O que têm de especial os Jogos de Simulação Narrativa (RPGs)

Retrato de Rick Danger

Como é que é possível juntar o gosto de vencer um desafio, a emoção de explorar um mundo diferente e o prazer de contar e ouvir uma história em que nós próprios somos os protagonistas? Esta mistura tão explosiva e tão improvável é o que os Jogos de Simulação Narrativa (RPGs) têm de especial.

Quando falamos de "Jogos", naturalmente pensamos em: divertimento, convívio, regras, desafios e competição. Os RPGs têm todos estes elementos menos o factor competitivo - pois estes são jogos de forte colaboração entre os participantes, através da qual se revela a criatividade e o engenho de todos. A "Simulação" surge justamente graças a esta dinâmica de grupo. Dentro da estrutura do jogo, o grupo cria um espaço imaginário partilhado onde qualquer mundo pode ser simulado, qualquer período histórico, sonho de ficção científica, fantasia, terror, drama, comédia, conto de espionagem, história de aventuras, trama política, cenário apocalíptico, idade da pedra, qualquer espaço imaginário onde os participantes entendam jogar. Para além disso, este simulador não se limita a recriar um universo estático, pois, logo que este mundo é assim imaginado, os jogadores nele começam a contar uma história, uma "Narrativa" cuja criação é igualmente partilhada e cujo fim ninguém pode prever.

Actualmente, há milhares de Role-Playing Games (RPGs) e milhões de roleplayers que brincam com este triplo propósito dos Jogos de Simulação Narrativa. Alguns têm mais regras ou desafios, outros apresentam o seu mundo em grande detalhe, outros preocupam-se em estruturar a história da forma mais interessante possível - mas dentro desta enorme variedade há esta essência tão especial que distingue estes jogos de quaisquer outros. É uma mistura instável e cheia de potencial que concentra elevadas doses de singular divertimento.