Dark Ages: Vampire (Review)

O setting de dark ages divide-se por duas edições Vampire dark ages até 2002 e dark ages : vampire a partir de 2002 pronuncio-me mais sobre a edição antiga, conheço-a melhor.

O setting baseia-se na idade média no ano de 1197, é uma realidade alternativa da nossa idade média , fortemente influenciada pela nossa idade média, mas com características muito próprias como a existência (tomada como facto) de seres sobrenaturais como vampiros, lobisomens , magos , fadas e demónios. Nesta edição é dado o foco quase exclusivo aos vampiros , ocupando todos os restantes seres um lugar muito secundário, houve um livro para fazer cross-over entre vampire e warewolf em dark ages, na primeira edição mas foi suplantado pela saída de dark ages : werewolf.

Há dois factores determinantes no enquadramento de qualquer vampiro, o seu clã e a sua religião, não havendo ainda sects “per si” como o sabbat ou a camarilla em masquarade. Contudo a religião e a classe social dividem quer mortais quer vampiros. Na 2ª edicção cria-se um foco inexistente até então, a divisão entre High e Low clans; no fundo procura-se incutir nos vampiros um sentido de classe social.

No setting, Constantinopola ainda não caíu, embora não falte muito, havendo a crónica descrevendo a sua queda, por toda a Europa há uma tensão desconfortável, a guerra paira no ar , quer entre mortais quer entre caínitas, Jerusalém vive um período de tréguas entre os herdeiros de Saladino e Ricardo coração de leão período que acaba em dias, também nessa frente há muita tensão entre oriente e ocidente.Na península ibérica vive-se já a reconquista em 1217 com a vitória em las navas de tolosa a presença islâmica na penísula sofre um enorme revés e por todo o lado há territórios novos por reclamar e valores a salvaguardar antes da queda eminente das Taifas. Na Transilvânia e na Europa de Leste vive-se abertamente o conflicto entre tremere e tzimisce numa guerra nocturna sem paralelo. Já se faz sentir a influêcia dos Ventrue através do império romano-germânico.Na escandinávia onde as inflências bíblicas não chegavam há uma diferente concepção de vampiro , embora fundamentalmente iguais aos seus congéneres Europeus, o mito de Caim e Abel não chegou lá, logo julgam-se escolhidos por Odim.

A edição antiga é feita á semelhança de outros settings históricos da White-wolf, ou seja dirige-se apenas a vampiros, havendo para warewolf o wild west e para mage, sorcerers Crusade passado na renascença, só com a saída da nova edição de dark ages se reuniu num só setting vampiros, lobisomens , magos, fadas, inquisidores e demónios a nova edição á semelhança de exalted traz no core informações relativas ao setting e a mecânica do jogo as regras base, cabendo a cada novo livro detalhar o ser de que se ocupa as regras são as mesmas em ambas as edições, muito pouco foi alterado, a maior diferença entre ambas será mesmo o tom sendo algo mais gótico e medieval na primeira edição e algo mais épico na segunda, dá-se mais foco ás roads na 2ª em detrimento dos clãs, e toda a 2ª edição se presta mais a cross-overs do que a primeira, há 2 aspectos a salientar na 2ª ,não se procura fazer a ligação entre dark ages e o world of darkness presente, sendo settings completamente autónomos as novas personagens do setting só em raros casos têm a infame secção de destino, que tantas dores de cabeça presumo  tenha dado a storytellers, o metaplot do setting está fixo no ano de 1230, avança até esse ano , mas nada é feito daí para a frente , cabendo aos jogadores com as suas acções defenir o mundo e não como acontecia muitas vezes na primeira edição servir de apoio ou carne para canhão dos personages principais que seriam neste caso NPC’S, o segundo aspecto é que é um setting inacabado, ou seja as traves mestras do setting estão lançadas mas a nova edição ficou a meio ou seja quando a white-wolf lançou o novo world of darkness acabou com dark ages e muito ficou ainda por fazer.Não obstante é um jogo muito bem conseguido, as regras resultam bem, são acessíveis, o combate é lento mas o jogo não se baseia no combate, não é o foco principal do jogo, perdendo bastante na minha opinião se só for abordado o combate.

