o blogue de Eowyn

Retrato de Eowyn

A primeira personagem

Vou aqui recuperar uma pergunta que uma vez vi colocada nos fóruns da RPG.net e à qual achei piada. Chegam-se a ouvir algumas histórias engraçadas.

Qual foi a vossa primeira personagem de RPG, em que jogo e o que lhe aconteceu?

No meu caso teria de falar da Sharon Graves, de Call of Cthulhu, e cujo nome foi de certo modo profético porque os maiores sustos que apanhou e as maiores perdas de Sanidade que teve foram em cemitérios e/ou mausoléus.

Ah, a saudosa Sharon ainda é mencionada muito de vez em quando entre o pessoal que jogou aquela campanha. Nunca percebi porque é que toda a gente esperava que ela pagasse os bilhetes de avião/gasolina/whatever. Lá porque ela vinha de boas famílias e conduzia um Mercedes descapotável não queria dizer que fosse a Cáritas lá do sítio!

E quem poderia esquecer aquela vez em que, depois de perder Sanidade aos bochechos ao longo de uma dada sessão, ainda tive de lançar um d20 mesmo no fim da aventura para uma última perda de Sanidade e rolo... 20! Era impossível perder mais!! Gah!

Bom, a coitadinha depois disso nunca mais foi a mesma. Ainda acompanhou a expedição ("visita de estudo", foi a desculpa dada à direcção da Miskatonic University) à Roménia, mas depois de uma noite mais atribulada perdeu o resto dos parafusos e desapareceu misteriosamente nas florestas Romenas.

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O regresso de Dirtside.

Haveria pouca gente mais vocal acerca de um regresso de Dirtside do que eu, creio, de modo que quando o Ric no outro dia se virou para mim com a proposta de voltar a pegar na nossa série de PTA eu fiquei em pulgas.

De tal modo em pulgas, que voltei a obcecar com as várias personagens de Dirtside, e nomeadamente a minha Rita Jamieson. Eu sou assim: tenho taras e quando atacam, atacam mesmo forte. Sempre que não estou a trabalhar ou a estudar, magico cenas, passados, pormenores - o que seja! - sobre Dirtside.

Finalmente, no fim-de-semana que passou, discutimos o cenário e o que se teria passado nos dez anos desde o final da primeira série. Fiquei tão empolgada que aproveitei uns serões e viagens de comboio para escrever logo um prólogo ao Episódio Piloto (que já postámos na secção de Dirtside e que eu sou muito preguiçosa para linkar a este texto.)

Mas agora a discussão virou para os famosos Next Week On do PTA e o Ric insistiu de tal maneira que eu cá vim postar ao Portal. E já que ele insiste, leva com não um mas dois NWOs.

1.
Rita salta os últimos degraus da escada que leva ao porão, levanta o olhar e apanha-os em flagrante: Jenkins encurralando KC a um canto. Ambos falam em sussurros e o ambiente é tenso.

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O Que Faz Uma Boa Personagem?

Com a minha experiência recente em PTA (com a fabulosa série Dirtside!) surgiu-me a pergunta: afinal o que faz uma boa personagem? O que é que torna uma personagem memorável?

Gostei tanto de jogar a minha Rita Jamieson que acho sinceramente que ficará para a história como uma das minhas personagens mais memoráveis – como o foi a Véronique D’Arcy do Call of Cthulhu com o seu sotaquezinho francês, a sua tendência a vender artigos menos legais na sua loja de antiguidades, e a sua misteriosa pontaria infalível com armas estranhas mesmo quando quase não tinha stats para isso.

Já com a Rita (famosa aqui no portal, ao que parece) não posso dizer que perceba exactamente porque gostei tanto dela. Terá sido apenas uma empatia especial por causa de todos os trambolhões emocionais que ela foi passando ao longo dos 5 episódios de Dirtside? Os stats é que não foram de certeza: em PTA não há bolinhas para colorir, nem níveis para trepar. Terá sido a acção? Houve alguma, empolgante quanto baste, mas nada que ultrapasse alguma da tensão que já vivi com este grupo de jogadores em Call of Cthulhu ou em D&D.

Portanto enquanto tentava perceber é que me surgiu a pergunta.

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Não sou normal :P

(O Ric melgou-me para colocar isto aqui no Portal, onde, de facto, é mais temático do que no meu forum dos Amberitas Anónimos. Portanto segue o copy/paste.)

Ok... O que é que se passa de errado comigo?

É que estou incapaz de parar de pensar em Dirtside. É ao serão, é enquanto faço os TPCs da faculdade, é enquanto trabalho, é no comboio, na rua, nas escadas do prédio, e até nos intervalos das aulas. 8(