Bélisaire, la gloire de Byzance

Retrato de kabukiman
Revista Vae Victis #5 - Capa

Este é um jogo destacável da revista Vae Victis (nº 5); todos os números desta revista trazem um jogo de estratégia completo, com “piões”, mapa e regras (ou seja, só é necessário ter por fora um par de dados- e saber ler francês). Joguei-o várias vezes e por isso acho que merece ser apresentado.

O jogo simula as campanhas da reconquista do norte de africa e Itália (534-553) pelo general Belisário ao serviço de Justiniano, imperador do Império Romano do Oriente (ou Bizâncio se preferirem). Está concebido para dois jogadores.Cada turno dura o equivalente a uma estação; o mapa mostra o norte de africa, a Itália e uma parte do sul de França; os territórios estão divididos em zonas, possuindo cada uma delas uma cidade (excepto as zonas em pleno mediterrâneo). Existem piões para generais (com diversos valores, como o valor estratégico), para os diferentes tipos de tropas (catafractes, hunos), com características diversas (valor de combate, movimento, tiro), estratagema (unidades falsas, traição, reconhecimento).

Em cada turno os jogadores tem diversas actividades para fazer: tirar à sorte o número de pontos de acção, verificar se as tropas estão abastecidas (ou sofrem a atricção), receber reforços (se tiverem direito), tirar piões de estratagema, mover-se, atacar (estes dependentes dos pontos de acção e da qualidade do general). Os jogadores vão movimentando as suas tropas (podendo elas estar todas no mesmo território), de acordo com os pontos que tem, quando encontram o inimigo, é feito uma primeira fase de tiro (e retiradas as perdas), depois é somado o valor da capacidade de combate das tropas são somados todos os bonificadores (vantagens do terreno, moral, generais, superioridade numérica), é lançado um dado e observa-se numa tabela o resultado para todas as unidades em combate (que podem ser massacradas, sofrer testes de moral com mais ou menos penalizações, ou escapar incólume); terminado o combate (se existir um vencedor claro, pode resultar num empate e nada acontece), o lado vencedor pode perseguir o adversário para provocar um massacre (com a cavalaria). Existem também cercos (aqui ao valor das tropas, existe a complicar as milícias, atricção para os 2 lados, fortificações, e bloqueios marítimos) e combates navais. Para destabilizar um adversário, pode-se sempre recuar e queimar tudo o que deixa o inimigo sem nada para comer. Também existem certos acontecimentos aleatórios (invasão dos francos, mau tempo, etc).

Vence-se quando são preenchidas determinadas condições previstas nos cenários (normalmente a conquista de determinadas cidades e zonas de controlo).

 O jogo é simples mas eficaz (mesmo assim o cenário mais curto ainda demora umas duas horas). Existem uma meia dúzia de cenários, desde o pequeno até à grande campanha com dezenas de turnos.O cenário que mais joguei é o mais curto: dura 3 turnos entre vândalos e bizantinos. Rigor histórico exige, a desproporção de forças é enorme: os bizantinos tem o dobro dos efectivos, melhores tropas, melhores comandantes e mais marinha. E começam com as tropas todas juntas ao contrário dos vândalos que só numa hipótese em 6 as ter juntas; para os vândalos ganharem, precisam de ter muita sorte ao dado, que o inimigo tenha azar e que divida as tropas em 4 grupos (só uma destas condições não chega para ganhar). Eu tive essa sorte uma vez: o meu adversário foi ganancioso e decidiu dividir as tropas em 4 grupos para tentar conquistar 4 cidades em 2 turnos; eu juntei tudo num só grupo e esmaguei o grupo onde estava Belisário (que teve um azar monumental aos dados); só me restava uma cidade, mas o meu adversário tinha sofrido grandes perdas com os assaltos às restantes cidades (em vez de fazer um cerco), de modo que o derrotei facilmente e reconquistei tudo (de todas as outras vezes que joguei perdi pelos vândalos e ganhei pelos bizantinos).

Outro cenário que joguei foi a primeira reconquista de Itália pelos bizantinos aos ostrogodos. Os bizantinos tem menos tropas, mas são de melhor qualidade, estão juntas (os ostrogodos estão dispersos) e sobretudo tem um muito melhor comando.