A apresentação em ambas as edições varia entre o muito bom e o muito mau, todos os livros são invaríavelmente a preto e branco, tendo talvez a 2ª edição na minha modesta opinião um aspecto mais cuidado, se bem que os splats da 1ª edição são memoráveis.O bestiário na 2ª edição funciona quase como amostra do que se podem encontrar nos diversos core books, analisa várias criaturas mas de forma muito simplificada, não significa que seja necessário comprar todos os livros da linha dark ages, deppende apenas da profundidade que o storyteller queira dar aos seus NPC.  

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most unforgiving maul

most unforgiving maul escreveu:

O setting baseia-se na idade média no ano de 1197, é uma realidade alternativa da nossa idade média , fortemente influenciada pela nossa idade média, mas com características muito próprias como a existência (tomada como facto) de seres sobrenaturais como vampiros, lobisomens , magos , fadas e demónios.

Para as pessoas que viveram no ano 1197 DC, os  vampiros, lobisomens , magos , fadas e demónios eram factos da vida, existiam realmente.

"Don't hesitate, don't apologise - it's a sign of weakness."
John Ford, cineasta

Sans la liberté de blâmer, il n'est point d'éloge flatteur - Beaumarchais

I don't believe in the concept of "One True Game" - Steve Kenson, Icons

sobrenatural

para as pessoas da idade média de facto esse géneros de ser era uma realidade; concordo, embora fosse uma realidadde intangível. 

O que eu quis dizer, é que no setting, são de facto uma realidade, coisa que na "nossa" idade média, não eram, na nossa idade média , na real, tomava-se como certa a existência de um conjunto de seres que nunca existiu no passado nem existe no presente.

No setting de dark ages, não só são tidos como realidade, como existem realmente embora nem sempre sejam visíveis.

Eu joguei o jogo dos magos

Eu joguei o jogo dos magos na renascença e foi muito engraçado: podia-se usar feitiçaria muito mais eficaz, mas não podia usa-la abertamente senão acabava queimado. O jogo era sobretudo à base de intriga política.

 

 

" Robot durante o dia, vegetal durante a noite"

O sistema de settings

O sistema de settings históricos do WoD era uma boa ideia (fora aquilo de termos de apanhar com a explicação das regras em cada manual).

O meu favorito também era o "Mage: Sorcerers' Crusade", por me parecer ser a combinação ideal entre sobrenaturais e contexto histórico.

O Vampire: Dark Ages também não era mau, embora tivesse enormes problemas de realismo histórico: na Idade Média toda a gente se deitava ao anoitecer (quando os vampiros acordavam), pelo que habitat dos cainitas era um perfeito deserto; as pessoas dormiam juntas na mesma divisão da casa o que tornava o acto de chupar sangue incrivelmente perigoso; o pessoal acreditava mesmo em sobrenaturais e qualquer indivíduo mais esquisito tinha logo populaça e igreja à perna.
Isto é, em termos verosímeis, ser vampiro na Idade Média ou era incrivelmente perigoso ou era uma grande chatice.

neonaeon escreveu: O

neonaeon escreveu:

O Vampire: Dark Ages também não era mau, embora tivesse enormes problemas de realismo histórico: na Idade Média toda a gente se deitava ao anoitecer (quando os vampiros acordavam), pelo que habitat dos cainitas era um perfeito deserto; as pessoas dormiam juntas na mesma divisão da casa o que tornava o acto de chupar sangue incrivelmente perigoso; o pessoal acreditava mesmo em sobrenaturais e qualquer indivíduo mais esquisito tinha logo populaça e igreja à perna.
Isto é, em termos verosímeis, ser vampiro na Idade Média ou era incrivelmente perigoso ou era uma grande chatice.

Uma ideia é fazerem parte das classes privilegiadas - Nobreza e Clero, especialmente Alto Clero. Assim, podem levar a comida até eles, e como são juiz, jury, carrasco e legislador, a quem é que os camponeses se queixam? Ou então, "poderes atrás do trono", eminências partas e executores do poder dos Nobres e Clérigos poderosos.

