Mighty Endeavor - A caminho de Berlim

Retrato de Barracuda
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Tendo vontade de jogar uma invasão do dia D decente, decidi comprar esta beleza do sistema SCS.

Com um mapa fabuloso e os excelentes "counters" da "The Gamers", fiz o setup para uma campanha, solitário!

As linhas seguintes contam uma história de coragem...

...

Algum tempo antes de Junho de 1944, e olhando para as frentes das praias francesas, os aliados hesitaram relativamente a que praias usar. O terreno que circunda as praias nortenhas da Holanda era demasiado atabalhoado, e provávelmente muito difíceis de se lançar uma ofensiva decente. As praias a sul eram melhores, mas dada a quase inexistência de boas instalaçãoes portuárias tornavam essa hipótese remota.

O comando aliado decidiu pela Normandia, pois relatórios falavam de comida muito decente num tal de café Gondré. E ESSA foi a verdadeira razão por detrás do desembarque na Normandia...

O primeiro dia do desembarque foi um sucesso, tanto para os americanos como para a Commonwealth. Alguns milhares mortos, mas nada de preocupante dada a intenção principal.

Mas o sucesso do desembarque fica por aqui. Para os americanos pelo menos. Tendo que lidar com as praias perto de Caen, a resistência alemã foi algo mais que dura. Foi um inferno. Eles não paravam de surgir, incessantemente, como se nascessem por debaixo de uma pedra (e na verdade estavam).

Por sua vez, a frente da CW estava impressionante. nunca tão poucos fizeram tanto. Desembarcando perto de Carentan, a CW chegou a Cherbourg em menos de um mês e conseguiu aguentar aquela pequena península decentemente. Mais do que decentemente e mais do que pequena na verdade, pois eles conseguiram conquistar uma copiosa quantidade de terreno e ao mesmo tempo começaram a movimentar para a esqueda em direcção às unidades alemãs que mantinham os americanos na areia.

...

Três meses se passaram.

O soldado americano já tinha um excelente bronze por esta altura.

As pilhas de unidades mortas eram simplesmente impressionantes, tanto para o lado alemão como para o americano.

Era sem dúvida uma guerra de atricção. Nem sequer um concentradíssimo bombardeamente fez alguma diferença (malditos dados!) O comando alemão colocou as suas esperanças em segurar os aliados na praia, e foi uma aposta segura. Os americanos enfrentavam limites de "stacking", impossibilidade de ganhar força crítica, nenhuma manobrabilidade... tudo isto contribuiu para umas férias de verão prolongadas nas praias do desembarque.

Por outro lado, as unidades inglesas e canadianas estavam a fazem o seu trabalho. Como um rolo compressor lento, eles começaram a mover-se para sul e este, enquanto trincavam uns scones e bebericavam um chá. Comida francesa não era para eles.

O comando aliado decidiu iniciar um novo desembarque para tentar diluir a concentração de forças do eixo no Norte. Local escolhido: Bordéus, sendo que desta vez a razão foi vinícola.

Teve algum efeito, não tanto quanto esperado, mas ainda assim algum. Na quinzena seguinte, outra invasão foi iniciada perto de Marselha, para REALMENTE tentar convencer o comando alemão a retirar o seu foco das praias do Norte. Correu muito bem, chegando a entrar em Marselha antes do fim do mês, com tropas fresquinhas, fresquinhas a banhos na soalheira praia mediterrãnica.

A decisão de escolher Marselha nada teve a ver com comida ou vinha. Era apenas porque o comando Francês queria chegar a Cannes a tempo do festival.

No início de Setembro de 44, os alemães decidiram retirar, já que tinham feito suficientemente a vida num oito aos americanos, e porque se começavam a preocupar com as forças vindas de Bordéus e Marselha.

Uma retirada lenta foi bastante eficaz, tirando partido do terreno e da incapacidade dos americanos estivarem os suprimentos tão longe e tão depressa (os camiões ainda estavam a ganhar pó em Inglaterra).

