Brethren of the Coast

Retrato de Abruk


Sinopse:

Os jogadores assumem o papel de piratas, no final do século XVII, que têm por objetivo capturar as riquezas dos navios espanhóis no mar das Caraíbas, para tal objetivo, cada um tem de ganhar maiorias e jogar astutamente as suas cartas de tesouros, baús, mosquete e canhões. Quem tiver mais dinheiro no final do jogo será o vencedor!

Como se joga:

⇒ Setup

Em função do número de jogadores, joga-se com um determinado número de cartas, e por isso, em algumas configurações retiram-se do jogo sets de cartas específicos (símbolos de bandeira, papagaio e caveira no canto superior esquerdo da carta):

  • 3 jogadores – 40 cartas. Tiram-se 3 sets (bandeira, papagaio e caveira);
  • 4 jogadores – 52 cartas. Tiram-se 2 sets (bandeira, papagaio);
  • 5 jogadores – 64 cartas. Tiram-se 1 set (bandeira);
  • 6 jogadores – Usam-se as cartas todas (76).

Baralham-se as cartas e, secretamente, retiram-se do jogo 4 delas. Em seguida, distribuem-se 4 cartas a cada jogador e as restante colocam-se ao lado da mesa para servirem como baralho de reserva.

No centro da mesa coloca-se a carta Port Royal virada com a face correspondente ao número de jogadores (3-4 / 5-6 jogadores).

Colocam-se as cartas de navios espanhóis em redor da carta de Port Royal. Uma delas tem de se colocar orientada a Norte [ver esquema da p. 4 do livro de regras].

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Image Uplay.it

Cada jogador recebe 12 navios (3 galeões – 3 velas e 9 caravelas – 2 velas). Cada jogador recebe ainda 3 dobrões (3-4 jogadores) ou 4 dobrões (5-6 jogadores).

⇒ Desenvolvimento

O jogador começa o turno e depois segue-se no sentido dos ponteiros do relógio (SPR). Na sua vez cada jogador tem de realizar as seguintes ações por esta exata ordem:

  1. Jogar um navio (galeão ou caravela)
  2. Jogar uma carta
  3. Biscar carta

1. Jogar um navio (galeão ou caravela) – o jogador escolhe um dos seus navios e aloca-o a uma das cartas de navio espanhol do centro da mesa. Em seguida verifica-se quem tem mais velas nessa carta, e reorganiza-se a ordem. Colocam-se no primeiro lugar o navio(s) com mais velas, depois o seguinte com mais velas e assim sucessivamente. Em caso de empate, fica à frente o que já lá estava. Galeões contam como 3 velas e caravelas como 2.
Podem jogar mais que 3 jogadores ao mesmo navio espanhol, o último fica por baixo do 3º lugar (por baixo da carta).

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2. Jogar uma carta – o jogador escolhe uma carta da sua mão e aloca-a a uma das cartas de navio espanhol do centro da mesa (face visível) exeto naquela onde colocou o seu navio no passo anterior. Se já existirem cartas nesse navio, coloca-se a nova, sobreposta de forma a verem-se as que já lá estão. Se a carta colocada for a 6ª, faz-se uma pausa e faz-se a distribuição das riquezas desse navio (ver assalto). É possível jogar um carta com a face oculta em troca de 1 dobrão, que se coloca ao lado da carta Port Royal.

3. Biscar carta – retirar uma carta do baralho de reserva.

Assalto

Um assalto acontece quando um jogador aloca a 6ª carta a um navio espanhol. Fazem-se os seguintes procedimentos por esta ordem:

  1. Canhões – se houver cartas de canhão, a frota do jogador em primeiro lugar é reduzida ao seu barco com menor número de velas e em seguida reorganiza-se a força dos navios em jogo. Em caso de empate na reorganização, o jogador atingido perde o desempate e fica na posição inferior. Se houver mais que uma carta de canhão, nada diferente acontece, apenas se resolve uma delas. Retiram-se do jogo as cartas de canhão resolvidas.
  2. Mosquete – se houver cartas de mosquete, a frota do jogador em último lugar perde o seu barco com menor número de velas, se só tiver um barco, a frota é destruída por completo. Se houver mais que uma carta de mosquete, nada diferente acontece, apenas se resolve uma delas. Retiram-se do jogo as cartas de mosquete resolvidas.
  3. Partilhar o tesouro – depois de resolvidas cartas de canhão e mosquete, distribuem-se as cartas de tesouro (dobrões e baús). Primeiro dão-se as cartas dos dobrões que tenham a indicação da posição a quem se destinam (1º, 2º ou 3º). Quando não há jogadores na posição indicada pela carta, ela é entregue ao que estiver em primeiro lugar. Em segundo distribuem-se as cartas de dobrões e baús começando o primeiro jogador a escolher e seguindo-se o segundo e depois o terceiro. Se ainda houver cartas recomeça-se até que todas estejam distribuídas.

