Zeus on the Loose - Os deuses devem estar loucos

Retrato de Firepigeon

Existem aqueles jogos pequenos, pequenininhos, pelos quais não se dá um tostão furado, até que alguém nos obrigue a sentar e experimentar ou que por engano se compre. Foi esta última que me aconteceu aqui há uns anos atrás, estava eu de visita a Londres com a mulher e o filho, quando numa visita a uma loja mesmo ao lado do Museu Britânico, entre as várias compras que fiz no momento a mulher insistiu em que comprasse este jogo de cartas, com uma caricatura engraçada de Zeus na caixa. Chegados ao quarto de Hotel, dei uma vista de olhos no jogo, e coloquei-o no fundo do saco, e uma vez regressado a casa, foi parar ao fundo do armário dos jogos......e durante mais de seis meses nunca mais lhe coloquei a vista em cima.

Um dia estava às voltas a arrumar o armário quando me cai na mão esta caixinha de que eu praticamente já nem me lembrava. Olhando para o mesmo, levou-me a pensar que estava aqui um jogo porreiro para jogar com o miúdo, afinal era só andar a fazer somas e subtracções, tinha ali umas cartas com coisas em inglês, para o qual rapidamente fiz uma pequena cábula para ajudar o miúdo a jogar. E deu-se então a revelação. Surpreendido com este jogo, meti-o no saco num dos dias de jogatanas do grupo de Lisboa e foi uma autêntica bomba!

Ora do que é que eu estou a falar afinal de contas? Nem mais nem menos do que um pequeno jogo de cartas publicado em 2006 pela Gamewright (Turn the Tide, Loot, entre mais de uma centena), e desenhado por Jason Schneider, praticamente um desconhecido nos jogos de tabuleiro.

Ora o que é que isto traz? Uma pequena figura de Zeus que vai ser o centro de toda a jogabilidade do jogo e um deck com 60 cartas, das quais 40 são números de 1 a 10 (4 de cada) e 20 são figuras mitológicas gregas.

E quanto a regras? É simples, vão-se adicionando cartas ao valor do Monte Olimpo (que começa a zero e nunca pode ir abaixo de zero) e quando o valor chegar ou ultrapassar 100, quem tiver com a figura de Zeus em sua posse ganha a partida. Para tomar posse de Zeus basta que o resultado do Monte Olimpus seja um múltiplo de 10 para se tomar posse de Zeus (o que permite chegar a exactamente 100, roubar Zeus e acabar a partida!). O vencedor de cada partida colecciona uma letra da palavra ZEUS, e quem conseguir juntar as quatro letras é o vencedor. Para além disto existem ainda as cartas mitológicas cada uma com uma habilidade especial:

- Afrodite ----->> Arredonda para o múltiplo de 10 mais próximo e consequentemente rouba Zeus. Por exemplo, qualquer número cujo digito das unidades fica entre zero e quatro arredonda para baixo (22->20, 64->60). Qualquer número cujo gidito das unidades fica entre cinco e nove arredonda para cima (37->40, 98->100 e acaba a partida).

- Apolo ----->> Rouba Zeus. O valor do Monte Olimpo mantém-se o mesmo.

- Ares ----->> Rouba Zeus. O valor do Monte Olimpo passa a 50. Qualquer que seja o valor do Monte Olimpo, este passa a ser 60. Exemplo: pode ser 30 ou 80 que passa a 50.

- Ártemis ----->> Rouba Zeus. O valor do Monte Olimpo mantém-se o mesmo.

- Atena ----->> O próximo jogador não joga. O valor do Monte Olimpo mantém-se o mesmo.

- Hera ----->> Rouba Zeus. O valor do Monte Olimpo passa a 99.

- Hermes ----->> Reverte os digitos do valor do Monte Olimpo. Se o valor for 37, passa a 73. Caso seja entre 1 a 9, passa ao múltiplo de 10 correspondente (Ex: 7 passa a ser 70).

- Posídon ----->> Rouba Zeus. Subtrai 10 ao valor do Monte Olimpo.

A isto tudo falta só juntar a última mecânica, aquela que é o golpe de génio. Em qualquer altura um jogador pode (mesmo não sendo a sua vez) lançar em cima do baralho de descarte uma carta de número igual à que lá está no topo. Ao fazer isto soma o valor correspondente ao do Olimpo e rouba Zeus. E o jogo continua assim com o jogador à sua esquerda, podendo assim saltar a vez de vários jogadores. É de notar que assim que joga uma carta um jogador tem de biscar uma carta antes de poder voltar a jogar.

O resultado prático disto é um jogo caótico, excelente de confratenização em que a pobre figura de Zeus anda num virote a saltar de mão em mão. Sendo melhor que a soma das suas partes é um jogo excelente para crianças e adultos, como raramente existem, em que se consegue juntar no mesmo jogo, jogadores do mais vasto leque de idades e experiências. Desde o mais novo até ao jogador mais casual todos vão ter um excelente tempo a jogar esta pequena pérola.

Manuel Pombeiro
aka  Firepigeon
LUDO  ERGO  SUM

NOTA: publicado originalmente na coluna "A Fortaleza" no

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Zeus?

Parece ser muito muito fixe!

Como é que se chama mesmo?Smile

"Zeus on the Loose"