Battlestations - RPG or not?

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Battlestations - Capa

Battlestations


CRONOLOGIA

2106 – Finalmente toda a raça humana une-se sob a mesma bandeira dos Estados Unidos da Terra, quando os Estados Unidos da América anexam a União Económica Europeia. É garantido a  cada país anexado os previlégios de membro de pleno direito, criando-se assim o precedente para a posterior República Universal.

2111 – O vôos espaciais tripulados são abandonados, por serem considerados demasiado perigosos.

2122 – É desenvolvida a tecnologia que permite capturar num instante toda a complexidade da rede de neurónios (vulgo, o cérebro) pelo Dr.Lindstrom . Este processo é usado para criar clones teóricamente  com uma cópia integral da mente do sujeito clonado. Lindstrom clona-se a si próprio durante as experiências. Inexplicavelmente os clones não se activam. Numa trágica ironia do destino, o Dr.Lindstrom (o homem que iria viver para sempre) entra em falência e comete suícidio.

2122 – Algumas semanas depois da morte de Lindstrom é passada uma ordem de tribunal para que se desligue e desmanche o seu laboratório. Trabalhadores descobriram então que o clone do Dr. tinha morrido no seu recipiente de incubação. Ao que parece, tinha acordado no instante em que o mesmo se suicidava.

2122 – Diversas teorias são apresentadas, mas as mais consistentes têm como ponto comum o considerarem que a natureza única da alma humana seja a razão que impede que não possa existir ao mesmo tempo mais do que uma cópia da mesma pessoa. Algumas religiões desfazem.se em fanicos. Outras religiões entram em guerras; inicia-se a 5ª Cruzada.

2122 – A tecnologia de clonagem (também chamada de reencarnação) é inventada. De inicio só os muito muito ricos é que a podiam pagar. Conforme o preço começou a descer, alguns partidos começaram a colocar limites à reencarnação com medo de uma explosão populacional. Apenas quem tivesse profissões de risco ou cargos importantes é que era permitido clonar. Foi negado o direito de clonagem aos criminosos convictos.

2127 – (finalmente mudou-se de ano!!) Das cinzas da 5ªCruzada nasce a nova religião Animismo. A sua premisa principal é a santidade da alma.

2133 – Livres do medo da morte, a exploração do espaço pelos humanos recomeça.

2146 – Naves humanas começam o processo de terraformação de Marte e das luas de Júpiter.

2157 - Motores que permitem viajar mais depressa que a luz (FTL) são inventados numa Universidade no Sudão. Os humanos começam a lançar-se com um grande impeto na descoberta do Espaço. As naves humanas são construídas com misseis e canhões de energia a bordo, porque nós vimos em paz mas estamos preparados para qualquer coisa. Os motores FTL reduzem as distâncias entre estrelas de décadas a meses.

2170 – Novos mundos são descobertos e colónias humanas começam a florescer.

2234 – Os humanos atravessam as nuvens de Tentac e descobrem o mundo do Tentacs. A ciência Tentac é extremamente avançada em relação à humana (salvo o pequeno lapso que nunca voaram e nunca olharam para além da camada de núvens que cobre o seu mundo). Existe uma pequena parábola de Tentacs que diz que quando os humanos apareceram, metade dos Tentacs voltaram-se para a outra metade e disseram “Pois...acho que tinhas razão.”

2234 – Os humanos convidam os Tentacs a criar uma aliança que ficará conhecida com a República Galactica. Os Tentacs concordam, principalmente porque tem pena dos humanos. Como pedra basilar da sua fundação a República Galactica tem como base a partilha de todo o conhecimento.

2235 – Descobre-se que os Tentacs (e de facto, toda a vida inteligente) são clonáveis. Os Tentacs não ficam muito impressionados com esta tecnologia.

2240 – A ciência dos Tentacs consegue aperfeiçoar os motores FTL (criando os hipermotores) que reduzem em várias ordens de grandeza o tempo necessário às viagens espaciais. A viagem no espaço tal como a conhecemos hoje, nasce.

2248 – A terraformação no Sistema Solar é practicamente abandonada uma vez que é mais fácil descobrir planetas prontos a colonizar do que continuar projectos de terraformação que durarão séculos a concluir. Colónia assim inacabadas são presa fácil de piratas e são saquedas.

2257 – É descoberto o mundo dos Xeloxs. Os Xeloxs juntam-se á República Galactica. Os Xeloxs começam um programa de colonização “agressivo” (coff coff).

2260 – É descoberto o mundo dos Zoallans. A Rainha Zoallan junta-se à República Galactica.

2265 – O código guerreiro dos Xeloxs, agora engrandecido pela tecnologia de clonagem e pelas espectaculares novas armas espaciais, leva à primeira das “divertidas” guerras. As guerras são combatidas com recurso apenas a naves superfulas, e com tripulantes clonados. É caro mas que grande entretenimento que estas guerras são!! Os Tentacs oficialmente não integram estas guerras, mas muitos cidadãos Tentacs vendem os seus serviços como mercenários.

