Dirtside: Episódio Piloto

Portanto, com o 25 de Abril a oferecer-nos um fim-de-semana de três dias, havia que aproveitar para jogar até cair para o lado, não? Ora, Sexta-feira à noite fora PTA (o último episódio de Heritage), Sábado à noite fora preparação para Sorcerer e... agora o que é que se podia fazer no Domingo? Era suposto ser a continuação da nossa campanha de 2300AD, mas um casamento atrapalhou a logística e não dava para reunir toda a gente.

Mesmo assim, estávamos com vontade de jogar algo, de modo que eu, o Jota e a Raquel nos reunimos em minha casa, onde estivemos a ver uns divertidos episódios de Spaced. Depois, era chegada então a altura de escolher um jogo e jogar.

O Jota tinha trazido o Heroquest, e a Raquel sentia-se minimamente à vontade para tentar improvisar algo de Babewatch se a gente a ameaçasse. Quanto a mim, eu confesso, tinha tudo planeado desde o início! Agora que já não tinha Heritage para coçar o meu bichinho de PTA, precisa de arranjar uma alternativa rapidamente. Já sentia a minha imaginação a secar só de pensar que não ia jogar PTA durante várias semanas!

Heroquest é sempre muito atraente, mas... eu estava mesmo numa de PTA, o que pode um gajo fazer? De modo que lá fiz o meu choradinho, subornei quem tinha de subornar, ameacei de morte quem tinha de ameaçar e convenci o gang a criar e jogar uma nova série de PTA! Apenas um produtor e dois jogadores não parecia boa ideia a nenhum de nós, mas mesmo assim eu insisti... só mostra o quanto eu estava desesperado por mais PTA!

Guess what? Acabei por conseguir levar a minha avante. Sentámo-nos à mesa, e começamos a preparação da nossa série. Acho que andávamos todos com a onda de Ficção Científica militarista ainda na cabeça, depois de tanta expectativa pela campanha de 2300AD, da qual ainda só tivemos uma sessão... ou seja, ainda não chegou para saciar o apetite. O resultado tem inspirações de Starship Troopers, a nova Battlestar Galactica, a série Space: Above and Beyond e provavelmente outras coisas que me escapam agora. Também se falou de Dune e Bladerunner, entre outros, mas mais em termos de inspiração cénica e de guarda-roupa do que propriamente em termos de temática.

O nome desta maravilhosa amálgama de ideias: Dirtside, o calão dos viajantes espaciais para o solo firme de um planeta. E o planeta, neste caso, era um mundo desértico e semi-inóspito (Dune?), mas com uma gigantesca cidade industrial (Planeta Arrakis, do Dune; a cidade de Bladerunner) na sua superfície. O nome de baptismo do planeta, escolhido por nós pela gigantesca ironia, é EDEN.

A história de Dirtside, giraria à volta de membros de uma força de Fuzileiros Espaciais, o braço da lei e ordem de um império fascista (queria tentar evitar usar uma palavra com uma conotação negativa tão forte, mas não me estou a lembrar de outro sinónimo) com sede na Terra, que tenta controlar com mão de ferro as colónias espaciais que têm espalhadas aqui e ali. Considerámos colocar uma ameaça extra-terrestre mas ficámo-nos só pelo inimigo óbvio: a parte da população descontente com a política (a palavra é capaz de ser um eufemismo) de um governo que a oprime (outro eufemismo, talvez?) a cada oportunidade. Criámos um movimento rebelde, desorganizado, espalhado por essas colónias fora, e que a Terra tenta suprimir por todos os meios e mais alguns.

Outra inspiração que me surgiu quando estava a narrar foi, curiosamente, o filme Judge Dredd... sim, aquele que tem o Stallone. Nem era mau de todo (se acharam que sim, vejam o D-Tox também com o Stallone e vão mudar instantaneamente de opinião, eheh)! É que o filme tinha também a grande cidade, dividida por níveis, e uma onda enorme de crime violenta que eu facilmente conseguia imaginar como vindo de um povo oprimido e desesperado.

