aos tripulantes realizar algumas reparações e constatar o seguinte: todos os cálculos levam à conclusão que a Arca se situa no outro lado da Galáxia. É mesmo impossível determinar a posição exacta da Terra, pelo efeito sombra provocado pelo núcleo da Via Láctea. Mais importante ainda, esses seis meses vão assistir à descoberta dos poderes latentes entre os membros da sociedade hermética.

Segundo o antigo Calendário Gregoriano da Velha Terra, a Arca terá aterrado no 3º planeta orbitando a estrela desconhecida a 27 de Dezembro de 2067. Em certos planetas do Domínio Humano mais tradicionalistas, este ainda é um dia feriado, celebrado como o Final do Êxodo. Foi com espanto que os colonos verificaram que o planeta sustinha uma flora e uma fauna bastante evoluídas. Foi o primeiro contacto da humanidade com vida extra-terrestre. Foi também com agrado que se verificou que as bases bioquímicas da vida parecem ser as mesmas em todo o lado, e que eram muitos os mecanismos evolutivos paralelos (como a fotossíntese). Com os anos, esta primeira constatação da universalidade da Vida no Universo levou ao desenvolvimento do embrião da que é hoje em dia considerada a teoria-mãe das ciências biológicas – a Panspermia.

A história dos anos que se seguiram é fácil de resumir: os colonos deram início à construção de uma nova sociedade num planeta virgem e repleto de esperança. Com cuidados extremos, foram sendo introduzidas no ecossistema algumas das espécies trazidas da Terra; foram inventariados recursos, explorado totalmente o planeta em busca de vida inteligente (nenhuma encontrada); foram construídas infraestruturas em torno da maciça Arca, que funcionou como pólo aglomerador da nova Colónia, baptizada Primus pelos colonos. A primeira geração de humanos extra-terrestres nasceu nessa altura. Foram educados de acordo com a filosofia que regia a colónia: tolerância, respeito, esperança por uma nova oportunidade para a humanidade. Infelizmente, grandes quantidades de informação haviam desaparecido com a destruição da mainframe, e em particular os bancos de memória da história da humanidade haviam sofrido sérios danos; como consequência, a riqueza cultural da velha Terra havia-se perdido para sempre: uma geração educada acerca das suas raízes meramente por tradição oral.

Durante estes primeiros 20 anos, os membros da Sociedade de Ceres tornaram-se particularmente activos. Os seus dotados membros rapidamente atingiram posições de destaque na gestão, organização e liderança da colónia, feita nos primeiros tempos de forma marcial antes da instituição de uma democracia representativa funcional. Valerian Grey-Perry estabeleceu os princípios básicos da regência valdoriana futura, e como principal estudioso da Sociedade de Ceres, foi também o primeiro a dar-se conta, logo nos primeiros tempos após o estabelecimento da colónia, das extraordinárias capacidades adquiridas por si ao atravessarem a Porta das Estrelas. Valerian Grey-Perry havia adquirido a capacidade de sentir e manipular essa energia cósmica que passou a denominar de mana. Dedicou o resto da sua vida a instruir os outros membros da sua sociedade nesse dom, procurando os que eram mais dotados. Coligiu os principais tratados de taumatologia e taumaturgia, baseando-se nos seus próprios conhecimentos, nos que havia trazido da Terra e no resultado das suas experiências já em Primus. À sua morte, deixou aos seus seguidores um legado de escritos e manuais ritualísticos bastante completos. O seu nome hermético, Valdor, haveria de ser no futuro o emblema mais visível da sua herança.

Lenta mas seguramente, os seguidores de Valdor, auto-denominados valdorianos em sua honra, começaram, timidamente primeiro, depois com mais e mais segurança, a demonstrar em público as suas capacidades mânicas. E com essas capacidades a sua hegemonia social, se bem que involuntariamente, acabou por se tornar tácita. A Sociedade de Ceres já não existia; havia renascido das cinzas rosacrucianas da sua origem para se tornar no Culto Valdoriano.

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Mucho, mucho nice! :) Quero

Mucho, mucho nice! :)

Quero mais! E umas figurinhas para ilustrar, também!! :)

Space Opera

Esta é a campanha que queres fazer onde

[texto escondido]existe só um protagonista e toda a história é sobre ele?[/texto escondido]

Julgo que há disse que, a ser assim, não estou terrivelmente interessado... Backstory fixe, no entanto. :-)

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To crush your enemies, to see them driven before you, and to hear the lamentations of their women.
-Noddy, Lord of Darkness

A escrever: down*town, tech-noir rpg
Proto Agonístes um rpg de auto-descoberta, de um personagem e vários jogado

eh pá, só estou a col

eh pá, só estou a colocar aqui estes textos por carolice, não acredito que vá fazer nada com isto, francamente... 

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Luke: "What's in there?"

Yoda: "Only what you take with you."

Muito porreiro

Manuel Pombeiro
a.k.a.Firepigeon
LUDO ERGO SUM

Últimas jogatinas:

Negating the unforeseeable is utterly unrealistic, and scrambling to deal with problems is indeed a game skill.

Comentários

agradeço os vossos comentários e sugestões. isto é um WIP (work in progresss) e todo o feedback é positivo! o que gostar incluirei nos textos.

mil obrigados 

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Luke: "What's in there?"

Yoda: "Only what you take with you."