Call of Cthulhu-Escuridão-Epílogo

Retrato de kabukiman

Jan e Bruno

Extracto de uma carta do presidente da comissão de investigação do incidente “Escola C+S D. João I” ao ministério do interior:

 

“… a que uma escola inteira desaparecesse por 2 horas já foi mau, mas que ela reaparecesse depois pulverizando os agentes que estavam no terreno, torna a situação ainda mais melindrosa. Nenhuma explicação consegue ser plausível, mas creio que a justificação apresentada, das mortes se terem dado devido a uma fuga de gás que atingiu a zona e que levou a uma alucinação colectiva dos locais está a ser repetida pela imprensa (embora alguns dos jornais mais sensacionalistas coloquem isso em causa); apesar dos riscos políticos óbvios, parece-nos esta a melhor solução (felizmente as pessoas que tiraram fotos tinham ficado na zona, de modo que foi fácil confiscar-lhes as máquinas).

O balanço é assim de 356 mortos, 56 desaparecidos (2 dos alunos tinham afinal faltado às aulas para ir a um salão de jogos, e uma aluna para se encontrar com o namorado às escondidas) e 43 sobreviventes. O testemunho destes pouco ajuda aliás.

Vou aliás transcrever partes do testemunho do chefe de operações (do segundo grupo, dado que o primeiro ficou emparedado no edifico), e dos relatórios das equipas de salvamento (o relatório completo está no anexo) que depois entraram no edifício, para Vª Excelência perceber melhor o quão estranha foi a situação.

Quando ao fim de uma hora a equipa entrou, pela porta da frente, os membros aperceberam-se em choque que o corredor principal (bem iluminado), estava repleto de cadáveres de alunos e professores, que estavam virados para dentro da escola como se tivessem tentado fugir; todos estes tinham estranhas marcas nos corpos (o gabinete de medicina legal ainda não conseguiu identificar o que poderá ter feito as marcas).

Um pouco mais à frente encontraram corpos de ratazanas esmagadas de grande tamanho; no entanto o que enervou mais a equipa, foi considerar que as ratazanas tinham feições quase humanas (o laboratório para onde foram enviadas ainda não emitiu qualquer conclusão sobre as ditas ratazanas). Várias das salas estavam cheias de corpos; 3 delas no entanto não tinham ninguém. A equipa B seguiu pelo corredor do piso 0, onde encontrou um grupo de sobreviventes na cantina; consistiam em uma funcionária e numa dúzia de alunos de idade entre os 11 e 13 anos. Estavam visivelmente em estado de choque, falando de fantasmas, e referiam-se a um dos funcionários (um cidadão de origem polaca chamado Jan Mickiewicz) como tendo ido embora com os fantasmas em paz. Este foi encontrado mais tarde em estado de coma (situação que continua a intrigar os médicos que dizem que não existir nenhum motivo físico para estar em morte cerebral; de qualquer modo terá de se tratar do seu repatriamento o mais rápido possível para o seu país, ou então desligar a máquina). De resto, nada mais encontraram nesse piso

 

Mas o pior seria reservado para a equipa A.

Esta foi subindo as escadas por cima dos cadáveres dos infelizes. Depararam-se com o mesmo espectáculo. Um pouco mais à frente, um dos membros da equipa notou que uma menina tinha o crânio esmagado, provavelmente por uma barra de ferro; era um padrão completamente diferente do que fora até então encontrado e implicava que houvera violência normal.

O piso 1 foi vasculhado e depois seguiram para o piso seguinte. Aí encontraram mais cadáveres e 2 turmas de sobreviventes; tinham-se fechado dentro da sala ao ouvir gritos dos pisos inferiores e deste modo passaram incólumes (mas não conseguem apresentar qualquer justificação para o sucedido). Finalmente a equipa seguiu para o último piso. Encontraram mais uma turma (nas mesmas condições do piso debaixo). O choque foi na sala que serve para guardar livros e material escolar histórico.

