The Thing: The Boardgame

Retrato de swrain

The ultimate in alien terror… and boardgame!





 

Jogo de tabuleiro moderno, para 1 a 8 jogadores, traz para a mesa uma ambientação perfeita do filme Enigma de Outro Mundo (The Thing – 1982) de John Carpenter, um dos melhores – senão o melhor – filmes de ficção científica e terror já feitos para o cinema.


Assim que anunciado, o jogo entrou na minha lista de desejos, porém pelo preço, não tinha muita esperança de chegar a ter ele algum dia, até que a sorte me sorriu em um sorteio online da SeLigaBG e eu acabei sendo o sorteado pra uma lista com diversos jogos de opção, escolhi esse e não poderia ter sido mais feliz!


O jogo caiu no gosto do grupo e logo após a 1ª partida já foi catapultado pros nossos favoritos... com direito a marcação de noite de jogatina extra só para podermos jogar mais essa pérola!


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Ficha:

The Thing: The Boardgame

Lançamento: 2022

Editora original: Pendragon

Jogadores: 1 a 8

Idade recomendada: 14+

Duração da partida: 120 minutos

Criadores: Andrea Crespi e Giuseppe Cicero

Mecânicas preponderantes: Cooperação, papéis ocultos e traidor






Filme Enigma de Outro Mundo



O filme, de 1982, é uma refilmagem de uma ficção científica de baixo orçamento de 1951 chamada O Monstro do Ártico (The Thing from Another World – 1951), que por sua vez foi baseado na novela literária Who Goes There? (1938) de John W. Campbell Jr.



Apesar de fracassar na época de seu lançamento, o filme foi reavaliado quando lançado em home vídeo e ganhou status cult, sendo hoje em dia considerado um dos grandes filmes já feitos em todos os tempos, independente do gênero.



Terror gore mainstream com muito suspense, embalado por uma trilha sonora de Ennio Morricone de gelar a alma, o filme retrata a luta de integrantes de uma estação americana de pesquisa da Antarctica, que precisam lidar com um ser alienígena que assimila e imita outros organismos, de modo que ninguém tem certeza mais de quem é humano e quem não é, o que leva a paranoia e o medo de todos ao extremo, enquanto tentam sobreviver e achar um meio de revelar os impostores.



Leia aqui uma análise especial sobre o filme.





Os outros jogos baseados no Enigma de Outro Mundo



Em 2002, com Carpenter participando da produção como consultor criativo, foi lançado pela Sony o game para PC, Playstation e X-Box, chamado The Thing, da Computer Artworks / Black Label Games, que continua os eventos do filme de 1982.



E o filme já havia sido emulado nos tabuleiros em 2017, quando foram lançados Who Goes There? (editora Certifiable Games) e The Thing: Infection at Outpost 31 (editora Project Raygun). Os dois são considerados bons jogos, que também conseguem captar o clima de tensão e suspeita do longa de 1982, porém The Thing: The Boardgame é o mais completo nessas questões, replicando (ops…) com mais sucesso todos os elementos de suspeita, contágio, assimilação, testes e confrontos do filme.



Temos aqui na Ludopedia inclusive um tópico que tenta comparar os três jogos (veja aqui) e tem umas discussões bacanas.




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The Thing: The Boardgame



O jogo lançado com bela produção possui um tabuleiro principal de alta qualidade que reproduz (ops²…) a estação de pesquisa americana, chamada de Outpost 31 no livro que deu origem ao filme de 1951 (no de 82 o nome é diferente).



Nele vemos os cômodos da base, incluindo as salas do gerador e caldeira, visitados no filme apenas nos minutos finais, além do espaço exterior que circunda a base, com o helicóptero e o trator (ambos destruídos no meio do filme), além de um heliporto que pode receber um helicóptero de resgate.



Temos também cartas que representam os cômodos da base, cartas de itens do depósito (lanterna, chave, fio de cobre, ferramenta…) e cartas de armas (incluindo o lança-chamas), além das cartas de ação e as cartas de verdadeira natureza dos personagens (humanos e aliens).



Ainda temos os tabuleiros dos personagens (que retratam os mesmos personagens do filme), com suas habilidades especiais, seus stands (que podem ser substituídos por miniaturas, compradas separadamente) e seus tokens de verificação de contágio.



Por fim temos miniaturas de cachorros, de tambores de querosene, de comida enlatada e de combustível para lança-chamas, além de tokens diversos de dano, incêndio, cães, bolsas de sangue e etc.



Aqui vale comentar que a produção da caixa saiu com um nível bastante alto, de modo que todos os componentes são de ótima qualidade, incluindo as cartas (excelente gramatura), e até a caixa em si está incrível, com um insert translúcido lindo que faz alusão às geleiras antarcticas.