Em meados de Outubro o comando aliado já via Paris à distância, e agora com terreno para manobrar e com tropas devidamente reforçadas a cidade luz caiu em menos de duas semanas. Sim, é verdade, o comando alemão permitiu em parte que isso acontecesse. A perca de tropas na Normandoa foi pesada e tal como os aliados, também eles precisavam de algum tempo sem escaramuças para recuperar forças.

Recuando lentamente, o Eixo tornou o avanço muito oneroso para os aliados, em todas as frentes. Bordéus foi a excepção sem ter nenhuma oposição relevante. Rápidamente essa força se juntou ao corpo principal perto de Avranches, e à medida que a força ganhava momentum, também perdia capacidade de enviar suprimentos para a frente devido à falta de camiões para os transportar.

Marselha era como um filme em camera lenta, com os alemães a negar combate e a usar o terreno montanhoso em sua vantagem. Não era toca e foge, era mais como foge e para. Levou algum tempo até que o reconstruído exército Francês pudesse juntar-se ao resto da ofensiva.

Na frente norte os rios tornavam os ataques bastante difíceis para o comando aliado. O Eixo teimava em segurar os arredores de Paris. E o que é que os aliados fizeram?

O óbvio: Outra incursão gastronómica, desta vez nas belas praias de Dunquerque. E resultou.

Com a pátria ameaçada (leia-se: tendo passado o perigoso turno 8), os alemães decidiram que era tempo de defender o Reich!

O mês seguinte foi uma perseguição através de rios e florestas, com os alemães a bater ordenadamente em retirada por todo o lado, mas ainda assim mantendo uma linha defensiva coerente. O comando aliano estava a ficar totalmente pírulas a tentar redesenhar a frente e a esticar a entrega de suprimentos, dado que o alemão foi esperto o suficiente para deixar pequenas bolsas de resistência para trás. Muito histórico aparentemente.

Em finais de Novembro as posições alemãs na Alemanha estavam a começar a tomar forma, e parecia que a Grande Festa De Verão de 44 na Normandia teve excelentes resultados. Os aliados ainda estavam a reagrupar, reforçar e a

substituir à medida que o tempo passava.

O comando aliado estava demasiado extenuado e demasiado esticado.

Ainda assim, avanços eram conseguidos, como a captura de Bologne-sur-Mer e Antuérpia, e com um inesperado e bem sucedido lançamento de paraquedistas sobre Le Havre!

O senão foi que com todos os estragos sofridos por estes portos, ainda levaria algum tempo até que estivessem em condições de tranferir ordens de ataque para a frente. A Bélgica foi rápidamente libertada e o chocolate transbordava dos camiões aliados. Luxemburgo levou mais algum tempo, e as Ardenas foi um caso sério.

Aos primeiros dias de Dezembro de 1944, o comando aliado reuniu e decidiu que teriam de refrear o avanço até ao início do ano, e que perto da segunda quinzena de Janeiro iniciariam uma segunda ofensiva.

Isto veio cair muito bem aos alemães pois também eles precisavam de reforços. As linhas da frente cresciam lentamente dos dois lados.

Meados de Dezembro assistiu a uma bem intencionada e algo bem sucedida contra ofensiva alemã perto de Arnhem. O comando aliado acordou para uma dura realidade: Tinham de atacar, JÁ!

Infelizmente o linha de abastecimento estava demasiado estivada, o que tornou a ofensiva muito lenta, sendo apenas suportada por Antuérpia, Le Havre e Cherbourg. Os camiões do sul foram desviados para norte, o que levou a que Marselha e Bordeus se tornassem nada mais do que nomes fácilmente esquecidos.

Arnhem mudou de mãos algumas vezes, sendo que era uma posição essencial para os aliados poderem forçar a entrada na frente mais a Norte de modo a libertar a Holanda completamente, e para os alemães poderem conter a ofensiva de modo a manter a débilmente defendida fronteira norte alemã a salvo o maior tempo possível.

Inúmeras incursões foram feitas contra a linha fortificada alemã, com todo o dano feito sendo rápidamente absorvido pelos reforços. Incrívelmente (ou talvez não), a 1ª divisão Panzer SS continuava a comandar o desenrolar das cenas no Reno.