Definido o setting em traços largos, atirámo-nos aos personagens. Eu sugeri (acho eu), e a Raquel foi nisso, um issue de auto-afirmação semelhante ao personagem do Rogério em Heritage, que depois se transformou um bocado através do brainstorming conjunto. Rita Jamiesoin é então uma mulher minimamente feminina num mundo que ainda é, em larga maioria, de homens e mulheres masculinizadas pelo treino e pela doutrina: o mundo dos Fuzileiros. Rita precisa de provar o seu valor a toda a gente naquela unidade, e para o fazer precisa de esforçar cinco vezes mais do que qualquer um; precisa também de provar o seu valor também a si, depois de ter feito algum tipo de screw-up (que ficou por definir e, à boa maneira televisiva, provavelmente só será revelado mais à frente na série). Não chega? É que ainda há muito mais: o pai dela (que é um dos seus Contactos, em regras de PTA) é um dos manda-chuvas do exército e um militar nato que não acredita que a filha, uma rapariga, algum dia dê um soldado de infantaria com valor... especialmente depois da tal asneira que ela fez. Além disso, como o pai dela é quem é, quando a rapariga faz algum coisa de valor, toda a gente pensa automaticamente que foi por causa de alguma cunha do pai, ou algo parecido.

A personagem da Raquel possui um Némesis, que é uma Sargento dos Fuzileiros, feia, gorda e bruta, que representa tudo aquilo que Rita se recusa a ser, ou seja, "one of the boys"! Ainda por cima, ou não fosse isto um jogo sobre melodramas de TV, a Sarja provavelmente ainda é lésbica e gosta da nossa Rita em segredo. Vamos ver, eheh.

Quanto ao personagem do Jota, o Tenente Viktor Ralek, ele é o comandante da unidade. O seu issue é a lealdade que deve à Federação Terrestre, e que ele está a começar a questionar cada vez mais depois de tudo o que tem visto (e sido ordenado a fazer) ao longo da sua carreira. Um dos seus Contactos é uma médica de bom coração (que talvez possua ligações à Rebelião), e outro um velho amigo que se tornou... um oficial importante nos serviços de inteligência, o Special Branch. Estão a ver como o dilema do seu issue se reflecte até nos seus contactos? Um ajuda as pessoas, o outro é alguém que provavelmente as tortura para obter informação! O Jota diz que não, mas ele também parece ter um dom para estas coisas...

O Némesis dele novamente reflecte o seu issue: é um capitão que vive para matar os rebeldes com extreme prejudice e até ao último homem (e, provavelmente, mulher e criança, eheh), e que está desconfiado que o seu tenente está a duvidar da justiça da causa da Federação.

De facto isto promete, promete imenso! E acho que lhe conseguimos fazer justiça no episódio piloto que jogámos logo de seguida. Houve oportunidades para o nosso Tenente Ralek tomar decisões directamente relacionadas com o conflito Federação – Rebelião: fez frente ao capitão, e mandou um dos seus homens para tribunal marcial por maltratar prisioneiros e mesmo assassinar dois rebeldes suspeitos... isto apesar de o dito soldado ter razões mais que suficientes para, de certo modo, o desculpar: é que a família dele morrera no atentado bombista com que abri o episódio.

Já à nossa Cabo Jamieson, consegui de facto infernizar-lhe a vida, embora a Raquel e o Jota também tenham feito muito nesse sentido. Para começar, nem sequer os dados colaboraram com ela, fazendo-a falhar ou ficar para trás quando era posta à prova em frente aos seus camaradas. Depois, o pai dela estava em todo o lado, e quase tirava a unidade da linha da frente para manter a filha longe de perigo. Isto, mais o tratamento especial que o Capitão lhe dava, não ajudavam nada à imagem má que ela já tinha junto dos seus camaradas de armas. Pior, o único soldado que a ajudou de alguma maneira e foi simpático com ela, pouco depois praticamente que fingiu não a conhecer para não ficar mal visto junto dos seus amigos. A Raquel e a Rita ficaram fulas!! Mas depois, um pouco mais tarde, quando Rita se apercebeu que o dito soldado talvez tivesse ligações aos rebeldes, optou por não o entregar ou fazer nada... isto apesar de ela própria estar sob fortes suspeitas, porque alguém tinha usado a sua identificação para roubar do paiol os explosivos de alta potência que, como disse, tinham aberto o episódio com um grande BOOM!

