Big City

Retrato de MGBM
Big City - Capa da Versão Alemã

Big City. O boardgame de construir uma cidade inteira do nada. Faz lembrar o SimCity.

Este boardgame devia ser considerado um clássico, mas pelas razões erradas como verão mais à frente.

Primeiro, do que se trata. Como devem ter adivinhado, é um boardgame sobre construir uma cidade. Não tem vertente económica nenhuma, no entanto; este boardgame é sobre Set-Collection do que outra coisa qualquer. Tudo depende das cartas que tivermos na mão.

O jogo suporta de 2 a 5 jogadores. Tem uma peculiaridade, este é dos melhores boardgames de caixa grande que existem para 2 jogadores. 2 jogadores com este jogo é do melhor. Claro, com 5 jogadores também é bom.

A apresentção deste boardgame é mitica entre os boardgamers. Tem, sem dúvida alguma, as melhores peças que alguma vez vi num boardgame. Não têm comparação com outro boardgame de facto, vejam as imagens no boardgamegeek e digam se não concordam comigo. E ao vivo as peças ainda são mais lindas de se ver! Temos casas residenciais, prédios de escritórios, igrejas, cinemas, centro comerciais, industrias, parques, tudo o que uma cidade pode ter. As peças têm que ser vistas para se acreditar no quão boas elas são.

Vamos ao jogo. Depois do setup, em que se coloca as neighborhoods e se recebe cartas conforme o número de jogadores, os jogadores têm cinco acções e só pode escolher uma por ronda:

Colocar edificios em jogo
Aumentar o metropolitano
Colocar um novo neighborhood
Trocar cartas
Passar

As acções que se fazem mais são as duas primeiras.

Colocar edificios é simples. Cada neighborhood tem vários áreas divididas em números, e cada neighborhood tem um stack de cartas. A gente recebe cartas de cada neighborhood. O objectivo é ficarmos com cartas de áreas com números adjacentes. Isto é importante pois os edificios maiores requerem três espaços e eles têm que ser adjacentes. Se tivermos as cartas certas, descartamos as cartas e põe-se nos números das cartas um edificio. Os edificios postos dão--nos pontos logo. Há manhas no entanto, nomeadamente que os edificios têm prerequisitos. Os mais comuns, as zonas residenciais e comerciais, não têm, mas dão bonus de pontos se postos em determinados sitios. Os edificios especiais, como as igrejas, os correios, os cinemas, têm prerequisitos para serem colocados, como por exemplo estarem adjacentes a duas zonas residenciais.

O metropolitano não dá pontos em si, mas é um dos prerequisitos para muitos edificios e dá pontos bonus a vários edificios se eles forem colocados perto dum metropolitano.

Existem 4 edificios especiais, os parques e as industrias, que têm uma carta própria só deles. Estes edificios podem ser postos a qualquer altura, sem impedimentos. Este é o factor de lixar o jogador, pois estes edificios ocupam espaço que pode pertencer a outros jogadores, tornando as áreas inuteis. As fábricas, então, são horriveis, pois dão bonus negativos a quem construir ao pé delas.

Depois de jogada a ronda, os jogadores sacam cartas até terem o mesmo número de cartas na mão com que começaram, embora não possam sacar mais de duas cartas do mesmo neighborhood.

Este jogo é lindo no sentido literal. É um repasto para a visão, principalmente quando o jogo termina e temos uma cidade inteira à nossa frente. A apresentação deste jogo não se equipara a mais nenhum boardgame que conheça, é pura e simplesmente fenomenal. E é por isto que este boardgame devia ser um clássico, não pelas mecânicas, mas pelo aspecto.

Falando em mecânicas, este jogo é basicamente set-collecting e saber o timing de quando se deve colocar edificios. Tem uma mecânica muito básica, nada de complicado de facto. É um bom jogo para introduzir novatos nestas andanças. Explica-se as regras em 3 minutos e pode-se logo começar a jogar.

É um boardgame médio-leve, com alguma sorte envolvida, visto que as cartas que recebemos são baralhadas e viradas para baixo, logo não controlamos o que recebemos. Alguém que receba más cartas durante o jogo pode ter o jogo todo lixado, e isso é mau. Fora isso, não tenho nada de negativo a apontar.

Também não tenho nada de muito positivo, além da apresentação. As mecânicas são simples e usadas em muito jogos, pode haver um problema de downtime, mas pelo menos o tabuleiro é sempre modular.

Se este boardgame não tivesse as peças que tem, seria mais um numa lista infidável de boardgames bons mas indistintos. As peças elevam-no ao estatuto de mitico no entanto.

Este boardgame também tem uma peculiaridade. É um dos raros boardgame que, depois de jogado, ficamos com a distinta impressão que uma expansão com mais edificios faria maravilhas, no sentido de criar uma cidade enorme, com mais edificios diferentes. Isso teria sido espectacular.