Finalmente Arnhem caiu, e algumas unidades aliadas atravessaram a grande custo em direcção a Amsterdão e Roterdão. Infelizmente os suprimentos não chegavam tão longe visto serem mais necessários noutros lados.

Apesar de uma pequena incursão alemã bem sucedida perto de Metz, e com a lâmina afiada da espada americana a desgastar as últimas posições fortificadas na fronteira, o Eixo retirou para as posições dispersas onde haveria Pontos de Vitória por que lutar, decididos a vender cara a vida.

Esta situação foi apressadamente induzida devido a uma incompreensível ordem vinda do alto comando em Berlim. (leia-se: não vi na tabela de reforços que tinha de retirar 6 divisões Panzer em Fevereiro!!!)

Pelo outro lado, a CW fez um trabalho espectacular em conter as tentativas alemãs de cortar o suprimento, aguentando bravamente (e perdendo steps irrecuperáveis) com a limitada quantidade de reforços disponíveis, e com apenas uma fonte de ordens de ataque em Cherbourg!

O comando aliado fez um trabalho espectacular de divisão de recursos e de planeamento de rotas de abastecimento, dado que apenas tinha cinco unidades de camiões para fazer o trabalho!

Alguns historiadores (jogadores) poderão franzir o sobrolho enquanto lêem isto. Também eu franzi quando me apercebi que ainda tinha duas unidades de camiões não utilizadas há tempos e tempo na área do Mediterrâneo!

Acho que este é um risco que se corre quando se joga sózinho...

Depois de me auto-socar violentamente, segui em frente...

Dusseldorf e Essen foram uma noz difícil de quebrar. Na verdade nem sequer quebraram devido à mesma temida (#@$?"!!!) 1ª divisão Panzer. Não importa quanta força os Americanos usassem, os Deuses dos Dados não ficavam muito impressionados e tal qual uma Fénix, a divisão negra ressurgia das cinzas.

Os primeiros dias de Abril viram uma grande vitória dos americanos ao penetrar profundamente na Alemanha por meio de um moviemento de assalto bem planeado. Embora ficassem fora do alcance dos suprimentos, 4 unidades blindadas conseguiram controlar 4 Pontos de Vitória cerca de 50 milhas atrás de Essen, esperando que os alemães se encontrassem demasiado ocupados com a frente da batalha para se preocuparem com aqueles 4 míseros locais.

Assim aconteceu, com a segunda semana de Abril a testemunhar o último esforço aliado para desfazer o esforço defensivo alemão. Algo conseguido, Cológne, Bonn, Koblenz e Mainz caíram num golpe certeiro. O Reno fora definitivamente atravessado! Teria sido a tempo?...

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O jogo terminou com um empate, mas dado os péssimos resultados nas praias e o terrível erro com os camiões, eu contaria esta como uma vitória moral aliada. Certamente que a Alemanha não caíu no tempo previsto, mas iria certamente cair.

Este é uma simulação espectacular, verdadeiramente espectacular.

Os meus parabéns a Dean Essig e ao resto da equipa.

Impressionantemente quanto baste, este jogo está tão bem estruturado a nível de regras (simples) que a história quase acontece naturalmente sem a sensação de seguir um guião. O terreno e os suprimentos criam efectivamente uma simulação magnífica, e sente-se nítidamente o stress em ambos os lados.

Terei de jogar novamente, desta vez a dois.

É certo que o aliado tem vantagem, mas se não for gerido correctamente, a vitória nunca estará à mão de semear.

O Alemão tem uma tarefa àrdua pela frente, mas totalmente possível.

Um jogo 5 estrelas.

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Clap! Clap!

Muito, muito bom mesmo, o relato!!! :)

Espero que seja o primeiro de muitos mais! Temos de pôr aqui os wargames no mapa outra vez!

Obrigado!

Totalmente de acordo Ricardo!

Este sábado joguei um belo Crusader com o Paulo Inácio, e iremos postar um novo relatório de guerra, desta vez com fotografias de reconhecimento aéreo!