Enfim, foi uma sessão incrivelmente divertida. Acho que conseguimos trazer significado, dilemas, e issues a quase todas as cenas. Para uma série sobre Fuzileiros Espaciais, quase não houve armas de fogo a ser disparadas, e só houve uma explosão, logo ao início, para manter os espectadores na expectativa de mais sangue e violência. Foi uma coisa incrivelmente focada e coesa, com dois dos meus mestres/jogadores favoritos.

Se o facto de estarmos a jogar só um produtor e dois jogadores nos afectou de alguma forma má, nem sequer demos por isso... na verdade, isso talvez até tenha ajudado a manter a coisa tão focada nos personagens. Não eram precisas tantas cenas de grupo, ou cenas genéricas de trama, porque as cenas rodavam tão rápido que não dava para ninguém se aborrecer por um segundo que fosse.

Aprendi imenso com a forma de definir "stakes" do João Mendes. Sempre que precisei, a coisa surgia naturalmente, em segundos, e o jogo fluía que era uma maravilha. Tentei que todos os conflitos fossem importantes, e nenhum dos stakes foi alguma vez inconsequente ou irrelevante.

Estamos todos em pulgas para continuar isto já este fim-de-semana se for possível. Queremos também trazer para o rol de actores o Paulo, que joga connosco Amber, e que provavelmente se sentirá como peixe na água... e isto apesar de ele não gostar nada de jogos de Ficção Científica! :)

Em breve vamos ter uma página apresentável para o jogo neste endereço (que é facilmente acessível através da secção de Livros do portal):
http://www.abreojogo.com/dirtside

Os jogadores podem, desde já, começar a editar a página e a introduzir-lhe conteúdo. Para já, o que lá encontram é isto:

  • scans das anotações do Jota, que encontram aqui neste artigo também. Estas – para além do aspecto visual bastante organizado e interessante - falam não só do seu personagem (Tenente Viktor Ralek) em detalhe, como também descrevem o essencial do setting. É espantoso como meia dúzia de parágrafos de texto chegam para criar um setting suficientemente detalhado e interessante para se jogar! Ah, o papel das anotações do Jota era meu, e era da coitada da Ordem dos Farmacêuticos... simplesmente o noivo da Raquel, o Marc, fez os scans e depois decidiu divertir-se e transformar a OF noutra coisa. Cinco estrelas, Marc!

  • scans das anotações da Raquel, que descrevem o seu personagem e depois resumem as cenas que ocorreram e o que se passou (não sei é se o resumo faz sentido para quem não está familiarizado com os personagens e os seus contactos).
  • a foto da personagem da Raquel, Rita Jamieson, que é interpretada pela Bridget Fonda.

Já não me recordo quanto tempo demorou a sessão... tivemos de apressar o desfecho porque o Jota tinha compromissos, mas a coisa nem soou nada a falso. Diria que talvez tivéssemos tido umas três horas de jogo (mais umas duas horas de discussão à volta da série e dos personagens)? Não sei... Mas de novo tenho de exprimir a minha admiração por um jogo que deixa tanta coisa espectacular acontecer em tão pouco tempo, sem soluços, sem falhas, sem dar a sensação de que falta algo. Eu, pelo contrário, é que agora sinto que falta algo na maioria dos outros jogos! :)
E por hoje é tudo, até breve e bons jogos!

Opções de visualização dos comentários

Seleccione a sua forma preferida de visualização de comentários e clique "Gravar configuração" para activar as suas alterações.

PTA - Dirtside: ainda dá para melhorar

Hehehehe, é engraçado ver a minha folha de personagem aqui :)

Bem, esta experiência de PTA correu bem melhor que a minha anterior. Aliás, a malta anda numa fase PTA - no próximo fds deve começar a série "Karl Kombatmage" com a malta de ShadowRun (isto é fanatismo: troca-se o ShadowRun por uma série de televisão baseada em ShadowRun :)

Genéricamente, gostei do jogo. Mais da campanha que fizémos que do sistema em si.