Mas parece que este jogo vai ser reprinted, com novos edificios. A questão que permanece é, serão as peças tão boas como as desta edição?

No fim, eu gosto do jogo, mas fora as peças não há nada que o distinga, com excepção do modo de 2 jogadores, que é muito bom. Este jogo é literalmente salvo pelas peças, pelo prazer de construir uma cidade diferente todas as vezes e ver como ela fica no fim. É um boardgame onde o prazer deriva mais das peças e de ver o tabuleiro a ser construido do que da mecânica de jogo. Vejam as imagens no boardgamegeek.

Como tal, eu daria um 12 de 20 se não tivesse as peças que tem, mas com as peças, sou forçado a dar mais, pois as peças são o elemento que faz aumentar o gozo do jogo. É o único jogo em que a minha opinião sobre ele muda devido à apresentação do mesmo.

14 de 20.

http://www.boardgamegeek.com/game/70

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interessante

Parece bastante engraçado, e se pode ser apresentado a um non-gamer, poderá ajudar a trazer mais carne fresca para este hobbie (a apresentação conta tanto). No boardgamegeek é considerado similar ao monopolio (que apesar de detestar, tem de ser a resposta classica à pergunta "o que é isso de boardgames?")

Sabes quando vai sair a nova versão?

Big City

vch escreveu:

Parece bastante engraçado, e se pode ser apresentado a um non-gamer, poderá ajudar a trazer mais carne fresca para este hobbie (a apresentação conta tanto). No boardgamegeek é considerado similar ao monopolio (que apesar de detestar, tem de ser a resposta classica à pergunta "o que é isso de boardgames?")

Bem, eu não o comparava ao monopolio. Tem muita sorte, é verdade, mas nada que se compare ao monopolio. Este jogo é um eurogame e comporta-se como tal. E é muito bom para non-gamers devido à apresentação, como disseste. Este boardgame claramente deixa um impacto em quem o joga.

vch escreveu:

Sabes quando vai sair a nova versão?

Ora bem, se tudo correr bem, pro ano. E eu vou comprá-lo se tiver a mesma qualidade de componentes que esta versão tem.

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"You can not escape me!" he roared. "Lead me into a trap and I'll pile the heads of your kinsmen at your feet! Hide from me and I'll tear apart the mountains to find you! I'll follow you to hell!"

---- Behold the pain and sorrow of the world, Dream of a place away from this nightmare. Give us love and unity, under the heart of night. O Death, come near us, and give us life!

design

Realmente o aspecto visual conta bastante por ser uma grande parte da experiencia. Principalmente por causa desse aspecto é que encomendei o Medina (apesar de nunca ter jogado). Tambem foi um aspecto que eu usei na compra do Torres: o jogo não é mau (pena o downtime), mas se não existisse o aspecto tridimensional, não estaria tantas vezes em cima da mesa.

Apresentação

vch escreveu:

Realmente o aspecto visual conta bastante por ser uma grande parte da experiencia. Principalmente por causa desse aspecto é que encomendei o Medina (apesar de nunca ter jogado). Tambem foi um aspecto que eu usei na compra do Torres: o jogo não é mau (pena o downtime), mas se não existisse o aspecto tridimensional, não estaria tantas vezes em cima da mesa.

Yeap, o Medina é muito bonito de se ver também.

O Torres é que o meu grupo gosta e gosta pela mecânica, não pelo aspecto. Eu gosto muito do Torres por ser um jogo abstracto e analitico, com muita estratégia.

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reprint

Boa critica.

Falou-se muito deste jogo, recentemente, por causa do reprint que, pelos vistos vai ser feito pela valley games, a tal editora que também reeditou o die macher.

Já tinha ficado com a ideia de que o jogo era, basicamente, um jogo bonito. De resto, pouco sobrava. Parece até que este reprint vai ser feito por um Mike Doyle que costuma esgalhar umas cenas sensacionais... Para quem ainda não viu podem espreitar a caixa que ele sugeriu para o Tempus do Martin Wallace. O menino ageita-se bem.

http://www.boardgamegeek.com/image/147442

http://mdoyle.blogspot.com

Abraços

Paulo

"hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamas!"

Ernesto 'Che' Guevara 1928 - 1967

Big City

soledade escreveu:

Boa critica.

Obrigado!

soledade escreveu:

Falou-se muito deste jogo, recentemente, por causa do reprint que, pelos vistos vai ser feito pela valley games, a tal editora que também reeditou o die macher.

Já tinha ficado com a ideia de que o jogo era, basicamente, um jogo bonito. De resto, pouco sobrava.

Sim, é principalmente um jogo bonito, mas é o jogo mais bonito que existe (a meu ver) e isso conta muito. Como foi dito, a apresentação conta muito quando se trata de non-gamers. As regras não são más, mas também não é nada de especial. É um jogo que se joga bem, sem problemas, excelente para 2 jogadores, excelente para non-gamers.

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