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Funcionamento da partida



O jogo coloca os participantes no momento do filme logo após o Dr. Blair destruir o helicóptero, o trator e a sala de rádio, e está estruturado em rodadas, compostas de 8 fases cada, na qual os personagens precisam fazer a manutenção da base enquanto tentam evitar contágios e tentam descobrir quais dos seus companheiros estão infectados pela coisa.



Os humanos têm como objetivo escapar da base por um dos três meios de fuga disponíveis para vencerem a partida, porém os aliens vencem se um deles conseguir acompanhar os humanos na fuga, ou então se um dos humanos for deixado na base após a fuga.



Além dessas duas possibilidades, os aliens ainda vencem também se conseguirem congelar a base (matando todos nela) ou se conseguirem assimilar todos os humanos do jogo.



No começo de cada rodada, o líder verifica as condições climáticas e procede o uso de combustível necessário para funcionamento do gerador e da caldeira (além avançar o vôo do helicóptero de resgate, caso ele tenha sido chamado).



Depois, se tivermos aliens expostos, eles decidem para qual(s) local(s) da base vão e com que força de ação.



Na fase seguinte, os participantes entregam suas cartas de ação (uso de equipamentos, reparo de danos ou sabotagem) ao líder, que sem revelar quem forneceu qual carta, vai embaralhar todas e começar a atribuir ações aos personagens nas respectivas locações onde estão.



Depois de resolvidas as ações (e, se houve, resolvidos também os encontros entre pessoas e cães, que podem resultar em infecção ou não), os personagens se encontram na sala de lazer onde discutem entre si as ações realizadas, demonstrando seu descontentamento com os companheiros e o líder, e acusando seus companheiros de agirem de forma inadequada.



Após a rodada de lavagem de roupa suja, os participantes votam em seus “suspeitos”, o que rende pontos de suspeita a cada um que recebe votos, em uma situação que vai influenciar depois eventuais testes de bolsas de sangue ou eventuais exposições das cartas de ação dos mais suspeitos.



Ainda na sala de lazer, os personagens podem trocar cartas de itens entre si e, por fim, podem fazer testes nos companheiros (se estiverem de posse dos itens necessários para tal). Nesse momento, por conta dos testes ou por estratégia própria, um ou todos os aliens podem se revelar para, a partir daí, jogarem expostos e não mais camuflados como humanos.



Por fim a rodada termina com o consumo de comida e as rotinas de movimentação dos cães pela base, além da mecânica de mudança (ou não) do líder.



As rodadas se sucedem até que um dos grupos (humanos e aliens) tenha atingido seu objetivo, encerrando a partida.





Jogabilidade



Desde o início os personagens precisam tomar decisões quanto à manutenção da base e a movimentação e ações a serem realizados, porque ambos os pontos estão interligados.



Se por um lado muitas tarefas são realizadas de modo mais eficiente se feitas em conjunto, por outro, andar em pares ou trios aumenta as chances de infecção, já que um dos companheiros pode secretamente ser um alien ocultando sua verdadeira natureza.



Assim, o dilema acompanha a todos sempre que chega a hora de definir a estratégia do grupo naquela rodada, principalmente porque apesar de interagirem entre si para definir as ações, é importante lembrar que a decisão final de ir para cada locação é de cada personagem, e a decisão final quanto à distribuição das ações é sempre do líder, então sempre haverão discordâncias e – consequentemente – suspeitas sobre os resultados dos atos.



Os personagens, portanto, precisam dosar os riscos de trabalharem em equipe, enquanto tentam obter armas, itens e bolsas de sangue para efetuar testes (e ir descobrindo quem é quem na realidade).



Como podemos ver, interação e blefe são fatores preponderantes na jogabilidade, que ainda traz a gestão de recursos e de ações, bem como a movimentação pelo tabuleiro, criando um mix de mecânicas que agregam ao tema do jogo e funcionam perfeitamente casadas, entregando uma fluência bastante agradável e divertida ao longo das rodadas.



E o que dizer do privilégio de liderar a rodada? Por um lado é ótimo, pois o personagem pode definir o que todos farão. Por outro, ter todos os olhos escrutinando suas decisões e as contestando pode ser bastante inconveniente… ou não. Depende da sua estratégia e, claro, da sua verdadeira natureza. Tal qual Garry e depois MacReady no filme!



Por fim ainda há uma mecânica toda especial envolvendo a fuga, que depende do meio escolhido e da trilha de suspeita de cada personagem… não é fácil gerenciar esses elementos quando decidir se é a hora de tentar fugir ou não, sob intensa pressão de todos os demais.


