L.A.M.A.

Retrato de Abruk

Sinopse:

Jogo de cartas onde o objetivo é descartá-las e assim evitar os discos de pontos negativos. O primeiro a chegar aos 40 pontos negativos determina o final da partida e dá a vitória a quem tiver menos pontos nesse momento.

Como se joga:

⇒ Setup

No início da partida baralham-se as cartas e distribuem-se 6 a cada jogador. Com as cartas restantes forma-se um baralho de bisca no centro da mesa. Revela-se a carta do topo do baralho formando um monte de descarte.

Ao lado do baralho colocam-se as fichas brancas e pretas.

Começa o jogador mais jovem.

⇒ Desenvolvimento

No seu turno os jogadores podem executar uma das seguintes opções:

  1. Jogar uma carta da mão;
  2. Biscar uma carta do baralho de bisca;
  3. Desistir.

1 – Para jogar uma carta da mão é preciso que essa carta seja do mesmo número da carta que está no topo do baralho de descarte OU um número superior.

A seguir ao número 1 pode colocar-se outra carta de número 1 ou uma de número 2, e assim sucessivamente com os outros números. Sobre uma carta número 6 joga-se outra número 6 ou uma carta de lama. A seguir a uma carta de lama pode colocar-se outra carta de lama ou uma carta número 1.

2 – Em alternativa a jogar uma carta da mão, os jogadores podem biscar uma carta do topo do baralho de bisca. Se o baralho se esgotar, não se forma novo baralho nesta ronda, por isso, esta ação deixa de estar disponível para os jogadores até a ronda seguinte.

3 – A qualquer altura do jogo, na sua vez, os jogadores podem sair do jogo, desistindo de jogar nessa ronda. Se apenas um jogador ficar em jogo, ele pode continuar a tentar descartar as suas cartas, no entanto, não poderá usar mais a ação de biscar do baralho de bisca.

Image rmarkworth

⇒ Fim do jogo 

O jogo termina quando um jogador ficar sem cartas na mão OU todos os jogadores tiverem desistido da ronda.

Em seguida contam-se os pontos negativos. Os pontos negativos são atribuídos a cada jogador em forma de fichas (branca valem 1 ponto negativo, pretas valem 10 pontos negativos). Procede-se da seguinte forma:

  • Cada carta vale o seu valor em pontos negativos, mas cartas com o mesmo valor só se contam uma vez, ou seja, no caso de ter duas cartas de valor 5 e três de valor 6, o jogador recebe 11 pontos negativos e não 22 pontos negativos – [(5+5)+(6+6+6)=11].
  • Cada carta de lama vale 10 pontos negativos. Várias cartas de lama valem apenas 10 pontos negativos, à semelhança das outras cartas.

Image AMIGO

Quando um jogador consegue terminar a ronda sem nenhuma carta, tem o privilégio de entregar uma das suas fichas de pontos negativos para a reserva, obviamente, que se tiver fichas pretas, poderá e deverá entregar uma dessas.

Se no final da contagem nenhum jogador tiver alcançado os 40 pontos, dá-se início a uma nova ronda. Caso contrário, o jogo termina e ganha quem tiver menos pontos negativos. Em caso de empate, ganham todos os empatados.

⇒ Nova ronda

Distribuem-se 6 cartas a cada jogador. Forma-se um baralho de bisca no centro da mesa e revela-se a carta do topo para formar o monte de descarte. Começa o jogador que jogou a última carta na ronda anterior.

Avaliação:

LAMA é um jogo de cartas extremamente simples, mas com uma ideia cativante.

56 cartas, 70 discos plásticos em preto e em branco, uma folha de regra et voilá. Apresenta-se assim o material que vem dentro da carismática caixa retangular da Amigo Spiele.

A editora alemã quase todos os anos consegue lançar um jogo que atrai as atenções de quem gosta dos jogos de cartas. Nuns anos com mais intensidade do que noutros, mas sempre regular. Este ano, foi um desses anos em que conseguiu o feito de colocar um dos seus jogos no restrito lote de finalistas ao prémio alemão Spiele des Jahres.

