[tsoy] Primeira tentativa - jogo de teste

Este sábado, embora sem o grupo todo, os Índios (só quero anunciar que eu não escolhi o nome…) decidiram encontrar-se para fazer um pequeno teste ao TSoY, para aquecer os motores antes de vir a crónica “a sério”.
Entretanto já falei imenso com a Ana, o JMendes e o Ralek sobre isto e eles deram-me óptimas sugestões sobre como melhorar o jogo.

Os jogadores que me ajudem se isto tiver mal porque não tenho os apontamentos comigo hehe.

Criação de personagem
Como só eu conhecia o setting esta parte foi a mais difícil e morosa, mas chegados ao fim disto e com muitas sugestões a voar de um lado para o outro ficámos com isto:

Aveline (Éowyn): Ammenite, Humana
Dona de um bordel de escravos Zaru (raça escravizada pelos Ammenites) e outras coisas mais exóticas.
Keys:
Key of the Overlord
Your character owns other people or oversees the ownership of others. Gain 1 XP every time your character makes someone else do something against her will. Gain 3 XP every time your character makes someone else do something that causes harm, pain, or despair to that person. Buyoff: Free a person under your ownership or oversight.

Key of Renown
“You must be the worst assassin I’ve ever heard of.” “But you have heard of me.” You gain 1 XP whenever you see to it that your name and deeds are known, by bragging about them or making sure there are witnesses. You gain 2 XP whenever you put yourself at risk to do something unnecessary or foolish that will add to your reputation. You gain 5 XP whenever you risk your life to take credit for your actions (bragging that you were the one who killed the Duke’s son, for example.). Buyoff: Give someone else credit for an action that would increase your renown.

Duval (ricmadeira): Ammenite, Elfo
Capanga ao serviço da Aveline servindo de guarda costas e de caçador de escravos.
Keys:
Key of the Self
Your character is an elf, immortal and dedicated to the self. Gain 1 XP every time she ignores the request of another in order to fulfill her own goals. Gain 3 XP every time she ignores someone in need for herself. Buyoff: Become human. By either dying to save the life of another, or creating life, your character enters the Grey Age. All Elven Species Secrets and Keys, except Secret of the Polymath, are unusable.

Key of the House – A casa a que pretence a Aveline
Your character is a member of and dedicated to a House, one of the mercantile entities of Ammeni. Being a member of a House has great economic advantages, but requires much of a person. Gain 1 XP every time your character does something to benefit her House. Gain 2 XP every time she does something to benefit her house that causes her discomfort or inconvenience. Gain 5 XP every time she acts to benefit her House at the great risk of her body, reputation, or wealth. Buyoff: Act against the interests of one’s House.

O pessoal decidiu que seria fixe fazer história que girasse em torno da captura de escravos e outras espécies exóticas do mundo de Near para servirem de escravos sexuais no bordel.

Nota: quando começarmos a crónica a sério em vez de eu vez perguntar “sobre o que querem que seja a crónica” (tal como fiz aqui), vou-vos perguntar “o que é que está a acontecer com os vossos PCs agora”, estilo os Kickers de Sorcerer, assim a crónica começa logo no meio de acção iniciada por vocês e não por mim.

Jogo
O tempo de jogo em si foi muito curto, porque tivemos muito tempo a ver regras e a criar personagens.

Primeira cena:
Na primeira cena passa-se no bordel, sendo Ammenite um território extremamente pantanoso e que me faz pensar imenso no Mississipi e nessas terras todas pelos EUA cheias de escravatura e tal, pensei que Bordel podia ser num barco, tipo aqueles com umas pás enormes atrás muito antigos que costumavam andar precisamente pelo Mississipi.
Um homem muito gordo, rico e poderoso chamado Lord Perrier (sim tipo a água), encomendou 50 crianças Zaru para uma festa particular que ele ia fazer em sua casa para os seus amigos dentro de uma semana, em troca dava umas coisas à Aveline, mas o mais importante era que a iria recomendar a todos os seus colegas e círculos superiores da comunidade Ammenite.

A ideia aqui era ir à Key of Renown da Aveline, se ela cumprisse este pedido iria ter um bom motivo para usar esta Key a torto e a direito de futuro.

