Toscana

Retrato de Joca

Incrementando o portefólio do AoJ, rumo desta vez para títulos menos conhecidos ou mal amados pelos jogadores, mas ainda assim meritórios de uma análise, ainda que mais sintética. Encaixa neste perfil o trabalho de Niek Neuwahl, com o seu Toscana de 2001, edição da Platnik.   

  É um jogo em exclusivo para dois jogadores, num choque de 15 minutos, distribuídos por duas partidas.

  Confesso que a primeira vez que joguei fiquei mal impressionado, remanescendo o vislumbre de um jogo entediante e de mecânica rude. Nem sequer terminei as duas partidas, e não voltei a pegá-lo nos dois anos seguintes. Mas isto é o que dá arrumar com um jogo precipitadamente.

  É verdade que a sua cotação no BGG não abona a seu favor, ocupando por esta altura a paupérrima posição 6228! Mas devo dizer que já tive oportunidade de conhecer títulos bem melhor classificados que me são menos apelativos mesmo após diversas partidas executadas.

 

  Toscana em si, é uma belíssima região italiana, a maior e mais povoada inclusive, cuja capital é Florença, coração do renascentismo, e isto é indubitavelmente um ótimo mote para qualquer jogo.

 

  Em Toscana, os jogadores focam-se no panorama aéreo das povoações, nomeadamente nas suas caraterísticas paisagens onde sobressaiem os telhados entremeados pelo recorte de linhas brancas, efeito oriundo das ruelas labirínticas que povoam as localidades. 

 

  Eis que os dois jogadores encontram-se num embate calculista pelo domínio do tabuleiro, procurando um jogador colocar as peças de modo a que os telhados se sobreponham às ruas e o outro jogador orientando as  

suas peças para que as ruas dominem a    

paisagem relativamente aos telhados.

O jogador que no final de cada uma das partidas tiver a sua facção com maior prevalência irá marcar um ponto. Na segunda partida o jogo repete-se, invertendo somente os papeis para os jogadores, entre telhados e ruas. 

  

O tabuleiro de jogo é um quadrado, dividido em 17X17, As peças de jogo são retângulos de 2X8, com desenhos de rua e telhado.

Cada jogador começa a partida com 16 peças.

O jogador com os telhados a seu encargo tem peças maioritariamente com desenho de telhado, cobrindo seis das oito quadrículas de cada peça, sendo que as restantes duas têm rua. Em situação inversa, o jogador das ruas tem peças com seis imagens de rua e somente duas com telhados.

Ambos os jogadores formam uma pilha com as suas peças, com as faces voltadas para cima, e à vez cada um joga a peça que se encontra no topo. Cada peça colocada (exceto a primeira que é predestinada ao centro do tabuleiro) tem que ter pelo menos a linha de um quadrado (telhado ou rua, consoante o jogador que coloca a peça) a tocar com a linha de um quadrado do mesmo tipo, de uma peça que já esteja no tabuleiro. Ou seja, cada jogador vai procurar colocar peças de modo a criar uma zona cada vez maior com o seu tipo de desenho. Para ser considerada a mesma zona, o desenho tem que ter sempre continuação através de quadrículas contíguas iguais.        

No caso acima, as ruas têm ligação a todas as peças exceto à que se encontra no canto superior direito, pois a quadrícula de rua mais em baixo dessa peça apenas se liga à sua congénere através do canto inferior esquerdo, o que para efeitos de continuidade não é válido. 

Assim, nestas peças o jogador das ruas somaria no final da partida um ponto por cada peça em que haja pelo menos uma quadrícula ligada às demais, pelo que totalizava já aqui 9 pontos. O jogador dos telhados totaliza neste exemplo somente 6 pontos. 

No entanto, só a zona do mesmo tipo com maior quantidade de peças ligadas no tabuleiro final dá pontuação ao seu jogador, pelo que se houver duas ou três grandes zonas mas que não estejam ligadas entre si, somente a maior irá facultar pontos ficando as demais inutilizadas.  

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Toscana

Mais uma review para a coleção do AoJ. 

Que se sigam mais.

Excelente review

Excelente review ... de um jogo que não acho nada de extraordinário.

Talvez por ser muito abstracto ? ou muito táctico ? ou muito simples ? não sei ... o que eu sei é que reviews destas são muito bem vindas ao AoJ yes

Venham mais.

Boa review

Gostei de ler esta review que me despertou também por ver uma imagem real de uma zona que gosto muito. smiley

Quanto ao jogo, nunca o joguei e não creio que faça o meu género. No entanto, se surgir a oportunidade não direi que não! surprise

Obrigado por mais esta review yes

Venham mais destas...

Boas!

 

Realmente, um grande obrigado pela review, não só porque estas fazem falta ao Abreojogo, como também por teres oferecido uma viagem guiada ao jogo, o qual parece bastante básico, ainda que interessante, se bem que de toscana, talvez só o estilo dos telhados, ou até nem isso... Se se chamasse Algarve seria a mesma coisa!

Este é um jogo do qual apenas sabia que se pode encontrar baratíssimo (já o vi a menos de €5 a estrear) e que o ranking não o abona muito. Na verdade, o nome sempre me agradou, mas nunca o comprei com receio de ser mais um empata estantes; assim talvez o experimente, gostei da imagem da edição da Philos, contudo, creio que se trate mais de aparência do que propriamente de um acréscimo à jogabilidade, ou seja, bonito, mas cheio de detrito visual, pelo que a comprar será a original.

Há muitos jogos deste estilo e um tabuleiro com este aspeto não deve ter abonado muito, mas gostei da tua descrição do jogo, que me parece de uma simplicidade que roça o infantil, não deixando de prometer alguma profundidade, ainda que em 15 minutos, pelo que deverá ser apelativo para malta menos habituada aos boardgames.

Convenceste-me!

Faz mais destas ;)

Ricardo Jorge Gomes