Alhambra

Retrato de MGBM
Alhambra - Capa

Em 2003 saía um boardgame de nome Alhambra que iria acabar por ganhar o tão afamado Spiel Des Jahres. E entretanto uma carrada de expansões sairam para o jogo.

Alhambra, um jogo de 2 a 6 jogadores de Dirk Henn, é sobre construir o palácio de Alhambra. Para tal teremos que comprar a vários mercadores e pagar com diferentes tipos de dinheiro.

A apresentação do jogo é boa. Os tiles que representam o palácio estão bem ilustrados, as cartas provaram resistir ao tempo e uso continuo. Mais importante, que é algo que todos os boardgames deviam ter, a caixa vem com slots para todas as peças, de maneira que tudo se encaixe bem dentro da caixa do jogo e fica tudo bem organizado e arrumado.

As regras estão claras e bem escritas e demora-se no máximo cinco minutos a explicá-las.

Este é um jogo que se trata principalmente de tile placement e set collection. O objectivo do jogo é ganhar pontos tendo mais um tipo de edificio que os outros jogadores. Para tal, temos que ter cuidado com a nossa mão de catas, que representa os vários tipos de dinheiro que temos.

As regras são simples. Há três acções e só podemos escolher uma. As acções são, sacar dinheiro, comprar e posicionar um tile do Alhambra ou fazer o redesign do nosso palácio.

O dinheiro é importante já que é com ele que pagamos o palácio. Mas é importante notar que há quatro tipos de dinheiro. No jogo, isto representa que o sitio onde compramos os tiles é dividido por quatro tipos de mercadores que levam dinheiro diferente. Logo é importante termos o tipo de dinheiro certo.

Comprar e colocar o tile do Alhambra é simples. Se tivermos dinheiro suficiente e do tipo correcto, compramos o tile e posicionamos no nosso palácio. Esta fase é um pouco tipo Carcassonne, no sentido em que os tiles seguem regras estrictas para serem posicionados. Todos têm que estar virados para a mesma direcção, a muralha tem que ser seguida de maneira lógica, nenhum tile pode estar isolado, não pode haver buracos no meio, etc. Básicamente é esta acção o centro do jogo.

Fazer o redeseign do Alhambra implicam tirar e pôr tiles de maneira diferente.

O jogo chega ao fim quando os tiles acabarem. Depois é só ver quem tem o máximo dos tipos de edificios e fazer o score consequente. Quem tiver mais pontos ganha.

Bem, de maneira muito resumido isto são as regras. Agora a minha opinião.

Este boardgame é realmente um boardgame abstracto. O tema até cola bem, mas a verdadeira natureza do jogo transparece com demasiada facilidade. Seja como for, é agradável ver o palácio crescer.

O que não é agradável para alguns é o facto de este jogo não ter absolutamente nenhuma interacção. Nada. Este jogo é na realidade um solitaire. Não podemos fazer nada que influencie os outros jogadores excepto sacar dinheiro e tiles. Construimos o palácio sozinho e só no fim é que o comparamos com os outros palácios. Este jogo é mais solitaire que o Princes of Florence, e isso é significativo.

A sorte tem um papel muito importante neste jogo, pois as cartas de dinheiro disponivel e os tiles de palácio são sacados randómicamente. No entanto a sorte aqui acaba por não desfavorecer ninguém, todos têm hipótese de ganhar inconsequentemente da sorte que tiveram durante o jogo.

Este jogo tem uma dose de estratégia e táctica, embora a táctica seja mais pesada. É preciso fazer planos a curto e a longo-prazo. A curto-prazo porque os tiles no mercado vão sempre mudando e não se pode fazer muitos planos com os tiles em turnos que não sejam o nosso. Mas também temos que pensar a longo-prazo, visto o palácio ter regras para a sua construção e nós querermos ter o máximo possivel de vários tipos de edificios.

O peso deste boardgame é entre o Middle Light e o Middleweight. Não é pesado, é até um bocadinho para o leve. Não é um Gamer's Game, mas também não é um filler. Joga-se em uma hora.

É muito bom para novatos, de facto, tão bom que já introduzi muitas pessoas nestas andanças com este jogo.

Mas não é tão bom para veteranos. De facto, questiono o poder do seu lasting appeal. O jogo é um pouco para o seco e pode enjoar rápidamente com repetidas jogatinas. Não me interpretem mal, é um jogo fixe, mas nem é muito bom nem mau, é pura e simplesmente mediano.

Merece o Spiel Des Jahres? Sim, merece. É um boardgame com um design muito interessante. Ter diferentes tipos de dinheiro é um promenor muito bom. Mas não é um boardgame que o meu grupo jogue muitas vezes. Tem que ser em doses moderadas caso contrário acabamos fartos deste jogo.

