Downfall of Pompeii, The - Análise / Crítica

Retrato de Mallgur
DownfallOfPompeii_t.jpg

A letra D está pouco representada na minha colecção. Apenas três títulos, um dos quais, Domaine, já aqui tratado. Tenho também o Don, um jogo ligeiro de leilões com um tema completamente colado e o The Downfall of Pompeii, que será assim o alvo desta análise / crítica.

The Downfall of Pompeii

Designer: Klaus-Jürgen Wrede

Edição analisada: Amigo

Página no BGG

 

Como o título indica, este jogo tem como tema os últimos dias de Pompeia, vibrante cidade do Império Romano edificada junto ao Vesúvio, que seria a sua desgraça.

O tema tem tudo a ver com o jogo e as mecânicas estão bem relacionadas com o mesmo. É um jogo para dois a quatro jogadores, com duas fases bem distintas que tratam do povoamento da cidade e depois da tentativa de salvamento dos habitantes durante a erupção.

Componentes:

O jogo tem um tabuleiro que mostra a cidade de Pompeia, dividida em edifícios que ocupam quadriculas. Cada quadrícula pode ter pequenos círculos que servem para colocar os cidadãos durante a primeira fase do jogo. É notável que o mapa é bastante fiel às localizações reais de certos edifícios na cidade, mesmo estando naturalmente abstraído para efeitos de jogabilidade. Há também no tabuleiro um círculo grande recortado que serve para colocar um cone de papel ilustrado que representa o vulcão. Durante o jogo, serão lançados ao vulcão os cidadãos que não consigam escapar ao avanço da lava, é de todo conveniente que os jogadores imitem os gritos de desespero dos pobres cidadãos ao serem lançados lá para dentro. Ajuda ao ambiente... O vulcão traz uma graça especial ao tabuleiro, dando-lhe assim presença numa terceira dimensão.

Os cidadãos são representados por pequenos "cilindros" octogonais nas cores dos vários jogadores. O número de cidadãos não é igual em todas as cores pois existem ao certo para os vários de jogadores. Isto retira alguma possibilidade de escolha. Com dois jogadores jogam duas cores específicas (as que têm mais marcadores), com três também e apenas com quatro se usa a cor com menos marcadores.

Também existe um baralho de cartas que é usado na primeira fase do jogo, permitindo aos jogadores colocarem os cidadãos em Pompeia de acordo com as cores que joguem. Estão incluídas algumas cartas de augúrio (Omen) que são baralhadas numa zona específica do baralho e permitem antecipar o lançamento de alguns habitantes para dentro do Vesúvio. Também está presente a carta de vulcão que determinará quando se dá a erupção, ao surgir pela segunda vez.

Finalmente, um saco e vários mosaicos servem para a segunda fase do jogo e irão marcar o progresso da lava pelas ruas da cidade.

São componentes de boa qualidade e funcionais ainda que pessoas com os dedos mais grossos possam ter alguns problemas em manipular os cidadãos no tabuleiro sem interferir com outros. As cartas não são más e o conjunto depois de montado apresenta-se muito agradável e vai ficando mais bonito à medida que são adicionados os cidadãos.

Pontuação: 5/5

Regras:

As regras não são complexas. A versão em inglês que uso podia ser um pouco mais explícita em certos pontos, mas nada que impeça de jogar. poderão surgir alguma dúvidas nas primeiras partidas, mas já todas estão esclarecidas no BGG, creio.

A preparação do jogo é também simples. Cada jogador recebe os cidadãos adequados (basta ver qual a cor que tem menos para saber quantos são com três e quatro jogadores, com dois usam-se todos das cores com mais peças), os mosaicos de lava são colocados no saco e postos de lado pois só entram em jogo na segunda fase, o vulcão é montado no espaço adequado do tabuleiro. Aquilo que poderá demorar mais tempo é a preparação do baralho. Eis o que se deve fazer:

1 - Separar a carta A.D. 79 (ano da erupção)

2 - Separar as cartas de augúrio (Omen)

3 - Fazer 7 montes de quatro cartas com as cartas baralhadas de edifício.

