The Mind

Retrato de Abruk

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Sinopse:

The Mind é um jogo cooperativo onde os jogadores vão descartar por ordem crescente, no centro da mesa, as suas cartas numeradas. A particularidade original do jogo é que ninguém pode falar. Para ganhar o jogo é necessário ter sucesso ao longo de vários níveis sem perder todas as suas vidas.
 

Como se joga:

⇒ Setup

No centro da mesa colocam-se cartas de níveis com o 1 no topo e o 8,10 ou 12 na base (difere devido ao número de jogadores), cartas de vida e cartas de estrelas em função do (também diferente em função do número de jogadores):

  • 2 jogadores: 12 níveis, 2 vidas e 1 estrela
  • 3 jogadores: 10 níveis, 3 vidas e 1 estrela
  • 4 jogadores: 8 níveis, 4 vidas e 1 estrela

Baralham-se as 100 cartas numeradas de 1 a 100 e distribuem-se a cada jogador tantas cartas como o número do presente nível, ou seja, no primeiro nível distribui-se  1 carta a cada jogador, no segundo nível 2 cartas e assim sucessivamente.

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⇒ Desenvolvimento

Depois de todos os jogadores terem as suas cartas e as organizarem como desejarem na sua mão, colocam uma das mão sobre a mesa para indicarem aos outros jogadores que estão prontos para começar.

Quando todos tiverem as suas mãos sobre a mesa estão prontos para começar! Todos as retiram em simultâneo e começa o jogo.

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O objetivo é todos os jogadores descartarem as suas cartas, com o número voltado para cima, de forma a criar um monte de cartas numeradas por ordem ascendente sem que ninguém fale, mostre as suas cartas ou faça sinais secretos que indiciem o número que têm.

Se todos conseguirem descartas as suas cartas por ordem ascendente, conseguem passar o nível. Retira-se a carta de nível do topo desse monte e ficará visível o nível seguinte. Uma nova ronda começa, baralhando-se todas as cartas de número e distribuindo-se tantas cartas como o número do novo nível.

Há níveis que, quando ultrapassados, dão cartas de vida ou cartas de estrela (2, 3, 5, 6, 8 e 9).

Cartas de estrela

Os jogadores podem, unanimemente, concordar em usar o poder de uma carta de estrela, para isso, durante uma partida, todos os jogadores por iniciativa própria podem levantar o braço e pausar o jogo. Em seguida, todos descartam a sua carta de valor mais baixo. O jogo prossegue normalmente. Todos colocam a mão sobre a mesa e em simultâneo levantam-na para continuar. Se pelo menos 1 jogador não levantar a mão, esta ação não se pode realizar.

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⇒ Fim do jogo

O jogo termina se os jogadores conseguirem ultrapassar a carta do último nível.

Avaliação:

O jogo The Mind é um pequeno jogo de cartas lançado por uma editora que já começa a criar reputação nesta gama de jogos (Habe FertigQwintoQwixx…). A confirmação desta presunção é a mais recente nomeação para os finalista do Spiel des Jahres 2018.

The Mind é um daqueles jogos muito simples em que os jogadores não podem falar, mas têm de se coordenar para descartarem as suas cartas de forma sincronizada e por ordem crescente. Em termos de produção estamos perante um jogo de cartas de boa qualidade que vem numa caixa pequena de cartão resistente. A ilustração não é nada de especial mas também não se pode dizer que é feia, mas na verdade a ilustração neste jogo nunca seria nada a ter muito em conta, o que conta neste jogo é a produção da experiência de jogo, o meta-jogo como alguns denominam toda a experiência em torno do jogo que provém da ação de o jogar. Nisso The Mind arrasa. É uma fascinante experiência de silêncio lúdico!

Por tudo o que já escrevi e pelo preço (cerca de 10€) não hesitem em comprá-lo, não se irão arrepender!

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Excelente

Excelente resenha, como é habitual Carlos.

O jogo é surpreendentemente original. Só pela ideia, tão simples, vale o mérito que lhe é reconhecido.