2285 – O mundo morto de Canos (descoberto por Joaquin Canos em 2175) é usado como depósito de abastecimentos devido à sua proximidade das rotas de comércio. Acaba-se por descobrir que este mundo é completamente atravessado por túneis feitos por seres inteligentes que comunicam através de uma série de cliques, qeu se chaman os Tktkttkkkts. Os humanos chamam-lhes arbustos do deserto, pois é com estes que eles se parecem, até que um movimento de politicamente correcto os baptiza de Canosianos, em homenagem ao engenheiro humano de 2ª categoria que primeiro colocou o pé no planeta.

2290 – Os Zoallans começam a sentir-se incomodados com a poluição cultural humana. O planeta dos Zoallans começou a transmitir televisão comercial!!

2300 – A politica de “um planeta um voto” para a República favorece grandemente os humanos que têm vários mundos colonizados. Os Tentacs reclamam o estatuto de colónia a uma centena de luas e asteróides em que simplesmentam colocaram uma bandeira, numa tentativa de aumentarem o seu número de votos no Senado. Chega-se a um acordo de compromisso, e que um mundo tem de ter um certo número de habitantes (o número de Volkev) para poder ter direito a um senador que o represente. Os mundos que estejam abaixo deste número podem-se juntar de forma a obter a sua representação colectiva. Mesmo assim este sistema ainda favorece os humanos. A admissão de novas culturas ao Senado, será decidido por voto do Senado da República Galactica.

2310 – O sistema binário em que se situa o mundo dos Silicoides é explorado. Fica mais perto do que o mundo dos Tentacs mas nunca se lhe ligou importância por causa da sua óbvia incapacidade para suster vida. Os Silicóides juntam-se à República Universal.

2350 – Fartos do imperialismo cultural dos humanos, vários planetas declaram a sua retirada da república. A resistencia começa. Dão-se os primeiros passos da Guerra Civil Galactica.

Battlestations, publicado pela Gorilla Games (http://battlestations.info/) em 2004 dos autores Jeff Siadek e Jason Siadek, é um jogo que melhor se pode descrever como um RPG do Espaço convertido em Jogo de Tabuleiro. Cada jogador controla uma personagem definida por características, habilidades, armas, artigos que transporta e sabe, ou não, usar. Por sua vez estas personagens controlam uma nave espacial em missões por esse Universo fora.
 
Este Universo, como se pode verificar pelo exemplo acima, está imaginado desde o inicio com um estilo de cartoon, com uma boa e sólida base de evolução até ao presente, mas no qual, o caricato das personagens e das situações é acentuado sempre que possível. Exemplo disso é a ênfase dado à estranha espécie que a Humanidade é: a única com, unicamente, 2 pés e 2 mãos!!! Ao mesmo tempo que apresenta a espécie Humana como das mais cínicas e imperialistas, sendo esta visão um pouco diferente do estereotipo normalmente apresentado em jogos, ou noutros media. Todas as restantes espécies têm fisionomias estranhas e fundamentadas. E pode-se jogar na pele de qualquer ser alienígena!

O livro de regras com as suas mais de 100 páginas poderá parecer excessivo mas na realidade quase metade é composto da descrição das missões. A melhor forma de o digerir é dar-lhe uma passagem e saltar para a acção, uma vez que se torna mais fácil no decorrer de um jogo ir-se adaptando ao estilo e usando as diversas regras. É essencial que o jogador que controla os maus da fita tenha uma boa percepção das regras, pois este será o jogador que todos os outros terão de se juntar para derrotar as suas terríveis maquinações.

E é nos combates entre naves e nas abordagens ou assaltos a outras naves ou estações espaciais que o jogo brilha, com a sua possibilidade de adaptação que os jogadores são necessariamente convidados a usar, e abusar, de forma a levarem as suas missões até ao fim. A esta faceta junta-se ainda a possibilidade de ao encandear missões e usando-se os mesmos personagens, que estes ganhem experiência e prestigio,  evoluindo e tornando-se cada vez mais capazes de completar tarefas previamente inacessíveis, criando-se assim uma campanha que só depende dos mesmos para ver o seu fim. Até as naves que os heróis possuem podem ser actualizadas e expandidas, ou trocadas por outras de maiores capacidades, tudo isto utilizando-se um engenhoso sistema modular, em que cada módulo representa uma secção especifica da nave, seja a sala de motores, o hangar, a área com os módulos criogénicos ou a sala de controlo do canhão espacial (tipo Millenium Falcon).

Assim o jogo compõe-se de duas facetas distintas mas complementares, que se balançam muito bem, entre a gestão individual de cada personagem e as batalhas entre naves. Os jogadores podem escolher jogar em equipa ou, arranjando cada um a sua nave (faca nas costas também é uma táctica válida!), competirem entre si para derrotarem os vilões.
Para quem nunca jogou um RPG e se quer iniciar de uma forma indolor, ou mesmo para os veteranos, Battlestations tem todas as opções necessárias e compete ao grupo de jogadores explorarem-no e adaptarem-no à forma que melhor os faça passar uma boa tarde, ou uma grande noitada.

Manuel Pombeiro

a.k.a.

Firepigeon

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