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Regras



Apesar de ter muitas regras, e muitos detalhes, nada é muito complicado. Deste modo, uma vez entendido o funcionamento do jogo, as regras são assimiladas (ops³…) facilmente e tudo flui bem fácil durante a partida.



Alguns pontos são omissos no manual, porém a lógica dá uma pista de como resolver a dúvida, já que as mecânicas são sim bastante coerentes e lógicas por si só. E para os casos em que não se chega a uma definição sobre o que fazer, os fóruns da Ludopedia esclarecem a maioria dos pontos.





Pontos fortes



Sem dúvida o jogo foi muito bem sucedido na questão temática, conseguindo transpor para a partida o clima de paranoia e tensão vistos no filme. Ainda que a jogatina comece com apenas um personagem infectado, isso basta para que desde o início ninguém confie em ninguém, de modo que toda ação ou comportamento – ou mesmo opinião – de todos pareça suspeita.



Mas o tema do filme não fica só nisso: o mecanismo de resolução de possibilidade de infecção (seja por personagens aliens ou por cães) é excelente e funciona perfeitamente: cada vez que dois ou três personagens estão em uma mesma locação, ou cada vez que eles encontram um cão em uma mesma locação, são realizados testes fechados de tokens, que podem ser de infecção ou não, em probabilidades diferenciadas e adequadas a cada caso.



Ou seja, cada vez que alguém encontra outro personagem ou um cão em uma sala da base, pode (mas não necessariamente) ocorrer uma infecção, se do outro lado o alien já tiver infectado o companheiro (ou o cachorro).



A fase de acusações é um capítulo a parte, divertidíssimo, com muita injustiça e manipulação, assim como as votações em seguida. Se o grupo encarnar de fato seus personagens então, e realmente todos se empenharem em representar seus papéis, quase dá pra visualizar as cenas do filme em que a equipe quase chega às vias de fato por conta da falta de confiança de uns nos outros.



O jogo consegue realmente ser redondinho, de modo que tudo está muito bem encaixado e atende ao andamento da partida. As mecânicas de obtenção de itens e seu uso, bem como tudo atrelado às cartas de ação para uso, reparo ou sabotagem, estão perfeitas e funcionam em favor do tema.





Pontos fracos



Em um jogo praticamente perfeito, podemos elencar como ponto fraco a ausência das miniaturas, que precisam ser compradas separadamente (e são bem caras), porém é importante ressaltar que os stands padrão do jogo possuem função ativa na jogabilidade da partida o que, portanto, justifica seu uso ao invés das minis (que são, obviamente, muito mais legais visualmente).



Quanto à jogabilidade em si, o único ponto que merece crítica em The Thing: The Boardgame é o poder bruto do alien, que dependendo de quantos jogadores forem expostos ou de quantas assimilações ocorrerem no decorrer da partida, pode tornar a coisa virtualmente “invencível”.



Para remediar esse ponto, alguns grupos têm adotado como “regra da casa” limitar a força do alien a três pontos “apenas”, em cada locação, ou quatro, dependendo da situação. É uma proposta interessante, se o objetivo for deixar a situação mais equilibrada.




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Ambientação e imersão



Para melhorar ainda mais a imersão durante as partidas, optamos por jogar com a trilha sonora onipresente ao fundo, o que dá um toque extra de suspense e tensão ao jogo. E como pré-requisito básico para a jogatina, instituímos que todos os integrantes do grupo tinham que assistir o filme antes da primeira partida, algo que ajudou muito a compreender a atmosfera do jogo (e da estação) durante as rodadas, do ponto de vista dos personagens.





Conclusão



The Thing: The Boardgame é um jogo semi-cooperativo, de papéis ocultos e de traidor sensacional, totalmente temático em relação ao filme na qual se inspira, divertidíssimo para quem aprecia as mecânicas envolvidas e gosta de muita interação entre os jogadores. Mais enxuto que BSG e Insondável, e mais fiel ao filme que seus irmãos Who Goes There e Infection at Outpost 31, este jogo brilha com 6 ou mais jogadores, em partidas de aproximadamente duas horas.





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Análise originalmente publicada no site Maxiverso e aqui reproduzida sob autorização, para engrandecer o debate em torno dessa jóia pouco hypada e ainda subvalorizada dos boardgames hehehe (Se não puder ter esse link externo, e o da análise do filme, eu retiro!)

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Adorei jogar este jogo, foi

Adorei jogar este jogo, foi das melhores compras que fiz nos últimos tempos. Joguei com 6 pessoas e com 7 e em ambos os casos foi excelente. Nota 9 no BGG. Adoro o filme e isso também ajudou. Agora quero experimentar a expansão, que é baseada na prequela do filme.