O prémio alemão é o equivalente à liga dos campeões para jogos de tabuleiro, garantindo uma perspetiva de encaixe financeiro enorme, dada a penetração de mercado que consegue almejar aos nomeados. Embora não tenha ganho o título, esse foi para Just One, o simples facto de estar no lote dos três finalistas já vai permitir um encaixe financeiro bem significativo por via do fluxo de vendas que trará nos próximos meses.

Muitos duvidam da justiça desta nomeação. Será que o jogo merece mesmo tanto destaque? Na minha opinião sim. Embora desprovido de grande novidade, o Dr. Knizia voltou a criar um jogo que consegue colocar em redor da mesa todo o tipo de jogadores. Com uma ideia simples, rápido de explicar e rápido de se jogar, Lama não tem pretensões senão as de nos divertir e predispor-nos a jogá-lo compulsivamente. Todo um serão, ou tornar-se no nosso jogo-das-férias-de-2019, ou então o passatempo dos intervalos no trabalho…

LAMA é daqueles jogos que em qualquer altura se pode jogar, e não vos desejo mal nenhum se vos aconselhar a fazê-lo, e assim usufruirem do seu divertimento.

Estamos perante um jogo com todos os ingredientes para se tornar num clássico. Engenhosamente simples, simplesmente admirável.

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Finalmente

Finalmente, ao fim de muitos anos a tentar, o DR Knizia conseguiu criar um jogo que se tornará num clássico. devil

Ao contrário de ti Carlos, que fazes sempre reviews excelentes.

Não é por falta de

Não é por falta de tentativas... :D

Obrigado pela recensão. Estou

Obrigado pela recensão.

Estou sempre à procura de jogos de cartas simples para jogar com os miúdos e com malta que não conhece jogos modernos, pelo que o LAMA entrou no meu radar. Ainda para mais sendo do Knizia, autor de alguns dos meus jogos favoritos (Ra, Amun-Re ou High Society, por exemplo).

Mas, pelo que descreves, não é demasiado parecido com o Uno? O que é que te faz gostar dele, para além da simplicidade? Onde está o "twist"?

Viva!As semelhanças com o

Viva!

As semelhanças com o UNO (e já nem me lembro quando foi a última vez que o joguei!) quanto a mim são apenas no mecanismo de descartares uma carta. Não existe nada semelhante com o +2 e +4 do UNO e depois, muito diferente de UNO, é a possibilidade de saires de jogo, que te coloca sempre na posse da decisão do que queres fazer, não tens de te sujeitar à aleatoriedade de encontrares a carta certa para jogar com a cor ou o número que adversário da direita vai jogar antes de ficares sem cartas.

Depois o scoring também é interessante pois o facto de teres uma ronda menos conseguida não te coloca logo na inevitabilidade de o perderes, "só" tens de tentar ser um dos próximos a limpar a mão em primeiro e assim poderes descartar um disco (que pode até ser de 10 pontos negativos!)

No final das contas, pode ter alguns pontos em comum, sobretudo no dinamismo dos turnos, mas é suficientemente diferente para valer a pena experimentar (pelo menos). Mas é um filler, nada mais nem nada menos!

LODO

Fiz uma versão adaptada à empresa onde trabalho (chamei-lhe de LODO =), e tem feito sucesso sempre que se joga a acompanhar o café depois do almoço!
Tem funcionado muito bem independentemente do número de jogadores, com a dinâmica das rondas a mudar ligeiramente, como seria de esperar dada a mecânica do jogo e a quantidade limitada de cartas.
Apesar de ter ficado desiludido com os nomeados deste ano, parece-me merecida no caso do LAMA.

Concordo com a justiça da

Concordo com a justiça da nomeação vista à luz daquilo que julgo ser a génese da escolha dos finalistas.

O vencedor quanto a mim também foi bem escolhido, já joguei o Lama e o Just One e acho que o vencedor tem mais "durabilidade" que o Lama. Ambos precisam de configurações de 4 ou mais para serem verdadeiramente entretidos.