Segunda cena:
Sendo chulos muito competentes os PCs decidiram começar a angariação de criancinhas inocentes pelos mercados de escravos locais.
Primeiro role que fizemos, a Éowyn rolou o seu Appraisal para ver se arranjava alguma coisa.
Stakes: se ela tivesse sucesso conseguia arranjar 20 criancinhas inocentes, se falhasse também conseguia as criancinhas mas ia dar muita cana ao fazê-lo, pelo que seria provável que a sua concorrência fosse descobrir o contracto que ela tem em mãos.
Agora que penso nisso acho que Appraisal não seria a skill mais adequada a esse role, Smuggling seria mais apropriado hehe mas pronto, o chato foi que ela passou ao role e lá arranjou as criancinhas sem dar cana.

Enquanto isto acontecia decidi tentar dar um tiro no Duval. A Aveline tem vários irmãos e irmãs, todos eles em luta para serem os próximos chefes da casa, então pus um mensageiro deles a avisar o Duval que tinha havido uma reunião dos irmãos para discutir as actividades da Aveline e tinham concluído que estas poderiam ser um perigo para a casa. Sabendo que o Duval era fiel à casa (Key of house) pediram-lhe que de tempos a tempos os fosse informando sobre o que é que a irmã anda a fazer.
Em tempo recorde o Duval bufou tudo o que eles andavam ali a fazer, sobre o Lord Perrier, as criancinhas, foi uma festa de chibanço hehe, que valeu logo 1 XP para o ricmadeira.

A ideia com esta cena era meter a casa ao barulho, o Duval tinha a Key of the house e dai percebi logo que ele queria que a casa se envolvesse no jogo. Pelos comentários pós-sessão do ric, parece que bati com o martelo em cheio na cabeça do prego com esta.

Terceira cena:
Tendo esgotado os mercados os senhores chulos lançam-se a desbravar os pântanos em redor para descobrir uma aldeia Zaru que pudessem atacar.
Segundo role da sessão:
Duval rola Battle, se tiver sucesso eles entram pela aldeia com as suas tropas e pacificam aquilo tudo calmamente, se falhar ficam com uma revolta nas mãos.
Ele falha e decide fazer Bringing Down The Pain

Descrevi então o resultado, eles entram na aldeia e eis que surge um homem com cabelo todo vermelho e espetado e grita de espada em punho “abaixo os cães Ammenitas” e entramos em BDTP com um confronto entre o Duval e este tipo … que ficou sem nome até à data, se o Duval ganhasse ele dava uma lição ao tipo usando-o como exemplo para todos o que se tentassem revoltar, se o Tipo (t maiúsculo e tudo) ganhasse então o Duval e a casa dele sairiam da aldeia com humilhados por uma tribo Zaru.

Isto foi tudo errado, motivos:
O role inicial que foi sem oposição deveria ter sido com oposição, caso contrário não há BDTP para ninguém, o Tipo de cabelo vermelho não deveria ter sido introduzido a meio do conflito, a aparecer deveria ter feito parte dos stakes do role inicial. Exemplo: se falhares aparece um chefe dos Zaru rebeldes e desafia-te para um duelo.

De qualquer maneira houve tareia, muitas mudanças de intenções (algumas mal feitas porque não esperámos o turno que deveríamos) o que deu a oportunidade do ric tirar dali mais 5 XP da sua Key of the House e muitas acções paralelas com o pessoal a levar bué do harm e ir até broken, o ric ganhou o combate visto ele ter pontos de Vigor para gastar e o outro não.
Lembrei-me depois que o combate podia ter sido mais interessante se tivesse metido, por exemplo, a mulher do chefe a pedir clemência ao Duval pela vida do seu marido, seria uma boa oportunidade para apresentar um conflito paralelo e bater na Key of Self dele. Fica para a próxima

Entretanto como o combate estava a demorar muito, por motivos de sistema e outros, decidi atirar qualquer coisa para cima da Aveline, por isso meti lá um sub-chefe (como tal apenas tinhas metade do cabelo vermelho hehe) a tentar incitar o seu chefe para ganhar o combate e à revolta.

A Aveline rapidamente saca do seu chicote (+1 ou 2 [não me lembro] contra escravos) e quis pôr o gajo na linha.
Role: scrapping da Aveline (acho) contra o resist do sub-chefe, se ela ganhasse o gajo e a restante população amainava (o que dava mais um dado de bónus para futuros roles de controle de população), se perdesse o gajo parava o chicote de peito e a população fica mais emocionada (dado de penalidade para a mesma intenção).
Sucesso por um e a coisa ficou arrumada, recebendo XP pela Key of the Overlord. Depois tentou controlar a população e a coisa correu mal, uns quantos revoltaram-se e atacaram-na mais os seus guardas.
Novo role, desta vez ela queria usar os guardas treinados e bem armados para intimidar a população o que deu mais um de bónus (pelos guardas), falhou de novo, fizemos BDTP e três turnos depois de levarem dano consecutivamente os revoltosos desistiram e amainaram. Aqui fiz outro erro, porque os dados de bónus de cada guarda/revoltoso adicionavam para o guarda/revoltoso seguinte em vez de passar só um para o final deviam ter ido uns quatro.

