LARP: Priceless (2003-Nov-01)

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A conversa recente sobre LARPs levou-me a ir ao baú de recordações desenterrar isto. De modo que aqui estão, em estreia mundial, fotos relativas aos preparativos para o LARP Priceless (com o potencial de terminar prematuramente várias carreiras políticas) que organizei na noite seguinte à Noite das Bruxas de 2003 (era para ser na noite anterior, mas nessa já tinha eu a ante-estreia do filme I'll See You In My Dreams, onde dei uma perninha - e um bracinho - e fiz a minha estreia mundial no cinema como zombie, eheh).

Não tendo uma mansão à disposição, fizémos o melhor que pudémos com o meu apartamento. As luzes eléctricas, completamente desligadas; os estores completamente fechados pra não deixarem entrar a luz dos candeeiros de rua; a única luz que havia vinha de dezenas de velas e lamparinas acessas espalhadas por toda a casa. Havia ainda várias aparelhagens de som, todas a tocarem todas o som de chuva com trovada, para imitar a tempestade que estava a ocorrer fora da mansão. O meu apartamento não tem sotão, mas como precisávamos de um, decorámos a casa de banho do quarto principal com montes de teias de aranha falsas, e colocámos lá o baú velho mencionado na trama.

Além de mim (que fiz o papel do NPC Pai durante o início do jogo), haviam dez pessoas: 8 jogadores, e 2 NPCs. O pessoal que representava crianças, vestiram-se todos nos seus melhores pijamas; os que eram os pais, vestiram-se de roupão; os que jogavam os dois animais da casa (um cão e um gato) andavam a fazer de mestres de marionetas controlando um peluche cada um; finalmente, a pessoa que fazia de entidade maligna escondida na casa veio vestido todo de negro, com uma capa negra, e vestiu uma máscara que lhe encobria completamente o rosto e as feições, também negra. Havia dez pequenos candeeiros com velas no interior para os jogadores usarem como lanternas pela casa às escuras, mas não tiveram grande uso; os jogadores preferiam deixá-los aqui ou acolá do que andarem com eles na mão para todo o lado.

Não vou relevar muito da trama para não estragar o jogo a potenciais jogadores, mas posso dizer que foi uma hora de absoluto caos, mistério, medo e riso, eheh. A coisa correu muito bem, e os eventos deram-se em catadupa. No final, a entidade misteriosa propôs um jogo às crianças sobreviventes para terem de volta os pais e irmãos & irmãs perdidos, mas acabou por ganhar o jogo, ficando prometido regressar dali a dez anos para as crianças cumprirem a sua parte do acordo. Enfim, foi uma noite incrível!! E o mais curioso é que nunca nenhum de nós saberá sequer metade de tudo o que se passou ali, uma vez que o pessoal andava espalhado por toda a casa, conspirando, conversando, espiando, tentando fazer sentido do que se passava, trocando segredos, fazendo confissões, traçando planos, etc. Sem dúvida uma experiência a repetir.

O background do LARP e dos personagens foi adaptado para Português:

Noite de 1 de Novembro, 1918

Uma casa no interior do País

 

Lá fora, a chuva bate sem cessar sobre os vidros e telhas da casa. A tempestade parece ter chegado para ficar, e os trovões rebentam cada vez mais perto. O vento assobia através das frestas das janelas, e sopra mais forte a cada hora que passa.

Enquanto tu e os teus irmãos e irmãs começaram finalmente a recuperar daquela gripe que atacou a vila inteira, a Mãe teve de sair de casa para fazer uns recados. Agora que ela finalmente regressou, parece... diferente (embora o Pai diga que isso é um disparate!).

 

Bem-vindo a uma viagem ao passado. Venha conhecer uma época distante em que a electricidade ainda não iluminava os céus de todo o país e as sombras ainda eram rainhas e senhoras incontestadas da noite. É 1918, e Portugal está em pedaços. A Primeira Guerra Mundial ainda decorre, apesar de todos dizerem que não pode durar muito mais agora que os Americanos chegaram em força. Como se a guerra não bastasse, há meses que a epidemia de gripe pneumónica assola todo o território de Portugal, sem dar sinais de abrandar, deixando para trás dezenas de milhares de portugueses mortos que farão parte das vinte milhões de vítimas mundiais.

É um período de crise económica e social. Homens e mulheres, perante o medo da morte próxima e inevitável, assumem comportamentos em tudo idênticos aos que caracterizaram as sociedades europeias durante os surtos de peste negra. Buscando nos Céus aquilo que sobre a Terra parece impossível – o fim da peste – as populações, por todo o País, congregavam-se em volta dos seus santos mais devotos. Entregues ao sacrifício da marcha e da oração, desfilavam durante a noite pelas ruas das suas localidades, entoando cânticos e apelos fervorosos, num claro revivalismo medieval.

Mas esta é apenas a história de duas estranhas horas nas vidas das crianças da família Damião, isoladas no seu casarão a alguns quilómetros da aldeia mais próxima. Tu e os teus irmãos e irmãos têm de descobrir o que se passa antes da hora de deitar, ou algo de muito mau vai de certeza acontecer.

O Elenco:

Pai (Dr. Germano Damião)

Mãe (Sra. Marília Damião)

Guilherme (Mais Velho, 14 anos)

Florbela (Mais Velha, 13 anos)

Dário (Gémeo, 11 anos)

Nise (Gémea, 11 anos)

Frederico (Traquinas, 9 anos)

Mila (Mais Nova, 8 anos)

Farrusco, o cão

Bigodes, o gato