4 - Baralhar as cartas de augúrio com o que sobra do baralho de cartas de edifício e fazer um monte de face para baixo.

5 - Colocar a carta A.D. 79 de face para baixo sobre este monte

6 - Colocar dois montes dos 7 criados (no passo 3) antes sobre este

7 - dos 5 montes que sobram (do passo 3), cada jogador escolhe um para sua mão inicial. os restantes são colocados fora do jogo e não serão usados.

Assim, de baixo para cima, no baralho estarão:

49 cartas (39 de edifício das 53 iniciais, mais as 10 cartas de augúrio) baralhadas entre edifício e augúrio

a carta de A.D. 79

8 cartas de edifício (dois dos 7 montes de 4 criados no início da preparação)

Ou seja, ao fim de 8 cartas compradas do baralho surge a carta A.D. 79 pela primeira vez.

Mas agora vamos às regras da primeira fase de jogo.

Cada jogador deverá jogar uma carta da mão. A carta jogada definirá, pela cor, qual o tipo de edifício onde o jogador poderá colocar um cidadão. Se colocar um cidadão numa parte de edifício que tenha outros cidadãos, mesmo que da mesma cor, poderá colocar um novo cidadão (um parente) por cada outro cidadão já presente no edifício. Este(s) novo(s) cidadão(s) tem que ser colocado num dos edifícios bege ou da mesma cor do primeiro e não dá direito a novo parente, mesmo que o edifício onde é colocado já tenha cidadãos.

Após colocar um cidadão o jogador repõe a mão para quatro cartas.

Se jogar uma carta que corresponda a um edifício que não tem mais lugares livres, um jogador está a jogar um Joker. Estes Jokers permitem colocar o cidadão em qualquer edifício, independentemente da sua cor, mas não dão direito a colocar parente.

Quando a carta A.D. 79 aparecer, o jogador compra outra carta de imediato e deve fazer-se o seguinte:

- Contar 15 cartas do fundo do baralho.

- Baralhar a carta de erupção com estas.

- Colocar estas 16 cartas de novo no fundo do baralho.

A partir deste momento estão em jogo as cartas de augúrio.

O jogador que compre uma carta de augúrio pode lançar um dos cidadãos adversários já presente no tabuleiro para dentro do vulcão. Depois disso, volta a repor a mão.

Estes passos vão-se repetindo até surgir de novo a carta A.D. 79. Isto assinala a erupção do Vesúvio e o início da segunda fase do jogo. A erupção pode também ser accionada a qualquer momento por um jogador que tenha apenas Jokers na mão.

A segunda fase do jogo consiste em tentar fazer com que o maior número de cidadãos da nossa cor escapem ao avanço da lava pela cidade. As cartas já não são mais necessárias a partir deste momento.

Nesta fase cada jogador executa os seguintes passos:

Retirar um mosaico do saco e colocá-lo no tabuleiro. Um mosaico tem que ser colocado adjacente a um mosaico do mesmo tipo ou ao espaço inicial adequado. Estes espaços iniciais estão marcados com símbolos iguais aos vários símbolos presentes nos mosaicos. Se o espaço escolhido pelo jogador tiver alguns cidadãos, estes são eliminado e lançados para dentro do vulcão.

Mover um ou dois cidadãos da sua cor. Os cidadão movem-se ortogonalmente tantos espaços quanto o número total de cidadãos presentes no espaço onde começou o seu movimento. Um cidadão só pode mover-se duas vezes no mesmo turno se estiver sozinho no espaço onde inicia o movimento.

Quando os cidadãos chegam às portas da cidade e saem, são salvos e colocados à frente do jogador.

Quem tiver mais cidadãos salvos no final do jogo (quando não existem mais cidadãos em Pompeia ou quando nenhum deles possa escapar à lava) é o vencedor. Os desempates são a favor do jogador que tiver menos cidadãos dentro do vulcão.