Depois de um assalto resolvido, a carta de navio espanhol é virada para a face colónia espanhola. Numa colónia espanhola não há o limite de alocação de 6 cartas. Elas só são resolvidas no fim do jogo!

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Image Brett J. Gilbert

Fim do jogo

O jogo termina quando todos tiverem jogado todas as suas cartas e alocado todos os seus navios pirata. Resolvem-se todas as colónias começando pela que está orientada a norte e seguindo no SPR, até todas terem sido resolvidas.

Determina-se o valor total de cartas de baú que cada um tem. Quem tiver mais fica com a carta de Port Royal (vale 4 dobrões). Se não houver um único jogador com maioria, a carta é descartada e não vai para ninguém.

Em seguida, juntam-se todos os dobrões que estiverem no centro da mesa (usados para jogar cartas com a face oculta) e divide-se esse valor a meio. Se sobrar uma moeda na divisão, essa moeda vai para o jogador que tiver mais baús.

Entrega-se uma metade ao jogador com mais baús e a outra ao segundo jogador com mais baús.  Se houve empate na maioria de baús, cada jogador recebe uma metade e põe-se fora a moeda sobrante.

Quando há empate na segunda maioria, a metade que cabe ao segundo jogador é distribuída pelos 2 jogadores em segundo lugar e se houver uma moeda sobrante, põe-se fora.

Ganha quem tiver mais dobrões (cartas de tesouro, carta Port Royal e dobrões). Se houver empate, ganha quem tiver mais baús entre os empatados e se ainda assim subsistir o empate, os empatados partilham a vitória!

Avaliação:

 

Brethren of the Coast é um jogo que passou mais ou menos despercebido na cena mundial dos jogos de tabuleiro, o que sinceramente é lastimável. O jogo ganhou o primeiro lugar no prestigiado concurso alemão de protótipos – Hippodice – em 2012. O JE noticiou esse acontecimento AQUI.

O jogo foi lançado pela italiana Uplay.it e vem numa caixa de lata super atraente e colorida. A ilustração global do jogo é ótima e muito temática. Os componentes são de boa qualidade, nomeadamente as cartas e os barquinhos de madeira muito detalhados. A caixa tem relevo, um plus para quem gosta de apreciar o que é bom e não dispensa o lado gourmet dos jogos, mesmo que nem sempre seja isso o mais importante neles!

Em termos de apresentação estamos conversados. Ninguém ficará desiludido, bem pelo contrário. Em relação à experiência de jogo este não é definitivamente um jogo para todos. Os jogadores que não gostam de imprevisibilidade não terão grande prazer em jogá-lo, mas quem aprecia jogos que nos colocam desafios constantes na tomada de decisão, não sairão defraudados.

Um aspeto muito positivo a destacar no jogo é a facilidade e a rapidez com que se explica a quase todo o tipo de público, pois as ações são muito lineares e sem grandes pormenores para memorizar. O mecanismo de maiorias é o que mais nos salta à vista no primeiro contacto, mas usamos de forma permanente a colocação de trabalhadores e de forma menos percetível a gestão de cartas e o bluff. Os diferentes mecanismos estão muito bem integrados e o equilíbrio entre os jogadores é um denominador comum a cada partida de Brethren.

Durante uma partida de há bastante interação, como se poderia esperar num jogo que usa o mecanismo de maiorias, no entanto, o uso das cartas de ataque (canhão e mosquete), dão um twist muito engraçado a essa consequência lógica. Um ponto menos interessante é o fator que sorte pode desempenhar, nem sempre as cartas biscadas são as mais interessantes, e só a astúcia a jogá-las pode colmatar esse aspeto menos agradável.

Em suma, este jogo é um exemplar de jogos de maiorias que acomoda de forma muito convincente uma grande amplitude de jogadores (3 a 6) sem sacrificar em demasia a duração de cada partida. No meu entender este Brethren, não sendo um imprescindível, é um bom jogo de maiorias que agradará pela experiência divertida e pelas traições e rebaixolices que potencia! Ahoy!

Artigo original em JogoEu