Age of Conan Online- Expansão The Rise of the God Slayer

Retrato de kabukiman

Há perto de um ano saiu a expansão para o jogo online do nosso bárbaro favorito, mas só agora tive a oportunidade de a jogar, por isso faço a review nesta altura.

A expansão introduz um novo território, o império de Khitai, inspirado na China. Howard já tinha apresentado algumas personagens e feito umas poucas referências (o nome vem do termo medieval Cathai que foi dado por Marco Polo, que por sua vez é a sua interpretação da palavra… Kithai, uma tribo das estepes que ocupou o norte da China, mas estou a divagar) mas pouco mais, mas com um modelo tão óbvio, os autores do jogo não tiveram que inventar muito.

Quem quiser, pode começar a criar uma personagem de Khitai, adicionando uma 4ª raça (aos stigios, cimérios e aquilónios). Temos mais uma vez imensas opções na criação física da personagem, podendo criar os diferentes grupos étnicos do extremo oriente a nosso bel-prazer (japoneses, chineses do sul, tailandeses, etc) com penteados característicos. Os nativos de Khitai têm certas limitações na escolha dos arquétipos: podem optar por Guardian, Dark Templar, Bear Shaman, Assassin, Ranger, Demonologist, Herald of Xotli and Necromancer (acho que as opções estão bem feitas e torna a raça mais equilibrada nas escolhas, dado que tem acesso a todos os arquétipos embora não às classes, o que é melhor do que sucedia com as outras raças a que não tínhamos acesso a todos os arquétipos).

De seguida temos que fazer os 20 níveis de Tortage. Nesta altura é completamente saturante voltar a fazer as quests todas do local. Terminado Tortage, se a nossa personagem for de Khitai, temos um objecto que nos permite teletransportar para a entrada da grande muralha que separa o império dos bárbaros, se não, temos de ir à Stigia, ir numa caravana, fazer uma quest pelo caminho que vai varianda (ir buscar água a um Oasis, matar um gigantesco verme estilo Dune, etc) e lá chegamos.

A entrada da muralha é uma zona de quests de nível 20-40, e para não variar algumas são bastante interessantes (ficamos a conhecer o sistema de facções e podemos apoiar algumas em detrimento de outras), mas dificilmente permitem chegar ao nível 40; teremos de alternar com outra zona. Ora para entramos dentro da muralha (e ter acesso ao império) é preciso ser de nível 80 (o topo), o que significa que se tem de abandonar a zona depois do nível 40 e ir para outro lado. Eu joguei com uma personagem da raça Khitai criada de raiz para fazer as quests iniciais, e depois retomei a minha personagem Stygia (que era já nível 76). Subi o mais depressa possível para o nível 80, ainda adoptei uma profissão, a de alquimista para fazer poções, mas estas são tão baratas vendidas nos mercados que não vale a pena perder tempo com isso, e depois rumei para Khitai. Fiz uma quest e depois entrei na grande muralha.

Na primeira província a que temos acessos (northern grassland) são-nos dadas informações adicionais sobre o estado político calamitoso do outrora próspero império: facção que se digladiam, um imperador que se intitula Deus, embora tenha ascendido de forma muito suspeita, corrupção, generais em guerra aberta, incursões de nómadas.

Temos de seguida 12 facções de que podemos escolher 6 (por cada facção que escolhemos, opõem-se outra razões por ideológicas e etológicas, uma espécie de Yin e Yang). Eu escolhi o círculo escarlate (feiticeiros cruéis que se opõem à last legion guerreiros abnegados), os Yellow Priests of Yun (os doutores Mengel do sítio que se opõem-se aos Children of Yag-Kosha uma espécie de AMI), os Tamarin Tiger (criadores de tigres e canibais nas horas vagas que se opõem aos Scholars of Cheng-Ho uns cultistas simpáticos que convocam criaturas ligas à lua), os Brittle Blade (assassinos que se opõem aos shadows of jade) e os Wolves of the Steppe que se opõem aos Hirkanianos (são ambos estilo mongóis, mas escolhi os primeiros porque montam lobos).

