Qwirkle - Análise / Crítica

Retrato de Mallgur
Qwirkle_t.jpg

Já lá vão mais de dois meses desde a última destas minhas Análises / Críticas. Em parte esta demora deve-se a pouco depois de ter terminado a que fiz a Power Grid: Factory Manager não ter na minha colecção nenhum título começado por Q... Coisa que acabei por resolver triplamente em pouco tempo.

Casualmente, numa visita a uma FNAC, encontrei um Quoridor, sem regras, em saldo por um preço inimaginável. Quase ao mesmo tempo, numa troca aqui no AoJ, fiquei com o Quo Vadis e pouco depois acabei por comprar o Qwirkle. Não os adquiri para ter um jogo para analisar. Pelo menos gosto de pensar que não foi por isso...

Designer: Susan McKinley Ross
Edição analisada: Iello / MindWare
página no BGG

Este Qwirkle pode ser descrito rapidamente como um Scrabble com símbolos e cores e sem tabuleiro. É um jogo que se explica rapidamente e que qualquer pessoas começa a jogar de forma competente sem dificuldade.

Componentes

Qwirkle joga-se com peças de madeira de forma quadrada onde consta um símbolo de uma determinada cor. Existem seis cores (Amarelo, Azul, Laranja, Roxo, Verde e Vermelho) e seis símbolos mais ou menos descritíveis como estrela de oito pontas, quadrado, círculo, losango, cruz e trevo de quatro folhas. Na imagem podem vê-los todos. Existem três exemplares de cada pelo que temos 108 peças (6 cores X 6 símbolos X 3).
Na caixa vem também as regras e um saco, que infelizmente é branco e algo translúcido permitindo em certos ângulos e com certas condições de luz ver algumas das peças.
A edição da Iello é fabricada na China. Não que isso se note muito ou que os componentes sejam de má qualidade mas há alguma irregularidade na dimensão das peças o que faz com que com a evolução do jogo nem sempre tudo fique devidamente alinhado. Nada que impeça que se jogue bem, mas podia ficar mais bonito.

Pontuação: 4/5

Regras

Disse no início que se tratava de um jogo simples. Tão simples que as regras podem aqui ser todas explicadas sem tornar este artigo extremamente longo.

Cada jogador terá uma mão de seis peças.

O primeiro será aquele que puder colocar o maior conjunto de peças de acordo com as regras de colocação que veremos abaixo.

Para além de trocar um certo número de peças ao invés de jogar, um jogador pode,
na sua vez, colocar uma ou mais peças de forma a que todas elas prolonguem uma mesma linha já existente na mesa (na primeira jogada é colocada a linha que servirá de base a todas as outras).

Pode, ao fazê-lo prolongar outras linhas, mas todas as peças que joga têm que ser colocadas numa mesma linha.
As linhas são consideradas apenas na horizontal e vertical.
Cada linha de peças só pode conter peças que partilhem uma e uma só das características cor e símbolo. Dito de outra forma, não podem existir duas peças com o mesmo símbolo se a linha é constituída por cor igual e não podem existir duas peças com a mesma cor se a linha é constituída por símbolos iguais.
A consequência imediata desta regra é que uma linha nunca terá mais que seis peças.
Os jogadores pontuam tantos pontos quantas as peças que constituem a linha ou linhas que foram aumentadas pela sua jogada. Caso um jogador coloque a sexta peça numa linha, pontua seis pontos adicionais, ou seja, 12 pontos pelas peças na linha mais seis de bónus.
Depois o jogador vai buscar ao saco peças suficientes para repor a sua mão em seis.
Quando já não existirem mais peças no saco, vai-se jogando até que um jogador fique sem peças. Esse jogador ganha seis pontos de bónus por ser o que termina o jogo.

Totalizam-se os pontos feitos até aí e o jogador com maior pontuação vence.

E pronto. Qwirkle é apenas isto.
As regras incluídas no jogo estão em várias línguas (Francês, Castelhano e Inglês) e estão suficientemente ilustradas para que não fiquem dúvidas sobre a colocação de peças.

Pontuação: 5/5

Jogabilidade

É um jogo interessante, que funciona bem de dois a quatro jogadores.
As primeiras jogadas são feitas de forma bastante descontraída mas à medida que vamos vendo o tabuleiro evoluir e sabendo que existem apenas três peças de cada no jogo, começamos a analisar as possibilidades um pouco mais profundamente. Não é um jogo que potencie a paralisia analítica mas também não se joga de forma automática se se quiser dar luta e tentar vencer. Deixar cinco peças em linha é sempre má opção (a não ser que os três exemplares da sexta já tenham sido jogados antes) por dar fortes possibilidades aos adversários de colherem seis pontos de bónus que podem fazer grande diferença.
Não sendo um jogo longo, repete-se com facilidade e acaba sempre por ter interesse.

Equilíbrio

Pela minha experiência, nas partidas a quatro pode ocorrer que um jogador ganhe demasiada vantagem para ser apanhado. Se alguém cometer o erro de deixar uma linha de cinco peças, alguém irá obter os seis pontos de bónus. Se o mesmo ocorrer várias vezes para benefício de um certo jogador, este deverá ganhar uma boa vantagem que é difícil de anular. Talvez seja interessante pensar em reduzir este bónus em jogos a quatro... A dois já não verifiquei isso e até já vi reviravoltas interessantes na liderança do jogo ditadas um pouco pela sorte na compra das peças e também pela perícia/paciência dos jogadores.

Sorte

Alguma. A saída de certas peças na altura adequada pode dar boas possibilidades de maximização de jogadas ou colocar-nos numa situação de ter que fazer uma jogada menos boa apenas para não ficar sem pontuar numa troca de peças. Tal só será interessante se as jogadas possíveis forem conduzir a boas possibilidades de os adversários pontuarem muito.
Esperar por uma determinada peça é uma situação a evitar pois havendo apenas três em jogo pode nunca nos calhar.

Pontuação: 3/5

Estratégia / Táctica

Qwirkle é um jogo táctico. Há que procurar maximizar a colocação em cada jogada. A situação da mesa será sempre diferente quando chega a nossa vez. Exceptuando situações em que é fácil antever que uma determinada só será possível para nós e será muito vantajosa, não se fazem grandes planos para jogadas futuras.
Como não é muito complicado analisar as jogadas possíveis a cada turno, o jogo não parará muito por causa disso, especialmente se formos acompanhando as jogadas dos adversários com alguma atenção.

Conclusão

É um bom jogo. Não tem pretensões a ser uma profunda experiência lúdica ou a proporcionar grandes oportunidades de planeamento e estratégia. É um jogo familiar que não aborrece, não demora mais do que o adequado e entretém durante meia hora. Uma óptima alternativa ao Scrabble que mais facilmente apresentará um jogo equilibrado com todos os elementos da família não dando vantagem ao tio-avô que adora palavras cruzadas...

Pontuação Geral: 12/15

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Faltou-te acrescentar...

Que para um daltónico a jogabilidade é quase nula.... os azuis e os roxos não se distinguem...

O que é pena, porque o jogo até tem piada...

Pois

Tens razão. Realmente era um ponto que tinha pensado focar na parte dos componentes e depois, ao longo da escrita, passou-me.

Obrigado por deixares aqui essa informação adicional.

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"[...] a period when games were complex in your brain, instead of on the board."
tommynomad