Já sairam várias expansões para o jogo, mas como não as tenho não posso afirmar como elas mudam o jogo.

Um bom boardgame para ter na colecção, nem que seja para dizer que temos o Spiel Des Jahres de 2003. Mas não esperem nada do outro mundo para não ficarem desapontados.

Um 13 de 20.

http://www.boardgamegeek.com/game/6249

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O meu número da sorte!

Só 13? :)

Gostei muito do jogo, e eu e a minha mulher adoramos jogá-lo... mas há que dizer que uma destas quartas-feiras o experimentei lá com o resto dos boardgamers e fiquei menos satisfeito com a sessão. Talvez o jogo funcione melhor a dois do que com bastante mais gente?

Quanto à crítica da falta absoluta(?) de interacção e de ser um jogo de solitária... Não sou um boardgamer tão veterano e inveterado como o resto do pessoal, mas não é nada assim que vejo o jogo, pelo menos quando jogado a dois. Todas as nossas acções ali dependem do que o adversários andam a fazer; temos de ter em conta a todos os momentos o que o adversário já construiu e os que não está a construir, ter uma ideia do valor e tipos de moeda que ele tem na mão, e avaliar o valor das opções lhe estamos a deixar quando tomamos a nossa. É verdade que não podemos exactakmente ir lá ao palácio dele e partir-lhe a mobília, mas podemos fazer algo quase tão bom: apanhar os tiles que ele anda a coleccionar, ultrapassá-lo, e assim impedi-lo de pontuar.

Mas pronto, jogado a dois é capaz de ser bem mais engraçado que com uma molhada de gente, até porque há uma opção extra: dar tiles ao "terceiro" jogador (jogando com dois jogadores passa a haver um 3o jogador que colecciona tiles aleatórios e também pontua); foi com uma jogada dessas que a minha mulher me passou à frente num dos nossos jogos.

Alhambra

ricmadeira escreveu:

Só 13? :)

Yeap, é um jogo bom, mas há muito melhor por ai hehehe

ricmadeira escreveu:

Gostei muito do jogo, e eu e a minha mulher adoramos jogá-lo... mas há que dizer que uma destas quartas-feiras o experimentei lá com o resto dos boardgamers e fiquei menos satisfeito com a sessão. Talvez o jogo funcione melhor a dois do que com bastante mais gente?

Sim, a dois o jogo funciona melhor.

ricmadeira escreveu:

Quanto à crítica da falta absoluta(?) de interacção e de ser um jogo de solitária... Não sou um boardgamer tão veterano e inveterado como o resto do pessoal, mas não é nada assim que vejo o jogo, pelo menos quando jogado a dois. Todas as nossas acções ali dependem do que o adversários andam a fazer; temos de ter em conta a todos os momentos o que o adversário já construiu e os que não está a construir, ter uma ideia do valor e tipos de moeda que ele tem na mão, e avaliar o valor das opções lhe estamos a deixar quando tomamos a nossa. É verdade que não podemos exactakmente ir lá ao palácio dele e partir-lhe a mobília, mas podemos fazer algo quase tão bom: apanhar os tiles que ele anda a coleccionar, ultrapassá-lo, e assim impedi-lo de pontuar.

Sim, sem dúvida. Mas, tal como no Princes of Florence em que também se tem que ter em conta o que o adversário já construiu devido ao facto do número de edificios ser muito limitado, eu acho o Alhambra solitaire no seu essencial. Sim, temos que ter em conta o que os adversários têm ou não, mas no fim não podemos interagir com os outros jogadores. Isso para mim é solitaire, a total falta de interacção activa entre jogadores. Claro que não é a interacção passiva que faz um jogo solitaire ou não, mas eu vejo o Alhambra mesmo como sendo solitaire com interacção passiva.

ricmadeira escreveu:

Mas pronto, jogado a dois é capaz de ser bem mais engraçado que com uma molhada de gente, até porque há uma opção extra: dar tiles ao "terceiro" jogador (jogando com dois jogadores passa a haver um 3o jogador que colecciona tiles aleatórios e também pontua); foi com uma jogada dessas que a minha mulher me passou à frente num dos nossos jogos.

Ya, a dois é interessante. A 6 também é mas eu sinceramente não achei este boardgame assim tão especial. Esperava mais e melhor, o que pode ter reflectido negativamente na minha opinião do boardgame.
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"You can not escape me!" he roared. "Lead me into a trap and I'll pile the heads of your kinsmen at your feet! Hide from me and I'll tear apart the mountains to find you! I'll follow you to hell!"