Muito simples

Estou completamente de acordo.

Jogo muito simples e, se jogado com o grupo certo (como acontece com, se não todos, a maioria dos jogos) pode proporcionar excelentes momentos (foi o que me aconteceu quando o joguei) yes

Obrigado Eduardo.

Obrigado Eduardo.

A cumprir

A cumprir as regras do jogo, designadamente a impossibilidade de se trocar palavras entre os jogadores, não colocará em causa um dos principais objetivos dos jogos de tabuleiro, e que é o de promover e reforçar as relações sociais? Não vejo como se possa alcançar esse desiderato mantendo todos os intervenientes em silêncio. Por isso, e por mim, este é um "jogo" que não pretendo experimentar.

A ideia do jogo não me seduz,

A ideia do jogo não me seduz, mas não trocar palavras enquanto se joga um filler de 15 minutos, e note-se, não trocar palavras enquanto temos cartas na mão, em nada contraria o espírito dos jogos de tabuleiro.

Até porque, se percebi bem como funciona, este jogo presta-se potencialmente para grande galhofa entre rondas.

Eu

Não coloco em causa a forma como se possa jogar este jogo; o que aponto é a mecância em que o mesma se desenvolve, isto é, de que os jogadores não podem falar entre si. Fosse um jogo solitário, muito bem. Mas sendo um "jogo" de grupo, bem, não entendo. Aliás, esta regra de silêncio é o elemento essencial do jogo, daí o título, pelo que, não interessará se o tempo estimado é de 15 ou mais minutos, ou se os jogadores falam nos invervalos ou não. Trata-se de ser o próprio jogo a colocar pessoas a cooperarem no sentido de alcançarem um objetivo comum, mas sem falarem. E, isso, mais uma vez, faz-me muita confusão. 

Mas sublinho: a minha opinião apenas pretende refletir uma perspetiva (pessoal) que, muito certamente, não foi sequer ponderada pelos criadores do jogo; e seguramente por quem o joga. Trata-se, sim, de uma posição pessoal, pois acredito firmemente que os jogos de tabuleiro apenas fazem sentido (para mim) se visarem promover relações sociais (Sempre com exceção dos jogos solitários, naturalmente).

Acho que não faz sentido

Acho que não faz sentido dizer que este jogo não promove relações sociais.

Este jogo implica que um grupo de pessoas se junte à volta de uma mesa. Logo por aí já há uma relação social, transversal a todos os jogos de tabuleiro independentemente das mecânicas particulares de cada jogo.

A própria mecânica principal deste jogo promove uma interação. Não é verbal mas existe.

Estás na segunda ronda e tens um 22 e um 70 na mão.

Observas os outros. Alguém terá uma carta inferior ao 22... mas passam 10 segundos e ninguém joga. Observas as expressões faciais dos outros. Jogo o 22?? Mas 22 é alto, de certeza que alguém tem uma carta inferior... Ao fim de meio minuto resolves e jogas a carta. Desgraça, existiam um 14 e um 19.

Imediatamente começa a discussão: Então jogas um 22??? Estás a dormir ou quê? E tu, tens um 14 e não avanças? E por aí fora. Não vejo onde se possa dizer que isto não é uma interação social.

Por acaso quanto mais penso nisto mais vontade tenho de experimentar o jogo.

Nada como experimentar

Para criticar um jogo nada como experimentar. À partida, podemos pelas regras, pelo tema, pelas mecanicas, etc ter uma noção de se vamos ou não gostar. Mas, depois, na prática, por vezes quando se experimenta não é bem como imaginávamos. Quantas vezes já joguei um jogo que tinha tudo para ser excelente e depois não correspondeu? Várias vezes! E quantas vezes já joguei um jogo a pensar que iria perder o meu tempo e no final me ter sentido satisfeito por ter experimentado? Várias vezes!

 

No me caso, o The Mind, foi uma bonita experiência. Ainda me faz "sentir bem" só de pensar nas emoções que se seguiam a mais um nível passado com grande incerteza! Bons momentos com excelente companhia!

