Banca de patrocínios do Ricardo para o RPGénesis 2011

Retrato de Rick Danger

Conforme já anunciado na lista de patrocínios para o RPGénesis deste ano, eu estou a patrocinar o evento com três prémios diferentes:

Melhor "Jogo-Relâmpago"
Como mestre-jogo regular nos encontros mensais de roleplayers do Porto, todos os meses eu procuro RPGs para jogar cenários de uma só sessão nos quais qualquer pessoa possa entrar, mesmo que não tenha qualquer experiência, RPGs que sejam fáceis de preparar e não peçam muito tempo de sessão. Assim, comprometo-me a organizar uma sessão de teste em Setembro para o RPG que melhor se adequar a este formato e a dar feedback ao seu autor.

Melhor "Meta-Dragão"
O Dragão-Mestre ( http://dragaomestre.tumblr.com ) é um simples RPG numa folha A4 para um poderoso mestre-jogo e muitos jogadores. O seu sistema está disponível em licença aberta Creative Commons, ou seja, desde que a sua autoria seja atribuida a Ricardo Tavares, este sistema pode ser usado e alterado por qualquer pessoa para criar um RPG também gratuito e livremente licenciado. Assim, comprometo-me a premiar com um vale de 5$ da http://rpg.drivethrustuff.com/ o participante que criar a melhor adaptação das regras do Dragão-Mestre.

Melhor "RPG Do Outro Mundo"
Todos os RPGs são de outro mundo, mas alguns procuram mesmo quebrar as fronteiras das nossas expetativas propondo premissas e sistemas inesperados e estranhamente divertidos. Como autor do podcast Jogador-Sonhador ( http://jogadorsonhador.podbean.com/ ), eu procuro estar sempre atento a essas novidades. Assim, comprometo-me a oferecer um próximo episódio do Jogador-Sonhador ao autor do RPG que eu considerar mais criativo e inovador. O autor premiado fará parte deste episódio Do Outro Mundo e decidirá inteiramente o seu tema, convidados, formato, etc.

Neste tópico, vou responder a quaisquer questões que os participantes tenham sobre estes prémios. Aproveito também para explicar melhor os meus critérios:

Para o Melhor "Jogo-Relâmpago" é importante o quão pronto-a-jogar este RPG está. Isso não quer dizer que ganhe o RPG mais completo, mas sim aquele que me demore menos tempo a preparar para jogar uma sessão de duas a quatro horas num próximo encontro mensal. Neste tipo de sessão, tanto podem estar presentes pessoas com muita experiência como pessoas que nunca jogaram um RPG. Esta facilidade de jogar implica que o texto deste RPG seja agradável de ler e que tenha com ele o mínimo dos elementos necessários para jogar, nomeadamente fichas de personagens, tabelas de consulta, etc. Além de ser fácil de se jogar, este RPG também necessita de ser interessante o suficiente para motivar as pessoas a experimentar-lo, ou seja, não deve ser um jogo muito parecido com aquilo que já jogamos todas as semanas (ex:d20+modificador vs dificuldade para matar o monstro e pilhar a masmorra) mas também não pode ser tão diferente que demore muito tempo a explicar porque é que é interessante.

Para o Melhor "Meta-Dragão", o que conta é usar criativamente as regras muito simples do Dragão-Mestre para escrever um RPG que aproveite esta imensa autoridade que este pequeno sistema dá ao mestre-jogo. Estas regras podem ser adaptadas desde que esta simplicidade seja preservada e que o texto não tenha vergonha de assumir que está a pôr o jogo todo em cima dos ombros do mestre-jogo. Esta tendência premeditada para priveligiar o papel do mestre-jogo pode ser comentada abertamente no texto, levada para a brincadeira como o Dragão-Mestre faz ou tratada de uma forma séria, é como o autor preferir. Como as regras são minimalistas, é importante a ambientação (o possível setting) em que elas são integradas e a forma como elas são exploradas ao máximo pelo jogo. Seguindo a filosofia do Dragão-Mestre em aproveitar o espaço disponível numa folha A4, também é importante usar uma linguagem que vá direta ao assunto aproveitando bem a contagem de palavras que o texto tiver acima do mínimo das cinco mil, ou seja, uma prosa muito palavrosa ou repetitiva será penalizada.

Para o Melhor "RPG Do Outro Mundo" é necessário conhecer os ditames dos RPGs e estar disposto a ir além deles, ou seja, o que conta aqui é pegar nos clichés, dominar-los e assumir o risco de quebrar-los. Desde que o texto seja compreenssível e minimamente jogável, o seu autor é livre de pôr em causa todos os preconceitos que temos acerca dos RPGs, ou seja, a sua liberdade artística não serve de desculpa para escrever cinco mil vezes a palavra "abacaxi" ou inventar a sua própria linguagem que está para lá das nossas regras de ortografia. Tentando pensar "out-of-the-box", o texto deste RPG deve tentar ser inovador na sua proposta, forma e/ou conteúdo desafiando-nos a sair da nossa zona de conforto.

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Melhor Jogo-Relâmpago, Melhor RPG do Outro Mundo

É costume dizer-se nestas coisas que a escolha foi difícil, mas é mais uma vez verdade. Pondo de parte o patrocínio para o melhor Meta-Dragão-Mestre por falta de participação, escolher o melhor Jogo-Relâmpago e o melhor RPG do Outro Mundo foi um desafio considerável, pois em ambos os casos houve não só uma grande variedade de propostas, mas também não encontrei um RPG que cumprisse necessariamente com todos os critérios que anunciei previamente. Tive assim de decidir a que características dar prioridade para enfim dizer quais são os meus RPGs patrocinados.