---- Behold the pain and sorrow of the world, Dream of a place away from this nightmare. Give us love and unity, under the heart of night. O Death, come near us, and give us life!

expansões

Eu só joguei uma vez, e não fiquei muito entusiasmado... gostava de experimentar outra vez para poder dar uma opinião mais fundamentada.

Alguem experimentou as expansões? E o Garden que é completamente diferente?

Vi tantas caixas na loja, que fiquei naquela se é moda/hype ou fica realmente melhor.... 

Alhambra expansions

vch escreveu:

Eu só joguei uma vez, e não fiquei muito entusiasmado... gostava de experimentar outra vez para poder dar uma opinião mais fundamentada.

Alguem experimentou as expansões? E o Garden que é completamente diferente?

Vi tantas caixas na loja, que fiquei naquela se é moda/hype ou fica realmente melhor.... 

Embora eu nunca joguei com as expansões, pelo que tenho lido parece que o jogo fica muito melhor com elas. Logo acho que vale a pena comprar o boardgame com as expansões todas.

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"You can not escape me!" he roared. "Lead me into a trap and I'll pile the heads of your kinsmen at your feet! Hide from me and I'll tear apart the mountains to find you! I'll follow you to hell!"

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Vizir's Favour

A unica expansão que experimentei foi a primeira que tem 4 módulos diferentes que podem ser acrescentados ao jogo ao mesmo tempo ou um de cada vez. 

O módulo que mais gosto é o do Vizir que permite a um jogador comprar uma peça fora do seu turno desde que possa pagar com o valor exacto. Para reactivar esta opcao do vizir terá que gastar uma accao durante o seu turno.

Isto permite roubar das barbas de outro jogador alguma construção que nos fazia mesmo falta, adicionando um pouquinho mais de interactividade ao jogo. 

assim já parece mais

assim já parece mais interessante.... e os outros módulos não são muito fixes?

os outros tres módulos

os outros tres módulos adicionam:

1 - dinheiro versatil (tanto pode ser usado para comprar azul/verde ou outrs combinacoes) - nao melhora em nada o jogo

 2- um estaleiro que duplica o valor dos edicios que lhe sao anexos se forem do mesmo tipo - torna a construcao do palacio ainda mais angustiante

 3- umas cartas que valem um edificio - fica um pouco injusto para quem saca a carta

Se der para comprar esta expansao barata acho que vale a pena para quem tem 5 ou 6 jogadores que até gostem deste jogo. 

tens razão

então à primeira vista também diria que o vizir é que é o mais interessante....

Exactamente a minha

Exactamente a minha experiência e a minha opinião. Gosto muito do jogo jogado a dois. Suponho que com mais jogadores os participantes passam muito tempo à espera da sua jogada, o que diminui o interesse, mas a dois é excelente. A crítica não refere mas os pontos contam-se em três fases, o que é também bastante interessante pois podem acontecer reversos de fase para fase, o que dá um certo sal. E funciona também como jogo solitário o que não é nada mau.~

Eu comprei uma extensão mas praticamente não a joguei pois não acrescentou nada mais do que complexidade. Foi um erro meu. Gostei tanto que nem me recordo qual ela seja. Mas se bem me recordo fiquei com a impressão que a extensão funcionaria melhor num jogo com mais jogadores.

Sérgio Mascarenhas

Sérgio

Comentário Alhambra

Comprei o jogo à pouco tempo, e posso dizer que é agradável de jogar. Para desanuviar de jogos mais pesados é muito bom. Em termos de interacção directa, sim é verdade que é nula. É um jogo que mistura várias mecânicas. É bom porque está quase tudo à vista. Ninguém pode esconder o que anda a fazer. É rápido de jogar, bastam uns 30 minutos. Também acho que não se pode abusar do jogo, pois parece enjoar rapidamente. Mas para quem tenha uma razoável colecção de jogos, este risco não existe. Actualmente existem 4 expansões, mas nenhuma me chamou a atenção em particular. Acho que prefiro investir em outros jogos....

Para introduzir pessoas ao mundo dos jogos de tabuleiro é um bom jogo, pois mistura várias mecânicas. Tem regras simples e é rápido de jogar.

Mais qualquer coisinha...

Gostei da tua review; tanto as regras como os comentários parecem-me claros e até partilhamos a maior parte das apreciações, embora subisse a nota.