Quanto ao sistema, tenho algumas opiniões.

Pontos fortes:

- Toda a parte de "scene calling" está muito bem organizada, em especial a definição dos objectivos de cada cena. Faz toda a diferença do método anárquico que geralmente uso para "scene calling" noutros jogos (e que faz com que poucas cenas sejam chamadas).

- A cena do "next week on" (em q cada jogador descreve um momento que necessáriamente acontecerá durante a sessão seguinte) é brutal, tanto que a usei em 2300AD :) Aí está uma maneira muito fixe de dar ideias a GMs em campanhas proactivas!

Pontos fracos:

- Não percebi onde é que o sistema promove o Narrativismo (ao contrário do Sorcerer, onde percebi logo!) Há os "issues" temáticos dos personagens, OK. Mas não há nada que os obrigue a surgir em jogo. Parece-me (ao contrário da opinião geral, acho) que o jogo estimula o Simulacionismo "pastiche" (em que se imita o "estilo" de determinada série).

O que é que a malta que já jogou (ricmadeira, JMendes, B0rg) pensa? Não acho nada de mal nisto, mas não foi isso que o Ricardo me impingiu :P

(Ou foi só pra não jogarmos HeroQuest? Grrr...)

O que eu gostava de ver no Dirtside:

- Mais Narrativismo. A sessão saiu falhada nisso; tocámos os issues, e tomamos uma ou duas decisões interessantes, mas nada assim chocante, brutal! Enfim, o mal das primeiras sessões é que se está a estabelecer tudo (NPCs, relações, eventos, etc) e eu acho que nos episódios futuros há algum potencial para desenvolver este ângulo.

Uma ideia para melhorar PTA:

- Chamar cenas cruzadas (eg, protagonista 1 chama as cenas do protagonista 2 e vice-versa). Eu não chamo cenas Narrativistas para o meu personagem porque acho chato, no sentido em que chamar conflitos e resolvê-los só tem piada como jogo de dados (para mim). Mas meti-me em todas as cenas da Raquel a dar ideias. Resultado: a personagem da Raquel teve cenas mais interessantes que o meu. Será que se a Raquel chamar as cenas para o meu personagem o mesmo me vai acontecer?

A ideia é que, quando um jogador está a jogar, todos *menos ele* sejam o GM :) Acho que a ideia é gira e talvez ajude a apagar a sensação que eu estou a fazer tudo sozinho.

(Ou será que o meu desinteresse em me auto-mestrar é um ataque de tradicionalismo da minha parte? ;)

Resumindo - PTA é muito fixe, mas ainda não explorámos o potencial Narrativista máximo do jogo. Vamos ver se conseguimos mais ainda :)

JP

PtA e o Modo

Oi, :)

Yep. As nossas sessões de PtA foram primariamente Sim. E gosto da tua descrição, "pastiche" de uma série, sim, basicamente foi o que jogámos.

De facto, a ideia do jogo era ser intrinsecamente Nar, mas poderá não ser o melhor jogo do mundo para gajos pouco habituados a Nar (que é o meu caso, por exemplo).

Quando à alteração que sugeriste, não é uma alteração. Não só não há nada nas regras que o impeça, como quando nós jogámos, os jogadores (principalmente os de screen presence baixo) rotineiramente pediam cenas com outros gajos.

Cheers,

J.

P.S. Tou-te a dever uma explicação, e não me esqueci. :)

Cheers,
J.

PTA & Nar

jpn escreveu:

- Não percebi onde é que o sistema promove o Narrativismo (ao contrário do Sorcerer, onde percebi logo!) Há os "issues" temáticos dos personagens, OK. Mas não há nada que os obrigue a surgir em jogo. Parece-me (ao contrário da opinião geral, acho) que o jogo estimula o Simulacionismo "pastiche" (em que se imita o "estilo" de determinada série).