 

E o melhor Jogo-Relâmpago do RPGénesis 2011 é...

"Metal Pesado" de Tiago Marinho!

Menções Honrosas para:
"EverDream" de Alexandre Draco
"Extinção" de Matheus Funfas

O texto de "Metal Pesado" é fácil de ler e sucinto, apresentando regras com ideias interessantes e uma ambientação curiosa que me inspira a experimentar jogar-lo. Nas regras, gosto de como os valores de 1 a 6 dos dados são divididos entre ataque, defesa e manobra antes de estes serem rolados. Na ambientação, gosto da ideia das armaduras alienígenas que se prestam a um jogo épico, confrontacional e explosivo. Penso que falta só assumir uma atitude mais heavy metal ao lonto do texto, deixando que este tema impregne ainda mais as regras e a ambientação para tornar este jogo em algo verdadeiramente único e divertido.

"EverDream" é o jogo mais bem explicado desta edição do RPGénesis, com uma criação de personagens bastante envolvente, regras apelativas e uma ambientação cheia de potencial. É, no entanto, um jogo demasiado grande para caber no tempo que tenho para preparar uma só sessão, não só porque os seus possíveis cenários merecem alguma elaboração, mas também porque não tenho a certeza se neste momento tenho os dados suficientes para o jogar. Entretanto, faço votos que o jogo venha a ter uma nome lusófono e uma ambientação específica dentro do tema onírico. Que tal um mundo estilo Matrix steampunk vitoriano com fadas e cachimbos de ópio em vez de agentes Smith e agulhas enfiadas na nuca?

Quero destacar também a proposta de "Extinção", pois apresenta um subtil apocalipse que é assustadoramente interessante e usa nas suas mecânicas um tema de bioritmos que sugere uma sintonia entre o mundo e as personagens. Apesar disso, parece-me que estas regras não estão ainda bem definidas e, tal como acontece também com outras participações no RPGénesis, as minhas questões com o sistema tornam mais difícil eu apreender este RPG no pouco tempo que tenho disponível para este patrocínio. Espero que este jogo continue a ser desenvolvido e que esta ideia dos bioritmos seja explorada e aproveitada ao máximo.

Conforme já anunciado, comprometo-me então a organizar uma sessão de teste em Setembro para o "Metal Pesado" e a dar o meu feedback ao Tiago Marinho.

 

Finalmente, o melhor RPG do Outro Mundo do RPGénesis 2011 é...

"Numis" de João Mariano!

Menções honrosas para:
"Pé na Estrada" de Rafael Rocha
"Memento Mori" de Cochise César

Todas as palavras de "Numis" estão posicionadas entre o nosso mundo real e o mundo ficcional em que o jogo se desenrola, criando um texto que não é fácil de escrever, mas que é muito cativante de se ler. Há também um tom pedagógico que parece querer usar este RPG no sentido de levar roleplayers jovens a discutirem entre si questões muito adultas. Gosto igualmente dos pergaminhos ritualísticos criados com as dobras do papel e os círculos traçados com as moedas. Tal como acontece com outras participações, as minhas maiores questões prendem-se com as regras em si, mas no "Numis" é notório um claro esforço de integração entre a ambientação e o sistema de jogo, mesmo apesar de os procedimentos apresentados não serem claros. Este jogo procura ser inovador não só no seu texto, mas também no seu tema e no seu uso ritualístico das moedas.

Lendo os primeiros parágrafos da introdução de "Pé na Estrada", comecei a preparar-me para atribuir este patrocínio ao Rafael Rocha. A ideia da shuffle playlist é fabulosa e criou em mim a expetativa de um jogo inteiramente baseado em scene resolution que permitisse ás músicas ficarem a tocar inundando cada cena com sexo, drogas e rock'n roll. Estaria também a contar que, tal como acontece com os RPGs que tentam usar cartas de Tarot, as músicas fizessem com que este jogo, ao contrário da maior parte dos RPGs, se tornasse menos numérico e mais acerca do significado e das sensações que estes temas produzem nos jogadores. No entanto, o "Pé na Estrada" não segue por este caminho mais arriscado e acaba por apresentar um sistema de som que salta de música em música como se a playlist pudesse quase ser substituída por um d20. Mesmo assim, é sem dúvida um dos melhores jogos do RPGénesis.

A proposta de "Memento Mori" é poderosa e impressionante. A simples ideia de uma ação que se desprende da sua personagem, toma vida própria e se volta contra ela é espetacular e cheia de potencial dramático. A alegoria musical sugerida pela introdução e pelos nomes dos capítulos é bem escolhida e os extensos exemplos apresentados tornam a leitura muito agradável. O que me parece faltar é mais algum texto que explique mesmo as regras e as suas implicações mais detalhadamente. Também me parece necessária alguma ambientação que sugira aos jogadores possíveis contextos onde possam criar personagens e ver a suas ações explodirem na sua cara.

Conforme anunciado, comprometo-me a oferecer um próximo episódio do Jogador-Sonhador ao autor do "Numis". O João Mariano fará parte deste episódio Do Outro Mundo e decidirá inteiramente o seu tema, convidados, formato, etc.

 

Obrigado a todos os participantes, foi um prazer ler os vossos RPGénesis.


Muito obrigado por

Muito obrigado por escolheres o Numis como o projeto merecedor do patrocínio "o melhor RPG do Outro Mundo". Contudo fiquei bastante surpreendido por este ter sido contemplado pois acho que deveria ter sido muito mais desenvolvido do que foi, mais até do que outras submissões deste ano. E existem outros bons este ano, alguns deles por ti mencionados e tudo.

No fundo, parabéns a todos!

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