LeiriaCon - O meu resumo

Retrato de Asur

Dia 24

Saímos às 8 e meia do Porto, eu, a Polaroid, a Ebriosatis e o Crashburner, o nosso wargamer do grupo. O GPS levou-nos direitinhos à quinta do Pinheiro, por um caminho de terra no meio de um bonito ambiente rural.

- Ah, até têm tabuletazinhas a dizer "LeiriaCon" pelo caminho. Esta gente organiza-se, hã?

Chegamos às 10 e meia ao local do vício. Demos um vista de olhos pelos arredores, e entramos na sala do evento. Fomos recebidos pelos porreiraços do fs1973 e brainstorm, personagens do aoj que ainda não conhecíamos. Recolhemos os nossos badges, com avatar, nick e nome, todos catitas, e mandamo-nos para os jogos. Fiquei imediatamente entusiasmado ao ver o meu designer favorito, ali no meio dos comuns mortais, relaxadíssimo, a mostrar o que assumi ser uma das suas novidades.

- Olha ali o Martin Wallace. Já vai ter de me aturar, e assinar-me os jogos que trouxe.

Demos uma voltinha pelas mesas, cumprimentamos as caras conhecidas, malta do Porto que já tinha chegado, jogadores de Lisboa que já conhecíamos de Espinho, e os compinchas de Aveiro que chegaram pouco depois de nós. O Sr. Wargamer partiu em busca do mapa de hexágonos mais próximo.

Para abrir as hostilidades, convidamos o Mallgur para uma partida de Taluva, o nosso tile-placing favorito. Deu-nos uma malha valente. Estávamos completamente concentrados na construção de templos e torres, e ele, manhoso como é, obteve a vitória imediata construindo todas as aldeias e torres. Aproveitei o jogo para o seduzir para a jogatana seguinte já tinha programada.

Chegou então a hora do Indonésia. O Soledade, outro jogador que ainda não tinha conhecido pessoalmente, fez o favor de emprestar e ir tirando dúvidas. Eu tinha imensa vontade de o experimentar, por se dizer ser um "épico dos jogos económicos" e "o jogo que podia ser uma bela obra do Wallace", sendo o meu objectivo principal para a convenção (em jogos). Andamos lá um bocado a tentar perceber como se jogava aquilo, com uma explicação de um e outro jogador de mesas ao lado, e pela segunda era começamos a apanhar-lhe o jeito. Não é complicado. Na verdade, foi só o tempo de nos adaptarmos ao jogo, visto que nenhum de nós o tinha experimentado.

Foram muitas horas (com interrupção para almoço), 4 a 5. Começamos antes do almoço e acabamos já tinha anoitecido.
Fiquei convencidíssimo (já está encomendado), vivo bem com o layout esquisito que torna difícil ler o mapa (mas que por outro lado, proporciona um dos tabuleiros mais bonitos que vi), e é um jogo muito diferente dos que já experimentei anteriormente. Agrada-me a existência das diferentes "ocupações" que um jogador pode seguir, bem como a competitividade/dependência entre participantes. Não dei pelo tempo a passar, foi uma óptima experiência.
A seguir ao almoço, enquanto esperávamos pelo Mallgur, o nbs (mais um porreiraço) explicou-nos o villa paletti. Andava com vontade de experimentar os famosos jogos de destreza, como este e o bausack (ficou por jogar). Divertimo-nos imenso, está muito engraçado, o jogo.
Ao meio-dia, chegou a hora das trocas da Math Trade organizada no aoj, em que eu fui muito feliz. Fui receber o Le Havre e o King of Siam do vch (incansável em simpatia e explicações de jogos), e o Goldbrau do organizador, fs1973. Voltei todo contente para a mesa com os joguinhos novos.
Terminado o Indonésia, restava uma hora para o jantar. Olhamos à volta, vimos o Goldenclaw desocupado, e lá fomos desafiá-lo para uma partida de qualquer coisa. Meditamos sobre as nossas opções, e chegando à conclusão de que já não jogávamos Power Grid há 3 semanas (!!), lá teve de ser.
Dado o pouco tempo, experimentamos o mapa que torna o jogo mais curto, o de Benelux. Se bem percebemos, este mapa tem a regra de sempre que apareça uma power plant renovável no mercado futuro, esta fica imediatamente no grupo de centrais disponíveis. Sorteamos a ordem dos jogadores, tiramos as cartas, e que power plant aparece logo na primeira disposição? A número 50! A primeira jogadora, a Ebriosatis, saca imediatamente da mega-central, paga todo o dinheiro que tinha (50 electros), nós não pudemos licitar mais alto, ficando a lançar-lhe olhares invejosos. Andou a poupar tostões nos primeiros turnos, mas a tal "50" deu-lhe uma vantagem que eventualmente lhe daria a vitória (diga-se que ela ainda por cima é uma craque no jogo). Hora de jantar, para aliviar a azia.

