Love Letter

Retrato de Joca

 

Love Letter é um jogo de Seiji Kanai lançado em 2012. 

É um jogo de cartas que vem numa pequena bolsinha encarnada, paramentada para ambientar o jogador ao tema de romance inerente à entrega da carta de amor à princesa que se exilou no alto de uma torre. As 16 cartas de jogo também são visualmente apelativas e até a tonalidade rubra dos tokens perseguem esse intento. Todavia parece-me que o tema não cola devidamente. 

 

 

Por outro lado o jogo em si cola-se-nos completamente. É um filler (jogo de curta duração para iniciar a noite ou para entremear dois jogos mais demorados) para 2 a 4 jogadores, que nos prende por 20 a 30 minutos de agradável entretenimento. A primeira vez que joguei não pude deixar de recordar algumas semelhanças com outro filler, de seu nome "Coup".  

Tem algum texto em inglês escrito nas cartas mas é uma limitação facilmente ultrapassável mesmo para crianças, pois refere somente a ação de cada carta, sendo simples de decorar após alguns minutos de jogo. 

 

Objetivo

Procurar entregar a sua própria carta à princesa, ganhando assim uma prova da sua estima, que neste caso traduz-se em obter um dos tokens (pequenos cubos de madeira). Os jogadores vão-se eliminando no desenrolar de cada ronda do jogo até sobrar somente um, e no caso do monte de cartas disponível terminar ganha o sobrevivente que tiver a carta com o número maior. Este recebe então um token e termina assim a ronda. O primeiro jogador a recolher uma determinada quantidade ganha o jogo (4 tokens para 4 jogadores, 5 tokens para 3 jogadores, 7 tokens para 2 jogadores). 

 

Funcionamento: 

Cada jogador recebe uma carta. Uma carta é também retirada do baralho e colocada de fora durante a ronda. 

Na sua vez cada jogador pega a carta do topo do baralho e, tendo assim duas cartas na mão, é obrigado a jogar uma delas e a cumprir com o seu efeito ainda que não o desejasse por o prejudicar. 

A vez passa ao jogador seguinte que deverá igualmente pegar a carta do topo do monte e jogar uma das duas que tem. Deste modo os jogadores têm sempre uma carta na mão e aquando da sua escolha têm sempre duas cartas para optar. Quem for eliminado prematuramente devido ao efeito de alguma carta, fica sem jogar até ao fim dessa ronda. Quando o monte de cartas termina, se ainda prevalecer mais do que um jogador, os resistentes mostram a sua carta vencendo o número mais elevado, reinvidicando assim o direito ao token, prova de que a princesa escolheu e leu a sua carta e gradualmente vai favorecendo a sua corte. 

O truque está no momento certo para aplicar cada carta, e em deduzir as cartas que ainda não saíram, estimando qual a probabilidade para cada uma. Sabendo de antemão que existem 16 cartas, com números de 1 a 8, e sabendo a quantidade existente de cada uma, a partir de determinada altura em cada ronda pode-se deduzir com pequena margem de erro as cartas envolvidas nas situações despoletadas.

As cartas com o número mais elevado são as melhores para garantir a vitória no final de cada ronda. No entanto são mais escassas e são mais difíceis e perigosas de manter. O ideal é ser bafejado pela sorte e conseguir deitar-lhes as gadanhas quando o monte estiver quase terminado. Temos por exemplo a carta da princesa com o número 8, que é única, mas no caso do jogador baixar a carta na mesa (forçado ou voluntariamente) é de imediato eliminado. A carta da condessa com o número 7, também peça única, não nos faz mal mas o jogador é forçado a baixá-la se a tiver na mão em simultâneo com o príncipe ou com o rei. Portanto, poderemos não as conseguir segurar até ao fim caso entremos na sua posse demasiado cedo. 

As cartas mais baixas são armas de assalto aos outros jogadores, com variados efeitos que cabe a cada qual decidir a melhor aplicação. No entanto podem revelar-se fatais no final da ronda por terem um valor inferior, e igualmente se for jogado o barão que obriga a uma comparação das cartas entre dois jogadores sendo que a mais baixa sai para fora. 

 

Conclusão: 

É uma distração com inegável mérito, que cativa petizes e graúdos, de mecânica simples mas engenhosa. É uma pepita para guardar e valorizar em qualquer coleção. É um título que mesmo quem não costume jogar nada é capaz de apreciar. Vamos lá pôr os pais e avôs a deitar uma cartada com os netos, pelo menos nas ocasiões festivas. Eles certamente agradecerão terem um ponto de contato que possam compartilhar com as gerações mais novas que pouco têm em comum com a deles. 

POSITIVO

A portabilidade dada as pequenas dimensões do jogo;

Preço acessível por um bom produto, 

Mecânica simples e interessante; 

Serve para várias idades, e para diferentes gostos; 

 
NEGATIVO: 

Limitação da escolha a somente duas cartas torna tudo algo linear para jogadores experientes; 

 

RECOMENDO.

Dou 16 de 1 a 20. 

 

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Love Letter

Mais uma review. 

Embora, vamos lá, todos a aumentar o compêndio do Abre o Jogo. 

Excelente

Excelente review. Bem estruturada, primorosamente escrita, de deliciosa leitura.

Tal como a carta que chega às mãos da princesa... irresistível,... tal como o jogo.

Parabéns Joca.

Love Letter - versões

A primeira versão, japonesa, vinha num pequeno envelope com as 16 cartas, sendo que quase em simultaneo foi publicada a versão da AEG de que falas:

        

... estive agora a ver, e muito devido ao sucesso que este pequeno jogo tem estado a ter, começam a aparecer várias edições nas mais variadas formas e feitios:

         

Quanto ao jogo, reconheço-lhe o mérito: é um jogo engraçado para o tempo que demora, mas para mim, apenas em pequenas doses. wink

Boa review

Excelente ... já estamos á espera da próxima review smiley

Este verão joguei algumas vezes o Love Letter na praia e foi sempre divertido, pois o jogo é giro tendo em consideração a sua simplicidade e que dá para todas as idades, no entanto concordo também que para jogadores experientes a escolha de uma carta em apenas duas é muito limitada, mas para os familiares que não são gamers será sempre uma boa opção.

Love Letter

Este jogo foi um imediato vicio! Jogámos desde a meia noite até às 08:30 da manhã! ahahah

Mas concordo com a parta da limitação, de facto agora quando jogamos torna-se tudo muito mais óbvio.

Mas não deixa de ser um jogo muito divertido! :)