Boomtown

Retrato de Joca

Eis um jogo explosivo de Bruno Cathala e Bruno Faidutti de 2004. Não é um Soprano mas definitivamente desencrava o tempo a quem joga.

Boomtown não deve propriamente o nome a algum tipo de material volátil mas sim ao rápido crescimento que se verificava nas povoações recém surgidas no velho oeste norte-americano aquando da febre do ouro.

Todos querem a sua cota de ouro e riqueza.    

As cidades em Boomtown testemunham uma desenfreada corrida pela obtenção das melhores minas, não menosprezando o impacto económico de se estar representado nos lugares de poder. Nada melhor numa cidade em franco crescimento do que ser o prefeito dessa povoação. As vantagens saltam à vista... e nos bolsos. 

Este "Fairplay à la Carte Winner" em 2005 debita-se em 30 minutos, podendo ser jogado desde 3 até 5 pessoas. É um filler sem downtime, lê-se as regras em pouco tempo, é simples, rápido e viciante. O preço também é convidativo.

A interação entre jogadores é elevada, isto para quem agrade esta particularidade.  

A diversão também é amiúde. 

                              

A grande fatia da ação gira à volta das licitações nos leilões para obtenção das melhores minas ou privilégios.

A cada ronda são colocadas voltadas para cima tantas cartas do baralho quantos os jogadores participantes. Irá então decorrer um leilão para o direito de ser o primeiro a escolher uma das cartas a prémio, e claro, a mais interessante. Uma das caraterísticas que dá charme a esta obra, é que o valor da maior licitação não vai para o banco ou para um determinado jogador. O numerário é entregue ao jogador à direita do maior licitador. Este por sua vez, arrebata metade desse valor para si, e entrega a metade remanescente ao jogador à sua direita, e assim por diante até o valor estar distribuído fraternalmente. O maior licitador escolhe então a carta que pretende, e o direito de opção segue em sentido horário. Assim, o último jogador a recolher uma carta já não irá ter qualquer escolha tendo que ficar com a sobra, mas em compensação recebe a fatia de leão do valor da licitação. 

Torna-se premente um controlo do valor máximo que se deve licitar consoante o que está presente em cada leilão, pois por vezes ser o primeiro ou o segundo a escolher é quase igual dado o valor equitativo da oferta. Noutras ocasiões é satisfatório ser o último a escolher de modo a receber metade dum valor exacerbado resultante da loucura desmedida dos adversários, pois é ouro que fica logo no bolso. Em poupar está o ganho. 

    Após cada jogador escolher a sua carta e a colocar à sua frente, o maior licitador lança os dois dados. O valor da soma de ambos irá dar o número das minas que irão produzir ouro nesta ronda. Aqui há alguma jogabilidade deixada à mercê da sorte dos dados, algo que não agrada a muitos gamers, mas parece-me que neste caso faculta algum do entusiasmo próprio do tema, pois a atividade da mineração de ouro não era certa, sofrendo um pouco das vicissitudes do acaso. Ainda assim os jogadores podem procurar mitigar um pouco a sorte diversificando entre minas com números diferentes e apostando naquelas que têm maior probabilidade de sair, como se verifica na desigualdade entre o 8 e o 2. 

No acaso da mina representada na imagem em cima, esta produz se sair 4 na soma dos dois dados. Nesse caso iria enriquecer o seu proprietário com 3 novas pepitas reluzentes, tal como se pode verificar no canto superior direito da carta. 

As minas também se enquadram em diferentes cidades. Esta pertence a Coyote City, melhor identificada como sendo uma mina vermelha. 

O primeiro jogador a deter pelo menos duas minas na mesma cidade torna-se prefeito da mesma. Quando um adversário adquirir uma mina pertencente a uma cidade da qual o jogador é prefeito, o adversário tem que pagar. 

 

Tudo isto é a parte legal do processo. Falta referir a parte ocluída à lei, a ufana arte de vencer a todo o custo.

Eis a cidade dos sete pecados.

Aqui rouba-se o ouro dos adversários, dinamita-se as minas alheias, detém-se casas de prostituição, álcool e jogos ilícitos tudo visando o pérfido mas essencial lucro, aqui um prefeito anseia por mais poder aspirando ser governador, até é permitido tomar o pulso do destino alterando aquele dado que não saiu com o número pretendido. A devassa é total no intuito de obter fortuna, só ao alcance do mais estóico dos homens. 

 

Boomtown é essencialmente um jogo de cartas com leilão divertido e rápido, com muita interatividade, e uma longevidade acentudada pois cada jogo é sempre diferente. Jogam miúdos e graúdos, explica-se bem a novatos, deixa vontade de voltar a jogar. 

Não será um Soprano, mas leva daqui um sopro de 16 em 20. 

                         

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Review de Boomtown

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Boom!

Mais uma boa review de um daqueles jogos do "armário", isto é, daqueles jogos que já me passaram pelas vistas muitas vezes mas que nunca joguei, não sabia do que constava nem nunca me tinha despertado interesse. yes

Sendo um jogo de menos 1h, é mais um jogo que se me aparecer na mesa terei todo o gosto em o experimentar.