Xe Queo! - Análise / Crítica

Retrato de Mallgur
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É o único título começado por X na minha colecção.
Este título pretende reflectir o sotaque Veneziano na expressão Italiana que se poderia traduzir por “é este”... Faz todo o sentido pois neste jogo bastante simples cada um dos dois jogadores tenta descobrir qual a peça do outro ou então fazer com que este não descubra a sua.

Xe Queo!

Designer: Alex Randolph
Edição: Drei Magier Spiele
página no BGG

Xe Queo! É um jogo de bluff para dois jogadores. A ideia é ganhar 4 dos 7 pontos disponíveis movendo o cilindro que escolhemos para dentro do anel, descobrindo qual o cilindro escolhido pelo adversário (“é este!”) ou, tendo escolhido o mesmo cilindro que o oponente fazendo com que seja ele a mover o cilindro para dentro do anel.
Isto fará mais sentido depois de lerem as regras explicadas mais abaixo...

 

Componentes

 

Um pequeno tabuleiro que apresenta uma grelha de 7 por 7 círculos ligados por linhas tracejadas na horizontal, vertical e diagonal. 7 cilindros de madeira em 7 cores diferentes. 14 discos de cartão, dois de cada cor. 7 anéis de metal.

Os componentes são adequados à função. Os cilindros têm uma dimensão generosa que permite manuseá-los sem dificuldade e a situação do tabuleiro é facilmente percebida com um relance de olhos pelo tabuleiro, cuja cor negra com linhas azuladas contrasta de forma agradável com os cilindros coloridos. Os anéis metálicos são agradáveis ao toque e da dimensão correcta para os cilindros ainda que me pareçam não ser mais que as anilhas que se colocam para vedar a saída do óleo num motor de automóvel (sim, eu já mudei o óleo ao meu próprio carro...), o que não é problema nenhum.
A haver algo a apontar aos componentes do jogo, seria o facto de os discos serem de cartão algo fino e frágil. No entanto, estes discos não são muito manuseados durante o jogo sendo a sua função apenas a definição da cor que cada jogador escolhe antes de uma ronda.

Pontuação: 4/5

 

Regras

 

Xe Queo! é um jogo simples. As regras explicam-se em alguns parágrafos.
Depois de se definir quem começa, por qualquer método, os jogadores alternam a colocar um dos cilindros coloridos no tabuleiro, em qualquer um dos círculos vazios. Quando os cilindros acabarem, o jogador que deveria colocar o seguinte coloca, ao invés disso, um dos 7 anéis metálicos num dos círculos vazios.
Nesta altura, ambos os jogadores escolhem, em segredo, um dos discos de cor para que essa seja “a sua” cor. Após ambos terem feito a escolha, o jogador que não colocou o anel inicia a fase de movimentos.
Nesta fase, um jogador tem duas opções:

 

  1. Mover um dos cilindros.
  2. Denunciar a cor do adversário.

Na primeira opção, qualquer cilindro pode ser movido. Os cilindros podem saltar sobre os outros, como nas damas mas a sua posição final tem que ser mais próxima do anel do que a inicial. As linhas diagonais contam como 1,5 das horizontais ou verticais para o efeito de avaliar essa colocação e distância finais.
O jogador pode mover um cilindro de tal modo que o coloque dentro do anel.
Na segunda opção, o jogador aponta para um dos cilindros e denuncia-o como sendo aquele que corresponde à cor escolhida pelo seu adversário.

Os jogadores ganham o anel em jogo se:

 

  • Denunciarem correctamente o cilindro do adversário.
  • Moverem o cilindro da sua cor para dentro do anel.
  • Se ambos tiverem escolhido a mesma cor e o cilindro for movido para dentro do anel, este é ganho pelo jogador que não fez esse movimento.

Para a ronda seguinte os anéis ficam na mesma posição. Um novo anel é colocado no tabuleiro pelo jogador que não conquistou o anel anterior e volta-se ao ponto de escolha das cores.

Quando um jogador obtiver 4 anéis, vence.

Simples, não?
É realmente um jogo que se explica em pouco tempo e se joga também rapidamente. A mecânica de bluff funciona razoavelmente bem para um jogo tão simples. Por vezes o tabuleiro parece demasiado pequeno para que possa realmente haver uma margem de manobra interessante que permita criar incerteza, ou dar pistas falas ao adversário sem que isso o coloque numa posição em que possa vencer na jogada seguinte. Por outro lado, se fosse muito maior, o jogo poderia tornar-se demasiado longo.
As regras estão escritas de forma clara e concisa e não suscitam dúvidas.

Pontuação: 4/5

 

Jogabilidade

 

Este jogo é claramente um filler. Algo para jogar entre partidas de coisas mais complexas ou num curto espaço de tempo para matar. Ainda assim, não o joguei muitas vezes... Não que não tenha gostado quando experimentei mas, efectivamente, não costumo trazê-lo comigo para os encontros onde, frequentemente, quando preciso de um filler é para mais de dois jogadores.
Joga-se bem, joga-se rapidamente e pronto. Não é suficientemente brilhante para deixar saudades mas não é mau para que se recuse jogar.

 

Equilíbrio

 

O jogo é equilibrado. Não existem factores fora do controlo dos jogadores, excepto as escolhas do adversário. Nessa medida, é tão equilibrado quanto o seja a capacidade dos dois jogadores de se “enganarem” mutuamente.

 

Sorte

 

Efectivamente, nenhuma. Tudo neste jogo depende exclusivamente das escolhas dos jogadores. Ambos escolhem a cor  na mesma altura e ser o primeiro não é vantagem ou desvantagem significativa nem sequer na primeira ronda. A movimentação é também uma escolha dos jogadores e parte importante da informação que dão ao adversário para que este descubra, ou seja induzido em erro, acerca da cor que o outro escolheu.

Pontuação: 5/5

 

Estratégia / Táctica

 

Como a vasta maioria dos fillers, Xe Queo! é um jogo táctico. Cada ronda apresenta uma decisão que a abarca completamente, qual a cor a escolher, e algumas micro-decisões, qual o cilindro a mover a cada turno. A primeira será o mais próximo de uma decisão estratégica que o jogo oferecerá. Será no fundo a opção entre jogar para induzir o adversário em erro ou jogar para colocar o nosso cilindro no anel o mais rápido possível.

 

Conclusão

 

É um joguinho engraçado. Nada extraordinário, excepto talvez por ser um jogo interessante com tão poucos componentes e regras. A verdade é que o jogo está todo na forma como os jogadores tentam adivinhar as intenções do adversário e não ser levados por este... Ao colocar um cilindro mesmo junto ao anel, estará um jogador a colocar-se em posição para vencer no movimento seguinte ou estará simplesmente a tentar que o outro adivinhe de forma errada a cor que escolheu?
Para algo que se joga em 15 minutos no máximo, não está mal.

Pontuação Geral: 13/15