Parece mais complexo do que é, acreditem. Basta uma partida para que um jogador interiorize os conceitos das duas fases e, numa segunda partida, esteja apto a jogar com qualquer outro.

Pontuação: 4/5

Jogabilidade:

Este jogo é muito divertido e acessível a jogadores menos experientes. A ligação ao tema e a sequência das fases tornam o jogo quase narrativo e existe muita interacção entre os jogadores.

Sabe bem voltar a jogá-lo de vez em quando e traz sempre satisfação.

Equilíbrio:

Não detectei ainda problemas de equilíbrio no jogo. Não me parece que um jogador tire vantagem de alguma posição específica no jogo. As cartas e a saída dos mosaicos tornam o jogo algo aleatório, o que faz com que o equilíbrio seja quase garantido.

O único aspecto que pode conter algum risco para este factor são as cartas de augúrio que, saindo mais a um jogador que aos outros, podem trazer alguma vantagem excessiva.

Pontuação: 4/5

Sorte:

O factor sorte pesa um pouco no jogo. Mesmo assim, um jogador que use de forma inteligente as cartas que lhe saem para poder colocar mais parentes em jogo e que use de forma estratégica os mosaicos para prejudicar os jogadores que lhe pareçam estar em vantagem, deverá ganhar. Resumidamente, ter sorte ajuda, mas não chega...

Estratégia / Táctica:

O jogo é mais estratégico na primeira fase e mais táctico na segunda. Na primeira fase um jogador faz alguma preparação para a segunda. Por um lado tenta colocar os seus cidadãos o mais próximo das portas possível, por outro tem que aproveitar as oportunidade que surjam de colocar parentes.

Na segunda fase as coisas mudam mais de jogada para jogada. A forma como a lava alastra pela cidade é um factor importante e que está muito sob o controle dos jogadores. Cada jogador tentará, jogada a jogada, eliminar o maior número possível de cidadãos adversários, não fechando os caminhos de fuga aos seus.

Conclusão:

É um bom jogo. Não muito complexo, nem demasiado simples. Será sempre uma boa aquisição pois oferece bastante variedade no jogo. A diferença e interligação entre as duas fases do jogo é refrescante e a duração de cada uma delas está muito bem equilibrada. Na primeira vemos a cidade crescer, temos mais algum tempo para pensar. Na segunda é uma corrida pela salvação.

Pontuação geral: 13/15

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Bom jogo, boa review

Muito divertido este jogo.

Parabéns pela review, Pedro.

Últimas jogatinas...

ÓMÉNE !

"cartas de augúrio" - muito bom... nós por cá é mais óménes !

Boa review, boa simulação e componentes catitas... gosto.

 

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Tema

Boa review. Gosto muito deste jogo, principalmente por estar dividido em duas partes dando sensações muito distintas. É bastante temático, principalmente a segunda parte.

Para acelerar o setup, eu coloco logo o vulcão no sitio correcto e as oito cartas iniciais um bocadinho rodadas para se notar.

Temático ????

vch escreveu:

É bastante temático, principalmente a segunda parte.

 

Citação:

Phase I: The Volcano is inactive. Move 1 person at a time into the city.

Phase II: The Volcano begins to "Seethe and Boil". For some oddball reason, you are now able to move 1 person plus all their relatives into the city!

"Hey! This thing is about to blow! Let's have the whole family move into the city so we can have a great look at all the lava."

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                                     Este espaço aluga-se

 

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2ª parte

A 2º parte é quando a lava começa a cair.. os familiares ainda é na primeira parte. Ressalva: é temático em relação ao tipico eurogame (sim, Pombeiro, é um standard baixo).

O pessoal curte quando as pessoas vão a gritar para dentro do vulcão depois de levarem com a lava em cima... o grito é essencial, e descrito nas regras!

E eu nem ia comentar!!!

vch escreveu:

Ressalva: é temático em relação ao tipico eurogame (sim, Pombeiro, é um standard baixo).