O que é que a malta que já jogou (ricmadeira, JMendes, B0rg) pensa? Não acho nada de mal nisto, mas não foi isso que o Ricardo me impingiu :P

Ei, mas eu já escrevi isso mesmo aqui, várias vezes! Em que planeta é que tens estado? :)

É preciso pessoas para introduzir bangs em PTA, eles não caem do ar. A parte do sistema que encoraja o Narrativismo é "só" a maioria do livro, onde se explica o "how to play", o "purpose of play" e se dá conselhos e dicas e se fala das séries de TV. Isso é parte do sistema (embora não seja regras), e está super-explícito, acho eu. No entanto depende das pessoas para "perceber" o objectivo, e do seu sentido de história (não no sentido de imitar, mas de criar), que com sorte terão apanhado a ver dezenas e dezenas de episódios de séries de TV, para funcionar no jogo.

Esta parte super-importante do sistema é exactamente a parte que vocês deitam fora quando dizem, "ah, as regras cabem numa folha e já as sei todas, posso jogar isto com os meus amigos sem nunca mais olhar para o livro". É a parte das regras que o JMendes não teve tempo de analisar antes de começarmos a jogar, por exemplo, e da qual ninguém quis saber depois de começarmos a jogar.

É por isso que eu sempre disse que adoro o foco do PTA; naquelas 76 páginas, não há nada, mesmo nada, que esteja a mais ou fora do lugar.

Vais ter de ter muito cuidado com a tua série de Shadowrun... começar por imitar outra série (mesmo uma que não existe na realidade) parece-me mau augúrio para voos Narrrativistas. Acho que nunca ninguém usou o PTA para emular uma série já existente antes! :)

Re: PTA & Nar

ricmadeira escreveu:

É preciso pessoas para introduzir bangs em PTA, eles não caem do ar. A parte do sistema que encoraja o Narrativismo é "só" a maioria do livro, onde se explica o "how to play", o "purpose of play" e se dá conselhos e dicas e se fala das séries de TV. Isso é parte do sistema (embora não seja regras), e está super-explícito, acho eu. No entanto depende das pessoas para "perceber" o objectivo, e do seu sentido de história (não no sentido de imitar, mas de criar), que com sorte terão apanhado a ver dezenas e dezenas de episódios de séries de TV, para funcionar no jogo.

Sim, OK, mas isso faz-se noutros jogos também :) Estava a dizer que não há regras específicas que incentivem o Narrativismo, como no HeroQuest ou no Sorcerer.

ricmadeira escreveu:

Vais ter de ter muito cuidado com a tua série de Shadowrun... começar por imitar outra série (mesmo uma que não existe na realidade) parece-me mau augúrio para voos Narrrativistas. Acho que nunca ninguém usou o PTA para emular uma série já existente antes! :)

A série é uma piada - o setting fala da série e goza com ela, mas nunca ninguém descreveu os personagens, temas, histórias etc. Só sabemos q é ShadowRun :)

JP

[quote=jpn]Sim, OK, mas isso

jpn escreveu:

Sim, OK, mas isso faz-se noutros jogos também :) Estava a dizer que não há regras específicas que incentivem o Narrativismo, como no HeroQuest ou no Sorcerer.

Sim, faz-se, mas não tens regras que te obriguem a ter um "issue" e um sem número de conselhos ou até ordens directas para que lhe seja dado um enorme destaque durante a série (entre outros conselhos também importantes). Pegando nisto, ou pegando num Call of Cthulhu, não há sequer discussão quanto a qual dos dois livros facilita/dificulta aos participantes jogarem Narrativismo. Acho que uma pessoa que nunca tenha visto um RPG na vida e que apanhe o PTA nas mãos não ia pensar em jogar de outra maneira.

De qualquer maneira, em Heroquest, também não tens nenhuma regra que te dê bangs... a menos que eu me esteja a esquecer de alguma coisa incrivelmente importante. Tens é um "how to play" que não desencoraja isso como a maioria dos outros jogos, e tens um setting que é um autêntico barril de pólvora; qualquer que seja a cultura, religião, whatever, em que o teu personagem se insira, não demora muito a teres muitas questões pela frente para enfrentar. Agora, regras, regras... está-me a escapar alguma coisa?

jpn escreveu:

A série é uma piada - o setting fala da série e goza com ela, mas nunca ninguém descreveu os personagens, temas, histórias etc. Só sabemos q é ShadowRun :)

Okay, fair enough. Depois conta como foi!