World of Warcraft

Retrato de kabukiman

Um amigo meu tanto me chateou, que me convenceu a fazer download da trial (que são apenas 27 megas) disponível por 10 dias; tinha sempre resistido, mas acabei por achar que era uma falta da minha cultura nunca ter jogado o mmrpg mais jogado do mundo.

Como disse só joguei a trial, portanto não conheço a burning crusade ou o Lich king, não cheguei ao fim do jogo, nem entrei em raids, e muito menos sou um jogador hardcore, mas fiquei com uma ideia geral do que um novato pode ter. Vou compará-lo com os outros 2 que já joguei (Lord of the Rings Online-LORO e Age of Conan- AoC), mas na minha análise não vou esquecer que este foi o primeiro mmrpg de grande sucesso no ocidente, nem que já tem uns aninhos, de modo que os outros puderam corrigir coisas menos boas.

Começando pelo Universo: o prestigio do universo de warcraft é uma pálida sombra em relação aos outros 2. Quer dizer, comparem conhecer/enfrentar Arthas e Illidan com conhecer Gandalf, Aragorn ou Conan ou enfrentar os Nazgull ou Thot-Amon. Por outro lado, o universo do senhor dos anéis está desde que eu jogo computador, cheio de jogos medíocres/péssimos, enquanto que o universo de Warcraft fez-me perder horas incontáveis de sono nas suas 3 encarnações: um bom universo é importante mas não chega e a Blizzard criando um universo parcialmente clonado do senhor dos anéis, conseguiu não o tornar aborrecido.

Quanto a gráficos: o WOW tem gráficos com 4 anos. O género é cartoon (que não me agrada muito, mas isso é gosto pessoal), com cores demasiado berrantes. Falaram-me de edifícios de tirar a respiração, mas experimentem subir ao ponto mais alto de Tortage em AoC e terão uma vista fabulosa. Os gráficos estão assim claramente ultrpassados (ligeiramente pelo LORO, bastante por AoC). Mas isto é uma mera diferença de grau. Mesmo os gráficos de AoC estão muito abaixo do que se faz nos jogos para Pc actualmente (não digo para comparar com o Resident Evil 5 que são um verdadeiro luxo, mas ao menos com o Silent Hill). Claro que a grande vantagem para o WoW, é que qualquer computador consegue correr o jogo, enquanto que LORO exige uma máquina razoável e AoC é só para computadores de topo de gama.

A banda sonora do WoW é bastante boa (a dos outros 2 jogos também).

Começando com a escolha de personagens: em WoW pode-se com o jogo base escolher 8 raças diferentes. 8. Forçosamente, alguém conseguirá encontrar uma raça que lhe faça as alegrias. A par das raças clássicas (humanos, elfos, anões) terá várias surpresas (undead, trolls). No LORO só tem acesso a 4 raças (não conto as raças maléficas dado que são praticamente um mini jogo só para PVP). É certo que o Universo de LORO é limitativo e não se sente muito a falta, mas mesmo assim, 8 raças… No AoC ainda é pior: 3 raças. Pode-se dar-lhes a aparência que se quer (dentro de uma certa gama), mas aqui não se compreende, pois existiam outras raças que existem no universo: Turam, Zíngaros, Kushitas, que são bem individualizadas. Pelo menos estão a pensar em incluir uma quarta raça (Kitham).

Quanto a classes: todos os 3 jogos têm mais ou menos o mesmo número de classes. Só que a Blizzard leva a palma aí. Todas as classes tem as suas fraquezas e forças, mas são jogáveis a solo. Há uma forte preocupação de não haver sobrevalorização de umas classes em detrimento de outras, o que poderia a levar apenas a determinadas escolhas. E no LORO existem especializações que não fazem muito sentido: enquanto que no WoW a classe guerreira pode ser um tanque/DPS/DPA conforme as necessidades do jogo, no LORO existem classes específicas para cada uma dessas funções … ora o que sucede, é k invariavelmente quando se vai numa quest de grupo, no LORO se não houver um tanque disponível, o DPA/DPS terá de funcionar como tanque para salvar o resto do grupo, embora não esteja feito para isso, prejudicando a eficiência. Mais, o WOW tem diversas classe híbridas bastante bem feitas (por exemplo, o druida pode curar ou servir de tanque ou rogue, o que lhe permite adaptar-se a todo o tipo de situação a solo, e colmatar qualquer falha que um grupo tenha) enquanto que no LORO, a única classe híbrida (o ruke-keepr) tem a capacidade de fazer dano ou curar (o que é excelente a solo), mas em grupo é unicamente usado para curar. Isto porque só existe outra classe de healers (os minstrels) que são um completo fiasco a solo, de modo que embora muito requisitados para grupos, são apenas a segunda opção para gente que já está incluída em kins para fazer frete ao grupo… Fica-se com a sensação de que o LORO foi criado a pensar que seria jogado em grupo com toda a gente a escolher em partes iguais as diversas classes.

No AoC, a coisa é mais equilibrada: todas as classes são perfeitamente utilizáveis (quer nas funções base, quer nos híbridos) quer a solo, quer em grupo (como exemplo, fiz quests bastante difíceis com o meu herald de Xotli- que faz imenso dano e compensa a fragilidade com protecção extra momentânea , apoiado por 1 invocador de demónios- um excelente buffer- e 1 sacerdote de Seth- que cura mas faz um dano terrível.