A sala estava iluminada com velas e um estranho símbolo estava desenhado no chão; também estava um livro antigo em alemão (Unaussprechlichen Kulten) que se pode traduzir por algo como cultos inomináveis, capítulos traduzidos para português e uma folha muito amarrotada, que era um extracto de um capítulo (fotocópia em anexo).

Aí encontraram-se 2 alunas e 3 alunos vivos e 5 alunas e 1 professora mortos e todos nus. As alunas mortas tinham sido degoladas, a professora tinha as mesmas marcas dos alunos do piso 0 (por estranho que pareça, as alunas foram aparentemente mortas antes de tudo ter começado e a professora morreu muito depois dos alunos dos pisos inferiores). Uma das alunas e 2 alunos estavam desmaiados e o casal desperto estava acordado e abraçado mas em estado de choque (ainda estão em estado de catatonia no hospital). A primeiro conclusão lógica a tirar, seria de que as 5 alunas teriam sido mortas pelos sobreviventes, mas o que vou relatar a seguir altera completamente as conclusões que se podem tirar.

Foram encontradas 5 ratazanas aí nessa sala. Uma investigação sobre a Professora (de nome Albertina), revelou que tivera uma filha que fora morta 30 anos antes. Tudo indicava que fora morta por 5 colegas, mas dado que estas pertenciam a famílias influentes, o assunto foi considerado um mero acidente e nenhuma medida disciplinar foi aplicada. A professora Albertina sofreu um esgotamento nervoso e foi colocada em horário 0 na biblioteca. Revelou-se que as 5 alunas mortas, eram filhas das 5 alunas que tinham sido acusadas de terem morto a filha da professora 30 anos antes. Mas o mais perturbador, foi que as 5 ratazanas tinham as feições dessas 5 alunas mortas.

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Retrato de kabukiman

 Joel 20 anos depois,

 Joel

20 anos depois, Planalto de Leng

O Xaman acabou de ler as entranhas do animal sacrificado e e lá murmurou as palavras que todos esperavam:

- Hypnos falou: o demónio Chaugnar Fagn está a dormir e não protegerá o seu maldito povo Tcho-Tcho. Hypnos sorrirá e irá velar se os Tcho-Tchos forem atacados pelas nossas tribos tribos.

Os chefes reunidos exclamaram de alivio: Chaugnar Fagn deveria ficar a dormir por 1 ou 2 anos, e isso seria mais que suficiente para esmagar a resistência dos odiosos Tcho-tchos. Com as suas armas ridiculas de pau e pedra, não tinham hipóteses contra as tribos humanas que possuiam o ferro. Terminariam os sacrificios humanos ao odioso deus Chaugnar (Hypnos pelo contrário não o exigia, apenas gostava que os seus seguidores consagrassem objectos belos no seu templo), e as suas cidades ficariam livres das incursões.

Urso, o grande chefe virou-se para Corvo e disse-lhe para preparar a sua tribo; esta era a segunda maior e faria um ataque de surpresa às tribos tcho-tcho do leste, o tempo suficiente para as entreter e para todas as outras tribos humanas e seus aliados esmagarem o núcleo central do inimigo. 

Urso não tinha a certeza que essas divindades efectivamente existissem, mas os povos supersticiosos acreditavam que sim, e não valia a pena contrariá-las; de qualquer modo já vira tanta coisa estranha que não se admirava com mais nada.

Urso ao ver todos os chefes reunidos podia estar satisfeito. Tivera imenso trabalho entre diplomacia, guerras e traições, para unir as tribos humanas e algumas tribos não humanas amigáveis. Mas valera a pena, pensava Urso, ao recordar o longo percurso que seguira desde que chegara como refugiado com umas dezenas de companheiros.

Urso que nessa longinqua época era conhecido como professor Joel.   

 

" Robot durante o dia, vegetal durante a noite"

 

 

" Robot durante o dia, vegetal durante a noite"