Sengoku

Retrato de kabukiman

O jogo passa-se no Japão do séc. XVI. Utiliza o mesmo sistema de cyberpunk 2020: a uma característica soma-se uma skill e um d10, e compara-se com o nível de dificuldade ou contra um adversário. Do ponto de vista histórico está extraordinariamente bem pesquisado. É-nos descrita a etiqueta, o calendário, as divisões sociais (desde o humilde hinim-equivalente ao intocável até ao Kuge- aristocrata imperial), a economia (querem saber quanto ganha um daymio médio em relação a um ronim?), a religião (budismo, xintoismo, cristianismo) enfim tudo o que se pretende para jogar num universo a sério e não num universo genérico. Querem saber quanto custa estar numa sala de banhos enquanto tem uma prostituta a lavar-vos as costas? É possível. Querem comprar um leque, um kimono, uma espada nova? Tudo isso aparece. Embora a preferência seja para jogar samurais (e é o que tem mais interesse para aventureiros), é possível jogar outros grupos (e caso não queiram, tem dúzias de NPC’s prontos a servir). Os pesos dos equipamentos, o dano que fazem, a protecção (e custo) também aparecem. Para se entrar no ambiente, pode-se sempre rever os filmes do Akira Kurosawa: yojimbo e os 7 samurais para quem quiser jogar ronins, kagemusha e ran para quem quiser jogar samurais ao serviço de um daymio.

Alguns pequeno senãos: não existe um único cenário (e a campanha é difícil de arranjar). E a cronologia sobre o japão é um pouco curta (mas a net existe para isso mesmo, ou então inventa-se as personagens).

Pode-se jogar a 3 níveis: histórico (terrivelmente letal), chambara (género filmes de acção) e anime (salva-se pelo menos o império contra demónios numa sessão).  Mestrei um cenário a dois amigos e depois uma campanha de 1 ano ao Rick Danger e à lady entropia. Embora só eles possam falar como jogadores, achei o jogo bastante interessante. Jogaram nível histórico e safaram-se bastante bem (atendendo aos incapazes que os lideravam…).Dos (poucos) suplementos que existem, só tenho um, sobre ninjas: é também feito com grande rigor, mas só tem interesse se for jogado por ninjas. É que se os jogadores interpretarem samurais, nem se apercebem da sua existência.

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Sengoku-jidai!

kabukiman escreveu:

Alguns pequeno senãos: não existe um único cenário (e a campanha é difícil de arranjar). E a cronologia sobre o japão é um pouco curta (mas a net existe para isso mesmo, ou então inventa-se as personagens).

Antes de dizer bem, quero já começar com um grande senão: o sistema é mau e a apresentação dele é pior. Não só as regras são confusas como estão espalhadas quase aleatoriamente ao longo dos capítulos. É uma pena porque basicamente transforma este RPG num notável mas simples sourcebook de japão feudal. Leiam o ambiente. Esqueçam as regras.

Em boa-hora, jogamos Sengoku com uma adaptação do sistema de Pendragon. A crónica em plena guerra foi excelente e gostei de jogar um leal samurai que serve um daymio francamente mau :) Nada melhor que uma guerra civil para dobrar as regras do bushido.

Não me recordava que

Não me recordava que tinhas lido o livro. É, para quem é mestre do jogo, torna-se bastante complicado ler as coisas e encontrar o que se precisa. Quanto ao pendragon, é capaz de não ser o sistema ideal para adaptar do japão medieval (e dá também imenso trabalho, pois as armas e técnicas de combate são muito diferentes), mas em cima do joelho foi o que se arranjou.  

Ainda me lembro da vossa cara quando o vosso daymio ouviu uma profecia que lhe dizia que o seu clã iria ser todo poderoso. Até que se percebeu que não ia necessariamente ser com ele...

 

 

" Robot durante o dia, vegetal durante a noite"

5 estrelas!

Bom, quanto ao Sengoku não posso comentar nada, mas posso constatar que o Fabiano já fez mais pela secção de reviews de RPG nas duas semanas que cá está do que (quase) todos nós em ano e meio de existência! Obrigado! :-D

'brigado, 'brigado, sabe

'brigado, 'brigado, sabe sempre bem ouvir elogios.

 

 

" Robot durante o dia, vegetal durante a noite"