Em WOW a personagem tem diversas skills que vão afectando o jogo, mas não temos nenhum controlo sobre essas skills. Em compensação, existem spellskills (que são na realidade dependendo da raça, skills de combate ou efectivamente feitiços) que se podem escolher e que fazem um determinado dano (para além do combate normal). O LORO copiou-os desavergonhadamente, se bem que mudando-lhes o nome e complicando isso com traits e virtudes que melhoram a sua performance, mas que exigem uma infinidade de quests e grinding para serem melhoradas, o que se torna aborrecido. O AoC pegou nessa base, mas deu-lhe a volta: não basta carregar na tecla da spellskill, é preciso efectuar uma combinação de teclas (os combos) que dão efeitos visuais espectaculares e efeitos brutais (decapitação ou impalamento do adversário).

No caso da personagem morrer, no WoW pode-se voltar ao sítio onde se morreu sob a forma de fantasma ou ver o nosso material degradar-se; temos mais opções que nos outros 2 jogos (que escolheram respectivamente apenas uma das opções).

Quanto às quest em si: achei as do WoW uma seca. “Mata 20 criaturas e traz-me a pele delas”. Ou “vai do ponto A parta o ponto B e fala com X e volta cá”. Apanhei um par delas um pouco melhor, masnão chegou aborreceu-me. Ora o LORO sofre do mesmo problema: boa parte das quests é desse género. Não é que eu tenha problemas em andar a matar criaturas e arrancar-lhe os olhos para os trazer de volta. Mas podiam fazer isso de outra maneira. E o LORO felizmente aprendeu um pouco, pois tem imensas quest que disfarçam isso. “Vai ao local B, mata/salva/recupera o objecto C e volta cá”. Obviamente, terei de andar a matar provavelmente mais criaturas e recolher tudo o que elas largam, mas não tenho de andar à procura delas e a escrutinar o mapa como se fosse um caçador e a contar quantas faltam. Uma mera questão de filosofia. E como já tinha dito, o LORO tem imensas quest “civis” sem mortes ou violência.


O AOC tem alguma quests de grinding, mas poucas felizmente, sendo a maioria de ir a um local, matar um boss qualquer ou recuperar algo.

A história: Não prestei grande atenção à do WoW. Estava a jogar por night elfs, a terra está poluída por efeitos do scourge, temos de recuperar a imortalidade, blá, blá blá. A histórica central do jogo, passou-me obviamente completamente ao lado, estava em níveis demasiados baixos (mas quem eu conheço que chegou aos níveis mais altos, também não ligou grande coisa). A do LORO sofre do mesmo problema: tenta ser um pouco mais poético, mas não resulta. E embora tenham os books como ponto central, são demasiado facultativos.

Em compensação, a história inicial do AoC é fantástica. Somos envolvidos numa intriga desde o principio que nos diz respeito directamente e que faz sentido. O único problema, é que sendo existindo um número reduzido de quests específicos por classe, só conseguimos jogar 2 vezes o inicio do jogo com a sensação de originalidade; a terceira já é insuportável. Ora no WoW, embora as histórias sejam relativamente insípidas, são 8 inicios diferentes, e existem tantas quest, que se pode experimentar várias personagens sem se desesperar pela repetição (o mesmo se passa com o LORO, embora de forma mais mitigada).

WOW tem uma enorme vantagem: dado o grande número de jogadores, consegue-se sempre encontrar alguém. Em compensação, no LORO, a partir de uma certa hora, é praticamente impossível encontrar mais do que 2 jogadores, o que se torna impossível para realizar instances de grupo.

Bem, concluindo. O WOW é um jogo fácil de encontrar nas lojas e nos media, logo mais acessível ao público (embora de universo desconhecido, basta dizer que é parecido com o senhor dos anéis) e pode ser jogado até por crianças (ao contrário do AoC, que é para maiores de 18, embora boa parte do público me parecesse adolescente). Exige uma máquina pouco potente e a personagem sobe de nível rapidamente (ao contrário do LORO que tem uma velocidade de caracol para subir de nível), podendo-se jogar a solo ou em grupo perfeitamente, o que é perfeito para alguém a começar. As mecânicas do jogo são bem oleadas, sem complicações excessivas (como no LORO) ou falhas gritantes (AoC). Em compensação, os outros jogos introduziram numerosos aperfeiçoamentos que me levam a preferi-los. O LORO é um quase clone que beneficiou claramente de ter surgido depois, pois prestou nítida atenção ao que devia fazer para usando a franchise do mundo que tinha, conseguir um nicho próprio e melhorou diversos aspectos (apesar de algumas inovações pouco bem vindas). O AoC, apesar de diversas falhas, é suficientemente diferente para ser de facto original.

O meu veredicto (que é uma mera opinião pessoal): para alguém com um computador de fraca qualidade só resta o WOW. Para alguém que já esteja a jogar WOW, os melhoramentos do LORO não chegam para fazer mudar; mas deveria experimentar o Conan, só para ver uma coisa diferente. Para alguém a começar e com acesso a um bom computador, o LORO é uma boa opção.