Após a refeição, fomos dar uns toques no crokinole. Este é um jogo excelente, que gostaria imenso de ter, não fosse o preço. Diverte-me sempre, e compensa o facto de não ter jogado berlindes em miúdo.

Começa um grupo a reunir-se em torno de uma mesa, com ar entusiasmado. Vi lá no meio o nazgul, pelo que deduzi que havia ali um jogo bom.
Espreitei, e era o Dune. Ao aperceber-me de que havia vagas, ofereci-me. Não ia recusar a oportunidade de experimentar este clássico tão raro e gabado. Sentei-me ao lado do jrmariano (havia muitos porreiraços na Con) que me foi dando umas luzes das regras do jogo e história do mundo em que decorre (eu só tinha visto o filme do Lynch).
As regras também não são especialmente complicadas. Jogá-lo, é. Estive a maior parte do tempo meio perdido, e ainda por cima, pareceu-me, calhou-me uma facção não muito simples de jogar. Os outros jogadores tinham formas de obter especiarias, o que lhes permite, bem... fazer tudo! No meu caso, creio, tinha mesmo de andar a distribuir porrada. Ainda por cima acho que gastei dinheiro a mais no princípio, o que me deixou debilitado durante a partida. O grupo na mesa era divertidíssimo, com piadas constantes às meninas videntes, e eu a brincar aos bluffs com a habilidade da minha facção. De repente, o hugo_pereira manda um exército para a minha cidade, a qual eu não tinha capacidade de defender, conquista-a, e ganha o jogo. "Ohh, sou noob e permiti a vitória de alguém..."  É que eu ouvi muitas vezes que este jogo sofre um bocado de king-making por azelhices de novatos.
Ficamos ali a decidir o que se seguia, e eu propus o Betrayal at House on the Hill um clássico da Avalon Hill que me parecia catita. Com parte do grupo do Dune e duas adições (eu, drzodiacus, hugo_pereira, nazgul, Xana e helioa)  preparou-se o jogo. As mecânicas são muitíssimo simples, andamos de uma sala para a outra, tiramos cartas de resolução, skill checks, etc. O jogo vive é do ambiente, e da galhofa que se cria quando se joga com um grupo divertido. Este grupo de amigos lá explorou a casa, até que a miudinha (helioa), se passa dos carretos. Aparece uma bruxa lá no meio, e ficamos todos a postos para dar porrada. Eu armei-me em professor severo, e tentar dar coça à miúda. Resultado: aparece-me a bruxa na mesma divisão e transforma-me num sapo. Sim, fui frogged. A Xana fugiu para a cave, e ficaram os outros três heróis da história a lidar com a bruxa. Que é como quem diz, a ser frogged uns atrás dos outros (lá pelo meio fui dado de alimento a um gato, e pereci). Estando a bruxa a ter um bom dia, meteu-se a caminho de transformar em sapo o último aventureiro, a Madame Zostra (Xana), na cave. Sei que "Madame Zostra" soa a vidente com poderes místicos, mas neste caso, o seu poder foi olhar para a bruxa, e mandar-lhe com dinamite à tola. - Pum - Bruxa morta, e a Madame Zostra saiu de casa com três sapos vitoriosos no bolso.

E pronto, eram 4 da manhã, e estava na hora de ir para a cama, pensava eu. É que o meu amigo que nos deu dormida em Alcobaça ainda estava fresquinho da Silva... Joguei Tinners Trail até às 7 da manhã. Às oito e meia, levantamo-nos.
Dia 25

Dois cafés, um banho e um pequeno-almoço depois, chegamos ao segundo dia do LeiriaCon. Já lá estava o Martin Wallace a mostrar o seu wargame que sairá em breve, dei uma vista de olhos, e parece-me engraçado. Jogamos ainda umas partidas de Villa Paletti e Crokinole para descomprimir, porque o que se seguiria ia ser pesado.