Aqui não tenho bem a certeza de ter feito bem, porque estava a haver 2 conflitos que podiam ir dar à mesma intenção, revolta em grande escala da aldeia.

De qualquer maneira apesar de muito stress e roles de dados o pessoal ficou pacificado, as crianças foram levadas, mais um role para ver se eles levavam as crianças todas, tiveram sucesso, se tivessem falhado teriam deixado algumas escondidas para trás que podiam no futuro ir ter com eles à procura de vingança.

Saíram da aldeia com mais 15 crianças, fazendo um total de 35, com o chefe rebelde como escravos (este foi um pormenor da Aveline hehe) e com qualquer coisa como 8 e 7 XP para cada um.

Fim de jogo.

No geral gostei do jogo, acho que oleamos bem as coisas para na sessão da crónica a sério isto correr melhor. Espero pelo comentário dos jogadores no grupo onde perguntei o que acharam do sistema e do conteúdo das cenas, e que isto sirva de ajuda para outros.

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Alguns comentários sobre roles e stakes

Depois de lêr o texto todo, houve algo que apesar de parecer inconsequente me saltou bastante à vista:

redpisslegion escreveu:

o chato foi que ela passou ao role e lá arranjou as criancinhas sem dar cana

Num sistema com negociação de consequencias NUNCA há razão para o resultado de um roll dar algo chato. SEMPRE que acontece é por directo resultado de maus stakes iniciais. Sempre que a consequencia de um roll der algo que seja menos interessante, é preciso renegociar as consequencias desse roll. É preciso ter em conta que quem faz a negociação são os jogadores, e não os personagens. E o que é melhor para o personagem nem sempre é o que o jogador quer. Neste caso eu teria sugerido stakes do género: Se falhares, vais dar cana na tua angariação de criancinhas, se conseguires, vais descobrir uns rumores de um plot do Zaru underground para libertar uns escravos. There... stakes interessantes para ambos os lados que têm em conta as capacidades do personagem. Já agora, não tem que haver um plot Zaru pensado antes e se ela falhar o roll esse plot tambem nao precisa de existir. Esse plot (ou mais precisamente, o rumor de tal plot) só precisa de se materializar se ela conseguir o roll.

A segunda coisa que me saltou à vista foi a quantidade de fluff (fluff são cenas que são jogadas à mesa mas não têm consequencias). Esta cena:

redpisslegion escreveu:

Enquanto isto acontecia decidi tentar dar um tiro no Duval. A Aveline tem vários irmãos e irmãs, todos eles em luta para serem os próximos chefes da casa, então pus um mensageiro deles a avisar o Duval que tinha havido uma reunião dos irmãos para discutir as actividades da Aveline e tinham concluído que estas poderiam ser um perigo para a casa. Sabendo que o Duval era fiel à casa (Key of house) pediram-lhe que de tempos a tempos os fosse informando sobre o que é que a irmã anda a fazer.
Em tempo recorde o Duval bufou tudo o que eles andavam ali a fazer, sobre o Lord Perrier, as criancinhas, foi uma festa de chibanço hehe, que valeu logo 1 XP para o ricmadeira.

Para mim é total fluff. A ùnica razão para esta cena não ser fluff é a cena ter consequencias e se há consequencias DEVE haver um roll, para que o jogador tenha maneira de influenciar as consequencias. Vai haver repercussões desta cena em jogo? Tenho a certeza que sim, mas então porque é que não houve um roll? Porque é que foi o GM a determinar as consequencias desta cena? (se isto vos parece familiar é essa a minha intenção). Para mim, esta cena merecia um roll. Eu teria perguntado ao Ricardo qual era a intenção dele ao contar tudo. Conhecendo o Ricardo, provavelmente ele diria algo do género: "Arranjar complicações para a Raquel." Teria sugerido (note-se o sugerido, porque tudo isto deve ser negociado entre os jogadores) o seguinte roll:
Etiquette do Ricardo vs Sense Motive do SGC. Se ganhares, dás munição concreta aos irmãos para ir atrás da personagem da Raquel (e não precisas sequer de ser tu a determinar qual é essa munição. O meu approach preferido teria sido se o Ricardo ganhasse, virar-me para a Raquel e perguntar qual era a munição). No caso do Ricardo perder, ele teria dado munição ao irmãos para usar contra ELE (mais uma vez, podes virar-te para o Ricardo no caso de ele perder e perguntar-lhe o que é). Com um simples roll, muda-se uma cena de fluff, que a unica consequencia real foi 1 xp para o personagem do Ricardo, para uma cena com consequencias interessantes.

