Antike - session report

Retrato de soledade
Antike - Capa

E o último jogo de 2006, como que numa despedida em glória, foi um dos jogos que mais me impressionaram ultimamente - Antike. Já tínhamos experimentado o jogo com quatro jogadores. Desta vez, a tarefa adivinháva-se mais complicada, porque iríamos fazer o grande teste do five player experience. Isto pode até nem ter importância nenhuma mas, se o escrevermos em inglês e o pusermos em itálico dá ideia que é, de facto, um acontecimento inolvidável.

Então cá vamos nós para o nosso five player experience.

Quatro de nós já havíamos experimentado. O único caso virgem era o Luís. Com algum azar lá lhe calhou aquela que é, provavelmente, a nação mais difícil de liderar, sendo inexperiente - os fenícios.

O Costa ficou com a Grécia, num assombro de ironia depois do que aconteceu em Périkles. Mas ninguém quis comentar... por uma questão de respeito aos mortos em combate.

Eu fiquei com os egípcios, esses inexperientes guerreiros que só agora, a cinco jogadores, entravam em jogo.

O Nuno ficou com os árabes, nação actualmente imcompreendida, mas que se fartou de cometer actos de terrorismo durante toda a sessão, usando a estratégia do envenenamento verbal.

O Carlos, com os persas e, curiosamente, um dos principais aliados ao terrorismo verbal de envenenamento público, explícito, dos árabes.

Dispostas as peças, estávamos na vez de começar a fazer coisas. Uns apostavam nos templos, outros em estender o seu número de cidades, outros a aumentar o seu conhecimento científico, enfim, uma panóplia de coisas com o objectivo principal de atingir os almejados 8 pontos vitória.

A grande nação da Grécia, desta vez, muito bem liderada pelo Costa, havia atingido um patamar bélico e espacial, que mais nenhuma nação sequer sonhava conseguir num futuro mais próximo.

Os egípcios, numa estratégia mais de contenção, assegurando três templos desde muito cedo e deixando quase completamente de parte a componente militar, estava muito vulnerável aos ataques da Grécia, que agora se estendia com muita vontade até às suas fronteira marítimas.

Os fenícios iam mandando umas larachas preservando o seu instinto de sobrevivência, tentando construir, pelo menos, mais um templo. Os persas, liderados pelo Carlos, lá iam assegurando o bom decorrer do jogo, longe do mundo, sem conflitos mas também sem dar trabalho a ninguém, nem sequer ameaçando, como se fossem os tipos mais bem dispostos do planeta. Muito peace and love.
Os árabes, como sempre, começaram a crescer aqui e acolá, expandindo o seu território, numa adaptação livre do célebre baby-boom a que já nos habituaram.

E eis que, de um momento para o outro, acicatado pelas más, péssimas intenções, quer do árabe Nuno quer do persa Carlos, o Costa, que até é um gajo pacífico, começou a dar tareia nos egípcios (moi même) com o objectivo de ganhar mais um ou dois pontos vitória. Claro que se, ao invés de investir sobre os egípcios, o Costa optasse pelos fenícios, os custos desta guerra seriam muito mais baixos para a sua nação, porque os fenícios estavam mais enfraquecidos militarmente e, nesse caso, as baixas das tropas gregas eram muito menores e, portanto, um ataque muito mais barato.
Mas a estratégia de atacar os egípcios revelou-se acertada. Não era uma estratégia dos gregos do Costa, era sim uma estratégia dos árabes do Nuno e dos persas do Carlos. Apesar de tudo, e em abono da verdade, era uma jogada, mais ou menos óbvia. Mas não o era para o Costa.

Com um primeiro ataque violento, os egípcios perderam um dos templos de produção de ferro, indispensável para conseguir armamento que produza uma resposta bélica capaz. Sem conseguir atingir esse desiderato, os egípcios estavam arredados do jogo. Seis pontos vitória era o limite razoavelmente atingível.

Os gregos estavam, agora, a um único ponto vitória de vencerem o jogo. Os fenícios apareciam como o próximo alvo a abater. Os fenícios nunca foram de dar trabalho. Pelo menos até esta altura. Pressionados com a iminência de uma vitória por ko, os fenícios do Luís começaram a aglomerar-se, numa organização tribal primitiva, é certo, mas muito, muito eficaz.

Acumulando ferro durante cerca de 10 turnos, passo o exagero, o Luís podia agora proteger o seu templo mais volátil aos ataques gregos e torná-lo numa espécie de fortificação para lá da muralha da China e do mar amarelo. Ou seja, inatingível.

Os fenícios não podiam ganhar, mas também não era por eles que alguém o fazia.

Os árabes chegaram-se também à frente atingindo os sete pontos vitória. Depois da estratégia de envenenamento verbal do santo Costa contra os egípcios, estes, que eram o principal obstáculo fronteiriço à expansão árabe, deixaram de poder fazer mossa. Assim, numa estratégia expansionista e de construção de templos, os árabes do Nuno conseguiam, com um último templo arrancado aos egípcios, vencer o jogo.

Os persas do Carlos também podiam ganhar o jogo. Mas isso era se nós ainda lá estivéssemos a jogar porque a lentidão com que estes iam chegando aos centros de decisão era tal que, lutar por um ou outro templo para conquistar o último par de pontos vitória era coisa para demorar mais uma semana. Os persas, numa atitude segura e sobranceira, atrasaram demasiado a conquista dos pontos vitória e, quando a quiseram ou pensaram em persegui-la, já era tarde.

No final sobravam os possíveis vencedores - os gregos do Costa e os árabes do Nuno. A vitória acabou por sorrir aos gregos do Costa, aquele que talvez mais merecesse a vitória. O seu único erro foi o de ter partido demasiado inconsciente para a conquista do último ponto vitória, fazendo-o mais com o coração do que com a razão. Esse erro não foi fatal mas por muito pouco. É que os árabes do Nuno são tramados...

Uma das grandes vantagens deste jogo é, claramente, a fluidez com que decorre. O factor tempo/diversão é-lhe, claramente, favorável. Para a próxima lá estaremos novamente. E ainda quero ver se alguém se vai, um dia, safar com os fenícios. Vamos ver...