 

Sim

Em muitas situações, não há nada como experimentar. Mas, neste caso, e para mim, não. E, note-se, em momento algum critico a qualidade do jogo, pois não o joguei, não sei se é bom no seu propósito - seja ele qual for - ou não. Critico o espírito do mesmo. Para mim, que gosto de jogar com pessoas, falando com elas, interagindo, etc, o silêncio como regra é uma barreira intransponível e desnecessária. E foi só isso que disse.

Dito

6 nimmt! vs The Game vs The Mind

   

Já joguei várias vezes o 6 nimmt! online, e recentemente joguei The Game na RiaCon e já vi videos de partidas The Mind.

Quando estava a jogar The Game veio à conversa o jogo The Mind, e com certos ajustamentos poderiamos jogar o The Game usando as cartas the Mind e vice-versa (embora os ajustamentos seriam maiores com as cartas da The Game, porque tinhamos de adicionar cartas dos vários niveis The Mind, embora as cartas de niveis sejam bastante irrelevantes e com uma summary sheet facilmente conseguia substituir isso).

Mas à outros jogo chamado 6 nimmt! (talvez haja mais jogos) que sem muita dificuldade poderiamos jogar qualquer uns dos jogos que referi antes, mas por exemplo nenhum dos 2 jogos poderiamos jogar 6 nimmt!. Pessoalmente não vejo adicionar Game & Mind para a minha colecção tendo em mente que sem muita dificuldade poderia adaptar as regras desses jogos com os compomentes do 6 nimmt! e praticamente pelo mesmo preço ou até mais baixo.

Pois

Ontem joguei o The Mind com um baralho de 6nimmt!. Só precisei das regras do The Mind e de um tracker de rondas, vidas e estrelas, que encontrei com facilidade no BGG: https://boardgamegeek.com/filepage/161310/player-aid-use-1-100-cards-such-game

Quanto ao jogo em si, é uma experiência interessante. Não acho que tenha falta interacção social. Há muito gesto e olhar para ler, nem toda a interacção se resume a falar (até há jogos em que o silêncio diz muito...).

Para o tempo que demora, com as regras simples que tem, pelo preço que custa... Acho que vale a pena ser experimentado e aconselho todos a fazê-lo - nem que seja para poderem dizer mal da experiência. :D

Boa

Boa Dica:

https://boardgamegeek.com/filepage/161310/player-aid-use-1-100-cards-such-game

Em relação ao jogo acho que pode ser uma boa experiência e facil de ensinar a quem não joga jogos de tabuleiro. A parte do silêncio não me incomoda e penso que não tira interação aos jogadores. 

6 Nimmt > The Mind + The Game + Fugitive

Antes de mais agradeço ao Abruk por mais uma revisão interessante e bem escrita!

É surpreendente como um jogo cooperativo com regras tão simples e baseado na comunicação não verbal/silêncio lúdico funciona tão bem.

A experiência de jogar um nível inteiro de 20 ou mais cartas consecutivas com 15/16/17, 44/45 e 99/100 é como experimentar um truque de magia ao vivo na primeira pessoa e da lugar a hi5 de grupo. Torna a interação do grupo muito social ao ter atingido o sucesso em comum, nem que se perca no nível seguinte. De um filler não se pode pedir mais.

Quanto ao 6Nimmt é o baralho mais útil e mais jogado  que tenho pois para além do próprio jogo permite jogar The Game, The Mind e Fugitive. Uma aquisição fantástica para qualquer coleção.

As cartas do The Mind são interessantes e as do Fugitive e componentes uma mais valia, mas pelo valor jogabilidade e portabilidade não se arranja muito melhor que um baralho de 6Nimmt! - eventualmente o XNimmt seja ainda mais versátil pois também dá para jogar o 6Nimmt (mas quem já tiver o 6 só precisa de imprimir 7 cartas que nem se baralham ;)

Obrigado!

Obrigado!