Klunker - Análise / Crítica

Retrato de Mallgur
Klunker

A letra K também não está muito representada na minha colecção. Apenas dois títulos. Klunker e (Die) Kutschfahrt zur Teufelsburg sendo este último muito recente pois foi uma prenda do BGG Secret Santa. Dos dois, o Klunker será o que conheço melhor, por isso é o jogo analisado desta vez.

 

Klunker

Designer: Uwe Rosenberg

Edição analisada: Lookout Games

página no BGG

 

Klunker é um jogo de cartas em que os jogadores tentam reunir conjuntos do mesmo tipo de gema, sendo vantajoso fazer conjuntos isolados de 4 cartas, por cada outro tipo de gema que se tenha, a venda do conjunto de 4 será reduzida em 1, até um mínimo de 1.

Os jogadores também têm uma área em que colocam gemas para poderem ser compradas pelos outros, sendo esta parte de colocar nas montras gemas que possam servir outros jogadores uma das partes interessantes do jogo.

 

Componentes

 

Cartas. De qualidade média e muito, muito feias.

O que será realmente desagradável à vista mas compreensível dado o tema do jogo e o significado de Klunker como uma jóia grande, mas não necessariamente bonita ou de qualidade. Uma coisa que serve como ostentação de algum bem-estar financeiro e pouco mais, um sinal de novo riquismo, se quiserem.

Portanto, nada muito interessante, mas suficientemente funcional.

Pontuação: 3/5

 

Regras

 

Não são complexas. Nos primeiros turnos fazem alguma confusão mas rapidamente se assimilam.

Os jogadores têm duas áreas para as suas cartas, uma será a sua montra e a outra o seu cofre.

Todos começam com uma mão de seis cartas e uma voltada para baixo, deixando assim à vista o lado do dinheiro, como capital inicial. As costas das cartas de gema são o dinheiro do jogo, numa mecânica similar à do Bohnanza (do mesmo designer) que faz com que os tipos de cartas mais vendidos se vão tornando mais raros em virtude de passarem a ser dinheiro em vez de gemas, neste caso, ou feijões no de Bohnanza.

A cada ronda, decorrem três fases.

Na primeira os jogadores, podem modificar as suas montras, adicionando cartas às mesmas. Um jogador que não tenha gemas na montra tem que colocar pelo menos uma.

Na segunda, os jogadores podem colocar cartas nos seus cofres. Aqui são colocadas uma a uma, começando pelo primeiro jogador e depois pela esquerda deste. Quando um alguém não pretende colocar mais cartas no seu cofre, passa e recolhe a carta de compra de valor mais baixo disponível. Existem tantas cartas de compra quantos jogadores. O primeiro a passar nesta fase recolhe a carta 1, o seguinte a 2, etc.

Sempre que um jogador complete no seu cofre um conjunto de 4 cartas iguais, tem que as vender. O valor da venda será igual a 4 menos o número de tipos de gema além deste que estão no cofre. Por exemplo, um jogador que vende 4 cartas amarelas e tem no cofre um outro conjunto de duas cartas verdes receberá apenas 3 como valor de venda (4 menos um tipo de gema além do vendido).

As cartas vendidas são voltadas ao contrário para passarem a ser dinheiro (3 no exemplo) e as restantes (uma no exemplo) são descartadas.

Na terceira fase, os jogadores, pela ordem das cartas de compra, podem comprar todo o conteúdo das montra de um outro jogador, ou da sua própria montra.

Se tiverem cartas na sua montra, a compra é obrigatória. Todas as cartas compradas são colocadas no cofre de quem compra e o vendedor recebe do comprador uma carta de dinheiro.

Caso sejam feitos novos conjuntos de quatro cartas, são vendidos da mesma forma que na segunda fase.

Um jogador que não tenha gemas na sua montra pode declinar comprar. Neste caso, a terceira fase termina de imediato e o jogador que passou será o primeiro jogador na ronda seguinte. Caso todos os jogadores façam compras, o primeiro jogador mantém-se.

Depois baralham-se as cartas descartadas devido às vendas do cofre juntamente com o que sobrava do baralho e as mãos dos jogadores são de novo cheias para 6 cartas. O jogo termina quando não existirem cartas suficientes no baralho para fazer esta reposição de mãos. Nesta altura, o jogador com mais dinheiro será o vencedor. Em caso de empate, vence aquele que tiver menos cartas no cofre e na montra. Se ainda assim subsistir o empate, os jogadores partilham a vitória.

Como vêm, nada muito complexo. Certamente que vos será algo difícil visualizar o funcionamento do jogo através deste resumo das regras, mas percebe-se bem mal se joga um par de rondas.

Pontuação: 3/5

 

Jogabilidade

 

Se não tivesse o Bohnanza na minha colecção ou alguns outros jogos de cartas rápidos, simples e interessantes, este certamente seria jogado mais vezes.

Não é um jogo desinteressante e agora que escrevo sobre ele dá-me alguma vontade de o voltar a jogar. Não o faço há mais de dois anos. Porque a minha colecção cresceu muito desde essa altura, porque entretanto fui experimentando outras coisas e este foi ficando um pouco esquecido... E isso diz algo acerca da sua capacidade para despertar interesse, para deixar saudades. Mas jogava-o outra vez, se a oportunidade surgisse e agora que estou a relembrar as suas mecânicas, estou com vontade de o propôr num dos próximos encontros.

 

Sorte

 

Naturalmente, sendo um jogo de cartas, a sorte está bem presente. Mas é um jogo em que temos que avaliar o que colocar na montra, despertar o interesse de outros jogadores ou usar a montra como preparção para uma futura colecção no nosso cofre, avaliar se a compra de uma montra de outro jogador valerá a pena se trouxer gemas que não nos interessam e vão diminuir o retorno dos nosos conjuntos.

A obrigatoriedade de ter uma montra no final da primeira fase torna o jogo interessante. Saber quando parar de colocar cartas no cofre para ter uma boa posição na ordem de compra é também importante em certas alturas. Enfim. É um jogo com alguma sorte, mas com decisões interessantes. Penso que estrá bem para um jogo relativamente curto.

Pontuação: 4/5

 

Estratégia / Táctica

 

É um jogo essencialmente táctico. Claro que poderemos tentar maximizar as hipóteses de ter as cartas que nos interessam e procurar evitar situações de conjuntos muito grandes de cartas diferentes no cofre, mas sendo um jogo de cartas, estamos dependentes de turno para turno do que vem do baralho e isso não é muito compatível com planos a longo prazo.

 

Conclusão

 

É um bom filler.

Não será essencial a uma colecção e certamente que posso pensar em alguns outros jogos que recomendaria mais facilmente, mas não é um mau jogo. Longe disso.

Poderia beneficiar de umas cartas mais bonitas, mas não seria isso que o tornaria melhor como jogo.

Se já têm um bom conjunto de fillers rápidos que possam usar com jogadores menos experientes, não será essencial. Se, por outro lado, estão a começar uma colecção e já têm amigos que possuem outros jogos deste tipo, talvez seja interessantes para trazer alguma variedade às vossas sessões de jogatina.

Pontuação Geral: 10/15