Settlers of Catan, The

Retrato de hugocarvalho

Aproveitando o 1º encontro de BoardGamers de Lisboa, deixo aqui uma crítica ao jogo que mudou todo o panorama de jogos de tabuleiro e que deu um valente empurrão ao hobby. Agora, passados que estão 11 anos desde que este bombom viu a luz do dia, um grupo de maluquinhos quer-se encontrar num centro comercial para falar sobre ele e sobre todos os outros que lhe seguiram. Aonde é que isto vai parar! Imagine que uma ilha é descoberta no meio do oceano e que lhe cabe a si a tarefa da colonizar e estabelecer nela uma rede de estradas e cidades capaz de fortalecer a sua presença, ao mesmo tempo que se superioriza aos seus rivais e ganha vantagem na aquisição de recursos naturais em que a ilha é fértil. Esta é a premissa para um dos jogos de tabuleiro mais vendido do mundo e que definitivamente mandou para o lixo o repugnante Monopólio e iniciou uma nova era na concepção e desenvolvimento deste tipo de divertimento. O jogo, saído da mente do designer Klaus Teuber já vendeu, até ao momento, centenas e centenas de milhar de cópias em todo o mundo e as suas edições vão-se sucedendo em catadupa, no ano em que se comemora o 10º aniversário do seu surgimento. A verdade é que, dia após dia, a legião dos fanáticos jogadores de Catan que se junta em mesas de cafés, nas faculdades ou em sites de internet especialmente concedidos para o efeito vai aumentando de forma considerável. Eu sou um deles e sinto que cada vez mais me enterro nos cálculos das probabilidades que Catan oferece. Pode parecer um exagero, mas a partir do momento em que se começa a jogar a sério, a coisa tende a ficar fora de controle. Mas afinal como se joga Catan? O tabuleiro do jogo apresenta a ilha de Catan. Esta é dividida em 19 hexágonos, representando cada um deles um dos 5 recursos naturais da ilha (Madeira, Barro, Cereais, Lã e Minério). O jogador vai recebendo, ao longo das jogadas, cartas dos recursos mencionados sendo que as várias combinações das mesmas permitem ao jogador obter o direito de construção de estradas, vilas, cidades e a formar um exército. Cada hexágono que representa um recurso natural contem um numero de 2 ao 12 que constitui uma das combinações possíveis do resultado do lançamento de dois dados. Sempre que os dados são lançados, o jogador recebe uma carta de recurso natural se o hexágono “ocupado” por ele tiver o numero que os dados ditaram. Se por exemplo um jogador construir uma vila num hexágono de madeira com o nº 9 e na altura do lançamento dos dados o numero 9 sair, então esse jogador ganha uma carta de madeira que pode aproveitar, juntamente com outras cartas de outros materiais, para construir uma vila ou uma estrada, por exemplo. As cidades permitem ao jogador arrecadar o dobro dos recursos que obtém com uma vila. Neste caso, se o hexágono com o nº 9 tivesse “ocupado” com uma cidade, em vez de uma carta de madeira, receberia duas. O objectivo do jogo é fazer 10 pontos que podem ser conseguidos pela construção de vilas (1 ponto), cidades (2 pontos), formação dum exército maior que os adversários (2 Pontos), construção duma estrada maior que os adversários (2 pontos) ou através da compra de cartas de desenvolvimento (1 ponto). Chegar ao objectivo requer alguma estratégia e o profundo conhecimento da lógica das probabilidades. A escolha dos hexágonos que cada jogador faz no início do jogo é fundamental para o desenrolar da acção. Aqui a experiência conta muito. É que os hexágonos com os números 6 e 8 são, teoricamente, mais vantajosos que os hexágonos de valor 2 ou 12. É natural que os dados, quando lançados, ditem mais vezes o nº 6 que o 2. Um bom jogador de Catan ao olhar para a disposição dos hexágonos (sim, nunca há jogos iguais) consegue logo aperceber-se das matérias primas que vão faltar e que estratégia deve seguir para conseguir os 10 pontos mais rapidamente que os outros, tendo em conta todas as condicionantes da posição dos hexágonos e do portos. Mas até que isso aconteça vai ter de treinar bastante. Os portos, junto à costa, permitem ao jogador que os possuir trocar mais facilmente as matérias primas que possui em excesso por outras que necessite. É sempre permitido fazer trocas com o banco na razão de 4:1. Com os portos isso pode ser feito por 2:1 ou 3:1, o que é uma vantagem enorme, apesar dos portos conterem, por outro lado, desvantagens na obtenção de recursos. Logo desde início que o jogador tem de ter a consciência que matéria prima vai ter em excesso, porque alguns portos só exportam determinado tipo de produto. Além disso Catan conta com a interacção dos participantes que, entre eles, negoceiam recursos naturais de forma a obter mais rapidamente os recursos necessários para a obtenção de pontos. Aqui o comércio é livre. Cada um oferece e compra consoante o que achar mais conveniente. Estar atento aos recursos que os outros jogadores vão ganhando é fulcral. Até porque, durante o jogo, são várias as hipóteses que se tem para roubar cartas aos adversários, pelo que ter a noção das cartas deles pode ajudar na obtenção de mais um pontito e atrasá-los na corrida para a vitória. Paralelamente, o jogador pode sempre comprar uma carta de desenvolvimento. As cartas de desenvolvimento podem oferecer ao jogador um ponto, a obtenção de recursos naturais à escolha, roubar um determinado recurso a todos os jogadores (monopólio), a construção de estradas de forma gratuita e receber um cavaleiro. O cavaleiro serve para, sempre que jogado, alterar a posição do ladrão. O ladrão é um elemento que vai ocupando hexágonos não permitindo ao jogador/es que têm influência nos mesmos de receber a matéria prima correspondente. Sempre que o lançamento dos dados dita o nº7 o ladrão muda de hexágono. Possuir mais cartas de cavaleiro que os outros, permite ter o maior exército da ilha e por conseguinte ganhar 2 pontos. Catan depende também da sorte. Não é um Monopólio nem um Risco, onde essa variante, por si só, determina o desenrolar dos acontecimentos, mas é inquestionável que existe, de facto, o elemento sorte. No entanto, posso assegurar, que nunca vi um novato bater um jogador experiente apenas porque teve a fortuna do seu lado. Acho que é impossível que tal aconteça. Atrevo-me mesmo a dizer que 70% do resultado final depende da astúcia, 30% da sorte. Este último valor, contudo, tem tendência a aumentar quanto maior for o equilíbrio entre os participantes. Um dos atractivos de Catan é essencialmente a fase de aprendizagem. É este estágio que prende o jogador e que o faz voltar vezes sem conta ao tabuleiro. A hipótese de se aprender imenso com os erros cometidos nas partidas, faz com que se queira sempre melhorar o desempenho, tornando-se o acto de jogar num prazer altamente viciante. As regras são extremamente simples. 5 minutos chegam para as interiorizar. O que é difícil é ganhar, especialmente quando se joga com jogadores experientes. O jogo dá para 4 jogadores e demora, em média, cerca de uma hora. É um jogo social e, como tal, toda a família pode participar e divertir-se com ele. É perfeitamente normal que numa primeira abordagem, não se consiga aperceber das manhas que se escondem por detrás do emaranhado de hexágonos. No entanto o divertimento dos primeiros jogos transforma-se em violentas afrontas, até porque uma das características de Catan é a possibilidade dum jogador cortar acessos através de estradas aos demais. Ficou famosa a história de dois namorados que no fervor do jogo deixaram-se de falar durante duas horas porque um deles construiu uma estrada que impedia o progresso do outro. Por isso, se se quer divertir à grande e à francesa ou oferecer um jogo a alguém no próximo Natal, Catan é a escolha acertada, até porque já não há muita paciência para o Pictionary e derivados. Além disso, os elementos femininos costumam gostar bastante dele especializando-se no mesmo enquanto o Diabo esfrega o olho. Na pouca experiência que tenho em jogar Catan na internet, devo confessar que, sempre que uma mulher está presente, a derrota é inevitável. Dizem os entendidos que os dados as adoram. Mas, claro, é muito mais do que isso. Catan é muito mais do que o mero lançar de dados. No entanto deixe-me apenas adverti-lo, caro leitor, para o seguinte, Catan pode iniciá-lo na realidade dos BoardGames e se isso acontecer, acredite, tem um admirável mundo novo à sua espera e digo-lhe também que, a coisa mais provável que lhe pode suceder, é perder a cabeça e deixar a Playstation e os RPG's de lado e passar o tempo de telemóvel na mão a convidar os amigos para umas partidas. Depois diga que não o avisei.