"Don't hesitate, don't apologise - it's a sign of weakness."
John Ford, cineasta

Sans la liberté de blâmer, il n'est point d'éloge flatteur - Beaumarchais

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Verbus escreveu: Uma

Verbus escreveu:

Uma ideia é fazerem parte das classes privilegiadas - Nobreza e Clero, especialmente Alto Clero. Assim, podem levar a comida até eles, e como são juiz, jury, carrasco e legislador, a quem é que os camponeses se queixam? Ou então, "poderes atrás do trono", eminências partas e executores do poder dos Nobres e Clérigos poderosos.

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Teoricamente.
O Alto Clero também tem de celebrar missas e a Nobreza de se mostrar aos seus vassalos (ou estes começam a achar aquilo muito suspeito). E estas exibições terão de ser durante o dia (as únicas missas nocturnas que há são as dos adoradores do diabo).
Depois, com o fanatismo religioso da altura, se os camponeses desconfiassem que o seu suserano era um servo do diabo não se queixavam: pegavam nas forquilhas e nos machados e tratavam do assunto eles próprios. Se algum morresse, ficaria contentíssimo por redimir a sua alma a lutar contra os inimigos do Senhor. Lembra-te que isto era a altura em que o pessoal largava tudo para ir alegremente deixar-se matar na Palestina pelos muçulmanos.

A única hipótese mesmo seria uma pequena povoação, totalmente vampirizada ou dominada, num lugar tão inóspito, tão inacessível, com um clima tão mau e terra tão inculta que ninguém se lembraria de ir passear, cultivar, conquistar ou evangelizar para aqueles sítios.

Como eu disse: uma grande seca.

Já vos ocorreu que esta

Já vos ocorreu que esta coisa se passa num universo chamado The World of Darkness? Realismo, muito bem, mas também não é preciso exageros... De qualquer modo, vampiros (daqueles que estão mortos e têm de sugar sangue para manter a sua unlife) também não existem!

most unforgiving maul

most unforgiving maul escreveu:

para as pessoas da idade média de facto esse géneros de ser era uma realidade; concordo, embora fosse uma realidadde intangível.

O que eu quis dizer, é que no setting, são de facto uma realidade, coisa que na "nossa" idade média, não eram, na nossa idade média , na real, tomava-se como certa a existência de um conjunto de seres que nunca existiu no passado nem existe no presente.

No setting de dark ages, não só são tidos como realidade, como existem realmente embora nem sempre sejam visíveis.

Para o pessoal que vivia na "nossa Idade Média" os vampiros eram uma realidade! Já tentaste saber a quantidade de gente que foi queimada na altura sob acusação (confessada pelos próprios) de beber sangue humano?

O vampirismo existe e corresponde a um conjunto de doenças físicas e psicológicas humanas. Só não tem nada a ver com a imagem romântica dos vampiros que foi criada por livros e filmes e inspirou o Vampire RPG.

E sobretudo não dá podere

E sobretudo não dá podere mágicos. Mas na idade média era raro ser-se queimado por beber-se sangue (esse tipo de processos só se desenvolveu com o aparecimento dos aparelhos burocráticos estatais no séc. XVI): a própria população tratava da saúde ao potencial chupador (a noção de vampiro como disse o neoneon vem do séc. XIX baseado em lendas da europa oriental). E não pensem que se ser da nobreza servia de grande protecção: o que não falta são histórias de nobres que tem de fugir ou são mortos por multidões enraivecidas. 

 

 

" Robot durante o dia, vegetal durante a noite"

kabukiman escreveu:

kabukiman escreveu:

(...)E não pensem que se ser da nobreza servia de grande protecção: o que não falta são histórias de nobres que tem de fugir ou são mortos por multidões enraivecidas.

Sim, as jacqueries e outras rewvoltas camponesas eram mortíferas - mas a pouca protecção que se tinha, tinha-se com estatuto social. Um bom livro sobre a história dos vampiros e da percepção do vampirismo em geral, numa perspectiva de jogo, é o GURPS Blood Types  da Steve Jackson Games, incluindo vampiros de variadíssimas culturas.

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