Dungeons & Dragons Online

Retrato de kabukiman

 

Dungeons & Dragons Online (ou DDO como é conhecido)

Fiz download e joguei-o durante uns tempos. Fiz com uma sensação mista.- Tem coisas surpreendentemente boas, outras nem por isso.

Começando pelo principio. O jogo é gratuito. Isso é bom. Tem gráficos quase ao nível do senhor dos anéis (e muito melhor do que os WoW, pelo menos na minha opinião). Pode-se jogar até duas personagens gratuitamente (se quiser mais, tem de pagar).

Depois de escolhermos o servidor que pretendemos, temos a classe a escolher. Mage, cleric, rogue. Mas uma surpresa: dentro de cada uma destas classes, existem 3 sub-classes. No cleric, existe um cuja especialidade é curar, outro é mais de combate corpo-a-corpo, e finalmente um terceiro que usa feitiços para fazer dano. Optei pelo clérigo combatente e um necromante da classe dos magos. O jogo avisa da jogabilidade de cada sub-classe (o clérigo combatente é excelente a solo, o necromante muito fraco- tenho de admitir que não enganam).

Temos depois a raça. Humanos, elfos, anões e halflings. Quem quiser coisas esquisitas (estilo drow, gnomos, warforge), tem de pagar. Nada contra.

Temos a customização da personagem. Embora o aspecto não seja tão variado como no AoC , está muito acima do senhor dos aneis, de maneira que se consegue com um mínimo de trabalho, ter uma personagem com uma cara diferente das outras (mexendo nos olhos, boca, nariz, penteados, etc).

O universo passa-se em Eberon. Percebo porque: é diferente dos habituais medievais fantástico, não se tornando assim clone de numerosos outros jogos já existentes. Simplesmente não gosto da mistura de steampumk com fantasia (mas isso é uma mera questão de gosto pessoal).

As regras são D&D 3,5. Logo tem feats, skills e montes dessas coisas. O sistema de magia é diferente de quem está habituado aos outros jogos de computador e mesa de D&D. O número de feitiços é igual ao do RPG, mas temos uma quantidade de energia (maná) que se vai utilizando (em vez de um número fixo de possibilidade de os lançar); alguns feitiços acabam por gastar mais e enquanto estamos numa instance, esse maná não se renova. Assim, um clérigo de primeiro nível consegue lançar o feitiço de curar mais de uma dúzia de vezes o que o torna muito resistente (acrescido das poções, é quase invencível). Assim ao contrário de outros jogos em que só temos de esperar que a nossa personagem recupere o maná, neste temos de nos despachar.

Começamos numa ilha e temos de fazer uma instance que funciona como tutorial. Com o clérigo foi um verdadeiro passeio, com o necromante tive de ter muito cuidado. É que o necromante tem feitiços muito poderosos que matam à distância, de modo que 3 adversários são facilmente mortos ao aproximar-se, mas um quarto inimigo dará cabo dele infalivelmente, dado que ele tem muito poucos pontos de vida, nenhum equipamento de defesa e um mísero punhal como arma… O necromante é assim um bom personagem para uma party dado o brutal poder ofensivo que tem, mas um sofrimento para se jogar a solo.

Terminado o tutorial, estamos na aldeia. Dado que os servidores são poucos e estão jogadores de todo o mundo acantonado aí, o resultado é que temos sempre gente para fazer quests seja qual for a hora (ainda por cima ajuda o facto dos dadores das quests estarem todos concentrados, em vez de estarem espalhados pelo mapa como é habitual em outros jogadores.

As instances do DDO são originais a vários níveis. Nos outros jogos, as dungeons são construídas como enormes espaços, que devem dar imenso trabalho a ser feitas pelos designers. Ora imagino que seja frustrante ter tanto trabalho para ser usada uma única vez, e então para ser reutilizada continuamente os designers arranjam o esquema de “ muito bem, trouxeste este pergaminho que estava lá, mas aqui diz que ele faz parte de um livro e tens de o ir buscar” e depois “trouxeste o livro, mas eles estava numa prateleira onde estava outro livro…” e por aí além, obrigando as pessoas a ir lá diversas vezes.

DDO usa outra abordagem. Temos um nível fácil que dá um certo número de xp’s; passando isso, desbloqueia um nível médio, e depois outro difícil, outro épico e outro ainda superior (para personagens de nivel 20). O meu clérigo chegou ao épico, o necromante ficou-se pelo fácil… Assim repetimos as instances diversas vezes, embora se pretenda que há uma história.

Outra diferença é a presença de puzzles. Embora eles não queimem o cérebro ninguém, obrigam a pensar e dão um toque de originalidade.

Quando chegamos ao nível 2, temos acesso a uma quest que nos permite sair da ilha e vamos para uma cidade. Aí temos mais missões e continuamos com a história. A progressão pareceu-me bastante mais lenta que outros jogos; o tempo que demorei a chegar ao nível 2, teria-me permitido chegar ao nível 10 no AoC ou WoW; ora mesmo descontando que o tecto é o nível 20 (como no RPG), isso torna-o mesmo assim mais moroso.

Veredicto do jogo: para um jogo gratuito está bom. Tem algumas abordagens originais, e não se pode ter a mesma exigência que se tem com os outros que tem de se pagar mensalidade (muito menos quests e todas repetíveis ad nauseam). Existem muitas funcionalidades, produtos e elementos que se pode comprar com dinheiro, mas o jogo base está todo gratuito. Em relação a outros jogos gratuitos, tem o prestigio do nome (porque de facto há já jogos gratuitos bastante bons) e o LORO, embora lhe seja superior a vários níveis (sendo gratuito) só disponibiliza uma parte dos conteúdos… Em relação a jogos pagos, ele não resiste à comparação.