 

Quero, no entanto, salientar três pontos, que poderão até ser vistos como um complemento à tua review:

  1. Creio que o principal factor do jogo esteja em comprar com o dinheiro à conta, não por pouparmos dinheiro, mas por pouparmos acções. Se o fizermos, conta como 0 acções e assim podemos continuar a desenvolver o nosso jogo. Para isso, mais importante do que cartas de dinheiro altas, é importante ter das pequenas, porque são estas que conseguimos transformar na quantia exacta. Assim, se no momento da escolha do dinheiro estiverem 6 – 5 – 1 – 3, independentemente da cor (na altura até poderei ter em conta outros factores), é quase certo que opto pelo 1 pelo 3, pois há uma regra que diz que posso retirar duas cartas se a soma não ultrapassar 4. Se houvessem 8s ou 9s já pensaria de maneira diferente, mas creio que consegui expor o meu ponto de vista…
  2. Não falas na muralha, que influencia, e de que maneira, o jogo. Quem comprar casas com muralha tem duas vantagens e uma desvantagem; as vantagens são serem mais baratas e cada muralha valer pontos na sua ligação mais extensa, a desvantagem é limitar o desenvolvimento da Alhambra. Visto isto, recomendo que se opte pela estratégia oposta à dos adversários; ou seja, se estão a “muralhar” o set deles, optar por tiles amplos, pois vão começar a abdicar das comprar por não as conseguirem colocar em jogo e isso permite que não os comprem e deixem para ti, que mais tarde logo “muralhas” o teu set quando já o puderes fazer à vontade por teres tantas posições disponíveis; se, por outro lado, estão a comprar tiles amplos, arrisca um pouco mais e começa a definir uma grande muralha, pagando caro se necessário, pois isso trazer-te-á uma grande pontuação de muralha, aproveitando para comprar os tiles baratinhos que os cautelosos abdicam enquanto só compram os que dão maiores garantias e que custam balurdios.
  3. Concordo com o teor abstracto do jogo e, nesse sentido, gostaria de salientar aquilo que mais me faz rir. É que a malta gosta muito de preencher os terrenos com construções iguais ao lado umas das outras… Neste sentido, a editora podia ter contornado a coisa, bastava que cada tile tivesse algumas variações dentro do género e já não pareceria uma caderneta de 40 páginas completa mas preenchida apenas com 6 variedades de cromos… Já houve jogos em que acabei a minha Alhambra com 7 tiles iguaizinhos no meu set, parecia uma urbanização de palácios!

 

Eu gosto muito do jogo, no entanto, tal como alguém já aqui escreveu, prefiro experimentar outras novidades a investir nas expansões, assim, de lés a lés dá a saudade e continua a ser sempre um jogo bem recebido. Digo isto porque tenho investido no parente Carcassonne, tenho uma dúzia de expansões e, desde que juntei a segunda, já só a minha mulher tem paciênciazombie para jogar, pois não há novato que se inteireindecision nem pachorra que aguenteangry!

Ricardo Jorge Gomes

O jogo Alhambra acho

O jogo Alhambra acho fantastico, a mecanica e até e arte com a qual é criado, mas tambem acho que funciona melhor para dois

16 em 20

Gostei do review do jogo. Eu dou um 16. A razão é porque este foi um dos meus jogos mais jogados e nunca tive uma partida em que não me divertisse enquanto jogava. Sim tem um valor sentimental mas essa não é a razão. Já joguei jogos em que determinada altura já queres que o jogo acabe, com o Alhambra isso nunca me aconteceu. Não dou 16 por achar que é um jogo muito bem montado, que desafia o jogador a pensar muito na sua estratégia, nada disso. Este 16 é principalmente pelo seu factor de “satisfação ao jogar”. Eu sei que tem muita sorte. Mas também tem o Camel Up e torna-se também num grande jogo pelo seu factor de satisfação. Parece uma coisa fácil mas acredito que fazer um jogo simples e ao mesmo tempo super empolgante e intusiasmante deve ser bastante dificil. A genialidade deste jogo está ai, fazer do simples algo super interessante.

Não concordo que seja um jogo tão solitário como descreves. Várias razões, Ir buscar peças a um mercado comum tem interação. Existir uma corrida por determinado tipo de peças (temos que estar constantemente atentos à construção do “Alhambra” do nosso adversário para saber se vale a pena ir buscar uma peça branca por exemplo, ou então esperar visto que já estás com bastantes brancas e vai ser dificil alguém te ultrapassar a curto prazo. Como sabes quantas peças de cada cor existem vais gerindo a construção do teu Palácio). E também tens que gerir a construção da tua muralha. Por isto tudo acho que tem uma boa doze de interação.

Aconcelho a jogar com 3 ou 4 jogadores.

Sublinho

Também dou 16 em 20. 

A versão base foi muito jogada cá em casa. Entretanto comprei a Big Box, e devo dizer que as expansões funcionam muito bem e complementam o jogo. No entanto fica muito mais longo e quem joga Alhambra não é o tipo de jogador para jogos longos. Mas é um que deve estar em toda a coleção, mesmo com otempo que tem, e a oferta cada vez maior.