Arkham Horror, com todas as expansões. Andava o DrZodiacus (porreiraço+) tipo formiguinha em redor do setup gigantesco que aquilo envolve. O crashburner veio também experimentar, enquanto a polaroid escapuliu-se para uma partida de El Grande.

Durante o almoço, houve tempo para um Zeus on the Loose, para matar o tempo.

Era uma ideia maluca, a de experimentar o Arkham com as expansões todas ao mesmo tempo, e foi engraçado. Tipo história de guerra para contar aos netinhos. Mas resultou em muito, muito tempo morto. Serviu para experimentar o jogo a sério, e confirmar que é de facto divertido. Felizmente, saiu-me uma carta que me permitia invocar o boss do jogo antecipadamente, enquanto estava "fraquinho". Conseguimos limpar o mauzão e ganhar o jogo. Eram cinco horas, mais ou menos.

Depois de mandar uns dados no Tumblin Dice, o DrZodiacus emprestou-me o Neuroshima Hex, outro dos meus objectivos para a Convenção, e o helioa explicou-mo. Jogamos primeiro uma partida a 3, e outra a dois. Gostei bastante do jogo, é abstracto sem saber a isso. Também é interessantíssima a diferença entre os diferentes exércitos. Fiquei, mais uma vez, convencido.

Havia chegado a hora. A sala começava já a ficar mais vazia e lá fizemos as malas. Comprei o Imperial, e o Sr. Gerdst autografou-mo, e estávamos prontos para sair. Chegamos ao Porto às nove da noite.

O LeiriaCon09 foi assim. Excelente.

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Muito bem

Excelente report da convenção. Dado as poucas horas de sono, excelente memória descritiva... Laughing

Só um reparo. No Powergrid, mapa Benelux, só a mais baixa power plant do mercado futuro (caso seja renovável) é que passa para o mercado presente e não qualquer renovável no mercado futuro. Tinha feito muita diferença... Surprised

Abraço.


Últimas jogatinas...

Dugy escreveu: Excelente

Dugy escreveu:

Excelente report da convenção. Dado as poucas horas de sono, excelente memória descritiva... Laughing

Só um reparo. No Powergrid, mapa Benelux, só a mais baixa power plant do mercado futuro (caso seja renovável) é que passa para o mercado presente e não qualquer renovável no mercado futuro. Tinha feito muita diferença... Surprised

Abraço.

 


 

Últimas jogatinas...

 

Ahah sabia que era o nosso Dr. Power Grid que ia descobrir o problema. Wink

Pois, uma senhora diferença, lemos aquilo na hora...

 

 


Top10:

Muito bom Relato

Deixaste-me com vontade de fazer duas coisas: experimentar o Betrayal e fazer o meu próprio relato do LeiriaCon =D

Pois...

... e eu fiquei com vontade de experimentar o mapa do Benelux, que nunca joguei, e fiquei também com vontade de ler o teu relato, starita :)

Parabéns Asur, excelente texto...
Para o ano lá estaremos :p

 

https://spielportugal.blogspot.com

 

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"The only way to achieve the impossible is to believe it is possible."
Lewis Carroll in Alice in Wonderland

Relato ou testamento=x

ufff, já está =x

BTW

No meio disto tudo o Crashburner ainda nao disse se gostou do AVL ou não!!!

Últimas jogatinas:

Negating the unforeseeable is utterly unrealistic, and scrambling to deal with problems is indeed a game skill.

Digo-te já! Embora tenha

Digo-te já!

Embora tenha perdido de forma um pouco inglória repetia a experiência... Gostei muito do jogo, da mecânica e do tema, só é pena é que uma partida realmente demore um bom bocado de tempo e não possa ser jogado a qualquer altura.

Mas foi mto bom, foi dos melhores momentos que passei na LeiriaCon 2009, juntamente com o tempo em que estive a jogar Conflict of Heroes!

Quem sabe em Abrantes não se faz outro joguinho de AVL!

A primeira vez é sempre a

A primeira vez é sempre a mais dolorosa. Mas penso que temos joga combinada!!

Últimas jogatinas:

Negating the unforeseeable is utterly unrealistic, and scrambling to deal with problems is indeed a game skill.