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Muito Catan

Não te esqueças das expansões também. A expansão para 6 jogadores torna o jogo muito mais divertido devido a existência de mais jogadores para negociar os bens e logo, mais possibilidades de conseguires o que queres. Isto também aumenta o divertimento do jogo, ter 6 jogadores a negociarem entre si sempre é melhor do que só 4.

E há que referir que o Cities&Knights muda completamente o jogo, para um jogo muito mais pesado e talvez mais dependente da sorte.

Seja como for, é um bom boardgame para introduzir malta aos boardgames, embora para mim o melhor boardgame para introduzir pessoas aos boardgames está dividido entre o Clans e o Ticket To Ride.

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Farewell, leave the shore to an ocean wide and untamed
Hold your shield high, let the wind bring your enemy your nightmare
By the bane of my blade, a mighty spell is made and
Far beyond the battle blood shall fall like a hard rain.

---- Behold the pain and sorrow of the world, Dream of a place away from this nightmare. Give us love and unity, under the heart of night. O Death, come near us, and give us life!

Pois....

...talvez seja do facto de ter andado a jogar SoC até à exaustão no PC e muito poucas vezes ao vivo e a cores em F2F, mas ficou-se-me a impressão que a sorte dita mais que a tactica (70/30) a meu ver. A questão da negociação é das mais dificeis de colocar um non-gamer a perceber porque é que se faz ou não. E se o mecanismo da negociação não funkar o jogo fica mesmo pobre. Como não existe nada no ruleset que a force/condicione/etc esta tem de ser levada a efeito pelos jogadores. Dai o meu pé atrás relativamente aos jogos com ecanismo de negociação no geral.

Manuel Pombeiro
a.k.a.Firepigeon
LUDO ERGO SUM

Últimas jogatinas:

Negating the unforeseeable is utterly unrealistic, and scrambling to deal with problems is indeed a game skill.

E tudo começou

É verdade, foi com Catan que comecei a jogar jogos de tabuleiro. É realmente um jogo fácil de aprender as regras, e muito aliciante de aprender a jogar.

Para mim a negociação é uma das partes melhores. A tentativa do negócio melhor dá  grande valor ao jogo. Principalmente quando já se conhece os adversários, o que os move e as suas manhas.

Em resumo, grande jogo :)

Embargo

Khannon escreveu:

Principalmente quando já se conhece os adversários, o que os move e as suas manhas.

Até os nossos adversários descobrirem o poder de embargar as nossas trocas. (Damn it! )

Roll to avoid or Death by rolling

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