 

Neste o cuspo tem sabor a cinza vulcânica, é?

Google Reader Shared Itens

Últimas jogatinas:

Negating the unforeseeable is utterly unrealistic, and scrambling to deal with problems is indeed a game skill.

Quando a central eléctrica

Quando um dos reactores nucleares de Chernobyl explodiu o pessoal também foi ver o espéctaculo mais perto.

Basicamente essa pessoa e a família são aquelas personagens que vês no fundo de qualquer reportagem de televisão sempre que há um acidente ou catástrofe.

Breaking the Magic

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Já o jogaste?

Essa segunda citação está errada. As pessoas ocupam a cidade na primeira fase do jogo, antes de o vulcão entrar em erupção.

Depois, a questão do tema é secundaríssima. O jogo é divertido e isso é que conta. Podiam ser cães a entrar numa cidade e depois a serem apanhados pelo canil municipal, isso não reduziria a diversão. E este exercício de mudança de tema pode ser feito com qualquer jogo porque todos os jogos são abstracções de um tema, nada mais.

Neste caso creio que é mais ou menos notório que o tema estava presente na criação do jogo, isso faz com que seja temático. As mecânicas terão sido desenvolvidas a pensar no tema. Talvez por isso algumas não sejam tão polidas como podiam...

De que interessa ter muito tema? Olha o Talisman, por exemplo... não lhe falta tema. Mas também quase não é um jogo...

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"[...] a period when games were complex in your brain, instead of on the board."
tommynomad

temas e temas

Mallgur escreveu:

De que interessa ter muito tema? Olha o Talisman, por exemplo... não lhe falta tema. Mas também quase não é um jogo...

Já percebi porque é que os ameritrashers se chateiam com certos comentários :) Eu diria que não há nada melhor que um Pompeii para "aquecer" antes de um Talisman.

 

A verdade custa...

Só se for.

Enquanto experiência cómica, ainda vá que não vá para uma meia horita... mas depois... irra! Olha... faz-me lembrar o Munchkin. Tem piada um par de vezes, principalmente para quem já jogou D&D, mas não chamem àquilo um bom jogo...

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tommynomad

essa tb merecia thumbs up.

Thumbs Up

 

Jogar ???

Sim, já o joguei algumas vezes. Conheço bem o jogo e acho-o muito divertido.

 

Só estava a responder à questão do tema. A segunda citação não está mal. Quando começam a chegar os familiares é depois da 1ª explosão do vulcão... quando começam a cair os Omenes... Não é quando o vulcão entra propriamente em erupção.

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Eu joguei sempre de outra forma

Os familiares começam a chegar assim que um jogador coloque um cidadão num edifício ocupado. Desde o início do jogo.

A única alteração que ocorre no jogo quando a carta de Vesúvio surge pela primeira vez é que a partir daí podem surgir cartas de Omen. Mais nada.

Foi assim que interpretei as regras. Posso estar errado, mas não me parece que fossem necessários tantos marcadores se fosse como dizem nessa citação.

De qualquer modo e quanto ao enquadramento temático, está escarrapachado na primeira página das regras. Em 63 DC houve um primeiro abalo que fez com que muitos fugissem em pânico. (podem interpretar-se os lançados ao vulcão com as cartas de Omen como vítimas desse pânico). Ficaram outros a reconstruir a cidade. Isto explicará porque continuam a ser colocados cidadãos depois do primeiro sinal de desgraça. Há que lembrar que os romanos não tinham os mesmos conhecimentos que nós acerca de vulcanologia (que ainda são reduzidos, note-se) e provavelmente atribuiriam os abalos e erupções a intervenções divinas. Pompeia cresceu depois desse primeiro abalo. Passaram-se 16 anos antes da erupção fatal... Não me parece estranho que muitos tenham esquecido o sinal anterior. Afinal, as pessoas enquanto grupo, esquecem com facilidade.

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tommynomad