Vamos encontrando diversas personagens que nos vão fornecendo quests e temos as quests específicas das facções. Ora esta expansão vem corrigir um defeito gritante no jogo original. Digamos que neste escolhíamos um necromante, ou um sacerdote de Set, ou um invocador de demónios (tudo classes más, como eles não se cansam de repetir, caso não tenhamos percebido) e depois andamos a fazer quests… para acabar com a guerra, devolver a paz e prosperidade, ajudar gente pobre de forma desinteressada, e sobretudo ajudar o rei Conan contra o maléfico Thoth-Amon. É certo que havia uma ou outra quest maléfica, mas eram poucas e esparsas.

Com a expansão e as suas facções isso é corrigido. Existem facções boas e más (embora não se definam assim mas rapidamente nos apercebemos disso). Exemplos de quests: o circulo escarlate manda-nos roubar ossos de monges para fazer um golem, ou criar uma poção que transforma em lobo, damos a beber a um soldado da última legião que é transformado em lobo e depois este é caçado pelos antigos companheiros que julgam que ele matou o seu colega. Os priests of Yun mandam-nos dar poções a doentes terminais que lhes provocam sofrimento psicológico para estudar o momento da sua morte. Ou Wolves of the Steppe que soltam prisioneiros para os caçar como desportos. Acho que já perceberam a ideia… E fora das facções também podemos fazer bullying (ou ajudar) NPC’s noutras quests.

Bem, a ideia disto, é subir de grau (4 ao todo) dentro das facções adquirindo mais prestigio e material especial. Os tigres de Tamarin permitem criar e um dia montar tigres (isto demora tempo e quests, não é uma recompensa imediata pela progressão), o círculo escarlate tem um equipamento defensivo excelente para magos; enfim, cada facção tem as suas recompensas, favorecendo certas classes.

Ao cumprir as missões, recebemos Tokens que podem ser utilizados para comprar xp’s, material de melhor qualidade, poções, ou melhorar a nossa reputação numa facção.

Além do sistema de facção, existe outra recompensa oferecida. Para se entrar em Khitai como já disse, é preciso atingir o nível 80, e este é o topo sem ser possível subir mais. Mas foi criada uma nova árvore de skills, que dão novos poderes e capacidades, tornando a personagem mais poderosa.

O jogo continua a ser possível de progredir a solo, embora existam dungeons para grupos que como é habitual dão recompensas de material especial. Tenho pena de não poder jogar aí (não tenho tempo para escar 3 horas num raid, nem chego a criar laços com outros jogadores (e o LFG aqui é um bocado fraco).

Esteticamente: a zona contígua da muralha é uma estepe; a 1ª província a que temos acesso é composta por planícies e pântanos. São paisagens bonitas mas nada demais. As províncias seguintes têm paisagens muito melhores com florestas luxuriantes que estão ao nível do senhor dos anéis. Eu só explorei 2 provincias em 3 semanas de jogo (é certo que só consigo jogar 1 hora por dia), mas a área é enorme

As roupas das personagens continuam extremamente pobres do ponto de vista estético. Apenas alguns equipamentos de certas facções escapam da monotonia (como as dos brittle blade) mas nota-se que a empresa não liga nenhuma a esta componente do jogo (e imaginem o que seria possível fazer com os Quimonos e outras roupas orientais…).

A latência continua a ser irritante (sobretudo no meio dos combates).

Veredicto: Só vale a pena comprar se pretenderem jogar mesmo até ao nível 80 dado que a maior parte do conteúdo do jogo está vedado até ao topo (a menos que tenham uma necessidade desesperada por jogar uma delicada oriental). Mas para quem chegar aí, é uma bela adição.

O jogo continua adulto (no sentido de violento). Parece-me menos erótico (continuam a aparecer bordeis, mas não vi personagens despidas).

Existe uma guilda portuguesa, que é bastante prestável. Aliás, todo o pessoal dos servidores de PVE/PRG é-o normalmente. Pelo contrário o dos PVP’s continuam a ser mal afamados.

PS: Uma pergunta para jogadores de outros jogos: já viram algum em que os portugueses ponham nomes como “gandasmamas” ou “cheiodetesão” às suas personagens? Já joguei outros jogos e este é caso único…