Ralek wrote: Depois de

Ralek escreveu:

Depois de lêr o texto todo, houve algo que apesar de parecer inconsequente me saltou bastante à vista:

redpisslegion escreveu:

o chato foi que ela passou ao role e lá arranjou as criancinhas sem dar cana

Num sistema com negociação de consequencias NUNCA há razão para o resultado de um roll dar algo chato.

Argh, minha brutal falha, o "chato" está ai apenas como comic relief, a cena não foi de todo chata e pelo que me pareceu acho que a Raquel gostou dos stakes (e eu também). Sinceramente acho que tenho que começar a avisar quando estou em modo de brincadeira para não gerar mais mal-compreensões deste género.

Ralek escreveu:

A ùnica razão para esta cena não ser fluff é a cena ter consequencias e se há consequencias DEVE haver um roll, para que o jogador tenha maneira de influenciar as consequencias.

Ok, fica registado, não tinha visto as coisas dessa maneira. Também fique tão atónito quando ele começou a desbobinar aquilo tudo achei que tinha ficado tudo resolvido, o gajo ia-se embora e usava o conhecimento deste negócio (munição) da Aveline para provocar X conflitos no futuro, mas sim teria sido mais interessante (e menos mão do GM) com um role e com a possibilidade do Duval se lixar perante a sua casa (à qual ele é bastante leal).

"the drunks of the Red-Piss Legion refuse to be vanquished"

Mais sobre stakes

RedPissLegion escreveu:

Argh, minha brutal falha, o "chato" está ai apenas como comic relief, a cena não foi de todo chata e pelo que me pareceu acho que a Raquel gostou dos stakes (e eu também). Sinceramente acho que tenho que começar a avisar quando estou em modo de brincadeira para não gerar mais mal-compreensões deste género.

Ok, mas então vou-te fazer uma pergunta, porque é que não foi chato? Para mim, os stakes usados traduzem-se em: Se conseguires não acontece nada, se falhares abrem-se complicações. Não acontecer nada é a minha definição de chato. Leia-se que ela conseguir ou não as criancinhas não estava em causa (visto ela consegui-las quer consiga quer falhe o roll). Portanto, ela conseguir o roll nesta situação não trás nada de novo.

Não vou dizer que é necessário que TODOS os stakes tragam algo de novo, mas de um modo geral tento evitar stakes "não acontece nada", sobretudo quando a situação ainda está bastante no inicio e é preciso criar contexto. Quando conversámos lembras-te de eu te dizer que tenho uma lista considerável de pequenas situações, descritas em poucas palavras sempre à mão? É exactamente para este tipo de stakes que elas servem.

RedPissLegion escreveu:

sim teria sido mais interessante (e menos mão do GM) com um role e com a possibilidade do Duval se lixar perante a sua casa (à qual ele é bastante leal).

Um à parte para dizer que isto foram meras sugestões. Há milhões de stakes possíveis para uma situação destas, daí a necessidade de os stakes serem negociados para que sejam interessantes para todos à mesa.

Ralek wrote: Portanto, ela

Ralek escreveu:

Portanto, ela conseguir o roll nesta situação não trás nada de novo. (...) Quando conversámos lembras-te de eu te dizer que tenho uma lista considerável de pequenas situações, descritas em poucas palavras sempre à mão? É exactamente para este tipo de stakes que elas servem.

Ah, agora vejo, percebo o que estás a dizer, o role tinha mais interesse pelo falhanço do que pelo sucesso e de facto podia ser um ponto de entrada para coisas mais interessantes. O problema aqui é que ainda estava coma mentalidade "cumprir objectivos", onde o importante é atingir as 50 Zaru, tenho que pedir aos meus jogadores para me ajudarem a não pensar assim.

Ralek escreveu:

Um à parte para dizer que isto foram meras sugestões.

Sim, mas a verdade é que nem me tinha passado pela cabeça fazer um role para aquela situação e é importante ganhar esse instinto para poder aos jogadores em vez de ser eu a decidir.